sexta-feira, março 25, 2011

terça-feira, março 22, 2011

Florbela Spanca

Eu queria mais altas as estrelas

Mais largo o espaço, o sol mais criador,

Mais refulgente a lua, o mar maior,

Mais cavadas as ondas e mais belas.

. . .

Mais amplas, mais rasgadas as janelas

Das almas, mais rosais a abrir em flor,

Mais Montanhas, mais asas de condor,

Mais sangue sobre a cruz das caravelas!

. . .

E abrir os braços e viver a vida

-Quanto mais funda a lúgubre descida,

Mais alta é a ladeira que não cansa!

. . .

E, acabada a tarefa…, em paz, contente,

Um dia adormecer serenamente

Como dorme no berço uma criança!

segunda-feira, março 21, 2011

miojo, arroz e sardinha


Sabe, não aguento mais esperar essa transição, essa arrumação, essa mutação, essa incerteza, esse lento contagio das horas, esse tango sem compasso. Busquei nas cinzas o que restava e refiz vôo em sentido as montanhas e ao horizonte infinito, enquanto os ventos tocavam minhas asas e os vermes mordiam minhas entranhas. Rezei trezentos e sessenta graus em torno de mim mesmo, o mais alto que estive só, o mais distante. Compartilhei com os elementais a mesma água empoçada que fazia purificar meu corpo. Escopo do topo não concedeu felicidade final. Buscava o interno Eu eternamente perdido nas montanhas e nunca rasgando os vales, nunca descendo do ar puro q me alimenta o cérebro. Chego a não ter ação. Chego a estar infernizado com a ausência dos meus pés na terra. Não consigo ver Deus. Não consigo ser praga nem pragmático, se embora nada houvesse. O verme segue contente adiante o seu, aparentemente, insignificante destino.

domingo, março 20, 2011


20 de março de 2011,

...

Hoje, às 20h18min, acaba o verão. Verão passado foi inglório, mas hoje isso se torna apenas passado. Hoje estou, de fato, tirando todas as coisas do meu quarto; gavetas, armário, tudo. Tudo que quero preservar. Já encaixotei meus livros e minhas pequenices que são tudo que tenho. Joguei fora poucas coisas sendo que já tinha tudo armazenado, pois nunca me instalei realmente. Cada estante já está vazia. A cada instante descubro coisas esquecidas, uma camisinha vencida, cartas sentimentalistas (pois as mulheres e as mães escrevem cartas sentimentalistas), manuscritos à caneta que há muito não existe. Mexendo em minhas últimas gavetas, encontrei uma coleção de calcinhas. Quê dizer? São de relações que também não existem mais. Símbolos icônicos de fetiche que não tenho mais. Nem sei distinguir de quem são. São de antigas namoradas, sim, que cantam agora em outras serenatas. As pequenices também são ícones que trago pela curta jornada da vida. Objetos, não muitos, que relaciono a determinadas lembranças, que racionalizo, mas que invadem o setor afetivo. Essa “mudança” é para mim quase um “despacho”. O Titanic está afundando. Quebrou-se o eixo central, a água invade às plenas e quem pode se salva. Renascer é quase um vento divino, um suicídio existencial Kamikaze. Um ir sem deixar-se levar. Um pulo de ponta, um dar-se conta de que mesmo as pequenices de passado não existem. Só significam algo para mim. Algo que se perde e que se renova, pois o sol não pede licença pra nascer a cada dia. Sigo seguindo. Do mundo não saio. Não sou santo, mas se caio me levanto. Da vida trago só a própria vida e as marcas que ganhei. Os espinhos rasgam a carne, dilaceram a alma e o caminho é árduo. Tudo está vazio e estou mentalmente pronto. Existe, de certo, uma auto-organização em meio ao caos, percebe?, que cria e desembaraça novelos. Um fio, aparentemente, interminável de filamentos que se desgrudam desse elemento essencial. Não sei para onde vou crescer. Não traço minha vida com régua. Não sei qual será o próximo passo, mas sigo andando. Desnorteado? Eu me oriento pelas estrelas e pelas sombras, pelo céu e sol. Sou um homem, um animal autobiográfico. Durmo durante a noite e acordo quando amanhece. Sigo pelos horizontes que despontam a minha frente. Hoje é domingo, tudo está vazio. O domingo não gosta de ver ninguém bem. (as calcinhas vão pro lixo).

sábado, março 19, 2011

Allen Ginsberg, Jack Keroac and Gregory Corso

Alô
...
É desastroso ser um cervo ferido.
Eu estou muito ferido, os lobos rondam
e tenho meus fracassos também.
Minha carne ficou presa no Gancho Inevitável!
Quando criança vi todas as coisas nas quais não queria me
transformar.
Serei a pessoa que não desejava ser?
Aquela pessoa que-fala-sozinha?
Aquele de quem os vizinhos caçoam?
Serei eu aquele que, nos degraus do museu, dorme de lado?
Estarei usando a roupa do cara que falhou?

Sou um sujeito lunático?
Na grande serenata das coisas,
serei a passagem mais cancelada?

....Gregory Corso

(Lady Vestal e Gasolina – Poesia Urbana)

...

Gregory Corso nasceu em 1930, no Greenwich Village, em Nova York. Filho de uma família paupérrima, passou a infância em orfanatos e reformatórios e mais tarde foi adotado por várias famílias alternadamente. Não escreveu uma autobiografia, mas revisitou a casa natal:
...

"Permaneço parado na luz escura da rua escura
De sobretudo e cigarro no canto da boca
Chapéu sobre os olhos, um berrona mão
Cruzo a rua e entro no prédio,
As latas de lixo continuam cheirando mal (...)"

...

Em 1958, Jack Kerouac escreveu: "Considero Gregory Corso e Allen Ginsberg os dois melhores poetas da América. Corso é um garotodurão nascido no Lower East Side que cresceu como um anjo acima dos telhados e canta canções italianas tão lindas qanto Caruso ou Sinatra, só que com palavras de sua alma renascentista." Seymour Krim, que o considera "imprevisível e inclassificável", escreveu: "Contraditório em tudo, Corso reúne um inacreditável refinamento verbal e um talento excepcional ao encanto endiabrado de um moleque de rua." Atualmente, continua sem residência fixa, sem CPF, sem grana e sem destino. Perambula pelos EUA em companhia do filho Max Orfeo.

sexta-feira, março 18, 2011


Chego à capital da Rodésia no fim da tarde. O lilás tomou conta do céu. Táxis-lambreta trafegam por toda parte. Toda sorte de luz neon brilha agora sobre o céu do firmamento. Um elefante caminha no meio da rua, guiado por adestrador cego. O elefante guia o adestrador. É um elefante-guia. Buzinas por toda parte. Não sei onde dormir. Arrumei todas as coisas que prezo: livros, manuscritos, suvenires, bobagens. Colchão novo me aguarda. Uma porta-prancheta, esse que chamam computador e a luz do quarto, as estantes, as estrelas, meus quadros... Saudades que lembram a realidade de projetar antes o que já está preparado para o salto. A Rodésia vai fazer com que eu esqueça a doença, a mala-dicha, o sintoma. Transforme e provoque uma pequena amnésia. Joguei todo desnecessário no lixo. Guardei apenas o essencial. Aqui faz um frio glacial.

Hysteria

As she laughed I was aware of becoming involved in her
laughter and being part of it, until her teeth were
only accidental stars with a talent for squad-drill. I
was drawn in by short gasps, inhaled at each momentary
recovery, lost finally in the dark caverns of her
throat, bruised by the ripple of unseen muscles. An
elderly waiter with trembling hands was hurriedly
spreading a pink and white checked cloth over the rusty
green iron table, saying: "If the lady and gentleman
wish to take their tea in the garden, if the lady and
gentleman wish to take their tea in the garden ..." I
decided that if the shaking of her breasts could be
stopped, some of the fragments of the afternoon might
be collected, and I concentrated my attention with
careful subtlety to this end.

T.S. Eliot
...
Enquanto ela ri, eu estava consciente de ficar envolvido em seu
riso e ser parte dela, até que seus dentes eram
apenas estrelas acidentais com um talento para a broca-esquadra. Eu
fui elaborado por suspiros curtos, inalado em cada recuperação
momentânea, perdido finalmente, nas cavernas escuras de sua
garganta, ferido pela ondulação de músculos invisíveis. Um
garçom idoso com as mãos trêmulas apressadamente foi
espalhando um pano rosa e branco acurado ao longo da enferrujada
mesa de ferro verde, dizendo: "Se as senhoras e senhores
desejam tomar seu chá no jardim, se a senhora e
cavalheiro desejam tomar seu chá no jardim ... "Eu
decidi que se a agitação dos seios pode ser
parada, alguns dos fragmentos da tarde podem
ser recolhidos, e eu concentrei minha atenção com
cuidadosa sutileza para esse fim.

quarta-feira, março 16, 2011

a poesia ganha sexualidade



Bawdy Can Be Sane
D.H. Lawrence

Bawdy can be sane and wholesome,
in fact a little bawdy is necessary in every life
to keep it sane and wholesome.

And a little whoring can be sane and wholesome.
In fact a little whoring is necessary in every life
to keep it sane and wholesome.

Even sodomy can be sane and wholesome
grandet there is an exchange of genuine feeling.

But get any of them on the brain, and they become pernicious:
bawdy on the brain becomes obscenity, vicious.
Whoring on the brain becomes really syphilitic
and sodomy on the brain becomes a mission,
all the lot of them, vice, missions, etc., insanely unhealthy.

In the same way, chastity in its hour is sweet and wholesome.
But chastity on the brain is a vice, a pervesion.
And rigid suppression of all bawdy, whoring or other such commerce
is a straight way to raving insanity.
The fifth generation of puritans, when it isn’t obscenely profligate,
is idiot.
So you’ve got to choose


A Indecência Pode Ser Saudável

A indecência pode ser normal, saudável;
na verdade, um pouco de indecência é necessário em toda vida
para a manter normal, saudável.

E um pouco de putaria pode ser normal, saudável.
Na verdade, um pouco de putaria é necessário em toda vida
para a manter normal, saudável.

Mesmo a sodomia pode ser normal, saudável,
desde que haja troca de sentimento verdadeiro.

Mas se alguma delas for para o cérebro, aí se torna perniciosa:
a indecência no cérebro se torna obscena, viciosa,
a putaria no cérebro se torna sifilítica
e a sodomia no cérebro se torna uma missão,
tudo, vício, missão, insanamente mórbido.

Do mesmo modo, a castidade na hora própria é normal e bonita.
Mas a castidade mo cérebro é vício, perversão.
E a rígida supressão de toda e qualquer indecência, putaria e relações assim
leva direto a furiosa insanidade.
E a quinta geração de puritanos, se não for obscenamente depravada,
é idiota. Por isso, você tem de escolher.

terça-feira, março 15, 2011

Wirkung über

In diesen Tagen habe ich eine enorme Rückenschmerzen hatte. Ich bin sicher, dass sich wegen der sehr weichen Matratze. Tatsächlich ist es eingefallen, und ich war wie ein Buddha aus der fünften Dimension versenkt sieht seine Bäumchen im Fenster und schlammig Landschaft im Hintergrund und drehte in Schmerzen an der Basis der Wirbelsäule. Die Hauptstütze der Schädel, der ein Achtel des gesamten Körpergewichts wiegt. Ist mein Kopf, dass schwere geht? Hat der Mann nicht einmal gemacht, die zu Fuß gehen? Spiezgang den seltenen wissenschaftlichen gebogen. Gewicht auf meinem Bett liegend in einem Feld von Blumen. Ich denke, die violette Flamme, die Farbe lila, goldene Licht. Ich schlief auf dem Boden der zwei Tage, doch das Bett bricht die meisten spielen. Das ist die Prämisse antinomischen - körperliche Schmerzen Vergessen Sie die Gleichheit, hat fleißig Biene keine Zeit für Gleichheit. Das Ziel in der Bauchlage setzt dich demütig im das Horizont. Hoffentlich war es nicht zu mir legte sich auf seinen Bauch.

mais menos mais




Rasgo mais uma madrugada, mais um pedaço de hora, mais um espaço do tempo. Lá fora, minha impressão de vida pela janela. As nuvens róseas, o contraste. A cidade silencia. Luzes se apagam. Luzes acesas e outros notívagos.

__Mas você está usando um adesivo de vinte e quatro miligramas.
__Pois é. Estava esperando a hora de te dizer que esses adesivos de nicotina não adiantam porra nenhuma.

sexta-feira, março 11, 2011

gone tatto

Ricardo Cavolo

Sufocado, perdido, suspenso em lugar estranho. Agora nada ganho com a solidão adjacente. Nada se revela em palavras. Nada vejo por trás da tela. Balela dizer quem me conhece. Eu não conheço nada. Sou o homem detrás da porta. Devo ser terrível, ninguém me suporta. Ninguém resiste por falta de resistência. Sou “pesado” alguém me disse. Galhardia e devoção estão fora de moda. O sábio disse ao “pesado” - drogar-se é uma forma de sacrifício. Um devir humano tornou o pesado mais leve. A doc. disse que eu tenho um quê de psicose. Não sou psicótico nem aqui nem na China, sou o homem de barba. Primeira característica – negar. A francesa disse que minha barba tem cheiro de serragem, madeira seca. Carmencita confirmou e depois me apunhalou pelas costas, alla Bergman, fria e calculadamente. Sozinho diante do nada. Superei obstáculos físicos e mentais nessa última caminhada. “Morreu como herói. Venceu a si mesmo” e a bundinha de nada, o pedacinho de carne sussurra nos meus ouvidos: “idiota, frustrado”. Faz parte da proliferação das massas na indústria da cultura, do cinema e da literatura. Quando a enferma ignorância permanece na linha de montagem. Eu amo demais, mas quem amar? A putandice cruélica levou-me ao celibato. Leve, agora, busco a senda do sagrado. Sabe, sei que viver é amar, perdoar e esquecer. Em comunhão com o hipertexto, a sociedade, as pessoas e a natureza, que apesar dos tigres da ira serem mais sábios do que os cavalos da instrução, sinceramente gostaria de mandar-te um grande foda-se! minha indisciplina cristã, ma mistake de monge. Minha Via Vida pantagruélica pelas frentes, sem fantasia. Vivendo a concreta realidade. Sonhos? sonhos que se manipula com a mão. O poeta passa a ser apenas uma excrescência ornamental dispensável e “pensar” tornou-se um artifício desnecessário. Sou poeta, interesso-me por pessoas. Mortifico-me em saber que você pensa que não existe “amor” – repleto de sin-signos infinitos, infinitamente interpretáveis. O amor existe, mas a juventude ainda não sabe. O sonho está morto até que eu me case e tenha três filhos. Desposar alguém que mereça a mesma atmosfera íntima com que conquistei minha leveza. Ser idiota e/ou ser pragmático? O paradoxo toma de assalto quando menos se espera.


quinta-feira, março 10, 2011

Cogito

...

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
...
eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora
...

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
...
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.

...


Torquato Pereira de Araújo Neto

quarta-feira, março 09, 2011

Candy self-portrait

Tarde nuvem rósea e passageira. O espírito de Maria paira no ar, estrito senso, calmaria. Facécia devassa imutável, alma do carnaval. Dores na coluna significam medo de viver. Um resfriado pode significar carência afetiva. A vontade de se alimentar é pulsão de vida, a hipofagia não. Costumo pontuar e isso não é um bom costume. Eu diria que “tento” ordenar a linha do tempo, mas enfim, o ser humano é paradoxal. E todos tentam formular o seu próprio manual de felicidade. Ser é divino tanto quanto o exercício maquinal diário e automático. Mas sóbria, ainda resta à perfeição da natureza. (no photoshop included)

terça-feira, março 08, 2011

Cuidado com os olhos.

Convido-te a conhecer meu universo. Página rasgada de versos, dois únicos versos que se transcendem em milhares, geram signos infinitos do meu próprio umbigo. Agora são páginas que rasguei em pedaços. Impossível ler os pequenos fragmentos. Inviável ler o que estava escrito. Os sinos badalam. Miles ao meu lado. Foi um sonho que eu tive a noite passada. O embalo do carnaval é sempre meu “inferno astral”. Véspera do dia em que nasci dezenove de fevereiro. La tedesca me disse que sou peixes. A minha vida cresci com meus pais dizendo que eu era aquariano. Conflito de signos. Pobre não tem tempo pressas coisas. Concluí que nasci num dia de transição, mas quê importa? Eu nada sei sobre as conjunções astrais. Andava lendo nos jornais a presciência de cada signo e, dependendo mensagem, eu escolhia quem era: peixes ou aquário. Não durou muito esquecer os planetas e me guiar apenas pelas estrelas.

segunda-feira, março 07, 2011

Tempus Fugitiv

Cai a chuva, fina e última. Encaro o derradeiro momento como um fugitivo do tempo. As escolas de samba me dão certo enjôo. A fina chuva combina muito mais com as notas caídas. Esse verdadeiro lirismo derramado, cansado, sofrido, tênue, suave, me deixa. Escrever aqui não faz mais sentido. Escrevo sem nexo. Essa enxaqueca passa pela pauta do improviso. O sopro e o braço arqueado do garoto são coisa expressiva. A dor na cabeça minerva. Já deitei no escuro por mais de duas horas, em silêncio. O carnaval me deixa tenso. Não há nada na TV, apenas carnaval das mais diversas maneiras que se possa imaginar, das mais diversas formam que possam explorar a indústria da fantasia e alegria. Imagino-me mentalmente sozinho, sentado em um pub vazio tomando um trago. Esse jazzinho macio e Miles Davis ao meu lado. Sozinho por dentro. Cheio por dentro. Cheio de palavras, contos, casos e cheio até de ladainha que despreza e que desdenha. Aguardo que venha a aguda intercessão dos mortos de mim mesmo. Entendo que caiba um seguro-saúde nesse caso. Receio transcender o Zen. Temo que ninguém entenda o silêncio quando eu falo. Por isso calo. Por isso me entretenho com a superfície mentirosa. Por isso descarto vírgulas, inverto verbo, invento vocábulos. Alguns caracteres a menos, sim, farão falta. Amo pelos meios, meus pequeninos e desbotados floreios.

domingo, março 06, 2011

.
Ich liebe für das Böse das dich gemacht
...

Você respinga gotas de iluminuras e chuva em minha janela. Tento criar meus próprios conceitos de felicidade real, vida real, de sonho, utopia, ideia, acaso, vontade, apatia, incongruência, concorrência, combatividade, coerência, discrepância, iniqüidade, incoerências, probabilidades, improbabilidades, realidade, vida, redundância, excesso, humildade, pensamento, prolixidade, difusão, pleonasmo, espargimento, recomeço, fluidez, utilidade, refluxo, reflexo, volúpia, volatilidade, voragem, voluptuosidade, insuportabilidades, dedução, conclusão. Incerto, hipertexto, ocasional, arbitrário, randômico, díspar, dessemelhante, estrela, fatalidade, fortuna, ventura, coincidência, acaso, rejeição, desertificação, sequidão, rispidez, desgosto, paz, assombro, medo, amargura, descontentamento, inferência, desconfiança, infinitude, impermanência, interminável, infindável, eterno, veridicidade, verdugos, vales, abismos, finais, afinal. O que “nada” conjuga comumente.

Afinal, verdades fabricadas.

verdade

Sobre Locke atuem...

Geschmack berühren der sein Nase

Für Mariana

sexta-feira, março 04, 2011

Berta Pfirsich






Transmutando


Transmutando... transmutando... A chama violeta. Toda hora Deus e a luz dourada. Minhas coisas estão preparadas. Estou preparado para a mudança, estou também me transformando. Transpondo barreiras entre o homem velho e o novo. Vencendo os obstáculos que a vida nos impõe. Sempre é tempo de renovação íntima, recomeço, reconforto. Amor, carinho, companheirismo, tranquilidade, amizade. Com os mesmos anseios, porém, com mais serena compreensão a que me disponho perdoar e sacrificar. Despojando-me da velha roupagem para vestir a única branca, e burilar meu espírito, iluminar minha alma, vivenciar a paz interna mesmo sob as mais diversas inquietudes externas que nos fazem “perder muito tempo”. Velhas diatribes internas não mais me atormentam. Como tornar novo, melhorar.

quinta-feira, março 03, 2011

Esse povinho, esse astral

não é da minha natureza

=

Prefiro o carnaval de Veneza

Trio tétrico

__Abaixa a cabeça!

__Onde?

--.???

Afundamento de crânio...

-

-

Serpentina elétrica

Pegou

jogou

e

Pow!

roubo
por assim dizer
mais um entardecer

phrenicus

A flecha e a maçã. Mefistófeles e Fausto. A transmutação alquímica e o erro de pontaria. Meu desejo de escrever freneticamente está aflorando cada vez mais. Tenho as mãos trêmulas e não consigo senão fazer transbordar um espesso palavrório. Não sei mais se já estamos no carnaval. Nos meus sonhos e na cabeça das pessoas que formam estranhas telas mentais. Será que temos que conhecer o passado que não conhecemos, voltando a uma ilha de enigmas, perdido, lost. Indo e voltando por cima do oceano, e pousando em vidas encontradas, mas aparentemente desencontradas e vivendo paisagens mágicas do inconsciente. O enigma é mais inebriante do que a revelação, o desfecho. „Des Zweck des Lebens ist das Leben selbst - O objetivo da vida é apropria vida, escreveu Goethe. De perdido a maluco, talvez desencontrado but never lost. O maior escritor da língua alemã, incluindo Schiller que escreveu o clássico Guilherme e Tell (Willem und Tell) e também a famosa poesia que encerra a nona sinfonia de Bethoveen. O que devo fazer? ando sem paciência de plastificar guardanapos. O que eu devo fazer? Vou ficar aqui por um tempo. O quê que eu devo fazer? Eu ajudo a mim mesmo e penso. Eu ajudo as pessoas, confesso. Embora não receba um prêmio por pequenos gestos, corações se rejubilam por dentro. Essa é força que alimenta partículas sonhadoras, perseguidoras e vencedoras.

quarta-feira, março 02, 2011

“A nudez da mulher é o trabalho de Deus”

..............................................................W. Blake

............

Os signos amorosos não são como os signos mundanos, não são signos vazios, que substituem o pensamento e a ação. São signos mentirosos que não podem dirigir-se a nós senão escondendo o que exprimem, isto é, a ori­gem dos mundos desconhecidos, das ações e dos pensamentos desconhecidos que lhes dão sentido. Eles não suscitam uma exaltação nervosa superficial, mas o sofrimento de um aprofun­damento. As mentiras do amado são os hieróglifos do amor. O intérprete dos signos amorosos é necessariamente um intérpre­te de mentiras. Que esconde a mentira dos signos amorosos? Todos os sig­nos mentirosos emitidos por uma mulher amada convergem para um mesmo mundo secreto, que também não depende desta ou daquela mulher, mas é a possibilidade feminina por excelência, como um a priori que o ciúme descobre. O mundo expresso pela mulher amada é sem­pre um mundo que nos exclui, mesmo quando ela nos dá mos­tras de preferência. O seu destino está contido no lema "Amar sem ser amado".

terça-feira, março 01, 2011

pas plus de douleur,
minha criança.
Mama is gonna touch you
Mama is gonna give you
carinho.
Não ha mais dor,
mi niño

Diário de um iconoclasta

"Não mando-te ir se foder porque fodo-te eu mesmo"
anônimo


Fogo na fogueira! Toda segunda-feira é como um prolongamento do domingo. Segunda é uma versão macambrosa do domingo, porém, em que as pessoas têm que trabalhar. Com o advento da Modernidade, vejamos, a Revolução Industrial determinou um “horário de almoço” para alimentar as máquinas humanas - uma das primeiras tiranias do Tempo na era moderna. A Modernidade foi um verdadeiro laboratório sobre as atividades do ser ligado ao tempo. Por isso escrevo sem parágrafos. A pós-modernidade ainda não definiu uma resposta a esse problema. Alguns corajosos se atrevem a dizer que exterminaram o Tempo e que só existe o Espaço porque a informação é medida fluidicamente. O mito de Kronos devorando seus filhos, eu compreendo, mas associado a isso a ideia de cronologia, a ideia de “cronofagia” um tanto me assusta. Então estamos sendo devorados? Devorados pelo Tempo e eu não sabia? Sim, o Tempo engole a carne. Com o tempo, o vento esculpe as pedras e na terra, o verme segue sorrindo alegremente, sem se questionar, pois está no “corrente” do Tempo. Estou a escrever como um profeta. Esse aforismo foi digno de Kalil Gibran. Voltando à realidade, essa é uma que se move de maneira instável, devido às circunstâncias que compõem tal realidade, devido aos signos que ela emana. Se uma pessoa aprende a ler após idade avançada, o que determina essa perda? Onde foram parar os anos de ignorância? “Está cronologicamente errado” sussurra a sociedade, ou grita estentoricamente. Sim! Forte e retumbante, ó pátria amada! quero comer-te, sobe em mim. Quero abraçar-te e lamber-te os seios pequeninos. És mãe gentil. Pra quem não aprecia a arte, até que os chineses fizeram cartazes bem bonitinhos. Em uma revolução comunista em qualquer país, eu e outros artistas seríamos a primeira leva a ser exterminada, com a pungente afirmação de sermos "parasitas sociais", excrecência ornamental dispensável. Não que eu seja a favor da arte comercializada ou prostituída. Ou seja, em um país analfabeto-funcional, estamos fudidos. E dessa ignorância, todos os tiranos da história lançaram mão. Se não estamos fudidos? os derrotistas dizem que sim, os orgulhosos dizem que não. Os derrotados ou afogados na sacro-santa pia batismal da Indústria Cultural, não dizem nada. Aqui em Minas, por exemplo, nascem cem artistas e morrem cento e um. Uma dezena por milhão alcança alguma visibilidade...

...

Porquanto, nenhum grito humano reverbera não há revolução ou água que se beba. Bem, agora tenho que ir...

poeta da vila

modernista


Desde a abertura da Semana, com a conferência equivocada de Graça Aranha: a emoção estética na Arte Moderna, até a leitura de trechos vanguardistas por Mário de Andrade, Menotti del Picchia, Oswald de Andrade e outros, o público se manifestaria por apupos e aplausos fortes. Porém, o momento mais sensacional da Semana ocorre na segunda noite, quando Ronald de Carvalho lê um poema de Manuel Bandeira, o qual não comparecera ao teatro por motivos de saúde: Os sapos. Trata-se de uma ironia corrosiva aos parnasianos, que ainda dominavam o gosto do público. Este reage através de vaias, gritos, patadas, interrompendo a sessão. Mas, metaforicamente, com sua iconoclastia pesada, o poema delimita o fim de uma época cultural. O pedantismo parnasiano que os modernistas tinham, e acho que esse poema condensa toda essa patética forma de criação artística que os parnasianos usavam.

Metrópolis


. . . .