quarta-feira, fevereiro 29, 2012

A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento

Longe daqui em algum lugar...



Em vez de corrigir esses desenvolvimentos, nosso sistema de ensino obedece a eles. Na escola primária nos ensinam a isolar os objetos (de seu meio ambiente), a separar as disciplinas (em vez de reconhecer suas correlações), a dissociar os problemas, em vez de reunir e integrar. Obrigam-nos a reduzir o complexo ao simples, isto é, a separar o que está ligado; a decompor, e não a recompor; e a eliminar tudo que causa desordens ou contradições em nosso entendimento.

O pensamento que recorta, isola, permite que especialistas e experts tenham ótimo desempenho em seus compartimentos, e cooperem eficazmente nos setores não complexos de conhecimento, notadamente os que concernem ao funcionamento das máquinas artificiais; mas a lógica a que eles obedecem estende à sociedade e as relações humanas os constrangimentos e os mecanismos inumanos da máquina artificial e sua visão determinista, mecanicista, quantitativa, formalista; e ignora, oculta ou dilui tudo que é subjetivo, afetivo, livre, criador.


(Edgar Morin, 2003)

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

Coletivo natureza

Meine Samba







Já fiz outras palavras, já removi outros desertos e desmembrei estradas, travadas as mesmas mesmas no caos de Lama Lama Lama Satacbani. Já fiz e me desfiz de outras e outras transas, e transferi arquivos da memória incendiária memória, que das cinzas reviveu e abrasou as favas, arenga no mundo onde as fadas conversam. Morrem queimadas como farfala - na luz da vela que se apaga. Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Toda prece é ouvida, toda graça se alcança.

sábado, fevereiro 18, 2012

A Flor do Poeta

Ritmo: samba-enredo


Flor do poeta




Pecado marginal




Ornamentou a festa




Nesse carnaval




(tidididididididi dum)

terça-feira, fevereiro 14, 2012




Sexo. Sinto o cheiro de sexo. Sinto o cheiro do meu próprio sexo. Sexo primitivo sexo com beijo sexo com amor sexo sem amor sexo na sua voz sexo na imaginação e no sonho. Você em pé de lado deitada de lado em cima em baixo em volta entre. Diz que me ama. Ainda não estou saciado desse amor que procurava. Ainda me faltava alguma coisa que sinto que nunca mais vou ter – inocência, talvez. Meu coração parecia um músculo atrofiado. A inocência infante, pura e delicada, às vezes infausta. Feliz aquele que vê, mas não enxerga. Felizes os cegos de alma, pois eles herdarão a ignorância do mundo. Meus olhos não brilham mais, meus olhos não brilham mais. Felizes aqueles que se emprestam se vendem e se contentam, pois suas almas serão salvas em algum asilo de luxo. Matamos a própria sorte. Não acredito mais em nada. O sonho acabou, the dream is over. O Destino se transformou numa entidade, assim como as virtudes, a Justiça e a Temperança. Sem leis, salvo as quânticas. Sem regras. O sol brilha de novo, mas a paisagem continua tediosa. Era como se... Tenho a impressão que estou tentando contar um sonho – uma tentativa, porque nenhum relato é capaz de transmitir a sensação onírica, onde aflora essa mistura de absurdo, surpresa e encantamento num frêmito de emoção e revolta, essa impressão de ser capturado pelo inacreditável em que consiste a própria essência dos sonhos. Vivemos como sonhamos – sós.

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

In a silent way



Saio de casa no escuro
com passos de felino


Volto às redundantes e recônditas reticências das curvas... às dissonâncias, ruídos. Renascendo no verso sem pedir licença, sem preferências, acredita. Confusa me ataca, fico mudo, fico puto até o fim da festa e os Josés se vão. Detesto despedidas e também detesto funerais. Eu gosto é da vida. Detesto ao mesmo tempo amo as caras de espanto na noite noir. Haja caras, haja metáforas. Acostumei-me a fazer pequenas cirurgias morais. Noites de opulência fim onde os fins, no final, eram só meus. Fizeram dos lampejos verdadeiros frangalhos. Vagaram sem palavras. Lambiam barcos bêbados, vulvas flamejantes, e a ígnea flama flui em eflúvios...

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

Cala a boca, Bárbara




em que pântanos beber?

coisa sem sentido









Uma frase veio à tona. Pulou, escapuliu, me fez pensar. Fez-me entender outras frases que já haviam sido ditas. Somente hoje eu compreendi o contexto. Agora tenho a quem matar com a minha indiferença. Hoje deixo de ser indiferente a mim. Vou comer um prato-feito no mercado e à noite tomar uma cerveja no Aquarius e pedir um tira-gosto, sentado no enorme balcão que abriga todos, sedentos e famintos. Ver o Jornal Nacional. Depois de pagar a conta e dar um adeus vespertino, vou andar até a esquina e comer um churrasquinho de gato, trocar umas ideias com o baiano velho, aprender um pouco.
Aprendo muito sobre a natureza humana. Os próprios da mulher e do homem. Parece que se refestelam em si. Eu me pergunto de onde vem essa força. Então, com uma pergunta enigmática qualquer, eu vou pra cama, pensar um pouco, enquanto algum filme idiota passa na TV, sem som, no mudo.







Nota se fim...

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

novela é phoda...

“Vá fan culo!” - disse sem pensar. Diz com doçura o que não disse antes. Agora não adianta pensar. Agora é apesar dos pesares. Agora ou sempre? como nunca. Não, sim, sim, sim.

Hoje tem lua cheia

a noite se acalma,



se apressa a chegar,



e na madrugada



minha alma vagueia





faz fogo no céu



nasceu

Onda do mar


Hoje tem lua cheia
clareia minha senda ô

clareia


Emenda minha
vida
com palavras



como essa poesia
vertical



Dá-me a horizontalidade
dos heróis gregos
dá-me ego, apaga a monstruosidade

do medo



é onda no mar
é maré cheia
é plenilúnio



clareia

terça-feira, fevereiro 07, 2012

nook boy




Índia, sorria
Eu tou te vendo no beco
Vem comigo






Deixei de ler Bakhtin. As coisas acontecem em ritmo lento e penso sob a ótica teórica, a ótica do pensamento. O pensamento enxerga coisas que os olhos não vêem. O coração se oprime por não ter como dar vazão ao estimulo neurológico.

sábado, fevereiro 04, 2012




Vai ser pior ainda
Quando amanhecer
Tudo que se tem pra cantar
Não dá pra embalar
Nem pra devolver

O direito de escolher
A música melhor para se dançar
A música melhor para se dançar
Quem faz parte dessa cena
Gravando! Pode rodar
Pra cumprir a mesma pena
Não é preciso ensaiar
Tá combinado
Basta aprender sambar dobrado
Basta aprender sambar dobrado

o ato de telever altera antropogeneticamente a natureza humana


“…In un mondo nel quale l’immagine sta spodestando la parola, l’ homo sapiens, prodotto della cultura scritta, si sta evolvendo in homo videns, l’uomo ridotto a conoscere il mondo solo attraverso quello che vede, quindi a non conoscerlo per tutto quello che non vede…”


Giovanni Sartori













Tripping talk

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

A terceira margem


Guimarães Rosa acendendo um cigarrinho


Em uma margem, o motivo poético e articulado da emoção é uma das principais características dos poetas da transpiração. O olhar sobre o verso como trabalho de arte conduz à construção do poema objetivo. Dos autores racionais, também conhecidos como poetas artífices, caso de João Cabral de Melo Neto, chamado de poeta do verso suado, artesanal,o poeta cerebral. Ao contrário dos poetas da fruição,para os poetas artífices não é o poema que se impõe, se não o poeta que se impõe ao poema, revisitando-o muitas vezes na busca da comunicação densa (em palavras), mas não emotiva. João Cabral de Melo Neto fala sobre a poesia e a palavra “A palavra precisa ser açoitada até encontrar seu lugar no verso. Não sou desses escritores de suspiros poéticos”. Na outra margem, os poetas da inspiração defendem a supremacia da inspiração à racionalidade. Um dos grandes poetas fruitivos é Vinicius de Moraes. Vinicius trafega entre o lirismo e a poesia urbana criada por Baudelaire.

À terceira margem, o grande escritor mineiro João Guimarães Rosa que também escreveu poesia. Ele trafega em duas águas, as da fruição e as da racionalidade. Porém, em seus poemas ele se aproxima mais de João Cabral no que se refere à linguagem literária. Na verdade, para o leitor não importa se a poesia é cerebral ou de inspiração. Importante é o deleite.


Medo da felicidade


Estremecemos juntos...
Que Potêcia má será a soberana
desse vento frio que passou?...


Distância sentimental

Mesmo ao sonhar contigo,
só consigo que me ames noutro sonho
dentro do meu sonho primitivo...


quarta-feira, fevereiro 01, 2012

da madrugada





A ética vai além desse ser ou não ser. Esse estúpido querer. Conhecer assim a si mesmo, meio perfeccionista, não é?, e é. Por isso são tão bons, tão maus. Paguei caro por isso, ninguém sabe, mas eu só quero a minha guitarra de volta. Fazer meus uivos da madrugada. Ser o lobo que ronda a noite, sagaz. Foi quando eu fugi. Esqueci de tudo e me perdi e desapareci. E as distorções me foram tantas que os dedos da mão foram desnecessários. Somos animais autobiográficos que só damos conta disso depois de conhecer esse lugar indizível.

Vou ficar com o que eu tenho






Não quero caixas vazias. Não vou ser menos importante para mim mesmo. Mesmo que tenha que desistir de alguma coisa. Afinal, há ganhos que também são desistências, abnegações. Essas reflexões são como ser a matéria-prima de um escultor. O resultado da obra compensa as dores da lapidação. Profundo, mas não esquece a guitarra.

Ontem






Sabe, segunda-feira eu instalei o chuveiro, segunda-feira fez um sol danado. Segunda-feira foi ontem, mas as horas de hoje já marcam 00:44


Vou ficar com o que eu tenho.
Não quero caixas vazias.