domingo, setembro 22, 2013

À andar pelo caminho quase sem sonho perdido por estar livre.

Indagar-se sobre os conceitos na obra de Mikhail Bakhtin é sempre um provocação, pois sabe-se que aí está tudo em movimento imutável e não há terreno sólido para as construções formais. Mesmo porque, se há alguma coisa que caracterize o seu pensamento, essa alguma coisa é uma adesão inconteste à filosofia do movimento.

Nada é, em sua obra, definitivo, nada está estabelecido permanentemente, tudo oscila com as alterações do quadro histórico, em que as ações humanas se desenrolam.
É um terreno minado, pelas muitas doutrinas e filosofias que dele se ocuparam. O diálogo de tantas vozes discordantes poderá surgir... O entendimento desse fenômeno que é absolutamente um tanto central na vida social, como na nossa existência pessoal, a língua. As palavras são signos muito importantes.
Talvez, uma primeira aproximação possa ser feita pela comparação do seu pensamento com o de Ferdinand de Saussure, fundador da linguística tradicional. Este, ao aproximar-se do fenômeno da linguagem, assim se expressa:
Mas, o que é a língua? Para nós ela não se confunde com a linguagem, ela é apenas uma parte dela, essencial, é verdade. É, ao mesmo tempo, um produto social da faculdade da linguagem e um conjunto de convenções necessárias, adotadas pelo corpo social para possibilitar o exercício de tal faculdade pelos indivíduos. Considerada em sua totalidade, a linguagem é multiforme e heteróclita; cavalgando sobre diferentes domínios, ao mesmo tempo físico, fisiológico e psíquico, ela pertence ainda ao domínio individual e ao domínio social; ela não se deixa classificar em nenhuma categoria dos fatos humanos, e é por isso que não sabemos como determinar sua unidade.
A língua, ao contrário, é um todo em si mesmo e um princípio de classificação. Uma vez que nos lhe atribuímos o primeiro lugar entre os fatos da linguagem, introduzimos uma ordem natural num conjunto que não se presta a nenhuma outra classificação.

O linguista genebrino faz um movimento epistemológico, no mínimo curioso. Primeiro admite que a linguagem é diferente da língua, que ele define como o objeto de estudo da linguística.

A língua é uma parte apenas da linguagem que ele admite ser muito mais ampla que a primeira. Logo, a linguística não tem como objeto de estudo a linguagem humana, mas uma parte dela.

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