segunda-feira, julho 29, 2013

Preparo-me agora pra mais uma jornada.
Estou no mundo e no mundo eu sigo.

O ser humano constrói seu próprio inferno e também inventa seu próprio paraíso. O ser humano é corpo e alma que pensam juntos, e cria conceitos e produz signos. Acende, apaga, com o passar do tempo. Levanta, iça, ergue, alça. Arma, constrói, eleva, edifica. Com próprias mãos, dos pés á cabeça. Apanha, arregaça, pulsa. Arquiteta plano para o próprio destino. Promove conceitos, depois dissolve. Arremessa a si mesmo na vida cotidiana, não há como negar a fisicalidade. O que vem do alto cairá pra baixo, são conceitos lógicos do plano físico. Esse é o planeta em que vivemos, e na terra plantamos nosso idílio. Semeando sonhos, destruindo despertas sonolências. Tenta arrancar de si o que está doendo. Procura um sinal que indique o que é certo, mas não pode afirmar o que é errado. Desvia da morte, do dor e do medo. Busca o prazer, evita angustia. Faz to que pode levá-lo de encontro ao bem-estar físico como meta e objetivo de vida. A partir da dicotomia entre o melhora e compromete seu desempenho, arrazoa valores de certo-errado. Objurga, alterca, repreende, censura aquilo que pensou ser/estar errado. Move-se adiante pra que a vida floresça, fundamentado nesse dualismo. Ou procura a morte em ação de encontrá-la, num frêmito frenético e convulso. Causa a si mesmo o que o óbvio que ulula... pula no abismo, ou da janela do oitavo, ou extingui-se em partidas e desfeitas. “Acidentes acontecem” todo tempo-tempo-tempo, implacável Deus que por isso culpamos.
E Deus nós fala no ouvido baixinho “andas distraído ou fizeste o nó da forca?” e afirma com seu bafo cósmico “desculpe, meu caro, não ter nada com isso” e revela a fala do celeste domínio “chegou sua hora, venha comigo”. Não há diabo, o capeta sumiu. Os demônios soa sermos nós. Parece detestável, indica a passagem com tarifa zero, simboliza toda rebeldia que transgride, antinômico Bom-capeta, pula roleta e ameaça o motorista.   Aterroriza a paz que nos deixa seguir. Vivos que somos tão espertos, ludibriamos sua vontade de destruir-nos.  De nos destituir da certeza do certo. 




A transvaloração de todos os valores. Corrompe a certitude, engendra a peste. Perverte a beatitude do santo pecado. Dorme ao nosso lado, seu lugar preferido. Dileto prazer, precárias palavras. Ações abjetas metem medo. Perdemos o sono o sonho, o corpo-alma, a voz-pensamento. O termo certo pra seguir a senda. Evadem vocábulos pra dizer que estamos perto. A geografia humana que habita nosso cérebro. Um feiticeiro loquaz as margens do rio. Quem somos os nossos próprios demônios? Somos ilusões de realidade deus-alma-mundo. Eu sou o céu do seu inferno doméstico. Descrevendo a mim ego no recinto muito. Intenso e encovado nego tudo que disse. O Nada é ser a mais ambígua recompensa. Desespero-me, perco-me. Me encontro mudo. Não há signos nem sinais do acaso. Não a razão nem sofismo, nem aforismo intraduzível. apenas restos de quase nada no chão, apenas cacos de sentimento e poeira. Fragmento. Não há nada dentro ou fora, eu lamento. Não volta não ida. Não há inocência perdida, ou ferida exposta. Não há enigma, pergunta ou resposta. nem céu nem limbo. 
Apenas lágrimas no cachimbo.

       

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