domingo, outubro 30, 2011

Trinta do Dez,



vinte e três e cinquenta e sete.

Tanto faz



Eu me tornei menos importante do que isso. O meu ato de criação te dá tesão? Dedilhando o teclado como quem não apóia o verbo na frase, e que assim propõe que os meios não tenham as mesmas finalidades, mas que tenham princípios. Princípios exalam o aroma de um doce começo ainda desconhecido. Qualquer ato faz-se a seu tempo e não fora dele, porque eu me tornei menos importante do que isso. Tanto faz.

Chet?



O Palhaço

um filme se Selton Melo

"O palhaço é aquele que faz tudo.
Mas faz tudo errado.
Mas o errado é o certo."


Paulo José







sexta-feira, outubro 28, 2011

Além do Bem e do Mal




PREFÁCIO




Supondo-se que a verdade seja feminina — e não é fundada a suspeita de que todos os filósofos, enquanto dogmáticos, entendem pouco de mulheres? Que a espantosa seriedade, a indiscrição delicada com que até agora estavam acostumados a afrontar a verdade não eram meios pouco adequados para cativar uma mulher? O que há de certo é que essa não se deixou cativar — e os dogmáticos de toda a espécie voltaram-se tristemente frente a nós e desencorajaram-se.

quinta-feira, outubro 27, 2011

Por volta da meia-noite



Será que Freud explica mesmo?

Apenas papai, mamãe, a lei, as transgressões, tudo é sexualidade, Eros e Tanatos, pulsão de vida e pulsão de morte, o homem contra si próprio... blá blá blá Come on, Ziggy... Será que não existe nada além disso? Jung teria dito a Freud “Eu sonhei com ossos” e esse respondeu “Você sonhou com a morte” – uma forma reducionista de abordar abstrações. Isso motivou Jung a escrever o primeiro opúsculo de A Vida Simbólica, que vai contra as teorias freudianas. Jung tenta explicitar as concepções acerca do funcionamento do consciente e do inconsciente, a estrutura da mente humana, tipos psicológicos, os arquétipos e o inconsciente coletivo, os complexos e sonhos.

A psicologia como ciência relaciona-se, em primeiro lugar, com a consciência; a seguir, ela trata dos produtos do que chamamos psique inconsciente, que não pode ser diretamente explorada por estar a um nível desconhecido, ao qual não temos acesso. O único meio de que dispomos, nesse caso, é tratar os produtos conscientes de uma realidade, que supomos originários do campo inconsciente, esse campo de "representações obscuras" ao qual Kant, em sua Antropologia, se refere como sendo um mundo pela metade. Tudo o que conhecemos a respeito do inconsciente foi-nos transmitido pelo próprio consciente. A psique inconsciente, cuja natureza é completamente desconhecida, sempre se exprime através de elementos conscientes e em termos de consciência, sendo esse o único elemento fornecedor de dados para a nossa ação. Não se pode ir além desse ponto, e não nos devemos esquecer que tais elementos são o único fator de aferição crítica de nossos julgamentos.

Eu posso ter sonhado com uma ossada, com mil ossos, os ossos de uma manada. E qual seria o meu lugar dentro dessa manada? Seria dentro, como filhote? Seria como macho?, ou como fêmea? Vide o Anti-Édipo – Capitalismo e Esquizofrenia, G. Deleuze e Felix Guatari.

Sigo

Talvez eu diga “eu te amo”
Talvez não

Talvez eu siga o caminho
Talvez eu mesmo seja O
... caminho


Levo tudo na bagagem
amor, ódio,
esperança...

quarta-feira, outubro 26, 2011

Por que é preciso morrer pra nascer de novo?





Necessito processar alguns fatos do passado que não entendi muito bem. O passado é energia morta? Como pode então ter influência sobre nossas vidas? Se eu soubesse o que me torna assim desse jeito, talvez eu... Considero-me, às vezes, deitado em cima existência, numa pequena tábua, onde caibo eu e mais ninguém. Sim, à deriva, em pleno mar de concreto e croncetudes.
Falando assim, até pareço àquelas poetisas de meia idade, que se reúnem nas salinhas dos Institutos de cultura (algumas ganharam Prêmio Jabuti por esses neologismos...) para ler seus poemas surrealistas, que só elas entendem e para meia dúzia de bajuladores que fingem que entendem e (alguns até sorriem ao rejubilarem intimamente diante de tanta beleza da construção artística) seus livros que ficarão para a posteridade. Vejam, foi por engano que me atrevi a participar de uma dessas reuniões, para ver uma amiga blogueira carioca de Teresópolis. Será que ela quer ser como essas mulheres?

domingo, outubro 23, 2011

Domingo, 23 de outubro de 2011.



16h40


Caro Caio,




Há muito tempo não escrevo cartas – essas palavras que quase sempre tem timbre melodioso e bucólico. Bucólico como hoje se apresenta o dia. Escrevo porque as palavras não podem se defender, embora eu não queira magoar, pelo contrário, manipulo as palavras (não por isso eu seja “falso”) para que elas sejam um alento, como um chá quente e o suave barulho da chuva. Vida estranha em que o cérebro traduz o que o coração pensa. Tentei escrever no papel, a próprio punho, e mandar uma carta – essa missiva retrô – mas Os Correios estão de greve e acho que essas chegarão mais rápido até você. Além do que, me perco nos meus rabiscos, o papel tudo aceita. Queria apenas a medida exata daquilo que pretendo expressar. Acho que apenas serviria como algo documental, agrada-me essa idéia. Algo para ser lido e relido por nossos biógrafos, sem precisar de um computador.


Afinal, quem tem 894 amigos, senão no FACEBOOK? Tenho quase trezentos seguidores e já me considero sacerdote de alguma coisa. Estimo a todos eles, mas a enorme maioria não me conhece, de fato. Não sabe quem sou, além desse tecido de palavras, dessa tessitura virtual. O que nós aproxima, caro amigo, é o mesmo que os distancia. As inúmeras noites fractais, intermináveis conversas sobre a assimetria da existência e o Nada subjetivo. E os dias de reflexão e ressaca, bebendo cerveja na calçada a meia quadra da padaria. Mesmo que as pessoas leiam, não conseguiriam interpretar a mobilidade intrínseca das palavras, o movimento orgânico insólito e único, a estrutura metafísica básica de tanta e tamanha prosódia. Mas não desejo fazer um tratado ou ensaio sobre o mundo cibernético. Talvez dizer o inexprimível, pra que eu mesmo me entenda. Queria que a morte fosse uma coisa mais humanizada. Como uma história sem fim...

(continua)

Hai-Caio




Na verdade, eu queria dizer que...
Eu queria dizer que...
Eu queria dizer...
que...
eu queria dizer...
mas...
é isso aí...

sexta-feira, outubro 21, 2011










Nunca me considerei uma pessoa religiosa. Acredito em Deus, suponho. Quero dizer, acredito que existe Algo (ou Alguém) além do horizonte da nossa compreensão, que explica, ou deveria explicar, “por que estamos aqui?” e “qual o sentido disso tudo?”. Creio que sobrevivemos para saber a resposta dessas perguntas, simplesmente porque seria intolerável pensar que nunca saberemos, que a nossa consciência se apaga com a morte como uma lâmpada quando queima. Não é uma razão enorme para acreditar, mas é isso aí. Respeito Jesus como um pensador ético, não jogando a primeira pedra e mostrando a outra face e tudo mais. Nunca fiquei com vontade de me tornar católico. Quando criança fui com minha mãe em algumas missas, coisa e tal. Sempre me senti acanhado e constrangido nessas ocasiões, sem saber o que tinha que fazer, se devia sentar ou ficar em pé ou me ajoelhar.












Você se encontrou? E como sabe que é você mesmo?

A partir do fim do século XIX, o homo sapiens entrou em crise: uma crise de perda de sabedoria e capacidade de conhecer.





Ferrarotti (1997, p.193) explica o espaço cibernético como segue: “é um espaço que possibilita a máxima articulação de mensagens e da inteligência [...]. A inteligência coletiva que se desenvolve no espaço cibernético é um processo de crescimento que consegue ser ao mesmo tempo coletivo e diferenciado, geral e específico [...]; é uma inteligência distribuída por toda parte. O cerne da questão está no termo “possibilita”. Certamente, a navegação cibernética permite o “crescimento” de uma inteligência articulada e difusa. Mas possibilita também o crescimento de igualmente difusa estupidez assentada em uma massa indiferenciada. As coisas possíveis são muitas. Entre o possibilitar e o realizar há no meio um mar. E o possível, que aqui seduz Ferrarotti, em minha opinião, é altamente improvável. Vale ressaltar que o correto é falar em “opinião” porque opinião significa doxa, e não epistéme, não é saber e ciência ao mesmo tempo, é simplesmente um saber subjetivo que exige comprovação, contra Habermas (1971), o qual sustenta que Locke, Hume e Rousseau forjam a “opinião pública” falseando e forçando a doxa platônica para significar um juízo racional. A tese não é aceitável pois todos os autores do iluminismo conheciam muito bem o grego. Disseram “opinião”, sabendo bem que doxa, na tradição filosófica, significa o oposto de verdade absoluta. Nesse sentido diz-se que a matemática não é uma opinião. Expressando isso de forma inversa, pode-se dizer que uma opinião não é uma verdade matemática. Dessa forma, as opiniões são fracas e variáveis. Quando porém, opiniões se tornam convicções profundas, então devem ser chamadas de crenças, mas nesse sentido o problema muda. Da mesma forma que a opinião de cada um de nós se remete a grupos de referência e portanto não decorrem apenas de mensagens mas também de identificações (o que torna as opiniões sem informação e pouco compreensíveis. Além disso existem opiniões que correspondem aos vários gostos e, como é notório, de gustubus non est disputandum.

Essência singular, uma vida...


Em Espinosa, a imanência não existe para a substância, mas a substância e os modos existem na imanência. Quando o sujeito e o objeto, que caem fora do campo de imanência, são tomados como sujeito universal ou objeto qualquer aos quais a imanência é, ela própria, atribuída, trata-se de toda uma desnaturação do transcendental que não faz mais do que reduplicar o empírico (como em Kant), e de uma deformação da imanência que se encontra, então, contida no transcendente. A imanência não está relacionada a Alguma Coisa como unidade superior a toda coisa, nem a um Sujeito como ato que opera a síntese das coisas: é quando a imanência não é mais imanência para um outro que não seja ela mesma que se pode falar de um plano de imanência. Assim como o campo transcendental não se define pela consciência, o plano de imanência não se define por um Sujeito ou um Objeto capazes de o conter.
Diremos da pura imanência que ela é UMA VIDA, e nada diferente disso. Ela não é imanência para a vida, mas o imanente que não existe em nada é, ele próprio, uma vida. Uma vida é a imanência da imanência, a imanência absoluta: ela é potência completa, beatitude completa. É na medida em que ele ultrapassa as aporias do sujeito e do objeto que Fichte, em sua última filosofia, apresenta o campo transcendental como uma vida, que não depende de um Ser e não está submetido a um Ato: consciência imediata absoluta, cuja atividade mesma não remete mais a um ser, mas não cessa de se situar em uma vida. O campo transcendental torna-se então um verdadeiro plano de imanência que re-introduz o espinosismo no mais profundo da operação filosófica. Não é uma aventura semelhante que sobrevém a Maine de Biran, em sua “última filosofia” (aquela que ele estava demasiadamente fatigado para levar a bom termo), quando ele descobria, sob a transcendência do esforço, uma vida imanente absoluta? O campo transcendental se define por um plano de imanência, e o plano de imanência por uma vida.
O que é a imanência? uma vida... Ninguém melhor que Dickens narrou o que é uma vida, ao tomar em consideração o artigo indefinido como índice do transcendental. Um canalha, um mau sujeito, desprezado por todos, está para morrer e eis que aqueles que cuidam dele manifestam uma espécie de solicitude, de respeito, de amor, pelo menor sinal de vida do moribundo. Todo mundo se apresta a salvá-lo, a tal ponto que no mais profundo de seu coma o homem mau sente, ele próprio, alguma coisa de doce penetrá-lo. Mas à medida que ele volta à vida, seus salvadores se tornam mais frios, e ele recobra toda sua grosseria, toda sua maldade. Entre sua vida e sua morte, há um momento que não é mais do que aquele de uma vida jogando com a morte. A vida do indivíduo deu lugar a uma vida impessoal, e entretanto singular, que despreende um puro acontecimento, liberado dos acidentes da vida interior e da vida exterior, isto é, da subjetividade e da objetividade daquilo que acontece. “Homo tantum” do qual todo mundo se compadece e que atinge uma espécie de beatitude. Trata-se de uma heceidade, que não é mais de individuação, mas de singularização: vida de pura imanência, neutra, para além do bem e do mal, uma vez que apenas o sujeito que a encarnava no meio das coisas a fazia boa ou má. A vida de tal individualidade se apaga em favor da vida singular imanente a um homem que não tem mais nome, embora ele não se confunda com nenhum outro.
Essência singular, uma vida...

quinta-feira, outubro 20, 2011

A imanência: um vida...

capítulo segundo em diante; continua.
Há qualquer coisa de selvagem e de potente num tal empirismo transcendental. Não se trata, obviamente, do elemento da sensação (empirismo simples), pois a sensação não é mais que um corte na corrente da consciência absoluta. Trata-se, antes, por mais próximas que sejam duas sensações, da passagem de uma à outra como devir, como aumento ou diminuição de potência (quantidade virtual). Será necessário, como conseqüência, definir o campo transcendental pela pura consciência imediata sem objeto nem eu [moi], enquanto movimento que não começa nem termina? (Até mesmo a concepção espinosista dessa passagem ou da quantidade de potência faz apelo à consciência).
Mas a relação do campo transcendental com a consciência é uma relação tão-somente de direito. A consciência só se torna um fato se um sujeito é produzido ao mesmo tempo que seu objeto, todos fora do campo e aparecendo como “transcendentes”. Ao contrário, na medida em que a consciência atravessa o campo transcendental a uma velocidade infinita, em toda parte difusa, não há nada que possa revelá-la. Ela não se exprime, na verdade, a não ser ao se refletir sobre um sujeito que a remete a objetos. É por isso que o campo transcendental não pode ser definido por sua consciência, a qual lhe é, no entanto, co-extensiva – mas ela subtrai-se a qualquer revelação.
O transcendente não é o transcendental. Na ausência de consciência, o campo transcendental se definiria como um puro plano de imanência, já que ele escapa à toda transcendência, tanto do sujeito quanto do objeto. A imanência absoluta é em si-mesma: ela não existe em alguma coisa, para alguma coisa, ela não depende de um objeto e não pertence a um sujeito. (continua)

A imanência: um vida...






Gilles Deleuze










O que é um campo transcendental? Ele se distingue da experiência, na medida em que não remete a um objeto nem pertence a um sujeito (representação empírica). Ele se apresenta, pois, como pura corrente de consciência a-subjetiva, consciência pré-reflexiva impessoal, duração qualitativa da consciência sem um eu [moi]. Pode parecer curioso que o transcendental se defina por tais dados imediatos: falaremos de empirismo transcendental, em oposição a tudo que faz o mundo do sujeito e do objeto.








Frank Sinatra está gripado

No inverno de 1965, o escritor Gay Talese chegou em Los Angeles com a atribuição da revista Esquire de fazer um perfil de Frank Sinatra. O lendário cantor se aproximava de cinqüenta anos, e pouco disposto a ser entrevistado. Então Talese permaneceu em Los Angeles na esperança de Sinatra se recuperar e repensar. Ele começou a conversar com muitas pessoas ao redor do Sinatra - seus amigos, seus companheiros, sua família, seus puxa-sacos incontáveis ​​- e observando onde ele poderia encontrar o homem-em-si. O resultado, a crônica "Frank Sinatra está gripado", publicada em abril de 1966, se tornou uma das mais célebres histórias da revista já publicados, um exemplo pioneiro do que veio a ser chamado de Novo Jornalismo - uma obra de fato rigorosamente fiel animada com o tipo de contar histórias vivas que haviam sido reservados para a ficção. A crônica evoca um retrato profundamente rico de uma das figuras mais bem guardadas da época e conta uma história mais ampla sobre entretenimento, celebridades, e os próprios Estados Unidos dos anos de 1960.



Ele foi responsável pela mais famosa reportagem sobre Frank Sinatra sem ter conseguido entrevistá-lo. Como o cantor estava gripado e não queria falar com jornalistas, Talese procurou outros personagens do cotidiano dele e revelou o mundo de Sinatra de uma forma que dificilmente conseguiria sem ter o pedido de entrevista recusado. Gay Talese é um dos responsáveis por criar o estilo de fazer reportagens combinando técnicas jornalísticas com recursos literários. Ele trabalhou em jornais e revistas escrevendo reportagens como se fossem textos literários e livros e uma autobiografia como se fossem reportagens.




VOLTAR

meus medos, meus olhos
meus sonhos, meus monstros

minhas constelações de fogo




Segundas-feiras são flores de janeiro

Segundas-feiras noite adentram meus devaneios.Vou sem receio, mas esqueço as finalidades do meio. Na vacuidão dos pensamentos que se vagueiam, no meio-de-jogo de uma partida de xadrez. Numa segunda-feira, fauna e flora se misturam. Agora, o conteúdo social falido. Agora, um conceito falido. Realidade entre criação. Olho para minhas mãos, como em tempos perdidos qual busquei compreender nuances de minha alma, os fios que compõem esse tecido. A maior sutileza, na hora do jogo, foi poder ver, sentir e traduzir coisas que se perderam no passado. Por entre ruas e becos, bares e lugares, buscando vírgulas, respirando o ar, navegando os mares, tudo dentro desses olhos. Na Longelândia, bem longe. Distante como diamante bruto.


Cosmo-ameba.

terça-feira, outubro 11, 2011

Praça de convergências

Ando de um lado pro outro, em busca de felicidade. O dinheiro é escasso, a luta é diária, cotidiana, Kantiana. A batalha um clichê. Não tenho mais “conexão”. Tampouco a TV me açoita com suas imagens e texto-legenda. Ando pelas ruas da cidade, feito um rato branco de laboratório. Caminho por um labirinto, numa espécie de pesquisa. Os caminhos do excesso conduzem ao ponto de saturação, e apenas. Procuro por felicidade. “Oi, alguém tem felicidade aí? Me vende um pouco?”. Uma questão sutil que envolve conceitos abstratos. Mas como descrever a linguagem dos sentimentos? A linguagem da poesia, do arrepio e do suspiro? Por aquele lado dá choque, por aquele outro dá pânico. Por esse já não há encanto e esse outro sufoca. Um caminho ensimesmado e grudado laconicamente, Lacanicamente, simbolicamente. Conheço pessoas que conseguem segui-lo sem burlar sua própria ética. Onde não há discernimento, já se está além do bem e do mal. Essa busca do “self” coloca as pessoas em risco eminente. Colocamos nossas vidas em risco em nome desse código de conduta. Então reclamo com essa excrescência social chamada Deus. Quando escrevo transformo as formas que não posso compor. Há um conflito entre instrumentação semiótica e baixa tecnologia. O ato de telever não importa. Os livros ainda não me impedem de lê-los. A voz da motivação parece sempre igual. Não há defesa. A idéia é um conceito necessário da razão ao qual não pode haver nos sentidos nenhum objeto correspondente (congruirender Gegenstand). Portanto, o que vemos e percebemos concretamente não produz ideias, ou conceitos, que o classificam e significam. A “psicologia da forma” (Gestalt) de onde aprendemos – de modo experimental – que nossas percepções nunca são representações ou decalques imediatos daquilo que vemos, mas reconstruções “emolduradas” do que é observado.

Para o iluminismo, como também para nós hoje progresso é um crescimento da civilização, um aumento para a melhor, um melhoramento.

O termo cibernética foi forjado por Norberth Wiener para expressar a idéia de “controle e comunicação no animal e na máquina.” – é o título do seu livro publicado em 1948. Na essência, a cibernética de Wiener diz respeito às “mensagens de comando” que o homem dá à máquina, mês que também a máquina dá a máquina e em seguida, de retorno, o homem. O sentido etimológico de cibernética é “arte do piloto”.

Com a palavra multimidialidade entende-se, do ponto de vista conceitual, a unificação entre palavra escrita e falada e o som e a imagem em um único medium.

Com efeito, até mesmo a respeito de um tumor pode-se dizer que está progredindo, mas nesse caso, o que aumenta é um mal, uma doença.
pas plus de douleur,
minha criança.
Mama is
going to touch you,

mama is going to give you
carinho.
Não há mais dor,
meu niño...


quinta-feira, outubro 06, 2011

A caneta que falava inglês



Desde que mudamos, cruzei uma etapa lenta em passo rápido; em motuo continum. Troquei de pele. Desfiz meu senso de padrão, de não-padrão, e de ausência. Voltei ao início da linha quântica. Refiz meu senso de estética, de ética, repensando a hermenêutica, a prosopopéia hemorrágica e cibernética à luz das estrelas. A não-retórica. Silêncio. Desde que mudamos, esse ângulo mudou de vista. Desde que mudamos, destruí o templo dos meus sonhos e tento entender o que sobrou de mim nesse conto. Lamento, mas derrubo lápides. Após cruzar num pulo essa etapa, aqui estou: re-territorializado. Solidão? Qual tátil sentimento é esse? Qual Romeo, havia alguém em sua vida. Olho pras janelas quando há alguém. Desde o infinito até o vale da noite. Dizer que não se quer fazer juízo de valor sobre qualquer assunto, já é ter algo pra dizer. Presunção de inocência? Prazer em viver. Pela janela olho para o céu. Olho pras janelas. Quando há alguém que também sonda a silhueta alheia no espaço vertical dos prédios, do cérebro. Impressões, cuidado! Volátil, o sentimento aguarda. Arranja de forma impecável toda desordem. Começo a organizar minha mobília mental, minha casa mental. A palavra anda solta por aí: livre como passarinho. E, sinceramente, minha vida vertical se constitui. Gente sempre se adapta a tudo. Quase todo tipo de privação, ríspida e radical, inesperada. Ou lenta e rigorosa, como o tempo. Uma volta rodopio. Uma volta ao ser. Uma volta e meia ao prazer de viver.
Mas nunca fiz canção de amor.

segunda-feira, outubro 03, 2011

Zona do Euro

Como acordar? Acordo pela manhã com dois sóis. Se eu pudesse ser apena dois, mas não consigo, não dá, não posso, e sigo assim sem poder me desmultiplicar. A Monica disse que me viu. A Simone sumiu. Mudou pra Brasília. Ah se eu soubesse a cavidade triangular super swipple flex. Havia tantas horas sem sono, sem sonho, sem drama, sem cama, sem ninguém pra pegar no joelho. Sabe, Salú mando um beijo, mas esqueci de dizer.




__Não fica assim.
__Mas você sabe, aldeia é tudo.
__Sim, eu sei... – e saio descontente.

Mas de repente vem uma sensação gostosa de plenitude, aconchego e orgasmo pleno.
Se torto, eu sei. Escrevo aqui.





Aqui nada me falta.

Yang Yng

Essa noite ver-me-á
Sempre digo,
essa noite ver-me-á de todas as formas
Só sossego com meu sono preguiçoso de palhaço.

Sou visual.

“Doente a gente já é – pausa – porque nasce pobre"
Pescador de lixo no Tiete

Quando perguntado pelo repórter se não tinha medo de ficar doente.

Numa área limpa e preservada do mesmo rio Tietê.
__Quantas piranhas o senhor pescou hoje?
__Duzentas e trinta e duas, de duas às seis.

Sensível ao TOC








Estou invisível, vivendo invisível anonimamente como todo ser invisível e anônimo, que não é anônimo para si mesmo. É inegável que sou importante para mim mesmo. Invisível no mundo de concreto. O mundo não é invisível. As cores saltam aos olhos. Voam, pulam como peixe na piracema, encantando os turistas.

Para ler ao som de Charles Mingus

.

Não sei de onde vem essa
loucura
esse defeito mais íntimo
essa ambição secreta
esse desejo...




O vazo quebrado
O vazio derramado
O vazo quebrado


O vazio derramado
O vazo quebrado
O vazio derramado

O mel




Ô pai! Por que tanta essa dor? É feliz quem não dói? Não venha me enganar, pois não há redenção que não doa. Não há dor sem amor. Esse falso sorriso que aparece sobre um pedestal e também minto eu que tenho tão pouco, mas sinto muito, tenho muito, muito obrigado.



Não sei como é
Não pára um minuto sequer
Como voar na terra do nunca
Faço da solidão da
amargura minha
Maior aliada
No vazio das gemas

O signo mundano surge como o substituto de uma ação ou de um pensamento, ocupando-lhes o lugar. Trata-se, portanto, de um signo que não remete a nenhuma outra coisa, significação transcendente ou conteúdo ideal, mas que usurpou o suposto valor de seu sentido. Por esta razão a mundanidade, julgada do ponto de vista das ações, é decepcionante e cruel e, do ponto de vista do pensamento, é estúpida. Beba Coca.

Ilumina minha senda

Um dia a gente dorme árvore e acorda montanha. Na beira da água, perto da cachoeira. As estrelas são os olhos do céu. A lua dorme. O sol se ergue novamente. Azul transforma-se como onda que arrebenta sobre as rochas. A onda se dilui no caminho do personalismo. Luz e paz.

Como escrever a história da desausteridade do homem pós-moderno?


é como onda que se afasta
é como a nuvem que passa
é o sorriso que pasta
é a sensação desesperada
de não haver produzido nada


sócioTAPA




A vida sem vida um mótuo contínuo movimento constante, eterno, perpétuo. O movimento sem tempo paralisa o instante da noite dos séculos. O bambu diz ao pintor: olhe para mim por dez anos. Depois, transforme-se em mim. Depois pinte.