domingo, novembro 10, 2013

Carolina Botura




O que faz com que uma imagem seja capaz de conjugar ao mesmo tempo seu caráter transitório e permanente?
O que faz com que a imagem deseje esse paradoxo?
Cada paisagem é singular, e dar conta da imensa gama de detalhes que ela passa estabelece experiências imagéticas igualmente singulares.
A procura dessas qualidades de categoria a arte contemporânea incorpora a cada nova experiência estética propostas da ordem da especificidade, da experiência, do acontecimento, do processual, do variável, da flutuação, da impermanência, da efemeridade e da desmaterialização da matéria e corpos, ao mesmo tempo em que investe na particular qualidade de presença capaz de reconfigurar o corpo em sua dimensão de sujeito.
Mas o que torna uma imagem presente?
Quanto mais a arte contemporânea potencializa essa singularidade, através da sensorialidade experimentada no tempo e no espaço, constitui relações igualmente singulares e múltiplas.
A brevidade do ato onde a finitude de sua construção, ou seja, a sua morte, coloca o espectador diante do paradoxo, o evento em sua maior força de permanência concentra os sujeitos que interagem com ele e, mesmo após a sua morte, continua ecoando de maneira indelével naquela experiência vivida.
Há cerca de dois anos venho acompanhando a jovem artista Carolina Botura, que hoje apresentou sua performance Verdugada, no Museu de Arte da Pampulha, e me surpreendo com a dialética do processo de criação, que para ela parece surgir de forma espontânea.
Nesse diálogo em que acontece o fazer, lidando com a imprevisibilidade, as formas se moldaram para que assim pudessem coexistir.
Há um projeto anterior que direciona e determinava o processo, mas o que resulta é dado pelo acontecimento.
A imagem que se cria neste processo de junção das partes instaura no espaço a impressão de flutuação diante das enfermidades instauradas pela harmoniosa poética do silêncio.
A fim de investigar as implicações entre os campos conceituais, na
interconexão dinâmica entre conceitos predeterminados são gerados novos significados para a captação inapagável de um instante. Sublime e inesquecível.
Parabéns Carolina.

4 comentários:

Caio Campos disse...

Verdugadas

Era a noite e era a selva
Colhendo úmidos sons no Jardim do Era
Ela, a noite dos uivos bons,
Era, ele das tarde maus de Eroy
Lágrimas, vermelho que toca a língua rosa
Por Elise, um gosto entre maçãs da Nova Era
Nuvem bêbada dançando
a eterna noite do quando
Prelúdio para as névoas
e verdugos do amor que erra

Mas foi dia
foi dia
foi dia
Era e Eroy
Um dia
Urrando
eriam
E riam
Modernos demais

Caio Campos

Pedro Lima disse...

caro papagaiomudo,
vc atentou pra uma caracteristica minha, q eu confirmei, sobre ler pouco, ou muito, ou muito superficialmente, ou muito e superficialmente...
condição q, dado o contexto atual, talvez, ocorra com a média dos leitores, sobretudo através da media internetica...
como seja,
sempre considero muito denso o q vc escreve
(isso vale pra a presente crítica, inclusive);
ae,
ae eu tenho q redobrar a atenção,
ler,
reler,
quase q me embrenhar
me aprofundar...
entre linhas.
entre signos,
distintos, diversos, digressos
essa captura acontece com poucos, autores,
confesso.
agora:
imagina o q eu to imaginando dessa performance da carolina...
(wow)
(lol)

Pedro Lima disse...

ah, pra naum deixar duvida, uma sensação eh a de que to perdendo algo imperdível: resplandeça carolina e a expressão desse paradoxo temporal q a tua arte flagra na arte dela.

cristinasiqueira disse...

Daqui onde não vi acontecer fico com a narrativa do impermanente tentando intuir o que apenas se pressente.a arte da leveza metamórfica ,aliviando o cenho das respostas onde não cabem as perguntas...
Penso nos vazios do Butoh que impregnam para expressar sons inaudíveis presos nas pontas dos dedos,nas marcas dos joelhos,nas coxas abertas exalando vida ...metamórfico estado do ser.não fui presença mas creio que assisti palavras e sensações.É o que basta para aplaudir !

beijos !