sábado, novembro 23, 2013

Caixa Iluminada! - entrevista com Matheus Do Céu

Trabalho feito!

Bem, quem acessou o link do nosso bate-papo publicado em forma bruta, poderá conferir agora a nossa conversa de maneira mais enxuta, digamos. Sem as gotas de tinta que escorrem pelos lados. 
Obrigado novamente Matheus! pela conversa...
Confiram logo abaixo.
 





Gustavo Perez
Aí Matheus, Vamos lá?

Matheus Do Céu
Ao longo, dependendo do tempo que durar, posso ir pedindo umas pausas ok...pq to no serviço, mas agora tá de boa pra você...

G.P.
ok, é sempre de boa. Não tem ninguém vendo não... nem filmando...
Matheus, qual foi seu primeiro contato com arte? Desde os primórdios. Infância... Adolescência.

M.C.
arte (desenho livre) era umas coisas que mais me atentava, ainda é. Sempre fiz meus trabalhos de escola com ilustrações e até vendia "tattoo de canetinha na escola" a 0,10 centavos. Era o que mais gostava, mesmo. Tenho trabalhos de escola guardados por causa dos milhares de ilustrações que fazia nas capas e nos textos...

G.P.
Na sua casa tem algum artista?
Você sofreu influência de algum parente próximo?

M.C.
Todos na família, principalmente por parte de mãe
. Todos têm ateliê em casa e trabalham como autônomos à gerações. Uns trabalham com couro, sapatos, bolsas, telas, ilustradores... São 14 irmãos. Cada um com um dom.

G.P.
Você tem 13 irmãos?

M.C.
Não... não. Minha mãe. Eu tenho só dois. Minha parte artística vem da parte de mãe. Eu acho.. (risos)

G.P.
qual a sua religião?

M.C.
Se fosse pra eu ter acho que seria budismo... mas não tenho... neste mundo sou eu, meu anjo e minha sombra. eles são minha religião. meu santo me ajuda, minha sombra me sustenta e eu, no meio.

G.P.
Eu também sou adepto do budismo...
Vejo que na suas luminárias existe uma alusão as pinturas rupestres. De onde você tira essa inspiração?
Tem algum livro referência? Internet?
Seu santo é forte, menino!

M.C.
eu falo isso com ele... Acho que é por isso que ele só fortalece. Sempre que acordo, dou um Up no meu santo camarada.
então... Sobre os desenhos... Sempre tem algum, mas isso vai de acordo com a coleção. Procuro livros e procuro ver o que vou desenhar. Livros sempre influenciam...
mas é isso... Vem do sentimento, do que estou passando...
isso influencia de mais nos traços. Às vezes os desenhos ficam mais carregados, outras mais leves.

G.P.
Matheus, quem te ensinou a fazer as luminárias? Você aprendeu sozinho? Como você foi buscar as técnicas para fazer as luminárias? Você teve algum mestre?

M.C.
então... Fui incentivado a fazer quando participei do primeiro Mercado das Pulgas na Casa fora do Eixo, no bairro São Lucas, agora estão no bairro Floresta. Eles me chamaram por causa dos tênis. Daí, falei que tinha umas luminárias em mente, e me puseram pilha...

G.P.
Tênis?

M.C.
sim, eu pinto de tudo. Comecei com o Torta de Elefantes por causa dos tênis.

G.P.
Torta de elefantes? Fale-me sobre isso.

M.C.
minha página... Para divulgar meus desenhos e trabalhos. Ela começou em 2011.
comecei a desenhar em tênis, customizando.

G.P.
prossegue na Casa do eixo...

M.C.
então foi isso. Eles me chamaram para expor tênis, me conheceram na feira de design de 2011... E ai, eu propus de entregar luminárias para eles.
Foi aí que começou os desenhos em massa.

G.P.
Matheus, as luminárias são de qual material?
Parecem-me duráveis, por isso devem ser dispendiosas, no entanto esplendorosas. Eu sempre quis ter uma, mas não tive dinheiro pra comprar...

M.C.
então, eu as faço com PVC, acetato e canson, pinto com caneta de porcelana e uso tinta acrílica também. Costumo usar composições com cores quentes e frias, cores complementares também me fascinam. Gosto de trabalhar opostos também. Mas sempre uso o debrum, que é uma técnica de margear as cores.
São duráveis sim, mas ainda é uma delicatessen.
Estou na 7ª geração desde que comecei. Ano passado elas ficam mais trabalhadas e com acabamentos melhores a cada geração. Elaborei embalagem e etiqueta também.

G.P.
me conta sobre as primeiras gerações... Como elas eram?

M.C.
eram maiores, mais frágeis... Um improviso na verdade.
 
G.P.
Você imagina sua vida se sustentando somente das luminárias?
Isso pode, tem potencial pra virar parte, se vincular, fornecer a empresa que faz projetos de arquitetura, ou desenho de interiores?


M.C.
Deliciosa pergunta. Sim!
Eu estudo e dedico, tanto financeiramente quanto em tempo (e muito) arquitetura... Quero ser arquiteto, tem uma boa equipe de profissionais ao meu lado e trabalhar, ganhar uma carreira com isso. Mas eu quero também criar um bar/ateliê/escritório...
Mas penso muito nisso sabe... Isso é projeto para pós-formado.
até lá é investir e desenhar bastante. Até lá é investir e desenhar bastante!

G.P.
você produz quantas por mês, Matheus?

M.C.
depende muito. Cheguei a fazer quatro por mês. E tem meses que não produzo nada. Quatro você acha pouco? Isso é muito pra mim. Porque faço tênis, luminárias e ilustrações para tattoo. Além da faculdade e do trabalho. Mato-me aqui... (risos)...

G.P.
Que bom que é você quem se mate e não eles, seus chefes.
Mas me diga: qual é a sua
cor predileta? A que você mais gosta de usar?

M.C.
O amarelo
, mas às vezes me cansa.

G.P.
durante essa trajetória, você chegou a pesquisar referência em algum designer?

M.C.
não. Mas quando comecei a criar comecei a conhecer alguns. Nosso olho fica mais viciado...

G.P.
quanto ao consumidor, qual seu público alvo atualmente?

M.C.
olha, tem um pessoal mais apaixonado.
Que curte uma luz baixa... fazer um amor gostoso.

G.P.
O amor é sempre gostoso. Até quando dói. (risos)

M.C.
Mas já fiz pra gente super do "pop" povo alternativo.
Sim... É bom amar né... peito cheio... (risos)

G.P.
vamos lançar essa idéia pros motéis da cidade?
Quem sabe viram seus clientes?

M.C.
acho lindo isso!

G.P.
então já está lançado!
Donos de motéis: comprem as luminárias Matheus Do Céu!

M.C.
adorei!

G.P.
você acha que as luminárias conversam com as outras expressões da arte de rua? O grafite, a pop art., o hip-hop, a poesia de café, o artesanato que é vendido no corpo a corpo...

M.C.
acho sim, elas complementam muitos estilos, todos que você comentou pedem uma penumbra, uma meia luz... é sempre bem vindo

G.P.
Matheus, me fale sobre a campanha que você lançou no Facebook para arrecadar molduras. você necessita das molduras para que afinal?

M.C.
ah sim! Já fiz duas campanhas. Está de agora é para arrecadar molduras.
tipo, a idéia do Torta deElefantes é de sempre renovar com o que já existe, a reutilização e customização.

Daí, quero lançar umas coleções e terminar uns trabalhos, mas para isso quero utilizar de molduras antigas para isso.
vou customizá-las e dar uma vida nova a elas.

G.P.
E como fica a luminária? Dá pra pendurar na parede? Você vai por em tela?

M.C.
ilustração em papel mesmo. As que faço.... Até hoje nunca desenhei em tela... Isso é um projeto para ano que vem... Quero grafitar e desenharem telas, mas curto ilustração em papel também.
então.... Tenho um projeto de uma que é de parede e outra de teto. A de parede é uma moldura eletrônica, uma “caixa iluminada”.
gosto de desenhar, de ilustrar, usar luzes... Acredito que isso é minha alma, sabe?

G.P.
Caixa iluminada. Bom título para uma reportagem.
Matheus, pra finalizar nossa entrevista, gostaria que você mandasse seu recado ao leitor. Uma frase que permeia sua trajetória de vida, seus pensamentos, sua razão de existir.

M.C.
gosto de uma frase, mas não sei de quem é... Na verdade eu sou essa frase.

"O artista é fiel ao amor, à libido, à paixão, jamais à uma pessoa. Ele não trai jamais o apetite, a fome, o amor, o tesão. O artista come de tudo, os homens, as mulheres, tudo que lhe a abra o apetite, porque a vida é apetite puro."
Estou apaixonado sabe Gustavo... Por uma pessoa que mora longe. Isso me inspira também, me faz desenhar, me deixa muito longe...

G.P.
Oh moço! Obrigado por compartilhar um sentimento tão belo.

Você acorda pensando nessa paixão?

M.C.
quando acordo,
porque às vezes parece que ainda durmo.

G.P.
lindo demais!
Matheus, linda entrevista!
E que esse amor te leve ao céu e te glorifique.
achei as Tortas deliciosas...

M.C.
falei coisas com o coração...



Criado por Matheus Gumieri, estudante de Arquitetura e Urbanismo com bagagem em Design de Produto e aventureiro no Universo das Ilustrações. Um apreciador dos traços, das cores, das vidas e dos amores.
"O artista é fiel ao amor, à libido, à paixão, jamais a uma pessoa. Ele não trai jamais o apetite, a fome, o amor, o tesão. O artista come de tudo, os homens, as mulheres, tudo que lhe abra o apetite, porque a vida é apetite puro."










  • (fonte fotos: Tortas de Elefantes)





Um comentário:

cristinasiqueira disse...

Que show!!!!!!!!!
O moço ilumina !...lindo trabalho ...e,eu te sigo nestas andanças por BH..."Maleta ",como não ?

Beijos

Cris