quarta-feira, novembro 30, 2011

Vox populi




Enfim, arrumei um trabalho de pesquisa que não requer muito do meu tempo. Meu tempo sagrado, meu tempo ocioso ou ativo, meu tempo minha igreja, meu tempo reflexivo. Refletir sobre a retórica do discuso político. A pesquisa nunca é confiável, nunca expressa, de fato, a “opinião pública”. Opinião significa doxa e não epistème, não é saber e ciência ao mesmo tempo. É simplesmente um “saber”, um opinar subjetivo para o qual não se exige comprovação. Contra Habermas, que sustenta que Locke, Hume e Rousseau forjam a “opinião pública” falseando e forçando a doxa platônica para significar um juízo racional. Essa tese não é aceitável pois todos os autores do iluminismo conheciam muito bem o grego. Disseram opinião, portanto, sabendo bem que doxa, na tradição filosófica, significa o oposto de verdade objetiva. A matemática não é opinião, do mesmo modo que podemos dizer que opinião não é uma verdade matemática. As opiniões são fracas e voláteis, mas ao contrário, quando se tornam convicções profundas e profundamente radicadas, então devem ser chamadas de crença, e nesse sentido, o problema muda. Quanto mais uma opinião fica exposta a fluxos de informações exógenas, provenientes do poder público, mediante órgãos de informação de massa, tanto mais a opinião de grupos sociais corre o risco de se tornar hetero-dirigida.

3 comentários:

Letícia Alves disse...

Pensando no meu doutorado, vou pesquisar sobre discurso científico.

Dandara disse...

esse texto tá muito difícil pra eu conseguir adicionar qualquer comentário construtivo.

Papagaio Mudo disse...

piu-piu

Dandara