sábado, dezembro 29, 2012

Pelos olhos do gato





Dia vinte e nove de dezembro do ano de 2012, dois dias para o ano-novo. Estou diante da tela imaculada, tinha rosas brancas caídas em seu vestido, a buscar signos rasgados pelo tempo como papel. O desenho amplo e discordante que no final arranja todo sentido. Que gira no espaço infinito, desrespeitando a fisicalidade dos fatos, a tornar-se o momento “agora” e engolir para fora aquilo que já foi dito. Seccionar as partes gravadas, de gosto, cheiros e ruídos. A ilusão de dispor fragmentos, livres de temporalidade, do meu cabedal de estrelas cadentes, em um único retrato, um retrato único que não se parece com nada, não indica nem simboliza nada e cuja representação não tem sentido. Finitude, significação. Foge da memória lúcida embora lúdica, porém tangível a compreensão gramatical, como a conhecemos, na dimensão onde-nada-permanece. Índices e sinais do acaso, suave vendaval em nosso olhar... Tal como ao verbo cabe lembrar a desdita de que um dia será esquecido. Adormecida lembrança soluçante e flébil, rosto de um sonho aéreo e polar flutua.  Ela é assim, como os gatos..


“veem quando não os chamamos e não veem quando os chamamos"

quinta-feira, dezembro 27, 2012

a. viver

A possibilidade de limpeza absoluta é insuperável. Sendo ela como possibilidade extrema da existência, da necessidade, do sacrifício. Mas como evitar a aceleração da impossibilidade como sendo inautêntico à morte? Tornar-se autorreferente para libertar a perda da própria morte nas possibilidades da multidão e que através da compreensão e escolhendo as primeiras oportunidades verdadeiramente artificiais que estão abaixo da oportunidade insuperável. Acelerar abre em existência, como um possível extremo auto-sacrifício e a brisa enrijecimento e tudo lá sempre alcançando. Na batida da vida, eu me preservo de cair para trás, e meu poder de ser compreendido tornou-se "velho demais para suas vitórias”. A meditação evita o caminho que se oferecia a uma interpretação da consciência. Em geral, na verdade, nunca entenderemos uma ou outra das competências da alma.

sábado, dezembro 22, 2012

Paris DJs again

Paris DJs

PARIS DJS SOUNDSYSTEM presents SWEATY BLUES and FUNK ROCK COVERS Hosted by Le Blues Du Robot by Le Blues Du Robot on Mixcloud

aauuuuuuuuu

Sonido de Africa

quarta-feira, dezembro 19, 2012

Indians


"Nos velhos tempos, e também em nosso tempo entre as tribos indígenas, substâncias psicodélicas, eram considerados sagrados e foram usados ​​com a atitude certa e em um contexto ritual e espiritual. E que diferença se compararmos com o uso descuidado e irresponsável de LSD nas ruas e nas discotecas de Nova York e em todo o Ocidente. É um equívoco trágico da natureza e do significado desses tipos de substâncias. " 

Albert Hoffman

bed... food... weed... jazz... zzz

New vintage (Darker Than Blue - 21 nov 12) by Selecta Anouchka on Mixcloud

jazz... food... bed... zzzz

Soleado 147 – Miguelito Superstar – 18/12/12 by Lovemonk on Mixcloud

sábado, dezembro 15, 2012

noiteassim, pra você...

Que ânsia distante perto chora?
Tudo é disperso e derradeiro
Tudo é incerto, nada inteiro
Fernando Pessoa


Onde?, nesse labirinto à procura de uma porta inatingível? Meu cogitare anda cheio de mágoas, frustrações, potencialidade autossabotada pela minha mirangaia. Amofinado, destruído, verbo em ruínas. Suprimido pela palavra, devastado de misanplis e misópodes. Quando esperar que venha cheia de sorriso e alegria? Se pois a dor criativa me obriga, quase afásico a digitar esses versos. Trás a minha conversação existe prosa que chora. Pesar não faz parte da vida da abelha zelosa. Tantos anos se passam e eu realmente queria estar perto de você, minha Eurídice. Tantas faltas. Tudo se mata e se morre por receio. Difícil é enfrentar seus próprios devaneios. Difícil é ficar quando o “bicho pega” e seguir. Agora, deitada em seu leito, sonhando com algum feiticeiro loquaz que te diz o que conta e fala o que é “real”. Nada de pontos de vista, apenas uma vontade extintiva, extinta, extrema de ser o não-ser. Essa bagagem que todos carregam, de tapas e versos, comida fria com lágrimas. O anjo cuida das feridas, mas se opõe a evanescer essas palavras malditas e contra si grita: Corre! Escapa com essa. Figura o céu de nuvens aquareladas e a cidade adormece no horizonte.

terça-feira, dezembro 04, 2012

Monk's Dream

Full Album

a howl for a brow that needs to grow

Considero Neal pessoal que me apegaram de grude udegrude tristessa inválida alegoria do xadrez das damas e dos cavalos que avançam e bravamente morrem como tolos, considero válidas as damas vadias putas underground esquálidas garçonetes de beira de estrada talvez citadas em uma tarde ensolarada jamais no Sutra do Girassol, mas Jack, Keroak saberia tudo isso sem que o Buda o dissesse? Ou Ginsberg numa tarde ensolarada?, mesmo que ainda quentes, em todas as mentes brilhantes da minha geração, a vomição que deve ir paras frentes de batalha, mesmo que seja terrível, vergonhoso diante pais e de uma culpa ancestral nos persegue e nos impede de romper a moral e os maus costumes, então deixamos de ser Charles Anjo 45, deixamos de ser comemorados por nossos feitos dionisíacos em virtude da literatura desse grande pequeno mundo de pirataria de assalto a que toda hora somos tomados e de susto me pego preso no desconforto desse frêmito se ninguém me convida pra jogar a fazenda feliz. O mundo apolíneo que me faz querer surtar quando o corretor ortográfico teima comigo e me confunde em frases interas. Como se pode manusear assim uma porra de um texto? Eis mais que um uivo nessa merda, meio como que xingar Deus. Ah, caio, foda-se se você não estiver a salve nesse caldo universal ancestral semiótico ancestral do tempo!

um Uivo Pra Você Caio Campos nunca termina.
..

segunda-feira, dezembro 03, 2012

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Z

Volto a escrever. Como se isso interessasse a alguém senão a mim mesmo. Perdi esse hábito de confessar palavras ao papel há mais ou menos um ano. Colecionar sentimentos. Geralmente elas surgem quando a tristeza quer dizer alguma coisa que os sentimentos apenas não suportam. Por isso elas deságuam como vomição de vocábulo desarrolhado. Como se uma bomba fosse ateada ao vento suculento das ideias mais bárbaras e deliciosas que se quer dizer, entre vezes voltadas contra si mesmo. Escrevo não porque bêbadas brancas bacantes o beijam. Escrevo porque acima do homem ainda resta vontade vencer. Além de toda a contradição, quem é Papai Noel pra dizer o que é certo ou errado? Sigamos...