sábado, novembro 23, 2013

Decodificando manuscritos

mais uma vou em frente. Mais uma qualidade do tango, a incerteza. Incertezas e inseguranças soam próximas da palavra medo. Minhas mãos gelam de escrever sobre uma coisa tão sagrada. A segurança é a incerteza de es-

Uma vez o Lúcio, pessoa que eu prezo muito e que demorei muito a adquirir seu respeito, fez um comentário sobre mim, para mim. Consegui que ele me respeitasse através da indiferença-de-iguais. Ele é uma pessoa carismática e por conta disso todos querem se aproximar dele de alguma forma. Eu também muitas vezes quis ir até ele, mas não fui.
Na ocasião do comentário, já éramos amigos, já trocamos idéias, e eu com meu primeiro livro, sentia-me livr/e, solto no hipertexto. Um pedaço daquilo que escrevo, senão uma parte do Todo inteiro. Ele disse “você está muito beatnick”. 
e- -v-+amos- -ouv-in-d-o -e-s-s-+e- -c-ool -ja-+z-+z-+ nervoso. Como é ser beat e não ligar pra porra nenhuma?
Alma beat presa nesse corpo, nessa condição de liberdade? Como? Eu me perguntava. E começo a ficar existencial demais.
Como sozinho não tinha com quem falar, escrevia atarantadamente. Aprendi muita coisa. Muita coisa com o Lúcio. Aprendi a recitar O acrobata da dor e a pronunciar aquelas palavras de Goethe. Dedico essas palavras a ele, água da palavra, sábio Lú-

cio.
Acho mesmo que, devido ao tempo de confusão espaço-temporal, quis mesmo me esconder por detrás das palavras, sem que elas insinuassem nada – o momento do não-existir.


Sofreguidão
peito vazio
sei chorar   



Noite estrelada.
Um astronauta está no espaço e eu queria star no lugar dele, porque no fim da noite derramo palavras, que vociferam a ira do tigre e a solidão de um cachorro vira-lata. Obra solitária inacabada. Porque adjetivar tantos objetos, sem acesso e sem sucesso, quando só há uma resposta? Porque sei ser violento e lento e muito lento e devagar sobre o que penso. Sou um vulcão por dentro numa erupção sem brasas. Adormecido, mas ativo, feito o fogo que o dragão sabe cuspir.
tamanha é a força da natureza e, no entanto, tão pobre é o enredo. Nenhum medo, mais um pranto sem segredos vis. Nenhum céu de anis, almiscarado, ninguém pra deitar do meu lado.
Força aniquiladora que me destrói e eu aguento.
Sei fugir, mas dentro de mim há um labirinto.
No fim das horas mais um dia vai nascer. 

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