segunda-feira, novembro 18, 2013

O Avarento



O medo move o mundo – escreveu Carlos Castañeda. O medo e o amor, eu diria. O medo de não ser amado. O medo de não receber em troca o amor que depositamos nas coisas prestimosas. Venho quebrar através dessa resenha meu tão sonhado jejum de palavras. Eu nunca parei de produzir – signos, signos linguais, etc. – e foi através dessa mudez recôndita e avara que egoisticamente eu buscava a fala. Me fudi, ególatra e solitariamente, como acontece aos egos supinos. Em O avarento, de Moliére, pude perceber o quão  avaros somos a raça humana. Não damos o que pode nos faltar. Não doamos um pouco daquilo que temos em escassez e há pessoas tão pobres que creem com absoluta certeza, uma certeza impregnada em si, que dar algo de si mesmas, afetiva ou materialmente, é como dar o que vai lhes faltar. Esperamos de nossas companheiras algo em troca. Depositamos nossos destinos, vulgo sonhos, desejos, agenciamentos, conjunto de coisas ansiadas, naquilo ou naquela pessoa. 
e assim nos perdemos por não conseguirmos o objeto que falta, o peso lastimável da dor do amor não alcançado. Um objeto desejado representa amor. Um céu enluarado representa amor. Um pedido de desculpas representa amor. Mas o budismo me ensinou que o que passou, passou, não volta. É como se nos encontrássemos mais a frente pra definir a próxima jogada. Dentro do tabuleiro não há como fugir. O universo cósmico há de cobrar cada cêntimo da minha, da sua, da nossa, história. A cada um segundo sua obra. Não me perguntem o que.
que seja lá!

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