quarta-feira, julho 24, 2013

Documento 3


Passei noites de natal em que preferia estar longe ou morto de tudo de todos, mas a morte é um golpe de sorte, como disse meu tio que pulou do viaduto e caiu como uma pluma, ele falou, dez metros de altura.
Falávamos que a morte é um tanto forçoso. Um privilégio de Deus, cntrl-alt-del  aditado num só botãozinho, editado conforme o pré script.
A morte é algo inenarrável.
Embora tenha estado face to face em dois verbos, não fui adicionado aos melhores amigos, ao menos porquanto estou vivo, nesse corpo que toca as letras do teclado.
Corpo que teima em aventurar-se ao conferir sentido ao meu universo interno. Como se fosse viável registrar o inefável. Como se fosse possível dizer o indizível. Como falar que gosto tem a cor vermelha, ou qual seria exatamente o som do ódio.
O vento lambe meu rosto, sem tocar a retina.
Anóspito é aquele que não sente odores.
Cego é quem não enxerga.
Surdo aquele quem não ouve.
Mudo é aquele que não fala.
Homem é aquele dá nome; próprio que diferencia a espécie.
Signos do acaso. 

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