quinta-feira, novembro 07, 2013

imagens da quebrada com Cristyan Urbano

Gustavo Perez
Cristyan, como surgiu a ideia do Imagem da quebrada?

Cristyan Urbano



Imagem da quebrada surgiu na proposta de trabalhar o pertencimento e o valor local de um espaço que está inserido em divisas de municípios... Realizamos um curso de audiovisual onde a galera local era incentivada a produzir suas próprias imagens... daí começamos em um curso de edição de vídeo e imagem... o único foco que tínhamos era o do pertencimento, o que é morar em um local que está dividido em três... BH, Neves e Contagem... qual o valor de pertencimento que as pessoas identificam no local em que elas vivem. Fomos encontrando uma série de problemas relacionado a uma negação em relação ao espaço, como se o estrangeiro fosse muito mais legal e o ideal. Aí vimos que muitas pessoas querem sair ou estão insatisfeitas nesse espaço... fomos aos poucos inserindo esse olhar de valorização da quebrada... hoje em dia estamos nesse processo de uma desconstrução de estereótipos que o local apresenta, principalmente a parte de neves, para que possamos autogerir  políticas públicas culturais... Para que essas ações culturais aconteçam nesse espaço! muitos jovens aqui vão pra praça da liberdade procurar diversão! Isso instigava agente e propúnhamos um diálogo nesse sentido: porque o estrangeiro é visto como algo legal e o que está dentro é ruim e descartável, sem valor!  Foi nessa perspectiva que conseguimos alcançar um número reduzido de pessoas que começaram a olhar para a quebrada de uma forma diferente... Vimos o tanto que a TV influencia nesse estrangeirismo que assola a quebrada...


Gustavo Perez
e vocês oferecem algum tipo de oficina para esses jovens?

Cristyan Urbano
então... oferecemos as oficinas de audiovisual, mas no momento estamos parados por conta da falta de espaço e material... o fato de estarmos em limites de fronteiras faz com que  o poder público faça bem menos do que pode ou faz em outras regiões das cidades... nos encaminhando pela arte marginal e engajada por estarmos assim, meio jogados  mesmo. Estamos realizando um inventário de atividades culturais que ocorrem na região dos bairros e descobrimos que não há nenhum equipamento público de produção ou consumo de arte! Daí partimos para as descobertas, somos incentivados a descobrir por nós mesmos quem são e onde estão os artistas que habitam essa região! Temos um espaço que está "jogado" há muitos anos aqui perto no bairro Nova Pampulha, a principio era uma igreja, mas foi ganho em justiça a posse da terra. a igreja saiu e hoje o espaço é só mato, fizemos um evento na porta e grafitamos o local sugerindo que seja ali construído um centro cultural... mas o poder público parece não querer se envolver na política local. 
Outra proposta de atuação é a mc lurdinha, que é uma entidade que escreve poesias em muros do bairro. também se encaixa na categoria marginal.
Um sarau de poesia que fazemos e estamos organizando agora na praça. Procuramos apoio para exibição de filmes também! enfim, são vários projetos que estão meio que engavetados nas cabeças dos cidadãos e grupo de artistas. Fomos sufocados pelo descaso das autarquias competentes e o que nos resta é a marginalidade das ações. Encontramos informalmente na rua o que é bom, mas é preciso formar algumas questões para que possamos dar prosseguimento nas ações.

Gustavo Perez
O projeto apoia a ocupação da casa André Luz? Qual a relação de troca vocês esperam receber? Faz parte do plano de ação tentar mobilizar artistas voluntários?

Cristyan Urbano
HUM... na verdade o plano de ação é justamente fazer com que os atores envolvido sejam ocupantes da região a qual o projeto se destina. Ao ver um espaço como o Luiz Estrela, eu fico muito emocionado com a participação ativa dos artistas daquela região. Mas trata se de um espaço e uma realidade bem diferente da que temos aqui. Gostaríamos sim que outros artistas viessem e frequentasse. Ocupasse os espaços a qual estamos inseridos. São super bem vindos. Mas a tônica maior é fazer com que os artistas locais ganhem força na produção de cultura. Vamos devagar, pois o processo é lento! Mas estamos esperançosos no que diz a produção cultural, uma alternativa que encontramos é não depender das oficialidades e das burocracias as quais o poder público disponibiliza. e fazermos mais as coisas na tora! por isso exemplos como o espaço comum LUIZ ESTRELA é inspirador.

Gustavo Perez
Cristyan, muito obrigado pelo bate-bola, espero poder contribuir divulgando essas palavras enriquecedoras.
Devo dizer que você foi A VOZ DA QUEBRADA.
Obrigado.

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