quinta-feira, julho 18, 2013


Submerso em seus próprios pensamentos, o avarento Custódio, assoberbado, transcorria noites e noites adentro.
Era um homem tão cheio de empáfia que, nas madrugadas, enquanto todos dormiam o sono dos justos, ele escrevia coisas sobre si mesmo tentando mudar seu percurso.
Amuado, contrariado, embezerrado, obstinado e teimoso, caminhava sem sair de casa em seu terreno pedregoso. Ansiava uma vida pacata, mas nada fazia por isso. Achava tudo muito chato, e não via graça em nada. Gostava mesmo de si mesmo, mas com as pessoas tinha parcimônia.
A vida se arrastava pelas beiradas e ele, via de fato, flatulava, quando comia feijão. Mas esse na era seu próprio mais alegórico em questão.   
Fátuo, arrogante, soberbo, impertinente, jactancioso, orgulhoso, presunçoso, vão, inchado de si mesmo.
Mesmo com o próprio tempo, que gastava desgostosamente. Gastava, carcomia corroía, roía, consumia, desgastava.
Grosseiro gastava, gastava, gastava, grosseiramente.
Desgaste é a palavra certa.
 O estrago danos causava, custava degradação.
O extermínio das horas mortas, ruína de atemporal.
Decadência das palavras das estrelas lá do céu.
Gastava gastava as horas, da jornada madrigal.
Aurora após alvorada, sunset sem se sentir.
Cada dia tardiamente, cedinho ia dormir. Quando todos acordavam já não podia tocar sua flauta.
Madrugada após madrugada foi assim que aconteceu. Horas que apavoravam Custódio bem longe do entardecer.
Descia ao findo fundo do fim, a fim de nada e de tudo.
Fogo do próprio ego era água de si mesmo.
Sempre acordava queimado, num ato último vampiresco, que era princípio de tudo. tudo torto e pelo avesso.
nadavazado no poço da meia luz do aposento.
Custódio não tinha medo de gato, mas o Gato Malvado o perseguia sua sombra.
falava com as palavras usando a Ponta dos Dedos.
Sem fazer balbúrdia respirava celestial, nas horas silenciosas, nas horas da calada noite. Respirava sem algazarra, prendia o ar silenciosamente. Emudecido estilhaçava o que estava junto, e ajuntava os cacos de tudo, ou quase sempre nunca tudo.
 Evitava maior tumulto com medo de acordar Deus. Era um assim homem.
piramidal
essencial
principal
adicional
ancestral
pinheiral
universal
acidental
imaterial
superlativo
ocasional
integral

eventual


Ele se despiu de todas as coisas do mundo pra viver uma semi-vida mortalmente funesta. 

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