terça-feira, maio 31, 2011

Kusturica

Shadow Eyes







>>¨<<
Criança pós-moderna


Das farben und das Kinder des dritten Jahrtausends




Tem que saber subir as paredes. Tem que saber desviar ao andar pras frentes. Tem que ser tigre. Tem que ser águia no alto das montanhas. Tem que ser água que desce, tem que ser fogo da temperança. Tem que viver longe do gueto, se houver jeito. Tem que crescer. Tem que andar em beco. Tem que passá perto e cortá prego. Tem que falar grego e troiano. Tem que usar as lentes do hiper-foco. Tem que saber das cores, história da música e física quântica. Anjos do terceiro milênio ouvem música de cabaré dos anos de 1930 em francês.
. . .


[Alice perturba-se por não saber como se comunicar com sua gata, Dinah. "Se ao menos eu soubesse a diferença entre os opostos sim-e-não, entre miar e ronronar." – ela se questiona. Então, no País das Maravilhas, pergunta ao gato a diferença entre miar ronronar e o gato responde que pouco importa, não interessa ao animal nomear.]

segunda-feira, maio 30, 2011

não desista sem lutar

Don't give-up without a fight




Efeito ping-pong

Quisera todas as noites fossem brandas e calmas e todas as mãos, todas as almas. Todas as estrelas postas se apresentam no entorno pós-novela, nasce uma nova estrela. Quisera não amanhecer todas as segundas-feiras. Dar um salto. Segunda o sujeito chega em casa cansado da falsa liberdade do fim de semana. Assiste as notícias do sábado, os gols do domingo. Até mesmo o apresentador do telejornal está meio lento, arrastado, frouxo. Toma um banho, assiste à novela, come um pão com leite e biscoito Maria, fecha as janelas, confere a porta da frente. O efeito pós-novela. Passa um filme na TV aberta. Já passam das dez da noite. Precisamente dez e vinte sete. Seu cheque não tem fundos. Procura uma roupa limpa pra sair na terça. Escova os dentes e deita-se.

E o sono não vem...




(continua)

cats non-sense



Viva Pagu

Coco de Pagu





Pagu tem os olhos moles
uns olhos de fazer doer.
Bate-côco quando passa.
Coração pega a bater.

Eh Pagu eh!
Dói porque é bom de fazer doer.

Passa e me puxa com os olhos
provocantissimamente.
Mexe-mexe bamboleia
pra mexer com toda a gente.

Eli Pagu eh!
Dói porque é bom de fazer doer.

Toda a gente fica olhando
o seu corpinho de vai-e-vem
umbilical e molengo
de não-sei-o-que-é-que-tem.

Eh Pagu eh!
Dói porque é bom de fazer doer.

Quero porque te quero
Nas formas do bem-querer.
Querzinho de ficar junto
que é bom de fazer doer.

Eh Pagu eh!
Dói porque é bom de fazer doer.












domingo, maio 29, 2011

Criança não paga. Sábado a noite parece parado e realmente. Fez quem o tinha, ou caminha madrugada adentro. Movido guiado neurose. Para o domingo que parece nunca vai chegar e quando chega, parece que nunca vai passar. Caminho no escuro com passos de gato. Não me importo se o dia vai amanhecer o animal sabe sem saber. O verme também não se questiona e segue contente adiante. A lua ontem me deu um sorriso belíssimo, mas bucólico e nostálgico. Tento não alimentar a nostalgia, portanto conto as horas pelo movimento dos astros. O ciclo é uma elipse. Uma história que corre para o mesmo mar inevitável. Do pó ao pó. Deixei de procurar nas cinzas o que não existe mais. Fênix e eu estamos renascendo. O principezinho deu muita importância a sua rosa. Minha rosa amarela desbotou perdeu a cor. E agora vivo nesse mundo. O importante é cativar-se.

sábado, maio 28, 2011

Ando cheio de frases que não fazem vida


A feira, 1925


...encontram Lear, agora completamente louco. Kent guia Lear ao exército francês, onde o rei reencontra Cordélia. Lear, com a razão parcialmente recuperada, tem vergonha do seu comportamento anterior, mas Cordélia não mostra nenhum rancor em relação ao pai. Hoje vamos ver os quadros da Tarsila do Amaral. Observem as ilações de Caio Campos sobre a Semana de 1922.



"Ela homenageou o Oswald de Andrade no manifesto antropofágico com o nome da tela mais valorizada (mais cara) do Brasil, o Abaporu. "Abaporu vem de 'aba' e 'poru' e significa o mesmo que Antropofagia, que vem do grego antropos (homem) e fagia (comer), ou seja, "homem que come", em tupi-guarani. Foi pintado em óleo sobre tela em 1928 por Tarsila do Amaral para dar de presente de aniversário ao escritor Oswald de Andrade, seu marido na época. A arte mais brasileira, esse movimento de 22 junto com o concretismo brasileiro, mas a cultura baiana acabou vencendo com o nosso Andy Warhol brasileiro. Caetano é o nosso Andy Warhol.”

sexta-feira, maio 27, 2011

E agora?




Agora resta esperar, depois de uma longa catarse, um super-rapid-delay - breve-longo processo de refazimento. A vida caminha a passos rápidos e lentos. Seja nesses lentos passos, talvez, manchados de suor e lágrimas, onde mora a felicidade e a redenção. Seu terno de vidro, seu tédio, seu ódio. Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou. Sua doce palavra, seu instante de febre...




Albrecht Dürer

kleine Eule
de Alberto Dürer (1471-1528)
nasceu e morreu em Nuremberg

quinta-feira, maio 26, 2011

o clichê é meu

José,

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!

quarta-feira, maio 25, 2011

Oi querida. Oi falsa.

Certa vez estávamos atravessando a Praça Rodoviária, saindo da antiga sede da secretaria de turismo – um prédio colonial amarelo, com eiras e beiras e jardim de inverno, em pleno centro rememorando os tempos da “cidade jardim”. Estava ainda inspirado pela visão daquele cenário burocrático, esquemático, mas em cuja estrutura ainda reina talvez o mesmo ar de passado, no instante em que a amiga da Pesseguinho me perguntou “O quê você faz?” (clássico). Eu sou poeta. – respondi sem pensar. (E você ganha dinheiro com isso? ela deve ter se perguntado. E o pior é que eu ganhava porque acabara de publicar meu primeiro livro que fez de mim um poeta-de-café e eu ganhava dinheiro dinheiro dinheiro com poesia. Agradando ao público. Amando e sendo amado, odiando e sendo odiado, andando pela via principal da linha marginal. Adquiri popularidade nesse burgo. Fiz várias dedicatórias que nem me lembro. Algo assim, “Oxalá te abençoe...“Que o seu orixá te proteja...” em pleno prelo de afro-cubano assinei vários livros e citava Blake e Rimbaud, mas o clichê era meu, somente meu, ninguém mais desfrutava esse prazer. “Não comprem só pela capa” dizia. Eu fui o clown da cena, eu era o telúrio mimetizado das cabeças e evadia o local assim que fosse plantada a minha missiva radio-atômica naquelas 4 e 44 páginas, deixando um rasto de pólen azul.) Naquele instante que respondi “eu sou poeta” ela teve três segundos de paralisação cerebral para condensar a informação. Três segundos redarguiu com silencio estonteante. Enfim, atravessamos a rua.

terça-feira, maio 24, 2011

Chá com porrada

Tenho tomado tanta bolacha da bendita vida que rememorei minhas 3 ou 4 existências como monge. Em épocas diferentes, séculos distintos e lugares distintos. Não que não haja aflorado também no chip da memória o comportamento de um bárbaro. Séculos e séculos de existência não fazem de mim um vampiro, mas torna minha alma imortal. As almas são imortais. Não detenho exclusividade sobre vidas pretéritas. Meu maior sonho foi voar como os pássaros. Desde os tempos idos de um Ícaro redimido. Os deuses de pedra estão mortos desde a Roma dos Antoninos. “É fácil ser pequeno entre os grandes. Difícil é ser grande entre os pequenos.”. Pesseguinho, essa frase, que eu considero um ditirambo, calou funda a pequenez de minha alma, “nossas” almas tão assoberbadas. Não sei quando essa sincronia angustiante no orbe do globo. Cronos era um deus representativamente mau. Petit pronuncia meu nome e diz-me o seguinte “me deixa ser sua putinha?”. “Não quer ser minha esposa?” – respondo. Sinto-me um réprobo em escrever isso, mas sintetiza um quadro de intenções descasadas, desencadeia o ciclo da frustração e no fim havia alguém que não amava ninguém. Nem a si mesma. Não há a quem “culpar” ou proferir demérito. Apenas o quadro que se auto-desenha. Você não tem forças sobre o destino, Amanda. Esse papo de psicologia de que a gente se permite ou não é coisa de quem não tem sangue nas veias. "Aquele que sofreu tuas imposições te conhece" Blake, provérbios... mas foda-se. Quem vive de passado é museu. Queria apenas concatenar para seguir adiante. Refletir momentos de brilho sem brilhantismo. Lastimar por seguirmos todos um caminho torpe, inevitavelmente. Rezar pela Humanidade, enfim...

segunda-feira, maio 23, 2011

verdictos íntimos

“Quem cita Kierkegaard devia morrer. É só o que eu sei no momento.”


pós-novela




Não mais ranger de dentes. Não mais noites em claro. Não menos raro que um pastiche. Não mais lágrimas, não mais contrariedade. Não mais samba-no-escuro. Nunca mais cabeça baixa e olhar de lado. Nada de fugas nem labirintos. Nada de cegueiras, auto-sabotagens, medo. Ergo meus olhos no rumo do horizonte. Quem se sente sozinho está perdido. Sei onde devo ir, mas faltam-me porquês. Falta-me português.

domingo, maio 22, 2011

Não mais ranger de dentes



Eu sou um poeta de médio quilate
Eu sou um porre, uma ressaca, uma sina


Eu sou uma métrica sem rima


Um cão que morde, mas não late ....................................

sexta-feira, maio 20, 2011



Flores para Risoleta

Existe apenas um jeito de subir. Mantidas as rotas de fuga, tenho que ir. Seguindo o crescendo de um exercício diário de paciência. Todos e todo mundo. Nosso potencial contido na bunda das formiginhas operárias. Assim seguimos fazendo a revolução em nossas vidas e admitindo que um dia, apenas um dia... , faremos o que for necessário por um instante de glória, pouca que seja. E por merecimento ficaremos na mesa depois depois da sobremesa. Sinto informar, mas andamos pelas laterais. Tenho que ir... descontente da própria urgência. Sigamos!

ciganinha

A vida é uma volta
de desenhar palavras
.
água brava
que se revolta contra
aquele que se aventurava
.
e morre cada vez que engole
as rimas de ponta quebrada
que choram rizomaticamente
o grão de cem mil caracteres



.

quinta-feira, maio 19, 2011

Diálogo interno




“Em cada homem há reservas de generosidade e heroísmo, mas por falta de terreno favorável os homens voltarão a dormir sem ter acreditado na própria grandeza”
...................................Saint-Exupéry em Terra dos Homens
.



Conversando com um amigo (afinal, o importante é cativar-se) descobri um sistema de ação, na verdade criei um para “ser feliz”. Criei, por inspiração, um sistema retilíneo, embora as ações aconteçam nas curvas, eu sei. Justamente por isso, por esperar que dobrem meu caminho. Na dobra da onda, na linha do Tempo, uma ação reta topa com as curvas essenciais do caminho. O comprimento de uma onda chamada Vida. Ando em ondas curtas mantendo pleno movimento. Ainda que não apareça, embora não se veja meus delírios, minhas abstrações racionadas, minhas projeções, minhas ilações internas à voz que nunca erra, embora inconclusiva. Voz interna que me impele para as frentes. Vou porque estou no caminho certo. Intuição, pensamento e ação.

quarta-feira, maio 18, 2011

Pauta




Dedilhando meu ócio,


minha prosa, minha bossa


Família e igualdade


Voracidade


Fim sem fim


Vergonha, medo, ego


Vaidade

terça-feira, maio 17, 2011

Horas mortas



Horas mortas, tenho vontade de escrever, vontade de esquecer. O passado passou; é energia morta, que não muda, não “move moinhos”. Ser reacionário é não adaptar-se ao fluxo dos acontecimentos. Existe uma ação-movimento que faz a humanidade avançar. Reagir ao movimento é tentativa inútil ter efeito sobre o passado, modificar o que está estabelecido, é retrair sua “ação” – retroagir. Reacionário é quem está moralmente ligado ao vulto da tradição. Quase a mesma coisa que “andar pra trás” quando o mundo se desloca algo adiante.

segunda-feira, maio 16, 2011

Bags Groove

Empacotar todos os meus cuidados e problemas, feeling low, aqui eu vou. Onde alguém espera por mim, tão doce ela é. Ninguém parece amar ou entender-me e todas as histórias de má sorte me mantêm entregue quando alguém brilha. Eu vou voltar para casa essa noite. Ninguém parece amar ou entender-me e todas as histórias de má sorte me levam quando alguém brilha a luz. Estou indo para casa hoje à noite. Bye Bye Blackbird.

"foi o tempo que perdeste com tua rosa,
que fez tua rosa tão importante"
...
Exupéry

domingo, maio 15, 2011

somos 4

Neal Cassady e Al Hinkle jogando xadrez .


Quando eu nasci minha mãe tinha trinta e seis anos. Eu fui o bibelô que remoçou as esperanças, as dádivas de vida. Meu pai tinha trinta e sete, mas aparentava ser mais velho do que somos. Ele já tinha três filhos, quando eu nasci. Brian, meu irmão acima e ”do-meio” como dizem, foi destronado. Até hoje sente inveja de mim. Ele sente que as atenções e os carinhos do papai&mamãe estão todos voltados para mim. Sente-se só no grupo dos quatro. Ah, meus caros amigos, Neal Cassady foi falar sobre isso com o irmão quando já passavam dos 50. Ele pergunta ao irmão acima temporão porque o odiava tanto e o batia tanto, e somente com essa idade, entre cinquenta e sessenta, foram dialogar. Podem verificar nas cartas que sucedem O Primeiro Terço, obra-prima e única de Cassady. Por isso espero impetuosamente, mas existem outras questões... ouço Miles. Minha vida vai num hit como um beat. A antropologia, de modo geral, latu sensu, "pensa" que já me definiu com seus rótulos organizativos, mas ser humano é tão incerto, vasto e derradeiro que só mesmo "de modo geral" e eu acho um tanto simplificador o conceito de generalismo. Encontrei Pesseguinho. Linda, um pouco ansiosa e loira. Acho que ela vai conseguir o emprego no Inhotim - museu ou galeria? de arte contemporânea mais legal daqui. Berlim tem a maior concentração dessas galerias im des ganz Europa, em toda a Europa. Eles são muito criativos com a jóia humana. Pesseguinho domina o idioma inglês e é muito bem articulada. Ela morou em Hilton Head Island - a ilha que o Walt Disney comprou o que era uma base-do-exercito-americano. Não há prédios e as casas não tem mais de dois andares, e há, claro, alguns hotéis onde os jovens trabalham. Não há transporte urbano e 99% da população tem mais de setenta anos. Não sei mais o que eu tava dizendo, em que ponto queria chegar. O que conta é que todo mundo me julga e pela frente e pelas costas, ela me amou. Ando tão louco-da-vida. Espera-se o dia, espera-se a morte, espera-se o passar das horas. Quisera a Esperança também houvesse fugido da caixa de Pandora.

Der Stadtstreicher



William Seward Burroughs II (February 5, 1914 - August 2, 1997) Pronounced, more commonly known as William S. Burroughs, was an American novelist, essayist, social critic, painter and spoken word performer.

quarta-feira, maio 11, 2011

Fait divers


  • O crepúsculo desceu vagaroso, mergulhando os prédios em leve sombra.

  • Não “passei” muito bem. Não tenho me alimentado nas horas “certas”, segundo Taylor - grande idealizador dos métodos de produção em série. A hora do almoço, a hora disso e daquilo, são coisas muito vagas para um artesão. O relógio como ditador.


  • Pela manhã arrumei um emprego que paga dez reais a hora (mais o almoço e a passagem). Trinta anos de estudo por dez reais. Dez reais valem muito dinheiro. Dois “amigos” me indicaram. Eu faria até por cinco.

  • A prostituição só aumenta no país.


  • O mesmo helicóptero de ontem, plana novamente sobre o mesmo local. Ontem fui dormir com esse barulho. Estamos em guerra?


  • Minha televisão demora a esquentar. Liguei a TV de manhã para ver a novela.

  • Em compensação - “não se perde o que nunca se teve”


  • Não tenho vergonha de dizer que estou triste. Vergonha é não ter o que dizer.

Gothan

Silence of a dawn. O silêncio é assim, a televisão falando baixinho, o resvalar das folhas sobre o vento, dois uivos distantes se comunicam, um cachorro que passa latindo, um carro que sobe solitário, luzes que se apagam. A madrugada aporta e eu, como náufrago, sinto-me perdido na ilha do meu quarto, o abajur é fogueira no platô do ego, procurando estrelas no céu nublado. Os helicópteros passam procurando alguma coisa, imagino. Alguém fugindo, mais um crime cometido, mais um bandido, mais uma “noite bandida”. Vejo a máquina aérea que plaina sobre os prédios feito abelha. Alguém se escondeu entre as paredes, as ruelas, o mato, o beco. É hora do homem-morcego.



01h06min


terça-feira, maio 10, 2011

Minha alma voa









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no pano distorcido da realidade

solidão






Porque não quis mais sofrer, porque não quis mais amar. Por pensar que “a vida é assim mesmo” quando quem faz da vida a vida que se faz. Drama de transformações existenciais. Pequena Carmen, criança, triste é não vencer o medo. Porque os direitos de afeto são somente de quem te pariu? Queria tanto seu alento, seu beijo, seu jeito, sua fácies blasé de quem já conhece tudo – o dia, o dia de amanhã, o futuro. Você se aconchega em si mesma na noite. Meu coração ficou frio e o silêncio é de pedra. Aquele segredo de viver, que não há. O inerente risco de não ser viável. Ciganinha inocente, personagem dessa trama tão inexorável quanto o Tempo. Essa distância, esse silêncio, esse absimo, esse fantasma do egoísmo transformado em vilipendio. Você ainda não saiu de mim.

playlist hai-kai












observo a lua
de um telescópio improvisado
. . . .
Miles Davis ao meu lado

segunda-feira, maio 09, 2011

eu me pergunto "porque?" mas não vou morrer estressado


.
.
Frag nicht, warum ich gehe, frag nicht warum
Was immer auch geschehe, frag nicht warum
Ich kann dir nur mehr sagen, ich hab dich lieb
Das Schönste im Leben wollt ich dir geben
.
Frag mich bloß nicht das eine, frag nicht warum
Frag nicht, warum ich weine, frag nicht warum
Wir gehen auseinander, morgen küsst dich die andre
Dann wirst du nicht mehr fragen, warum
.
Das Lied ist aus, das du für mich gesungen
Beim letzten Klang war mir nach dir so bang
Das Lied ist aus, die Melodie verklungen
Nichts blieb von der Musik zurück
Ein Echo nur von Liebe
.
Die Rosen die du mir gebracht,
Sind jetzt ein welker Blumenstrauß ? das Lied ist aus
.
Frag nicht, warum ich gehe, frag nicht warum
Was immer auch geschehe, frag nicht warum
Ich kann dir nur mehr sagen, ich hab dich lieb
Das Schönste im Leben wollt ich dir geben
.
Frag mich bloß nicht das eine, frag nicht warum
Frag nicht, warum ich weine, frag nicht warum
Wir gehen auseinander, morgen küsst dich die andre
Dann wirst du nicht mehr fragen, warum

lua na casa 7

Pessoas dedicam a vida ao trabalho. O trabalho e o conhecimento, a sapiência e a mais-valia. Algumas pessoas trabalham com pessoas, com as tripas de pessoas, costurando, operando, manipulando a ciência humana com as mãos... Outras desenham, pintam, compõem, dançam, criam. Há os que trabalham nas indústrias, no chão das fábricas e nos gabinetes. Claro, os gabinetes, as leis dos homens, os homens. Onde não há homens não há justiça. Essa é uma percepção da razão. Queria um corpo em torno de si, mas nos alvos lençóis. A luz da lua, silente e clara, coisa rara. Há tempos dedico-me a essa excrescência ornamental. Feche os olhos feche os olhos feche os olhos.

domingo, maio 08, 2011

Meu Deus, me dê a coragem



Meu Deus, me dê a coragem de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites, todos vazios de Tua presença. Me dê a coragem de considerar esse vazio como uma plenitude. Faça com que eu seja a Tua amante humilde, entrelaçada a Ti em êxtase. Faça com que eu possa falar com este vazio tremendo e receber como resposta o amor materno que nutre e embala. Faça com que eu tenha a coragem de Te amar, sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo. Faça com que a solidão não me destrua. Faça com que minha solidão me sirva de companhia. Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar. Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo. Receba em teus braços meu pecado de pensar.


Clarisse Lispector

Caminheiro de Jesus

60 a.c.


Caminho pelos cumes e pelos vales da Gália. O sol incide sua simultaneidade de luzes coloridas sobre o dégradé de montanhas. Somos pequenos diante das distâncias, penso. Ei força ancestral, dá-me a coragem para prosseguir. Faço tudo sozinho. Rezo sozinho. Jogo xadrez sozinho. Acordo sozinho e penso, e ainda que eu exista no meio da multidão, sinto estar suspenso e afogado no meu próprio ego sem ufanismo, sem martírio. Saio do meu corpo quando durmo e sou levado a ver que não estou tão sozinho. Solidão é uma coisa particular, essa intimidade perfeita com o silêncio. Não folgo em carregar cicatrizes, minha cruz.

Havana sem mim

my girlfriend





Os Sertões, de Euclides da Cunha, o corno mais famoso da história do Brasil, assinala o fim do imperialismo literário e o começo da análise científica aplicada aos aspectos mais importantes da sociedade brasileira. É a primeira obra a denunciar a miséria e o subdesenvolvimento, fazendo-nos sair do desvanecimento ufanista para a amargura crítica. Com o compromisso de retratar a realidade brasileira nos sertões da Bahia. As ditaduras estão caindo uma a uma pelo mundo, até quando permanecerá a de Minas? Lembremos aos ditadores e seguidores da indústria literária vigente alguns princípios herméticos como a polaridade, ritmo, causa-e-efeito, gênero. Não sei fazer resumo. Só leio orelha de livro. Segundo o que dizem o país é funcional, porém, analfa... So what? O que interessa é saber fazer conta e conhecer as moedinhas.

- efeito borboleta -






Bum!

homo.ludens

Espero porque me resta escrever. Escrevo porque aprendi a esperar. As palavras voam. As madrugadas ressoam numa temporada consecutiva, dia após dia. Quando não pude mais dormir aprendi a escrever como o Diabo gosta. Minhas imagens não são minhas imagens. Meus documentos não são meus e essa prosa não é minha. A palavra caminha assim ensimesmada. Ela só quer dinheiro e eu só quero salvar meu espírito. Com toda controvérsia que me cerca observo que a dúvida é, de fato, inerente ao ser humano. A dúvida é uma espécie de compensação da polaridade das ideias para a preservação da espécie humana.

sábado, maio 07, 2011

plantas carnívoras

Menina,






Suas palavras começaram a fazer sentido somente quando eu nasci. O destino arquitetou planos de remissão os quais não me lembro de ter participado. Reuniões celestiais de um planejamento cósmico quando eu ainda não existia, e vocês não existiam. Nossos caminhos iriam se cruzar de forma dramática e feliz - comédia da vida. Estreitamos conhecimento recíproco. Fizemos amor, sexo. Uma transa, dez complexos. Casa letiva uma contenda. Bordando uma renda nada assertiva. Quando o fiz estava ansioso. Não pude. Por mais de vários meses nunca estive plenamente convicto e pedia que um tempo me fosse dado a reviver e analisar e remoer, rememorar. Quando a zero-vírgula-um-por-cento do fim, tenho a impressão que a catarse me fez diferente. Mudou para sempre o espírito de porco, porco espinho. Calou fundo na alma, cicatrizes. Caminhos não voltam mais. Vem comigo que no caminho eu te explico.
Beijo.

Miles away

sexta-feira, maio 06, 2011

Moleskine



um conto para Kate Middleton

Sabe uma compulsão resoluta? Aquela de vida e de morte. Especialmente em pontes ou perto de abismos. Pela internet ela confirmou que nosso amor está morto, que o silêncio atravessa outras mídias, que o telefone nunca mais tocou. Foi um trabalho bem feito, o melhor entre as mulheres. Cada agulhada não deixou marcas. O vilipendio foi pretérito imperfeito. Quisera saber-te minha. Pudera fazer diferente? Nada. Os laços de afeto que nos uniam estão em crescente deterioração. Na noite silente e clara. Princesa, suas palavras logo mais.

private room

- - - - -

__Com licença, mas agora eu tenho que ir.

paz na terra para as pessoas do céu




Pessoas normais fazem coisas indizíveis. Coisas sobre os nossos olhos, inenarráveis, absurdas. Dignas de uma disputa de fim de batalha, sem conversa, sem credo, sem, nada. Com devido insucesso com que caí nessa cilada. Auxiliado por versos de tempo longo e digno de reflexão. Mas quem me dera. Quem me dera todo o fôlego da razão por si só. Da necessidade em si de ser, ao invés de estar à deriva em mil platôs. Navegando mil realidades... náufragos insucessos, polemizando livros perdidos pra’quelas putinhas do além. Livros que eu nunca mais voltei ver. Fogem de mim como crianças. Mo as darei uma palmada. Umas palmas na bunda dessas pequenas, pra que não ousem mais roubarem livros de um poeta furtivo. E suas nádegas coçam de vermelhidão. Nunca mais tive meu Spinoza de volta. Volume raro. Eu vo-lo daria se eu pudesse, mas nem era meu...

quinta-feira, maio 05, 2011

ligação



Retomo as tarefas. O cotidiano me faz bem. Todo dia o mesmo café e cigarros. Belas cores enfeitam os dias. Tem sido agradável viver a espera de um novo rumo, uma nova esfera de vida de relações, de convivência. Em casa leio, durmo, ouço música. Quando fora, vagueio, vou pra yoga, escalo... Entro nas livrarias, mas café expresso não tomo mais. Leio orelhas de livro e em geral não gosto de nada. Capas bonitas e os clássicos em edições de bolso. A Dama do Cachorrinho inspirou minha curiosidade. Todo o dia vejo múltiplas damas e seus respectivos cachorrinhos. Umas velhas, outras jovens e os cães das mais variadas raças. Encontro um vira-lata às cinco da madrugada, cúmplice das minhas andanças. Seus olhos não se cruzam com os meus. Ambos temos pressa. Do alto é que se vê.

efeito borboleta






"o bater de asas de uma simples borboleta pode influenciar o curso natural das coisas e, assim provocar um minúscula deslocação de ar, que intensificada por outro conjunto de fatores poderia provocar um tufão do outro lado do mundo."



Porém isso se mostra apenas como uma interpretação alegórica do fato. O que acontece é que quando movimentos caóticos são analisados através de gráficos, sua representação passa de aleatória para padronizada depois de uma série de marcações onde o gráfico depois de analisado passa a ter o formato de borboleta. A Teoria do Caos é a teoria que explica o funcionamento de sistemas complexos e dinâmicos. Parte da ideia de que uma pequena variação nas condições em determinado sistema dinâmico, pode ter consequências de proporções inimagináveis.

rascunho Elementais da natureza






Pequeno orvalho de outono na tarde de sol que se vai, noite que se avizinha. Pequeninas gotas abençoando a terra percorrem as folhas deixando-as cair do topo das árvores. As gotas silenciosas vagueiam ao sabor do vento. Às vezes vejo estrelas, conforme o céu se afigura em certo momento do ano. Devo ser estar disposto em bom equilíbrio em qualquer lugar que esteja. Estiva limitado à publicar essas palavras numa caixinha que pula. O que mais posso para comunicar-me? Como o grande Adeus que se revela fechando um ciclo de histórias de resgate, indulgências ignomínias e perdão. O “ciclo” vai se acomodando naturalmente, deleuzianamente, rizomaticamente em sincronia com o seu próprio tempo. A aurora pertinaz não conhece as sombras. Verdadeiros ciclos incognoscíveis vencem a matéria, vergastando o corpo, porém, dilatando na alma um grande sentimento de remissão.

caro senhor




Escrever tornou-se um hábito do passado, mas ainda escrevo. Ainda desmantelado pelas cicatrizes do acaso. A transcendência... agastado com pequenos danos da imprevidência. A existência substancia, alimenta e engole a gleba térrea. Por volta da meia-noite, avança a vontade de escrever, de deixar para trás aquilo que não mais existe. Resta essa vontade de autobiografar a paisagem emocional. Desvendar incerta geografia íntima. Descobrir o que esconde as entrelinhas. O que vejo na linha da realidade suspensa, encoberta, intima e tão nítida. Aqueles que compreendem a si mesmo, melhor se compreendem entre si...



fogo
roubo
ego


....

Eu também junto notas randômicas que se harmonizam. Colho impressões desse mesmo vento que se harmoniza. Do topo das montanhas, do alto dos prédios, o vento sonorizado sobre o céu sem luar. A lua emudeceu quando o dia se pôs, quando a noite adentrou bem de mansinho. Um mês mais, sem amealhar as circunstâncias, ainda resta para efetivar a mudança. De repente esse silêncio, esse abismo de silêncio. O vazio e essa distância que não volta mais. A tarde cai devidamente ao canto sonolento dos pássaros. Dobram os sinos. Quando eles param, volto a ouvir o tambor dos meninos na favela. Alegre batucada a pequenas mãos golpeada. Ritmo ao longe ao crepúsculo, assovios, roda de bicicleta, latidos. A esquadra dobra o repique, a bateria esquenta ao ritmo do tamborim. Muitas são as percepções desse hipertexto. Essa ambientação sonora configura-se nas tardes finais. O rei tem sede de silêncio. Procura em pensamentos os lugares mais inóspitos, onde não ousa sondar nossa curiosidade.



“A virtude não consiste na indigência,
muito menos na opulência, mas na
simplicidade da vida."
Do Caminho Óctuplo - BUDA

Ogunde





Junto às estrelas, os ventos da noite são ventos de mudança. Algo recalcitrante nas minhas lunetas a contristar desarranjos de velhos matizes, velhas cores, cores velhas; que olham só para si, que só para si e o cenário que as absolve olham. Vergam os topos das árvores ao vento sonorizado, e codificam frases do mesmo Espaço, do mesmo esboço de Tempo. Fertilizam, refrigeram, polinizam. Perdido no deserto das ideias.


o tecelão