terça-feira, fevereiro 14, 2012




Sexo. Sinto o cheiro de sexo. Sinto o cheiro do meu próprio sexo. Sexo primitivo sexo com beijo sexo com amor sexo sem amor sexo na sua voz sexo na imaginação e no sonho. Você em pé de lado deitada de lado em cima em baixo em volta entre. Diz que me ama. Ainda não estou saciado desse amor que procurava. Ainda me faltava alguma coisa que sinto que nunca mais vou ter – inocência, talvez. Meu coração parecia um músculo atrofiado. A inocência infante, pura e delicada, às vezes infausta. Feliz aquele que vê, mas não enxerga. Felizes os cegos de alma, pois eles herdarão a ignorância do mundo. Meus olhos não brilham mais, meus olhos não brilham mais. Felizes aqueles que se emprestam se vendem e se contentam, pois suas almas serão salvas em algum asilo de luxo. Matamos a própria sorte. Não acredito mais em nada. O sonho acabou, the dream is over. O Destino se transformou numa entidade, assim como as virtudes, a Justiça e a Temperança. Sem leis, salvo as quânticas. Sem regras. O sol brilha de novo, mas a paisagem continua tediosa. Era como se... Tenho a impressão que estou tentando contar um sonho – uma tentativa, porque nenhum relato é capaz de transmitir a sensação onírica, onde aflora essa mistura de absurdo, surpresa e encantamento num frêmito de emoção e revolta, essa impressão de ser capturado pelo inacreditável em que consiste a própria essência dos sonhos. Vivemos como sonhamos – sós.

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