quarta-feira, outubro 30, 2013

Lá... bem longe...



Senhor Wilson é um homem muito bom.
Trabalhou vinte anos com a Clara Nunes. Viajou pelo mundo ouvindo ela cantar. Gravou com todos os músicos que eu mencionei dias seguidos e me desafiou a perguntar outros. Tooths Thieleman, Sarah Vaughan, Michel Legrand, Sean Lennon e outros que não constam na wiki, mas que não me lembro, portanto não vou dizer.
Mas fora os que são citados na wiki, ele gravou com Ellis Regina em 1969 ao vivo no Olímpia de Paris. Sei por que vi com meus próprios olhos o nome dele escrito na contracapa do vinil. O homem é mesmo uma lenda. Uma lenda viva.
ele era músico de estúdio, ou seja, trabalhava em uma gravadora. Sendo assim, creio que ele, além de aprimorar sua técnica, teve a chance de gravar com instrumentistas e cantores de outros estilos de música.
Foi o que me disse o sambista Arlindo Cruz na porta da quadra da Império Serrano o dia que fomos visitar a escola. “O senhor Wilson levou o samba para outros estilos. Nos devemos isso a ele. Ele tem mérito por isso. Nós agradecemos, nós do samba de raiz.” ele disse. Me lembro bem daquele baixinho barrigudo, que em 2007 ainda nem era global, falando pra mim essas palavras mais ou menos assim, como eu citei.
Ele tem razão. Em 1986 quem organizou a bateria da escola de samba que iria vencer o carnaval foi nada mais nada menos que o cara, próprio Wilson. A Império ganhou com o samba que até hoje é sinônimo de samba-enredo e não nos sai da cabeça quando toca (tome um bom fôlego)“Bumbum Paticumbum Prugurundu”. Ele é foda. Organizou uma galera enorme de gente tocando diferentes instrumentos percussivos, e a escola ainda foi campeã.


Nesse dia o pegamos na saída do Canecão e fomos até a quadra da Império Serrano vermos o quanto ele é bem recebido pelos bambas de sapatinho branco que o vem cumprimentar respeitosamente como velho companheiro da escola. Ele é componente da velha guarda da escola, o que remonta aos tempos idos...



Lá... bem longe... Quando ele era um menino. Quando o pai dele colocava caixotes de madeira pra eles verem o desfile. Quando se desfilava o carnaval do Rio em outras avenidas, por volta 1950... quando as primeiras escolas surgiam... e a mãe do senhor Wilson fazia questão de torcer pra Império. E eles nem eram do morro onde ela surgiu. O pai paraibano e a mãe carioca. Bela troca.



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