terça-feira, junho 18, 2013

Má conduta






Má conduta


Além do mal e do bem, além do que é mal e o que é bom, além do que causa, agente, motivo, ensejo, pretexto, germe, origem, oportunidade, razão pela qual, chance, ocasião, cabimento, propriedade, domínio, conveniência, atributo, característica, qualidade, distinção, particularidade de ser bom ou não ser, que antagonicamente seria definido como ser mal, o que cabe ao ser (?) é tão somente ser, Ser em si, a coisa em si mesma, o objeto por ele mesmo. Além dos domínios da razão, sem pretexto para duelo, discurso ou conflito. Origem do próprio afecto. Percepto do próprio instinto. Temos instinto? 
O que definiria uma má conduta entre os ratos? O que, ontologicamente falando, não seria ético entre os bichos? Apontar um ato que não fosse um apelo à pura necessidade de propagar a própria espécie seria justo? Qual é a justiça na natureza animal? Qual seria a lei natural do deserto? Qual é o ditado? O seria o proverbismo

“Deus provê o leão. A raposa prove a si mesma.”
                                             W.  Blake

Além do bem e do Mal


3.
Terminei por acreditar que a maior parte do pensamento consciente deve incluir-se entre as atividades instintivas sem se excetuar a pensamento filosófico. Cheguei a essa ideia depois de examinar detidamente o pensamento dos filósofos e de ler as suas entrelinhas. Ante esta perspectiva será necessário revisar nossos juízos a esse respeito, como já o fizemos a respeito da hereditariedade e as chamadas qualidades 'inatas'. Assim como o ato do nascimento tem pouca importância relativamente ao processo hereditário, assim também o "consciente" não se opõe nunca de modo decisivo ao instintivo. A maior parte do pensamento consciente de um filósofo está governada por seus instintos e forçosamente conduzido por vias definidas. Atrás de toda lógica e da aparente liberdade de seus movimentos, há valorações, ou melhor, exigências fisiológicas impostas pela necessidade de manter um determinado gênero de vida. Daí a idéia, por exemplo, de que tem mais valor o determinado que o indeterminado, a aparência menos valor que a "verdade". Apesar da importância normativa que tem para nós, tais juízes poderiam ser apenas superficiais, uma espécie de tolice, necessária para a conservação de seres como nós. Naturalmente, aceitando que o homem não seja, precisamente, a "medida das coisas"...


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