segunda-feira, junho 10, 2013

up and on!

Madrugada

Então? Porque ficamos a sós, só nós dois?
Porque não sabia ao certo a direção?
Porque me deixaste perdido bem quando te buscava?
Porquanto os porquês da vida nunca acabam?
Porque esperaste tanto? Não ouviste meu pranto?
O tempo é diferente em Seu relógio? Eu não uso relógio pra saber a hora.
não era ocasião para amparar, não era hora?
não viste a languidez no meu rosto?
Devo parar, talvez? Retroceder?

There is no way back I could make.
I shouldn’t do it anyway...
“água pra me refrescar, água pra beber e me refrescar e beber, água pra beber e me refrescar, água pra beber”

Esmola
Seria isso um mantra, estados alterados de consciência, minhas células tentando contato com as moléculas de água. Como um rio chamando passarinho. Quão intensamente a cobra há de comê-lo? Assim segue-se o S da serpente. Assim a serra cobra sua gorjeta. Quão grandemente foste cego no breu das horas? Quão tolo esteja eu sendo agora?

Assim mais um fascículo de Caras.

Eu e Deus,

Diante daquela cena desértica, e com aquela mochila quanto mais vazia, com o passar dos dias, mais pesada ficava, eu só podia pedir a Deus (ou a natureza) que me levasse depressa ao encontro da água.
E foi assim que fiz. Você se lembra? Não precisa responder...
Olhava o terreno que conhecia, mas a semelhança entre os montes me confundiu.
depois de passar por um campo onde há moitas enormes de capim macio e transpor um córrego brejeiro, tomei o caminho mais difícil, pelas pedras. Andei ligeiro, mesmo que pra cima e adiante. O córrego devia ter algum bicho morto e eu fiquei com cheiro de merda.
ouço os estalidos da aguinha caindo. Vejo, mas não alcanço.
dou-me a chance de não morrer no meio do caminho.
Finalmente chego à margem do rio!
dei de mim tudo que pude. Astúcia e loucura, persistência, insanidade, força e resistência. Sana pra sarar da sede. Sede tu meu fiel discípulo e o mantra se dissipam em minha mente.
eu já na era u nem você. Eu já não era Deus.
era só mais um protozoário na vastidão de um lago escuro...


Adentro a escuridão de minha mente.
Adentro as trevas de mim mesmo.
(estou a duas horas do cume, mais vinte minutos até o abrigo).
Meu corpo todo fervia. Entro cautelosamente na água fria, pra evitar o choque.
Alívio!
Meio segundo depois de sair sinto um calafrio estarrecedor.
Coloco todas as roupas de dormir pra esquentar o corpo.
Cubro-me com o cobertor térmico.
Rimbaud queria ver o sol...
E eu tentando me esconder dele. Não há sombras no agreste serrado.  E eu estava prestes a congelar. Coberto precariamente, com a luz dos olhos retinindo em meu sol, consegui descansar alguns minutos.
Olhei para o horizonte de onde tinha vindo. Não acreditei que havia caminhado toda aquela distância em um dia. E ainda tinha de galgar forças pra chegar ao pico.
o astro rei estava acima da linha do horizonte, a oeste, obviamente.
O tanto distante da linha quanto u precisava.

Passo a mover-me como um bicho.
Aos poucos tiro cada roupa de frio.
aceito sem pensar que devo aceitar.
O desafio.

Quantas noites passei sozinho? Não me lembro. Na cidade, aprendo a conviver com as sombras do meu quarto. Foste mal, cruel, infinitamente.
O brilho solar inunda meus olhos.



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