terça-feira, maio 28, 2013

sigo, Goginho

Como?

 Nas adjacências nenhum ser humano, somente a natureza e seu modo de pensar. Agora escrevo recluso no silêncio do meu medo. Na sigilosa intimidade do meu assombroso exilo.
Contar uma vez mais esse caminho é como mergulhar mais uma vez nas profundezas do ser que encontrei quando estive sozinho. Nessa poderosa e desnudante catarse há passado nessa transmutação de todos os valores que hei vivido. Pelo caminho surgia nietsch-da-mente a cada novo panorama ganho a proposta de um devir filosófico. Seguia pelas curvas do caminho. Dois ou três dias adiante, eu iria descobrir corpo (oral) - mente, que a vida de caminh - ante diante dos signos linguísticos, sentindo nos músculos a dura realidade é constituída de altos e baixos. Ou seria apenas a sinuosidade da montanha? Ou seria mera arremate geográfico? A grandiosidade do terreno, fazia a pleno o ar correr em meus pulmões. Corria contra a curva do vento. Esperto, matreiro, sorrateiro, sorria. Já não tinha olhos para o medo. O medo eu sentia todo tempo, senti medo o tempo inteiro. Tempo em que o medo virou minha companhia, e medo era então meu companheiro.
Eu já havia feito essa travessia em três dias, mas queria liga-la com outra, rumo à barriga do gigante. Destino ao pico do Canjerana e dali ao alto do Inficcionado. Seria uma barra pesadíssima já eu não tinha ninguém ao meu lado. Já que não levava barraca já que estava em outras circunstancias, desagregado, triste, desolado. Pensava nas pessoas que estiveram ali comigo. Como agora penso. Penso na casca eu deixo e deixei nos caminhos. Choro e chorei tudo vívido e vivido. Agora são palavras mortas na hora morta da madruga. Somente Você e eu. A barra de espaço emperra o tempo todo. Preciso chorar preciso levantar a bunda, preciso tomar um cafezinho preciso tomar um ar. Preciso não acordar meu povo. Tomara que só você esteja ouvindo.
Nos confins do mundo atravesso mais um obstáculo. A crista é composta por dois pequenos montes dentro de si, da altura de um prédio de três andares. Quando alcanço o too do segundo vejo com mais nitidez a antena d energia elétrica, marca morfética do homem que se assinala como um dragão quixotesco. Dali vem uma descida que não se enxerga, e que por isso da certo medo. A barra de espaço continua travando. Não fosse o adiantar das horas eu também não estaria com receio. Passo batido pela antena macabra, onde nada se ganha do panorama. Em seguida desço uma rampa inclinada onde a crista se estreita dos dois lados. À direita o desnível chega a mil e duzentos metros. Subo em direção ao campo de fora. Foi preciso varias caminhadas pra “pegar a manha”. 03h47min. Deus! Já são quase 4 h. Agora FODA-se! Foda-se a barra e espaço! Vou seguir escrevendo. O remorso bate fundo em meu peito. Atravesso o capoeirão e sigo subindo o caminho certo. Ao meu lado se esconde uma nascente. Uma fenda corta a montanha m forma de rachadura, lá m cima faço a curva. Lembro a primeira vez que avistamos aquele campo de altitude, ao fim da tarde. Coisa mais linda do mundo, três pequenos rios descendo faziam curvas formosas e despontas no pleno, vaquinhas pastando. Aquela água decerto ia matar nossa sede. Éramos três incautos caminheiros perambulando pelo alto, com mapas a muita vontade e lá íamos chegando. Lembro-me foi que a paisagem mais bucólica de todas. Sempre paro pra ver se me desperta a mesma sensação. As coisas tão pequeninas no espaço livre do vale nos límpidos abertos claros, lúcidos, iluminados, nos contornos do sol, nos confins do mundo, nos arrabaldes, nas imediações, nos vãos!

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