sábado, junho 01, 2013

nuts

Fevereiro de 2010

Não sabia ao certo o dia da semana.
Agora são 02h40minh da madrugada. Alguns adolescentes cantam, uivam displicentes numa cobertura próxima. Logo eles mesmos farão mórbido silêncio. Ouço desarranjado violão que os acompanha. Abri a janela. Parece-me o canto jovens lobisomens no cio, mas que ao invés de atrair espanta. Quem se sentiria atraído por aqueles grunhidos dissonantes? Decerto as jovens mocinhas que os acompanham. Eu solitário escrevo.
 Tenho que voltar ao dia que aportei naquele lugar para localizar-me no tempo. A contagem não faz tanto sentido. Não levo relógio comigo. Sei que devo acordar, sei que devo dormir. A luz do sol me desperta. O lusco-fusco me sossega. Como é verão o sol demora a cair. A noite demora a surgir. O equinócio de verão haveria de ocorrer em 2010 no dia 20 de março, como usualmente acontece, as 17h32minh da tarde. Os jovens lobos param de latir para o vento. A vizinhança agora se aquieta ouço a ecoam nas têmporas o dedilhar frenético do teclado. Meus dedos estão atentos.
Espero mais um dia na toca chamo lar onde o bovino deu seu último suspiro. Distraio-me passando o dia entorno do lugar. Por vezes quero visitar o Casanova, mas  poupo as preciosas energias. Comida se transforma em ganho calórico. Faço todas as refeições do dia. de lá posso avistar o pico do Canjerana, meu próximo destino. A montanha a delinear o caminho. Uma subidade ergue-se rumo a casinha construída pelo homem. A silhueta dela, a olho nu, é quase invisível. Vejo com meus olhos aguçados. Tento não olhar muito. Não estou exposto a nenhum tipo de evento climático apenas às intempéries do interstício campestre que entre mim e o pico se apresenta. Entro pra dentro do meu ego e me encontro vivo mais uma menos vez. Entra noite e o tempo vai se esgotando a cada cigarro. Como areia de ampulheta. Como orgasmo atingido que não volta ao inicio do coito. Como bolacha, mastigo, engulo. Apago a vela, durmo. Acordo no escuro. A noite brilha com o riso frouxo da minguante. Sou índio civilizado? Sou errado? Sou errante? Estou novamente nesse dualismo bobo. Estou de novo na subjetividade duplo antagônico. O vento sussurra qualquer coisa. Turva-se a luz, um só murmúrio. Não há pecado, senão em pensamento. Não há nada nas adjacências. Logo estarei no alto. Vendo a miudeza de mim mesmo. Agora a madrugada é quase toda silêncio. Quem faz algum ruído se destaca. Carros passam com menos frequência. Até um interruptor de luz consigo ouvir. Agora Você está em silêncio, Deus, e eu, devo ir dormir. Insone são minhas noites, notívagos gatos, vagam pelos teclados.
Saio de casa
no escuro
com passos de felino

Acho que o amanhã dos dias que passei sozinho, e que devo trilhar rumo ao Canjerana, que parece atingir o céu, será quita-feira. Quarta-feira insone..
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