quarta-feira, outubro 23, 2013

Bola de neve


[eu] hipertexto. Gente me satisfaz, mas me mata e me alimenta gentilmente com sua (cada qual) peculiar crueldade. Talvez a minha seja a maior de todas. A de não querer ser gente. O meu pequeno mundo é do tamanho do espaço, miniaturizado.
Trovoadas vociferam lá fora, como se fosses lambidas línguas do vento. Ninguém consegue segurar o vento. Deus excede a linguagem. A chuva vai... vai... vem... e haver com isso  o quê que a hora tem? Quero apreender de dentre os braços da caipora. Andar por sobre sons eu percorro, eu decomponho. Eu vejo o vento vindo de dentre entre os braços da caipora, eu choro a chuva, eu chovo, e vejo o cicio das gotas vindo e indo embora no sinestésico labiríntico céu da aurora. Vermelho, cinza, azul cinzento e rosa.
nem sei mais se escrever vale a pena, mas não consigo parar. Escrevo desesperadamente.
horário de verão. Quarta-feira, dia 23 de outubro de 2013 e estou passando insone mais uma madrugada.
Meus olhos secaram, meu coração não se move. Não sinto mais vontade de viver. Meus olhos não veem veementemente minha voz minha nada não é... deixou de ser. [escrevendo à mão é que percebo essas dilações que giram entorno do nada envolta de mim mesmo] [são digressões. Sinto saudade de mim mesmo. Saudade da metade que levou quando partiu] preciso arrancar esse nós da minha garganta, devo acabar com esse desejo vil de escrever desenfreada-mente-corpo-mente-corpo-mente-corpo-mente-corpo-mente-corpo-mente-corpo, não quero morrer numa manhã cinzenta primaveril.
Quase 7. O dia já nasceu.
Como perdoar a mim mesmo? Pois fui eu “a quem nos tem ofendido”
Me odiei com toda a raiva do mundo. Por quê? Por tudo. Por ter nascido. Por essa descomunal sincronicidade causal do tempo, como disse Carlos Jovem, sobre o coletivo.
espere a primavera Bandini. Vamos curar dessa tosse e você vai respirar fundo... Seja um bom moço e fique tranquilo. Não fume mais aquilo.
Algo se calou dentro de mim essa virada de lua, nesse alvorecer. Algo se calou dentro de mim quando os sentidos dimunitam soltos teimam quando ainda ressaltam, mas tolos apenas relutam.
Não há mais mim dentro para lutar. Não há mais inimigo infiel para conjurar.
Alargo meus olhos rumo ao céu, onde há uma trilha. E vejo onde andarilha o andarilho.
Estrela brilha.
Dedilha
um blue-hendrix
dedilha
no céu diurno brilho
um estribilho interplanetário

Eu só queria deixar uma impressão nas nuvens

Um comentário:

Edmundo de Novaes Gomes disse...

Vai. Toma um Vinícius:

Poética I

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
- Meu tempo é quando.