sábado, dezembro 31, 2011

Nota ao tempo





Poet code dress in the night of a blue







Não importa que nota se dá ao tempo, não há tempo, qualquer nota a qualquer momento se dá, no momento em que menos se espera vem a luz. A luz se ergue e se espalha por todo lugar, por todos os ares onde não há vazio. Todas as notas que existem para preencher o universo pluriverso multiverso polifônico. Leia do seu jeito, leia bêbado, leia Bakhtin. Leia-me. Sabe?, tem dia que a noite é só uma uma só noite dentro da noite dos tempos, da noite dos séculos da noite que se aclara com o dia, com o sorriso of a dawn, com aurora, um novo alvorecer e passos que se perdem na memória. O encantador de cobras também sente dor e também sente o veneno da cobra, sua própria cobra, sua serpente, sua amiga, sua mulher. E o novo dia começa no mesmo dia e a melodia, ao meio dia, se esmera, se esvai e recomeça, dispersa em tudo que se viu ficou pra trás. Uma ronda, meia volta, volta e meia, todos vamos, vamos todos festejar, começar um novo plano, um novo trânsito lunar. Acenda uma vela pro seu Orixá.

sábado, dezembro 24, 2011

m la recherche de signes de vie




O exótico – normas e regras sociais




Meu texto criança. Hoje, dormir como anjo, e assim seguidamente até acabar... Quero noites de sono até que o sono passe, o ano passe e até que o último vento do cronômetro se esvaia. Não sou coleguinha, azar o meu, mas não troco provinha de matemática por um momento juntos. A cegueira me conquistou e a paixão é ver-se vencido na inocência real. Não analisa o real como real, mas como estético, como na viagem do xamã donde num movimento drástico, paradoxalmente, não se sai do lugar. As viagens xamanísticas são viagens verticais, para cima ou para dentro, e não horizontais, como a viagem do herói clássico. É por essa razão que aqueles que realizam tais viagens são xamãs, curas, poetas, padres e loucos porque, de algum modo, se dispuseram a chegar no fundo do poço de sua própria cultura. O caminho da marginalidade então se alimenta do sentimento de segregação, onde normalmente colocamos esse seleto grupo. Cuida bem do menininho...


segunda-feira, dezembro 19, 2011

A portuguesinha

O céu desabou sobre um ignoto ser como eu
sobre o verme sobre a terra puritana
sobre a cidade e sobre a mocidade





E as ciganinhas chacoalham suas castanholas
e as freiras comungam seu monastério
pela força da polifonia






o macarrônico ser literário
se transformou em
tédio

la desdicha de tu pena

ou

Limitando o pensamento a rimar artefatos agrilhofados em ruínas







Chuva quer cai sem parar dá um golpe na cidade e na mocidade. Vou voltar a ser cristão. A uma semana do primeiro sacrifício humano de Deus, do próprio Deus. Sigo garimpando ruínas. Estas na minha cabeça. Por sete anos a construí. Já lamentei a morte de muitos aléns. Desconstrução do que fui, do que sou, do que era, do lamentável da primavera. Cordélia morta, e o próprio de si incorpora rei Lear. Ninguém merece a desdita que invisivelmente cria para aventura humana.









abespinhado apenas


Verdade que a sombra da morte sinaliza a vida?
Acompanhar as campanhas do mundo, como?
Morte, filosofia e renascimento.
Se chegarmos à compreensão será o relâmpago de Deus.
Vou comprar um refrigerante...







Eu telefono em uma hora.

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Vendo, vivendo e ouvindo







Esses últimos dias tem sido totalmente desencontrados, um chute na garganta. As coisas parecem estar em modo contínuo, aliás, acho que a própria vida é um moto continum até o último segundo. Percepções do real em torno das minhas divagações deixam de ser reais, mas eu continuo real e as coisas e a vida e tudo mais continua real, então, preciso abrir mais a janela e olhar por ela, olhar mais pro céu, comer mais feijão porque definitivamente “colocar a cabeça em ordem” nesse fim de ano vai ser impossível, impossível se eu não colocar todas as coisas maltratando e menosprezando a imagem uma coisa de cada vez, cada coisa em seu lugar, cada coisa na hora certa mesmo que o incerto esteja certo, não existe ensaio, nem pré-estreia, e de madrugada não adianta rolar na cama em cima dos problemas, ser, apenas ser, da forma mais pura e mais simples possível, da maneira mais branda, do modo menos caipora, e mais um ano vai-se embora, e mais uma vez e perco dentro de mim, mas o real continua real na forma tangível, moral, social, ética, real. É como um grande comprimido que se tem que engolir sem água e sem condições, mas livre, mesmo que preso à existência, mesmo que amarrado a mim mesmo, a esse corpo, os olhos de Camille Claudel, essa pele que habito, a treslinchar o que se passa comigo.

domingo, dezembro 11, 2011

Você sabe o que é Vegan?


Frente os ideais da nova geração de naturalistas sempre houve a busca pelo que pode ser mais saudável na alimentação diária. O termo inglês Vegan (pronuncia-se vígan) foi cunhado em 1944 numa reunião organizada pelo norte-americano Donald Watson e outra meia dúzia exata de pessoas, após desfiliarem-se da The Vegetarian Society por diferenças ideológicas, onde ficou decidido criar uma nova sociedade (The Vegan Society) e adotar um novo termo para definir a si próprios. Trata-se de uma corruptela da palavra "vegetarian". Ou seja, foi um termo criado para distinguir os vegans, ou veganos, dos vegetarianos.
Mas afinal, o que significa Vegan? O vegan ou veganismo difere do vegetarianismo por não aceitar nenhum tipo de produto de origem animal. É uma “filosofia”, ou um modo de pensar, que analisa a vida de uma forma um tanto simplificadora e cartesiana, o que eles chamam de "escolhas conectadas". Exemplo: florestas, que geram oxigênio, são arrasadas (o que não deixa de ser um crime ambiental que ainda gera a destruição do solo) para se plantar capim para as grandes criações de gado, e que, por sua vez, a flatulência bovina é um dos maiores agressores à camada de ozônio. O veganismo considera que não consumindo absolutamente nenhum produto de origem bovina (leite, manteiga, queijo) estarão boicotando a indústria, logo, contribuindo para a não devastação das florestas, logo, para a não criação de gado e logo, para a manutenção da camada de ozônio. Conseqüência: mais oxigênio e menos câncer de pele.
Deixar um legado de moral politicamente correto em termos ambientalistas e que vai refletir nos modos de vida das gerações vindouras parece uma lógica bastante assertiva, não fosse o fato de estarmos irremediavelmente ligados a subprodutos extraídos do boi que usamos em nosso dia-a-dia, mesmo sem saber. Veja no site da Embrapa em quê esses subprodutos bovinos nos auxiliam em uma percepção mais acurada do mundo real.
Haveríamos de mudar toda a base da pesquisa cientifica, da cadeia produtiva e da ciranda econômica para a geração de um terceiro milênio adequado à utopia vegana. Enquanto a prática mostra que “do boi se aproveita até o berro”.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

Uivo para Caio Campos

E que entraram em um bar de cem mil cachaças e que beijaram a mão de Mao e da moreninha mas não deixaram de cruzar a linha do tempo do beat angelical e que sopraram velinhas de vinho Bourbon e caipirinhas com carne de cabrito e novela das oito, que se lamberam e se estruturaram em torno da paixão pelo ar e pela paixão pela simplicidade lama lama sabactani em um sentimento de Paeter Eternus Onipotentis, Deus. Que voaram na brisa de um saci de tanga vermelha dizendo que dirigem melhor que eu, mas que se dispuseram e se contra repuseram em tamanho real real real, mas nada foi demais, nada foi perfeito demais, nada mais foi perfeito porque Cherteston não estava presente e você não estava presente, mas enquanto você não estiver a salvo eu não estarei a salvo e agora nós todos, incluindo Bakhtin, está mergulhado no caldo animal total do tempo e os poetas ingleses não compareceram, mas mandaram dizer que nove entre dez poetas ingleses preferem o bar da moda à uma ode na madrugada, um pagode ou um recital total mental mas então se jogaram cada um para um lado, e deitaram e cambalearam e se dispuseram fazendo a rua de cama e a calcada de travesseiro, mas que se não for em frente o Stadt Jever ou o Outback não rola. E que passaram por lojas de conveniência e que a olho nu não conseguiam perceber que todo era tudo e tudo era nada mais que outro dia sem fim, sem ponto final, sem meio, menos mal, remelexo e recomeço.

quinta-feira, dezembro 08, 2011

de um jeito silencioso






O dia foi calmo e silencioso.
Nada de palavras, vazio de tempo, reflexões em off.

Dia de restabelecimento, dia da santa
e a tarde passa como um vento.
shhhhhhhh...


A cama parece meu último refúgio
mas eu não conheço nenhum Jesus da Silva
e não sou capitão de nada.


Abespinhado apenas,
enquanto Açucena caminha sobre o abismo.

Um tiro no pé ou La puta madre!

Então começo minha lamúria. Talvez minha última lamúria, esse mundo me irrita profundamente mas eu suporto. Acham que eu tenho tudo que quero mas não é verdade. Tenho me matado e matado o amor e a amizade. Mas hoje quero paradoxalmente qualquer coisa, porque não quero mais viver. A vida pode ser boa, mas não está me fazendo "bem" sofrer. As coisas que fiz em beneficio de todos que me cercam não foram suficientes. Então foda-se o mundo. Paradoxalmente quero viver. Pessoas lindas foram levadas à morte pela dor da existência. Amy Winehouse. Creio que ninguém leu “Van Gogh – o suicidado pela sociedade” do Antonin Artaud e o próprio Artaud vinte anos preso em um hospício. Ninguém leu as Cartas do Asilo de Camille Claudel, que são uma ode à alma feminina. Ninguém sabe que Torquato Neto se matou por essa mesma dor, e também Ana Cristina César e também a poeta americana Sylvia Plath. Ninguém sabe que essa dor mata, parece. Quem mais? Ah, sim o próprio Hemingway se matou e uma centena de outros que nem sequer sabemos. Como? Não sei. Quero dormir em berço eterno, assim como Florbela Spanca.


Carta de Torquato para Hélio Oiticica.



"O chato, Hélio, aqui, é que ninguém mais tem opinião sobre coisa alguma. Todo mundo virou uma espécie de Capinam (esse é o único de quem eu não gosto mesmo: é muito burro e mesquinho), e o que eu chamo de conformismo geral é isso mesmo, a burrice, a queimação de fumo o dia inteiro, como se isso fosse curtição, aqui é escapismo, vanguardismo de Capinam que é o geral, enfim, poesia sem poesia, papo furado, ninguém está em jogo, uma droga. Tudo parado, odeio."






Torquato se matou um dia depois de seu 28º aniversário, em 1972.

quinta-feira, dezembro 01, 2011

Be a Vegetarian



Be a Vegetarian, a beautiful and silly little short by Serbian animation group GlossyRey. Follow that link to their site for some process artwork, including a look at the After Effects puppet rig for one of the characters.

Dia mundial da Sida

World Aids Day: meet Uganda's forgotten women – in pictures
To mark
World Aids Day, photographer Carol Allen Storey captures the beauty and resilience of the women of Hamukungu, a poverty-stricken fishing village in Uganda. All her subjects are widows driven into the sex trade, all living with HIV. They share the tragic circumstances of their lives with touching frankness.


Grace Mbabazi is 33 years old, a widow with three children


"I hunt for men and tell them I want sex. If you satisfy a man, you satisfy your hunger. Here in the village, virtually all the women are sex workers – even the grandmothers. We are desperate to feed our hungry children. My plan is to earn as much money as possible so that my children will attend school and not be illiterate"

O Livro dos Sonhos



AONDE VAI PARAR O ESPÍRITO DOS VIVOS? que sonhasse que percorro a Segunda Avenida em Nova York numa agradabilíssima noite de verão, entre luzes cintilantes, por bares onde sujeitos aglomerados assistem, todos de cerveja na mão, à luta de boxe na tevê, meninos brincam na rua e dão encontrões em mim, enquanto sigo adiante, arqueando os ombros para mostrar como sou machão – aonde? para que luz no fim do túnel? (pág. 195)

DESCEMOS PARA O INETRIOR DE GRUTAS DE areia subterrâneas na Índia, eu, duas mulheres e um menino – tem cobras birmanesas, ídolos – nos perdemos e não conseguimos achar a entrada de novo – fica tudo perto de Lowell – que nem bancos de areia – um anoitecer purpurino lá fora – (pág. 99)



Jack Kerouac, 1922/1969