segunda-feira, dezembro 16, 2013

Carta para Nara

Oi Nara. 

     Outro dia estava pensando em escrever qualquer coisa sobre o último disco do teu pai pro blog. Mas aí, outro dia, ele publicou no facebook que sonhava em criar um livro só pra você sobre a pérola que ele conseguiu achar depois de tanto observar o mar, imagino eu, em pé, no porto.Tenho costume de ouvir o "Deriva" de olhos fechados. Da primeira vez foi lindo. Chorei, ri, vi uns ursos coloridos nas montanhas… Você ainda vê desenhos e escreve eu te amo na parede ou já cresceu tanto que isso parece coisa de criança? 
     É, Nara, nesse disco deve ter muito amor. Acho seu pai muito cuidadoso. Meio perfeccionista. Risos. Mas ainda bem que existem pessoas como ele. Como o Pedrães também, que deu a maior cara de filme pós-moderno (não sei exatamente o que eu quis dizer com isso) pra esse disco do seu pai. Acho que eles vão cada vez mais fundo no que acreditam. 
     Só seu pai, Nara, pra regravar "Acrilic on canvas" daquele jeito (Isso é Legião!). Nunca vi coisa mais linda… Os passos, a chave, o quarteto de cordas e a saudade vazia…Será que ele guarda qualquer coisa americana na alma? Diz que vem do avô a alma… Acho que isso é conversa do Tatit com a Ná. Teu pai gosta desse pessoal. Eu também! Sabe aquela música do "não quero que ninguém me louve no Louvre", que ele fez com o Mauro Aguiar? Pois é, quando ele tocava no violão eu nunca imaginava que viraria essa "coisa" eletrônica que  rima "ogiva" com "gengiva" e soa bem demais. 
     Eu entendo quando seu pai acha que as pessoas deviam ouvir o disco integralmente, do início ao fim… É que faz um sentido danado! Mas hoje as pessoas estão correndo, com vontade de chegar a não sei onde… Seria tão bom se pudéssemos preencher nosso tempo só com o sublime! Ficar ouvindo todos os sons escondidos desse disco, cada palavra que não tá ali à toa né? 
     E a segunda? Bom demais teu pai dançando no salão, estalando os dedos, rodando feito aquele dervish espelhado de uma camisa que ele gosta de usar. Sei lá, acho que ouvi um carro arrancando nessa música. Será que alguém foi embora? Os arranjos são mais bonitos que qualquer vaso de girassóis na primavera. 
     O negócio fica pesado tem hora… Quando a gente começa a pensar nessas coisas de costurar lágrimas na voz, de saber que a vida é um sopro e que a nossa única certeza é a morte. A gente tava ouvindo muito Grizzly Bear nessa época… Não sei o Makely, mas acho a batera do Yuri muito parecida no princípio da incerteza. E aí, de repente, só vejo você, Nara e uma porção de rabiscos! Você chegou a cantar com seu pai… Foi em Ouro Preto? No anoitecer? 
     Enfim, esse adeus parece brega, não sei se é o teclado do teu pai, a bateria do Antonio ou o arranjo do Rafa. Penso que quando o amor é bom, é brega mesmo. Risos… Tem que ter sentido o "prazer" antes… Acho, na verdade, trabalhoso traduzir bem essas entrelinhas… Isso aqui é mais pra lamber a cria e falar em solilóquio que qualquer outra coisa. Isso é uma carta pra você, que vou mandar pra todo o mundo e quem quiser, pode ler. Mas não é crítica. Eu não gosto de críticas… 
     Que coisa louca Nara, parece até que a voz do teu pai virou uma flauta…Eu não sei… isso tudo foi ficando brasileiro e acabei me lembrando daquela vez que a gente foi pra praia… (O Trigo levou o contrabaixo no barco!!!)  Vou ficar aqui arquitetando nossos caminhos porque de um jeito ou de outro, estaremos sempre juntos! Com amor, brisa.


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