quinta-feira, agosto 01, 2013


Bom conselho






Agora estou ouvindo “when did you leave heaven?” disco do Dylan que eu só ouvia uma faixa ou outra. A primeira do lado A “Let’s sticky together” já agitou minhas noites como discotecário no estilo folk com rock com blues que o bob apronta. Bob fez pacto com o diablo.  
Dylan dá-lhes!
Estava diante do espelho do banheiro cantando uma musiqueta que não me saía da cabeça “nunca” do Lupicínio Rodrigues. Postei no blog com uma ilustre desconhecida cantando. É uma versão bacaninha, mas até Raimundo Fagner já gravou. Dor de cotovelo total (TOTAL), mas Lupicínio, Cartola... esses malandros das antigas, pegavam pesado mesmo na tristeza. Quando era pra falar do amor, e do desapontamento que ele pode causar. Depositamos nossas vidas frequentemente demais no ombro dos outros, o/a companheiro de cama, nem se fala. 
Noel era mais satírico morreu muito jovem, talvez por isso, teve tempo suficiente pra desilusão. Pois, parafraseando Blake “só se sabe o que é suficiente, quando se sabe o que é mais do que suficiente” algo assim.
eu chorava a dor mais profunda que eu poderia sentir. Como se minha mãe tivesse morrido e eu tava ali no enterro.
Quando eu me vi diante do espelho... que coisa horrorosa!
Quanta dor, quanta angústia, quanta tanto! Tudo preso no coração, como se fosse acabar a vida.
Ontem eu hoje passei o dia inteiro segurando uma bolha de ar dentro do peito que vinha na altura da goela. Meu pranto explodiu na hora da novela e eu não conseguia conter o choro.
A confusão mental me deixava travado. Além da droga e os exus que enchiam meu saco. Todos eles estão desculpados. Por não saberem o que fazem. Por serem analfabetos. Por ser objeto imediato do meu desatino ato nefasto. O peso desse texto é inevitável, sendo que ainda me sinto engasgasgado, sendo que ainda sinto o gosto horrendo do meu hálito mofado.
É como diz um amigo “o cancioneiro brasileiro é a filosofia que temos” e eu concordo com ele. Queria dizer que não menosprezo a dor, inclusive, peço que respeitem a dor.
A droga e o desequilíbrio emocional te deixam vulnerável a esse tipo de possessão.
mas é inevitável que se passe por um tipo de queda. Não uma queda tonal, de cores, ou sons, mas emocional, corporal. É preciso “cair de cara no tablado” pra ver o quanto é patético doer sem sentir doer. O som da madrugada se foi.
Ouça um bom conselho. Quero dizer também (depois de tantas madrugadas insones) que a música do Chico tá errada. Não é inútil dormir. Dormir alivia bem a dor. Dormir bem, não sei... mas durma, meu caro. Inútil é varar a noite acordado remoendo o problema.
como aconteceu comigo. Tentando morrer. Transferência ridícula de objeto. Tornar-se criança. Um bebezinho mimado. Embirrado, lambendo cachorro morto até esse momento escroto que é olhar-se no espelho sofrendo feito um zambo da Arábia. Como se o mundo se resumisse ao meu sofrimento.
A Gestalt de Hegel, a síntese acontece...

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