sexta-feira, maio 31, 2013

Freitag

Sim, assim, sendo, acontecido o descobrimento a América por Cristóvão, prefixo de nome um tanto bento, sacrificou-se em virtude da descoberta. Colombo, aquele que pós o ovo em pé. A América do sul por Pedro Álvares Cabral, e Pero Vaz de Caminha que escreveu a Portugal uma linda cartinha, deixando um como documento para 500 anos depois.
1492 expedições ibéricas desbravavam os ardentes trópicos quase inacessíveis enquanto os judeus eram expulsos de Granada sua última e derradeira morada em Espanha.
Vale lembrar a vida de Spinoza, um célebre e distinto filósofo. Morava em Portugal, junto a sua família como cristãos novos que eram, vindos da Holanda. Fugidos do frio, da pasmaceira, miudeza, ou da miséria, não se sabe. Quando um rei da Espanha aceitou casar-se com uma princesa portuguesa. Porem, com uma condição: que Portugal expulsasse os novos cristãos! O rei espanhol não cria na laia dos convertidos. Foi assim que o pai de Spinoza, Manuel, resolve voltar para Holanda. Lá devido a implementação da reforma, não era bom negócio seguirem sendo cristãos católicos. Pois assim sendo foram reconvertidos e voltaram a ser judeus...
Baruch Spinoza adota um estilo clássico de estruturar o pensamento. Destaca-se na história da filosofia como segundo grande mestre da era moderna após Descartes. E reúne você, Deus, à natureza. Enquanto Renné, por ser submisso a igreja, colocava-o fora do planeta.
Passadas três terríveis, sanguinárias ditaduras na América latina. Uma no Chile que derrubou e matou o ilustre Salvador Allende. Outra uma na argêntea vizinha. E aqui no Brasil uma que promoveu um sucedâneo de generais e suas utopias de progresso. Quando Sergio Sampaio queria era botar o bloco na rua, Vinícius recitava O dia da criação, onde há um passeando à paisana, adolescentes seminuas, e um vampiro pelas ruas, um frenesi de dar banana, e uma impassível lua cheia, e criancinhas que não comem, e a sensação angustiante de uma mulher dentro de um homem, e a comemoração fantástica da primeira cirurgia plástica. Distante alguns anos, não muitos, qual que até hoje se sente as mazelas do desmazelo vivido por quem passou pelos velhos cruzeiros, fogo cruzado, hoje é sexta-feira.
Quase sábado.

A ave sai do ovo; o ovo é o mundo. Quem quiser nascer, precisa destruir o mundo.
                                                                                         Herman Hesse

30 de maio de 13


Amanheço. Vejo, com devido respeito, aqueles que zelam por mim. Beijo meu pai que ainda descansa sereno. Ontem foi quita-feira, feriado.
Em 1269 um padreco chamado Pedro de Praga resolveu dar as caras no jazigo de Pedro e Paulo. Passando por Bolsena, enquanto rezavam uma missa, teve uma crise de pânico, o já que era esperado. Mas o gajo segurou-se e na hora de mandar a hóstia pra dentro, ela transformou-se em carne viva. Dizem que pingou sangue e tudo e até manchou a batina da praga o Pedro, inclusive as toalhas brancas do altar, sem, contudo, no entanto, manchar o corpo do ingrato. a parte da hóstia branca permaneceu inalterada conservando as mesmas características. O Papa Urbano IV, de nome um tanto arquitetônico, mandou que as provas fossem levadas em procissão até Orviedo, e na hora da festa de Corpus Christi, como não sobrou tempo pra nada, foi decretado feriado. Isso em pleno século XIII durante a idade média. Hoje, passados 744 anos, segundo ulula a obviedade dos fatos, não sei onde reside a praga do sangue o milagre de Pedro, ou se terá sido um embuste, e ele guardava na boca aquele pedaço de carne, mas no ir-e-vir dos fatos, feita a prodigiosa reforma, Ich glaube es nicht (NÃO POSSO crer), disse Lutero, got helf mir (é um Deus nós acuda!) lá de cima ele emenda (o que bem poderia ser a nonagésima sexta tese) quando viu tamanho tumulto que seu protesto causou. Tomba sobre o povo (ourives, pintores, escribas e artesãos) o fato que daquele momento em diante fica desfeito o grande pecado da usura, emprestar ou receber dinheiro a juros. Com a prensa, maquinária de outro alemão, surge a urgência. A pressa de se trocar informação. Sobre o mercado, marca mercantis comércios, mercantilismos mercantilizarão. O informativo pregado na parede do burgo, diz o que interessa àqueles que passam. A imprensa dá um salto “de arromba” o que me leva a dominar um blog. O que me leva a escrever pra Você agora. O que desenvolveu  toda tecnologia  e que jamais teria dado não fosse maior de todos os antissemitas.  a pouco Deus, você deixara de ser o centro das atenções. Quando a imagem torna-se móvel. Quando as imagens saem das catedrais. Quando os artistas assumem que a vez agora seria do homem. Declaram que não toleram mais tropeçar na poeira, que estavam cheios de viver na escuridão! É quando  o homem, sim, nós, criaturas imperfeitas, feitos de uma costela de Eva, quando não se pode usar outro recurso; criados a sua imagem e semelhança, passamos a lograr destaque nas principais manchetes. A lograr ênfase em todo boato mais proeminente. A ser alta cota da maior fofoca. O homem? Você viu? Não diga...
Deus, meu caro, sua sobera tirania inspirou o povo a cometer atos terríveis. Criar objetos de cortam a cabeça, em muitos reis seria usado, em praça pública, lâmina afiada o fio da navalha, com precisão espantosa pra não sobrar duvida.
O homem agora reinava! Com o perdão da contadicta.

Junger Habersmann, o filósofo, ao defender a volatilidade da opinião pública em nossos dias, engana-se ao afirmar que os iluministas não sabiam o significado de doxa, quando professam o célebre postulado “Vox populi, Vox diex”. Doxa, opinião, ao contrário de epistéme, conhecimento exato advindo da ciência, provado pela fenomenologia. Os iluministas seguramente sabiam o sentido da palavra doxa, pois detinham extenso domínio do latim.

Por secular submissão vivemos. tiranizados pela clerical mão de ferro que nos mandava derramar sangue nas cruzadas, nas quais passávamos dez anos lutando quando não morríamos. Voltávamos destituídos de alma, que em alguma batalha deixamos. As mulheres que esperavam nos castelos, liam passagens o apocalipse, as camponesas não viam mais os homens a quem pudessem se entregar, guerreavam e serviam como escudeiros. Na volta podiam toma-las como objetos, mas seria esse um principio? Não seria o estupro, ainda que bem vindo e esperado, sórdido e abominável, muito além de abjeto? Em que planeta estávamos? Que Deus era você por quem lutamos?
O rei, por sua vez, diziam trazia consigo, uma propriedade divina. Algo que lhe era dado pelo poder superior. Era escolhido para governar um povo, pois detinha qualidades supra-humanas, acima do homem, o homem comum, laico. O rei era um pequeno deus na terra. O monarca, destemido, mentira maior não podia existir. Em 1792 na França, em pleno período conflagração, convulsão, indignação, golpe contra o governo, por meio da guilhotina, Luiz XVI, Luiz Capeto, era deposto, decapitado e morto (ao mesmo tempo) em grande estilo. A guilhotina torna-se símbolo da revolução. E o povo não tinha pão nem brioche dona Maria Antonieta, prisioneira de número 280. Espavorida também perdeu a cabeça. Tá certo que a cena devia ser um tanto intensa, mas... Ouvir tanta merda de uma nobreza que falava em Seu nome? Como tolerar uma coisa dessas? Não é por menos que admiro os franceses. Pela habilidade de exaltar-se com as iniquidades. Por enxergar loucura onde se vê sabedoria. Por destacar a tolice onde há generalismo.
Depois calhou em terras britânicas outra revolução de porte abissal, que chegaria para dobrar o curso da história.  Chegou e marcou uma linha no tempo: antes e depois. Assim como a vinda do seu filho. Não tão dramática eu diria. Apesar de que muitos homens comuns, de classes menos favorecidas, de tanto apertar parafusos, chegarão a concluir o ato.  Findarão o autoextermínio. se suicidaram de fato. Não sei se se jogaram no Tamisa, tão limpinho, com uma bigorna amarrada no peito... não sei. Sei que conseguiam. O terror da repetição, o maquinal continuísmo. A indústria então decide que devemos ter horário para recarregar as energias. Impõe hora de almoço, hora do lanche, hora da janta. Hora de acordar pra trabalhar, hora do almoço pra reabastecer a bateria. O que será que um pintor iluminista pensaria disso, ein minha filha?

quarta-feira, maio 29, 2013

discussãozinha

Deusinho, dear, vem sem fantasia...




Agora estou sozinho novamente, como estive a beira do abismo. O que é que você fez comigo? Você nuca ouvi dizer que tem mãe, deve ser por isso. O Deus pai criador, cria-dor do universo, me machuca com seu aforismo. Sintagma de perfeição. Vou parar de escrever. As lágrimas escorrem do meu rosto, isso não tá certo! Você precisa de um cotonete? Acabou de chover. Minha irmã foi demitida. Isso não é problema seu? No fim tudo dá certo? Ainda não chegou o fim? O sol, astro regente da nossa galáxia, todavia não se apagou. São João aguarda um pedido de clemência pelo nosso orgasmo múltiplo enquanto espera a nossa orgia apocalíptica. Sinto que o anjo espera o toque das trombetas. Faça o favor de agir direito, pois tá rolando muita treta. Parece agora, ao que tudo indica, que signo agora é do Capeta... eta diabo mau. 

gosta de vela preta e carnaval. Gosta de bode, gosta de matar galinha em sexta-feira de lua cheia. Cuidado Deus, nos acuda! Antes que essa que essa trova atravesse o rio Arruda. Antes que o cordel faça dos homens silueta. Almas esquecidas que o senhor se esqueceu. Diga-me que foram eles próprios que se esqueceram. Coloca uma boa fonte de trabalho e de pão na nossa mesa. Ah, na vida. Deixa a ferida exposta ao vento e aos pingos da chuva e do orvalho. Minha mãe lembrou bem lembrado que o Senhor também não tem sogra. Meu amor se acabou porque umas merdas de uns filósofos se conta dizem a si próprios. E cada bocô de merda cada pau de bosta inserido em sua época (diz com todas as letras, (próprio que Você nós atribuiu. A criação e emissão de signos linguísticos. Que gera conflito e nos detona!) ter razão (razão, próprios do homem, outro que também nos fode!). Quero, pelo seu divino amor, amor, alguém que seja assertivo! Não suporto mais perder a estribeira. Faço tudo por um beijo! Mereço começar mais uma vez!!!

terça-feira, maio 28, 2013

Estou oficialmente nas terras abençoadas do Caraça

Agora são 16h32min de uma tarde fria de maio. Não me lembro em que ano nos lançamos pela primeira vez no caminho daquela travessia.  Sei que pensávamos ter que passar pela barriga do gigante. Sei que, sedentos, olhos alucinados, coração palpitante, arrancando goles amargos das bromélias, quando diante dele nos estávamos, da sua implacável imponência, e enxergamos na sua base um rio que serpenteava... algum de nos gritou “agora é só pra baixo!” com muita propriedade. Sabia decisão. Porém estou antecipando os fatos. Chegarei nesse ponto.
é que a memória também é como o rio, contudo não segue um curso bem delineado. Hora está à frente da nascente, outrora na borda da transtornada correnteza, outras a transborda na leveza das margens.
O vento sopra nos campos de fora. Há dois cavalos arredios há pastar no mato. A minha esquerda os Três Irmãos (pico) e a minha direita o meu querido Pico do Casanova!
O qual tenho fotos, já passamos por cima por dentro. Já contornamos, e toda vez em todo lugar que em nos abrigamos ele reina esplendoroso! Deve ser à vista disso que lhe assim batizaram os padrecos. Pelo apelido de um sedutor libertino aventureiro italiano...
O sol ilumina seu contorno por completo. Vou margeando o rio como uma dama de copas enamorada. Tocando o par de cavalos. Cavalo é meu signo zodíaco, madeira é meu elemento.
Esqueci-me de mencionar que durante partes do trajeto vejo com clareza o Pico do Canjerana, onde devo atingir no dia seguinte, mas eu mesmo nem atino pra isso.
Devo esperar a calma-mente, amante da manhã seguinte. O dia seguinte surgirá seguro, sou seu humilde criado, curvo-me diante de ti. Namasté.
ladeando o ribeiro desço um pequeno desnível, atravesso, e logo adiante, não demora muito, encontro a toca onde devo pernoitar. Essa escrita é apinhada de recordações...
Ainda lembro o trabalho que tivemos pra tirar tantos ossos daquela toca, a primeira vez que a vimos. Quando a encontrei havia a ossada inteira de uma vaca que, parecia, ter deitado lá para morrer. Pareceu-me haver se recolhido em berço esplendido, a vinte metros da água, de costas pro Casanova, diante do sol poente que se recolhe atrás do paredão.
Um animal ruminante ferido ou doente, que fosse, mexeu com a minha imaginação.
Naquele dia não compartilhei com ninguém meus pensamentos, adágios, brocardos, aforismos... como o faço agora com Você, Deus querido.
Naquele lugar aconchegante e lindo, pros bovinos e pros meus olhos de menino, onde a pedra se estende em profusão, e cria uma cavidade largueada onde inclusive as árvores ali aparecem, uma vez que eram minúsculas sementes... Ufa!
Naquela toca, apelidada por mim como “a toca da vaca morta” a vez que passei e bem conservo na lembrança, foi quando levei meu amigo colombiano, Oscar.
Passamos a noite contando histórias de assombração, em volta da fogueira.
Ele me contava lendas urbanas sinistras de arrepiar os cabelos. Tradições colombianas. E eu... como bom ouvinte, somente arriscava coisa menos demorada aquelas poucas que sabia. 
Francamente, não sou muito de sentir muito medo. Encontramos a cabeça do boi. A peça que faltava do resto do esqueleto. Adornamos do bicho com penas de gavião de entorno dele acendemos meia dúzia velas.
Dentro daquela caverna passaram, através da oralidade, riscos ancestrais de sangue primitivo. Desde o seu bipedismo. Desde a criação e emissão dos signos linguais. Desde a primeira vocalização gutural do signo linguístico.
porem, durante a travessia eu fizemos, eu e ele pouco nos falávamos. Ele estava próximo de retornar de vez pra Bogotá, depois de estar radicado no Brasil durante quatro anos. Muita coisa devia star passando em sua cabeça. E eu devia dar o devido silêncio para deixa-lo pensar. Pareceu-me que, durante o caminho, havia comunicação mente a mente, o que dizem ser telepatia. Comumente eu formulava uma questão sem lembrar-me de vocalizar a pergunta e, para minha surpresa, recebia de volta a resposta. Isso se tornou frequente, formando uma alameda bilateral. Eu observava suas indagações antes que ele verbalizasse. E durante todo o caminho foi assim, dizendo pouco, sem que um e outro precisassem falar muito, sem contendas, sem assunto. Queria apenas que ele visse aquele lugar que eu tanto prezo, antes de despedi-se pela última vez. A magistral sinuosidade do nosso “mar” de montanhas...
Deus, Oscar, onde quer que você esteja, mande pra ele essa energia que evoco em Seu nome. Por todas as estrelas do céu, por todos os dias da existência.

Chego à toca e logo percebo vestígios da presença do homem.  Uma vara com a ponta bifurcada, aparada à faca ou canivete. Toco de vela, resto de fogueira..

sigo, Goginho

Como?

 Nas adjacências nenhum ser humano, somente a natureza e seu modo de pensar. Agora escrevo recluso no silêncio do meu medo. Na sigilosa intimidade do meu assombroso exilo.
Contar uma vez mais esse caminho é como mergulhar mais uma vez nas profundezas do ser que encontrei quando estive sozinho. Nessa poderosa e desnudante catarse há passado nessa transmutação de todos os valores que hei vivido. Pelo caminho surgia nietsch-da-mente a cada novo panorama ganho a proposta de um devir filosófico. Seguia pelas curvas do caminho. Dois ou três dias adiante, eu iria descobrir corpo (oral) - mente, que a vida de caminh - ante diante dos signos linguísticos, sentindo nos músculos a dura realidade é constituída de altos e baixos. Ou seria apenas a sinuosidade da montanha? Ou seria mera arremate geográfico? A grandiosidade do terreno, fazia a pleno o ar correr em meus pulmões. Corria contra a curva do vento. Esperto, matreiro, sorrateiro, sorria. Já não tinha olhos para o medo. O medo eu sentia todo tempo, senti medo o tempo inteiro. Tempo em que o medo virou minha companhia, e medo era então meu companheiro.
Eu já havia feito essa travessia em três dias, mas queria liga-la com outra, rumo à barriga do gigante. Destino ao pico do Canjerana e dali ao alto do Inficcionado. Seria uma barra pesadíssima já eu não tinha ninguém ao meu lado. Já que não levava barraca já que estava em outras circunstancias, desagregado, triste, desolado. Pensava nas pessoas que estiveram ali comigo. Como agora penso. Penso na casca eu deixo e deixei nos caminhos. Choro e chorei tudo vívido e vivido. Agora são palavras mortas na hora morta da madruga. Somente Você e eu. A barra de espaço emperra o tempo todo. Preciso chorar preciso levantar a bunda, preciso tomar um cafezinho preciso tomar um ar. Preciso não acordar meu povo. Tomara que só você esteja ouvindo.
Nos confins do mundo atravesso mais um obstáculo. A crista é composta por dois pequenos montes dentro de si, da altura de um prédio de três andares. Quando alcanço o too do segundo vejo com mais nitidez a antena d energia elétrica, marca morfética do homem que se assinala como um dragão quixotesco. Dali vem uma descida que não se enxerga, e que por isso da certo medo. A barra de espaço continua travando. Não fosse o adiantar das horas eu também não estaria com receio. Passo batido pela antena macabra, onde nada se ganha do panorama. Em seguida desço uma rampa inclinada onde a crista se estreita dos dois lados. À direita o desnível chega a mil e duzentos metros. Subo em direção ao campo de fora. Foi preciso varias caminhadas pra “pegar a manha”. 03h47min. Deus! Já são quase 4 h. Agora FODA-se! Foda-se a barra e espaço! Vou seguir escrevendo. O remorso bate fundo em meu peito. Atravesso o capoeirão e sigo subindo o caminho certo. Ao meu lado se esconde uma nascente. Uma fenda corta a montanha m forma de rachadura, lá m cima faço a curva. Lembro a primeira vez que avistamos aquele campo de altitude, ao fim da tarde. Coisa mais linda do mundo, três pequenos rios descendo faziam curvas formosas e despontas no pleno, vaquinhas pastando. Aquela água decerto ia matar nossa sede. Éramos três incautos caminheiros perambulando pelo alto, com mapas a muita vontade e lá íamos chegando. Lembro-me foi que a paisagem mais bucólica de todas. Sempre paro pra ver se me desperta a mesma sensação. As coisas tão pequeninas no espaço livre do vale nos límpidos abertos claros, lúcidos, iluminados, nos contornos do sol, nos confins do mundo, nos arrabaldes, nas imediações, nos vãos!

segunda-feira, maio 27, 2013

5º dia disparo

"Escreve para ti mesmo, recolhido, assombrado."
         

Jack Kerouac


A noite anterior ao dia que se segue passou ao fulgor do próprio encontro. Um caminho visitado pelo pensamento. A claridade ancestral do fogo iluminou meu ego primitivo, atávico. Visitado o acesso ao arcano mistério, suportava a fadiga. Não sentia sanha nem medo.
Levava comigo signo religioso, olhos de madeira. Fora os que me apanhava pela trilha, perpetrando minha senda. Sigo.
no quinto dia já me encontrava refeito. Consigo ajeitar minha tralha numa boa.

A vida campal demanda uma rotina.
Coletar água e ferve-la. Fazer um robusto mingau. Com granola, mel e farinha de trigo. Um café forte reforçado, pão com queijo (enquanto ainda há. Que o frio da noite conserva).
Depois, desfazer a cama. Enrolar o isolante, guardar o saco de dormir, juntar todas as peças de roupa. Lavar as panelas bem lavadinhas.
Colocar, por etapas, passo a passo, tudo na mochila.
dar uma boa cagada, fumando um cigarro. Enterrar a bosta do alcance das vespas.
Daí partir pras miudezas. Conferir cada coisa ao estilo marinheiro, ou piloto de bordo. De preferência duas ou três vezes. Ou cinco, ou dez... depende o tanto que se vai passar perrenge! Os passos do adeus,

1. Agradecer aos capitães do mato o abrigo e a guarida.

2. Agradecer à natureza a bondade da vida.

3. Conferir se coletou água suficiente até a próxima fonte do percurso.

4. Se há um agasalho, fogo, lanterna e cigarros ao alcance das mãos sem ter que tirar a mochila.

5. Conferir duas vezes duas vezes, se a comida, fonte biológica de energia, essencial à sobrevivencial, foi devidamente protegida.
Despedir-se do local a contento, cada um o faz (ou não faz) o seu jeito.
Orientar-se. Onde estou? Pra onde devo ir (agora)? Onde quero chegar (destino)?

6. Traçar na cabeça o itinerário a ser percorrido. Coisa de certa preparação psicológica.

Daí é só meter pé na trilha!

É hora da partida. Aqueço o coração nervoso.
Olhar pra trás é inevitável. É como não desejar sair.
Ligo os motores da vida.
Risco a faísca da ignição.
A ígnea flama acende a brasa.
A ígnea flama flui em eflúvios.
Abarcando os ventos do serrado.
Entre a cumeeira das montanhas.
Vejo o brilho dourado do batatal.
Deixo pra trás a sanha da sorte.
Contradigo a morte. Sigo ao norte.
Aborreço o sul com meus arrabaldes.
Viver é a zanza maravilha!

 Nos primeiros passos do caminho passo por um pasto desértico que algum fazendeiro alucinado ergueu pro seu montanhês. Cá estou, a mil e oitocentos metros de altitude, nos campos. Mais ou menos 900m acima do resto do terreno.

 Logo desponta a minha frente o lindo paredão de cor amarelada, que envolve o campo de fora do Caraça e forma o pico dos Três Irmãos.
A trilha toda é pelo ato das montanhas. Bem perto de você, Deus amigo, pelas cumeeiras que ligam os campos e vales. elo de sabedoria faz ao contrário o contorno de um S. 
Logo a minha direita fica o vale do Piracicaba, que se tornará poluído pelo minério extraído nos arredores de Catas Altas.
Uma ferrovia o transporta, deixando, em contrapartida todo extrato, todo resíduo, todo lixo, toda merda.
À esquerda um vale a perder de vista.

 Não vejo, não penso, não tenho tempo pra mais nada.
Torno a ser laboriosa abelha. Fecunda zanza inexaurível...
Peregrinando... ando... ando... ando...

As únicas pessoas que me interessam são as loucas, aquelas que são loucas por viver, loucas por falar, loucas por serem salvas; as que desejam tudo ao mesmo tempo. As que nunca bocejam ou dizem algo desinteressante, mas que queimam e brilham, brilham, brilham como luminosos fogos de artifícios cruzando o céu.
Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os encrenqueiros. Os que fogem ao padrão. Aqueles que veem as coisas de um jeito diferente. Eles não se adaptam às regras, nem respeitam o status quo. Você pode citá-los ou achá-los desagradáveis, glorificá-los ou desprezá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Eles empurram adiante a raça humana. E enquanto alguns os veem como loucos, nós os vemos como gênios. Porque as pessoas que são loucas o bastante para pensarem que podem mudar o mundo são as únicas que realmente podem fazê-lo.

Jack Kerouac.

domingo, maio 26, 2013

5º Dia


Because in the end, you won’t remember the time you spent working in the office or mowing your lawn. Climb that goddamn mountain.   
                                                   Jack Kerouac


Sobrevim o dia anterior me lamentando.
Esperando que a noite surgisse.
Estava cansado e triste.
As coisas espalhadas pelo chão, não havia quem viesse... não houve quem visse. O sol, esse dia, foi hostil, o dia inteiro, um longo dia. O calor tingiu meu corpo.
Perto cegou meus olhos como um braseiro. Os próprios da pele haviam de ser abandonados, assim como os bócios do pensamento.
A noite custou a cair.
O zigzagear sonífero da cobra lambendo fogo trazia seu apotegma divino.
Então eu era a própria natureza um anexim sórdido, complexo, perfeito.
Eu era Você.

Análise da Iconofagia social dos ídolos criados pela indústria do cinema dos anos 1950 e o fenômeno ocorreu desse processo

Eu pareço feliz? Você quer que eu seja? Bom porque na minha infância ninguém queria. Eu era uma garota solitária com um sonho que despertou e agora estou o tornando realidade. Eu sou Marilyn Monroe.


Destruir a imagem de um ser humano comum, que fala, comumente, alimenta-se, dorme, come etc. para construir um ícone de proporções que, a principio, o mais tenaz dos apostadores, o mais ambicioso entre os cobiçosos (donos da mega maquina que o cinema havia se tornado) o mais astuto especulador, nunca poderia imaginar. 

Criados, ou gerados, pela, então embrionária, indústria cinematográfica dos Estados Unidos nos anos 1950, Norma Jeane Mortenson, Elvis Aaron Presley, James Byron Dean. 
Marilyn Monroe, Elvis Presley e James Dean respectivamente, foram destituídos de seus nomes próprios, assim como seu próprio caráter e personalidade, para vestir a máscara que o cinema exigia.



Assim sua imagem foi inescrupulosamente reproduzida aos milhares, dezenas de milhares, centenas de milhares, milhões de cópias vendidas. Sua representação torna-se marca e a figura simbólica dessa representação torna-se uma efígie do panteão olimpiano que acaba provocando, causando, balizando, uma sede irrefreável de consumo.


Todos os setores da indústria nas adjacências do cinema, muito alem do vendedor de pipoca, ganha com isso. Esse fenômeno gera o enriquecimento de partes da indústria que fazem proveito dessa oportunidade se desenvolver. A movimentação do pequeno e médio negócio fazer crescer gradativamente a economia escala. O cinema faz crer que, não só o próprio povo americano, mas o resto da população do mundo veja que o jeito americano (american way) é o melhor em si. Em se tratando de: 


o corte de cabelo, a música, o poder carismático (o topete do Elvis Presley)

modelo de carro, jaqueta de couro, calça jeans (James Dean movimenta a indústria do petróleo, Elvis balança os quadris e sacode o auditório trazendo ao delírio adolescentes enlouquecidas)
cor de batom e modelo de vestido (Marilyn Monroe agita o mercado da moda) 


A indústria ganha devotados investidores.


O cinema é considerado a 4ª economia. 

sábado, maio 25, 2013

O decorrer do 4º dia

The busy bee has no time for sorrow

A abelha diligente não tem tempo pra mesmices                       
                   William Blake


Sei que, como eu dizia, o relacionamento com os objetos inanimados torna-se dialético. 
Você age, eles correspondem. Você se distrai e eles ficam ociosos. Você grita, eles murmuram. Você fala e eles falam calados. Cada um a seu modo, cada da sua própria maneira. A caldeira tenta expelir a água que fervente. Água, presença constante na vida de um caminheiro. A chaleira também assovia. Depois de extraído o conteúdo, arrota como um bêbado sorridente e equilibra-se rente ao fogo.

O próprio fogo estrepitoso quando a lenha devora, faz-se de tonto a pensar que não o vejo. Noto a luminosidade do silêncio prestes a soçobrar. Coloco novamente uma guampa de madeira. Percebo ruído vívido outra vez estalando contra o vento.

Pecepto
de Tchekov entre os mujiques, mas nesse conto não há assassinato.
Somente mais água pra ferver.

Sei que, com o passar do tempo, cria-se uma relação dialética com os objetos.

O tempo devora astuto e calado, cada passo, cada movimento, cada minuto que não conto e é contado. Pela circular e visível volta do sol. A imperceptível da terra. A das estrelas, elas mudam de lugar.
A subida do Batatal consumiu minhas energias.
A sua face norte é vertiginosamente íngreme, estonteantemente linda.
Detenho-me na agudez telúrica da mesmice, do um marasmo.
Nada que fazer. O dia passa lento. Momentaneamente cada momento.
Passo o dia todo em desalento.
Ainda não consegui sair.
Tenho um mundo inteiro pela frente, e o mundo todo pra deixar pra trás.
As ideias ainda não se encaixam.
Caixão fumaça fogo.
Nuvem cigarro biscoito.
nada está em seu lugar!
Ainda tenho medos! 
vozes de criança invadem minha cabeça. Deus! Porque inventei de escrever esse texto?
eu já te pedi desculpas!
será que eu não mereço perdão?
eu me profano
eu Te odeio!
eu me detesto!
eu não me amo...
Temo-Te, simplesmente.
És doce tirano.
Manda teu recado em forma de castigo.
eu não presto!
feito o mundo inteiro...
e o Cordeiro.
Abra depressa o sétimo selo.


Apocalipse 7:1 - 9:21
O Sétimo Selo


No início de Apocalipse 7, seis selos são abertos e um permanece fechado.
O sexto selo era especialmente dramático e sem dúvida João estava esperando ansiosamente a abertura do sétimo.
Mas permaneceu fechado.
Houve um intervalo na ação.
Pelo menos três cenas ocorrem antes que o conteúdo do sétimo selo fosse revelado: a selagem do povo de Deus na terra, a celebração do povo de Deus no céu e trinta minutos de silêncio. Estas demoras certamente aumentaram a sensação de maravilha e expectativa de João.
Finalmente, as sete trombetas começam a soar.

sexta-feira, maio 24, 2013

amanhecer do 4º dia

To create a little flower is the labour of ages.
Cultivar uma pequena flor é o trabalho de séculos.                                                 William Blake

A caminhada pelo alto do batatal foi tranquila. Eu estava bem hidratado. Isso conta muito, pois não há fontes de água na desértica paisagem do cume. Na cumeeira não há como se perder. É só seguir adiante! O ambiente é lunar. Tem de largura, em certos pontos, a extensão de um campo de futebol. 
O lugar é praticamente inabitado.
Minto.
Exceto por seres rastejantes e pássaros. Exceto por cobras e lagartos, e uma variedade enorme de insetos. Um pequenino rato peludo e outros amistosos roedores.  Exceto por aqueles que desejam se ocultar, de fato. Por ali nenhum ser faz abrigo por muito tempo. Não que eu tenho visto, ou que deixem rastros aparentes na superfície, sobre as pedras ou no mato.
Há por todo canto uma espécie de planta carnívora de coloração vermelha e aspecto gosmento que prende o inseto sobre si quando nela pousa o incauto.
Incautos éramos nós, eu mai dois amigos, quando conseguimos fazer  a travessia pela primeira vez. Um amigo, Brito, natural de Glaura havia sugerido a ideia. Convidamos outro amigo, Yuri, para tal empreitada e lá estávamos. Um tanto perdidos, no alto da serra, com as cartas topográficas na mão, (conseguidas no IBGE) sem saber se íamos mesmo conseguir alcançar as terras do Carraça.
Nessa primeiríssima vez ocorreu um fato inusitado. Estava eu esperando os dois companheiros, quando surge por detrás de uma pedra um ser humano. ?!
Naquele lugar? Como?
Eu explico.
Uma agência de turismo, que já não existe, havia vendido um pacote de eco-trekking partindo de Ouro Preto. Por lá faziam um passeio e começavam a caminhada na Cachoeira das Andorinhas, onde finda a Serra de Ouro Preto, última extensão o Espinhaço. Dali seguiam um dia até o Batatal onde nos encontraram.
Ficaram emputecidos, pois disseram aos leigos que naquele ambiente agreste não havia modo maneiras ou meio, nunca, de haver gente! Mas lá estávamos.
E os otários passavam e a gente, por dentro, ria. Meio que de aflição ou de agonia, porquanto não tínhamos guia pra nos salvar...

Estou sozinho novamente.
Lembro-me daquele dia como se fosse hoje. Da nossa atitude, nosso desencontro, nosso medo, nossa garra, nossa coragem. Um alimentou o outro com qualidades imprescindíveis, para transpor as barreiras do caminho, com vigor o mental que era necessário.
Estou novamente sozinho.

Acabo de trilhar o alto da serra. Caminhar sonho sozinho. Lembro ver algumas vezes vale do rio Piracicaba. Pelos dois lados é bem íngreme e a mata ciliar parece impenetrável.
Garanto que lá, na vazante das águas, sacia sua sede a onça.
Estou na interseção da serra, vista de leste pra oeste, bem onde passa o vento. Com toda força possível. Lá dei nome a uma pedra, “pedra do Jacaré”, que jaz solitária ao centro, isolada das demais. Dos últimos montes que se elevam, antes de visualizar a tal pedra, vê-se uma terra de gigantes. A incalculável fenda circular ocasionada pela extração do minério.
A vossa mão é grande, Deus amigo, mas a do homem.
De onde paro, não por longo tempo, o passo do vento, tenho que enfrentar terreno pedregoso.
Não há, absolutamente, terra sobre meus pés, por half an hour, ou meia hora, mais ou menos. Lá cresce apenas arnica e canela de ema e há muita pedra solta que eu posso pisar e torcer o pé, o joelho, o tornozelo, ou cair no sair, sabe lá. Então devo andar atento.
Vejo que estou quase a concluir o fim desse dia de jornada.
Na descida desse terreno crespo tem-se a falsa ilusão de ver água a vazar das pedras que figuram do outro lado. Falsa porque não há uma gota sequer. Isso foi provado na prática.
Termino a pedregosa descida, estou no mato limpo. Subindo um cadinho faço a curva à esquerda e sigo.
A emoção, ou comoção, ou que dirá desespero, sobressalto, entusiasmo da chegada, vai invadindo meu peito. Voltar não é uma opção.
Não quero. Não devo.
Sigo uma senda ancestral, feita por escravos nos tempos do império. Ela que desvia de um enorme lamaçal.
Foi depois de muitas vezes que por lá passei que percebi que era uma picada construída por mãos humanas. E também notei que rente a ela fizeram dois pequenos silos de armazenar suprimentos.
Passar por ali é como voltar no tempo. A passagem é alegre.
lembro quando uma frente fria me prendeu por vários dias naquele ponto de água adiante. Estávamos em uma paisagem onírica. Tudo parecia um sonho. No quinto dia acabou o suprimento e com serração ou não, tínhamos que voltar. No caminho da debanda, meio perdidos sem saber aonde íamos, trombamos com uma vaca pastando sozinha sobre as pedras.
 Aquilo foi a cena mais surreal que eu já presenciei na vida. Incrível que a vaca estivesse assim tão calma, fleumática e serenada, aproveitando a ocasião do trocadilho, mas creio isso que é próprio das vacas...
Nesse dia, em fevereiro de 2010, o sol ainda estava a pino. Foi o horário de verão que me propiciou maior beneficio com a luminosidade. O sol caía por completo, por volta de sete e 40 da noite. Assim sendo, nunca faltou luz do dia.
Aproximo do lajeado a minha direita. Um riacho de águas claras com dois metros e meio de largura e meio metro de profundidade.
Repleto de plantas que assemelhar-se com algas do mar. Parecem deslizar na corrente mansa. Limbos de todo tipo que se agarram nas rochas. E girinos, muitos, cujo coaxar dos pais se ouve quando a noite cai. Ploct! E pela madrugada adentro...
Eis que, por fim, chego ao lugar onde vou passar a noite. Tantas vezes.
Nesse local existe um desnível na paisagem. Esse desnível formou uma cachoeira nas alturas. Em algum período geológico (que obviamente desconheço) as placas tectônicas causaram uma desigualdade no panorama (de mais ou menos 20m, calculo) que hoje fazem descer das pedras do riacho um filete d’água que logo abaixo se empoça.
O poço parece muito uma mesquita árabe quando se afina para seguir vazando. Água parada e fria. Dá medo entrar, é preciso coragem pra dar um tibum!
Bolhas de matéria branca e desconhecia também se formam acima do poço.
Flutuam no ar sobre o rio, com vento arredio que sopra erradio naquele lugar.
A noite chega vagarosamente.
Assim que alcanço o lugar de pouso e tenho o enorme prazer de tirar a cargueira das costas, que me doem, faço uma gratificante sopa de pacote, com tudo que se pode pensar. Antes que eu caia duro pra trás. Tomar a sopinha revigora. Com queijo bem gordurento, carne de soja e farinha de mandioca. Barra de cereal, what is this?
Depois de reviver, ou reavivar o vermelho do rosto e o brilho dos olhos, é que consigo ver onde estou. Consigo repor glicose. Somos bichos.
Lá não há vista deslumbrante. Em compensação, o céu... Deus! No dia em que o criaste mano... O que você comeu?
A lua era quarto minguante, portanto as estrelas apareciam mais. Aos milhares, milhões, bilhões! Sei lá... A lua ofusca a luz das estrelas, mas como ela surgia somente na garganta da madrugada, as estrelas brilhavam como diamantes flamejantes, faiscantes, chamejantes, fulgentes.
Eu fiz dezenas de pedidos.
O abrigo fica a dez passos do riacho, embaixo de uma pedra. Cabe só uma pessoa com espaço bem reduzido. Tem sessenta centímetros de altura, quando muito, mas protege do vento e do orvalho. É duca... raça. Tem vista panorâmica pro céu e requer velas para iluminação interna.
O piso é de terra preta por musgo aveludado, inofensivo emacio. É só colocar o isolante, sleeping bag! esticar o esqueleto com jeito e pronto!
Dormi feito um anjo, até o nascer do dia...
Sei que não sou anjo.
Se fosse estava ai com você.
Sei que, com o passar do tempo, cria-se uma relação dialética com os objetos. 

quinta-feira, maio 23, 2013

3º Dia... do you existe mesmo?


Subida da serra

Pra mim, o verdadeiro, se é que dado ao verbo constituir um signo conciso e resumido que não apenas indique (índice, sin-signo indicial), mas represente, de fato, a verdade, enfim, o válido e adequado, apropriado início da caminhada. A parte puxada começava ali. 
Paro no ultimo ponto um abrolha água da terra verticalmente.
Dali em diante a subida será mais inclinada e demanda uma hora de ânimo, perseverança, vigor físico e mental e ritmo firme, frequente, contínuo.
Até ali a subida é fácil, apesar do mato alto, apesar de começar a transpor partes relativamente difíceis. Apesar de começar a ver o que te espera logo a frente, apesar de iniciar pedaços onde se fica rente a parede com a mochila cargueira nas costas correndo certo risco de cair, mas logo se chega a essa incrível nascente.
De lá em avisto São Bartolomeu e vejo também a igreja de Glaura. Cidades que são estranhamente mais antigas que Ouro Preto. A igreja de Glaura tem uma característica típica. Uma das torres permanece inacabada. Quando os financiadores portugueses aqui chegavam, em tempos idos, sempre tinha uma das torres pra concluir...
De lá eu posso ver a praça da igreja. Isso sempre me arranca uma boa risada.
Há diante de mim uma grande mata secundaria (mais ou menos 200 hectares) e um horizonte a perder de vista. Vejo com clareza o Pico do Itacolomy, que me lembra dum nariz de frade. E também, à minha estrema esquerda, no alto da serra, vejo o Pico de Itabirito.
Esse é o primeiro vislumbre de amplidão. Fico sentado em um pequeno pedaço de pedra, inclinado a 45 graus. Bebo água o suficiente pra não sentir sede durante a caminhada que devo fazer no alto da montanha.
Lavo-me, me lavo, me levo enleio da mente, junto forças. Despeço-me das estradas que podem me levam de volta pra casa facilmente, preparo de novo minha alma e lavo outra vez meu corpo e bebo água. Lá vou eu!
Meus olhos estão embaçados de lágrimas, estão embriagados de horizonte.
Estou frente a frente à montanha. Agora é subir ou subir.
Foram mais ou menos três enfiadas até abordar a pedra de ponta triangular, onde subo abeirando do vazio. De lá sim, sinto nos pulmões o ar mais puro correr a pleno. De lá sim, vejo o quanto sou minúsculo.
Ali foi que encontramos a bosta do suposto felino. Ali tem espaço bastante que dê pra esticar o corpo, mas não tenho tempo pra tirar um cochilo.
De repente estou no topo! De repente vejo a sombra do gigante, lugar que desejo chegar!
Corro pra ver o outro lado do vale.
Meu Deus!
Como esse mundo é pequeno...

23 de maio de 2013





Olá, Recomeço a contar para Deus, você que está em mim, que está em tudo, que permanece em todas as coisas, ainda que seja próprio das coisas não perdurarem em sua permanência. Reinicio a contagem. 
Estou tomando uma boa dose de fôlego para iniciar a subida da serra. Ela requer meia hora até uma pequena vertente de água fresca, onde paro e me preparo para uma subida mais íngreme.
Lá estava eu, diante da oca que me abrigou durante os dois primeiros dias de aclimatação. Lá eu estava a vislumbrar a suntuosa colina. Lá estava eu a me preparar para o ataque ao topo cumeeira. Já despido das mazelas auditivas da cidade, já desvestido das enfermidades sonoras. 
Pelos meus cálculos faziam mais ou menos nove horas, desde que o sol se ergueu por trás da serra. Tempo que eu carecia para que secar o orvalho da noite que dificulta um pouco a caminhada. 
Pois então. 
Nesse instante eu já havia guardado todos meus pertences, bem reduzidos, salvo a comida. Recolhido toda a bagulhada. E, sim, já havia coletado água. (Lá, próximo as minhas duas cavernas prediletas, coleta-se água em um lugar um tanto curioso. É preciso se deixar cair em um buraco e depois passar por uma fenda entre a terra a pedra, até chegar numa poça mágica. Digo mágica porque se coloca o a garrafa pra encher e a poça diminui. Imediatamente ela enche, assim magicamente. Pois é claro, suponho que a água brota da nascente.) 
passado esse breve parênteses, que requer um exercício de corpo, para se preparar um bom café e seguir o caminho pedregoso. Lá eu ia.
Já não pensava no passado recente. Já não trazia comigo as dores do claustro, onde passei 28 dias. Os ventos haveriam de leva-los. As águas intocadas da trilha (que me esqueci de referir-me, remonta ao tempo do império, é o antigo Caminho de Mariana.) haveria é de limpar meus estigmas. E calor abrasivo do serrado haveria de estancar minhas lágrimas. Ocasionava somente uma visão nítida da ascensão a ser traçada. E nas costas tudo que eu precisava. 
Viver é simples.

mais um trecho dos Paraísos


?
O remorso, estranho ingrediente do prazer, perde-se logo na deliciosa contemplação do remorso, em uma espécie de análise voluptuosa; e esta análise é tão rápida, que o homem, este diabo natural, para falar como os swedenborguianos, não percebem o quanto ela é involuntária e o quanto, de segundo em segundo, ele se aproxima da perfeição diabólica. Ele 
admira seu remorso e se glorifica, enquanto perde sua liberdade.Eis, portanto, meu homem suposto, o espírito de minha escolha chegado a este grau de prazer e serenidade, onde é 
levado 
a admirar-se a si mesmo. Toda contradição desaparece, todos os problemas filosóficos tornam-se límpidos, ou pelo menos assim parecem. Tudo é motivo de prazer. A plenitude de sua vida atual lhe inspira um orgulho desmesurado. Uma voz nele fala (infeliz! é a sua própria voz) e lhe diz: “Você tem agora o direito de se considerar superior a todos os homens; ninguém conhece ou poderia compreender tudo o que você pensa e sente; seriam mesmo incapazes de apreciar a benevolência que lhe inspiram. Você é um rei que os passantes desconhecem, e que vive na solidão de sua convicção: mas que importa? Você por acaso não possui este desprezo soberano que torna a alma tão boa?”.

Paixão da minha existência atribulada


Escrevendo pra Deus
              (...e a saga continua.)
Pensei em continuar a narrativa da minha caminhada durante nove dias nas belas montanhas da Serra do Espinhaço que fazem uma ligação com a Serra do Caraça, que por sua vez, faz o desenho de um S ao contrário.
Essa descrição dos dias que passei na mais completa solidão fizeram aumentar as visitas no meu blog.
Por falar nisso. O Senhor tem blog? Enfim, dizem que não ofende perguntar. E por falar nisso, vou deixar de usar maiúsculas ao menciona-lo, ok? Acho que já estamos íntimos.
Então... passei dois dias na base de uma montanha surpreendente chamada Serra do Batatal.
Ela é uma parte da Serra do Espinhaço. Mais adiante, ao sul, ela se chamará Serra de Ouro Preto e seu afloramento passa a ser subterrâneo. A direita da serra é onde eu estava. À esquerda está a nascente do Rio Piracicaba. Na Serra do Batatal, como fios que caem sobre o manto verde, surgem da terra as primeiras águas do Rio das Velhas.
Esse mesmo campo verde, certa época do ano fica completamente amarelado e repleto de poeira , por conta da falta de água. Isso também acontece com todo o resto do terreno e é uma característica típica do serrado.
Há no serrado a incidência de uma pequenina flor chamada Laelia Caulensis que sobrevive por florescer em terreno pedregoso, onde, durante o período dos incêndios naturais, o fogo não consegue atingir. Essa é uma das suas sabedorias e a 
reprodução dela é uma das suas habilidades.


A natureza (a coisa em si. O Todo, o ambiente natural, o universo cósmico, o mundo. Exceto nós seres humanos) exerce essa capacidade de transmutar com tamanha destreza e desenvoltura que chego a pensar, não fosse o verbo, que tenho aptidão para animal irracional. Convivendo pacificamente com os outros seres que simplesmente “vivem”.
O pássaro não pergunta se deve amanhecer, assim como o verme não questiona se deve seguir, tal como o sol se ergue todo dia e a noite respeita o ciclo da magia.
Certa vez, quando caminhava com um amigo, formado biologia, com olhos mais aguçados que os meus, ele viu no chão as fezes de um felino.
Era um pedaço de merda completamente branco, supondo-se que o animal expulsa de si o cálcio dos ossos da presa digerida. Havia ainda um pedaço inteiro de osso que não havia digerido. Isso foi justamente na subida da serra que eu haveria de enfrentar. Nessa ocasião aquilo me deixou com certo medo, e roguei a Ti, você se lembra? mas também aguçou meu desempenho e passei a sentir-me eu a própria fera. Solitária seguindo à beira da montanha. Seguindo sorrateiramente seu instinto de felino.
Na ocasião em que estava sozinho, sabia sim que havia onças e cobras, e ratões do banhado, mas não guardava espaço em minh’ alma pra pensar nisso.
Na serra habitam poucos mamíferos. Talvez pela distância que há entre as fontes de água. Talvez pelo declive saliente, talvez pelo ciclo de escassez de bichos. Talvez pela força dos ventos, mas certamente não por causa da vista. Deslumbrante. Uma visão ampla do horizonte em profusão causa uma sensação enorme de plenitude. Talvez seja por isso que a onça parou pra cagar e talvez, dar um cochilo.
No alto da Serra do Batatal tem-se um panorama do percurso a ser traçado.
Almejava chegar até o alto do Inficcionado, que contabiliza 2068 metros de altitude, mas já são 2 e 14 da madrugada  e até agora eu nem saí do chão.
Acho, Deus, que tenho mais do que nove dias para descrever essa trip, não tenho? Creio que agora vou preparar pra dormir e esticar um pouco o esqueleto.
Amanhã nós vemos.
Fique consigo.
Abraço,

Gustavos

quarta-feira, maio 22, 2013

and the King sings



Riley Ben King, também conhecido como B. B. King nasceu em 16 de Setembro de 1925 no estado do Mississippi onde surgiram as primeiras notas do lamento negro advindo de África, onde o contrabaixo tentava reproduzir a batida abrasadora dos tambores negros.
King é um notório guitarrista de Blues, compositor e cantor.
O "B. B." em seu nome significa Blues Boy. Entretanto, seu registro característico e lendário é usar na guitarra uma economia admirável que, ao mesmo tempo, traduzem um feeling de admirável significado.
“Posso fazer uma nota virar mil” revelou King.

Paixão da minha existência atribulada

Carta para Deus


Senhor meu Deus, ou, nosso Deus amado,

Até agora aguardo uma resposta e até agora tenho andado um tanto amargurado.
Já não consigo olhar pras frentes, por isso olho pra baixo quando ando pela rua. Quando muito olho de banda e na hora de atravessar olho de lado.
Aproveito o ensejo para dizer que o céu está belo aí em cima, mas o mundo aqui embaixo anda desmoronando. Meu pai está com um pequeno problema no olho esquerdo, meu irmão mais velho. Enfim... O senhor, dizem que sabe de tudo!
Quero confidenciar sentimentos que desejo deixar registrado por escrito. Como os dias que passei sozinho no mato. No alto das montanhas. Sem bússola, sem relógio, sem barraca. Somente as estrelas pra me guiar. E, é claro, um prévio conhecimento do caminho a ser percorrido.
Passei nove dias andado pela crista das montanhas. Onde, de fato, não é muito arriscado se perder, contanto que não se desça pros vales, contanto que oriente bem nos campos altos.
Desses nove dias. Muito tenho a lembrar de cada um deles.
Nos primeiros dois dias algo se perde do contato com a cidade. Algo se perde da relação com os outros animais domesticados e das máquinas e que ele vem criando. Inicia-se outra ligação mais refinada que requer determinado e precioso cômputo. Uma valiosa apuração dos sentidos. Sabe-se quando o dia vai clarear quando os pássaros começam a bater asas. Quando, magicamente, o capim inicia um movimento magistral ao se distorcer na presença da ínfima luminosidade do sol. Quando os ganhos fazerem um estalido sussurrando que é chegada a casca assídua do calor cósmico, imperceptível a outros seres e signos, com frequência vinda um tanto antiga.
Pequenos movimentos revelam, acusam, denunciam a manifestação de um gigantesco mundo.     

Nesse tempo eu havia recém saído de uma clinica de recuperação de adictos, faziam apenas quatro meses e quando estive lá dentro pensei que nunca mais iria ver esse lugar que agora falo. O senhor, meu Deus, me deu o prazer de merecer a chance de perceber as cores e os sons da natureza mais uma vez.
Nesse tempo meu pai biológico morava numa cidade bem distante da minha e vinha somente por breves períodos. Ah, e também havia encerrado um relacionamento ao qual dedicava o amor que havia em meu peito. Porém, a sensação que tinha é de que a havia sido esquecido. Abandonado á beira do caminho. Como uma fruta podre que se deixa cair as mãos na bira de uma estrada esquecida. Mas naquele lugar, eu não podia me deixar esquecer. Eu não podia, de fato, me abandonar. E cada passo era uma como uma pincelada do destino.
E Você me recompensava com mais uma madrugada de reconstrutivo sono.

Por longas, esclarecedoras e elucidativas oito noites e nove dias decorridos ao final da jornada.
Espero delinear com acurada minúcia cada dia transcorrido, mas no momento, temo cansá-lo com narrativa que parte de um começo assim tão vago.
E também, tenho outros anseios que pretendo expor para que fiquem (como disse) no branco dessa tela, aqui registrado.
Quando ao findar das horas vagas, vejo que não há mais nada, tento explorar a mim mesmo.
O fundo dos meus brônquios num sopro profundo, numa batida de coração, na corrosão de um único pensamento lento como a lentidão da folha de outono e desalento da renitência do vagar atento de um lamento que a esmo se esvai.  

Às vezes procuro uma janela acessa nos prédios pra me fazer companhia, mas a única companhia que encontro é o agradável som do jazz. Às vezes lembro-me do tempo em que escrevia numa máquina de datilografar e bebia vinho na galeria Chaves em nossa trupe genial de garotos perdidos no tempo de uma jornada infinita rumo ao tempo da pueril sabedoria, mas ainda sim as estrelas a lua o céu, e o cigarro são as meu únicos amigos e fico na companhia do jazz. O passado é apenas uma fotografia é ainda a coisa mais morta que a vida traz. Assim o dia passa, vem a noite e satisfaz meus prazeres tortos com notas dissonantes assim como os caminhos da estrada ser seguida, assim como as ruas de uma cidade não planejada, assim como o pensamento, filamento de um tubérculo rizomático. Assim como a cicatriz, lembrança da ferida.
Assim como eu.

Trecho dos Paraísos Artificiais




“Acontece, às vezes, de desaparecer a personalidade, e a objetividade, que é própria aos poetas panteístas, desenvolve-se de modo tão anormal que a contemplação dos objetos externos faz com que você esqueça a sua própria existência e confunda-se,em seguida, com eles. Seu olhar se fixa em uma árvore harmoniosa curvada pelo vento.Em alguns segundos o que seria para o cérebro de um poeta apenas uma comparação bastante natural torna-se realidade para o seu. Primeiramente, você empresta à árvoreas suas paixões, seus desejos ou sua melancolia; os gemidos e as oscilações tornam-se eus e, logo, você é a árvore. Da mesma forma, o pássaro que plana no fundo do céu
representa
inicialmente o imortal anseio de planar acima das coisas humanas; mas eis que você é o próprio pássaro. Eu o imagino sentado e fumando. Sua atenção repousará longamente sobre as nuvens azuladas que exalam de seu cachimbo. A ideia de uma evaporação, lenta, sucessiva, eterna, tomará conta de seu espírito, e você aplicará em seguida esta ideia aos seus próprios pensamentos, à sua matéria pensante. Por   equívoco, por uma espécie de transposição ou de quiproquó intelectual, você se sentirá evaporando e atribuirá ao seu cachimbo (no qual você vai se sentir curvado e encolhido como o tabaco) a estranha faculdade de
 fumá-lo."

terça-feira, maio 21, 2013

Huxley fala...

Treze anos após o término da Segunda Grande Guerra, e após haver publicado seu livro Admirável Mundo Novo, o escritor inglês Aldous Huxley que era estudado por uma geração de curiosos que tentavam descobrir algum "segredo oculto" em seu livro The doors of perception (as portas da percepção).
Título esse que viria dar nome a banda de rock nos anos 1970 The Doors (os Portas) fala em entrevista onde discorre sobre assuntos como superpopulação  vida após a vida, a morte, a civilização norte-americana e obviamente sobre o livro que gerou tanta polemica por tratar de uma suposta fabricação de seres humanos em série geneticamente destinados para certos tipos de trabalho.
Seria esse o novo mundo admirável?
Assistam e confiram. 



 Mundomundo 

domingo, maio 19, 2013

Carta endereçada a Deus


Digníssimo senhor Deus,



Essa hora eu já devia estar dormindo, mas detesto usar o pretérito quase prefeito.
Tenho andado muito triste.
Era... Deveria. Quanto mais o imperfeito.
Penso que se nascemos à sua imagem e semelhança, a imperfeição é um ato falho. Tanto da língua quanto das más atitudes. que dirá dos hábitos nefastos.  A minha opinião e que estamos fadados a passar por esses maus bocados mesmo que os procuremos com as mãos. Não deveríamos, porém já estou a usar uma imperfeição do advindo.
Escrevo essa carta em busca de algum consolo para minha alma e alivio para meu corpo. A essa hora tenho medo de faz ruídos com as teclas do teclado e meus pais pensarem que eu não me encaixo no tempo determinado pela sociedade atual desenvolvida e pós revolução industrial os ingleses colocaram na gente a tiranizadas oras determinando horários.
Penso que os artistas renascentistas comiam na hora que bem queriam e dormiam também, com o perdão da expressão, ao Deus dará. O homem nesse período passou a ser o centro das atenções. E sob certo aspecto lutavam contra a vossa imagem, que figura como tirano e malvado. Sendo representado na terra por um rei que diziam trazer em um pedaço da essência  celestial, sobrenatural e que detinha poderes supra-humanos que nos aterrorizava a nos obres citados.
 A inquietude dos artistas que nunca se contentam com os bons hábitos como manda a razão vigente, seja qual for a época, nos livrou desse pensamento trazendo a tona uma sociedade mais compassiva e depondo guilhotinando reis, e desprezando o poder da temida igreja católica.
Tempos depois um alemão chamado Lutero nos beneficiou ainda mais. Visto que citando somente um exemplo, se não houvesse sido feita a reforma protestante o poeta inglês e xamanista William Blake teria sido queimado pelo santo ofício da sagrada inquisição. Mas o senhor sabe de tudo isso, claro.
Muito mais do que eu e com riqueza de detalhes...
O que eu queria mesmo dizer dado esse enrolado preâmbulo é que eu próprio ando desgastado
Os próprios do homem quais seriam?
Sofrer me fez mais forte e talvez um pouco mais determinado, mas venho através essa pedir uma ajudinha. no que se refere ao animo. Ao acordar todo dia.
Queria que senhor que contasse em sonho que seja, contanto eu me lembre, qual é o sentido da vida. Porque devemos viver? Porque devemos viver entre pessoas que na nos proporcionam nada?
Estive nas montanhas por muitas encarnações como diz vinha mãe. E tenho saudades da vida na sua presença, a natureza. Spinoza cujos pais se chamava Manoel teve que sair menino de Portugal posto que o rei da Espanha queria se casar com uma princesinha tuga e não queria nenhum cristão novo em seu reinado. Fugiram de volta para a Holanda e se reconverteram ao judaísmo visto que era encrencado ser católico em solo reformado. Benedictus descreve o senhor como sendo a natureza. Acredito piamente que a natureza que também somos nós amadureceremos no temo por Ti determinado. Espero que seja rápido. Mas como a maça de Newton não osso prever nem lutar contra o acaso. Farei da minha parte, serei bonzinho. E espero não ser o que Camus, um argelino safado, chamou de Sísifu. , lutando inutilmente para remontar morra acima a pedra que sempre rola morro abaixo.
Agradeço (a sua preciosa atenção, e digo que é do fundo do meu coração o qual evito dar adjetivos) que endereço a Ti, poder maior do cosmo essas mal cunhadas palavras.

Acredito na sua bondade extrema independente o desenrolar fatos.
Do humilde rapaz que no momento encontra-se desencontrado,

Gustavos

Provébios do Inferno





















In seed time learn, in harvest teach, in winter enjoy.   
Na semeadura aprende, na colheita ensina, no inverno desfruta.

Drive your cart and your plow over the bones of the dead.
Conduz o teu arado sobre a ossada dos mortos.

The road of excess leads to the palace of wisdom.
A escadaria do excesso conduz ao palácio da sabedoria.

Prudence is a rich ugly old maid courted by Incapacity.
A Prudência é uma solteirona rica e velha cortejada pela Incapacidade.

He who desires but acts not, breeds pestilence.
Quem deseja e não age engendra a peste.

 
The cut worm forgives the plow.
O verme cortado perdoa o arado.

Dip him in the river who loves water.
Pula no rio quem gosta de água


A fool sees not the same tree that a wise man sees.
O tolo não vê a mesma árvore que o sábio.


He whose face gives no light, shall never become a star.
Quem a face não brilha jamais será uma estrela.

Eternity is in love with the productions of time.
A eternidade esta apaixonada pelas produções do tempo.

The busy bee has no time for sorrow.
A abelha diligente não tem tempo para mesmices.

The hours of folly are measur'd by the clock, but of wisdom: no clock can measure.
As horas da loucura são medidas pelo relógio, as horas da sabedoria: não há medida.

All wholsom food is caught without a net or a trap.
Todo alimento sadio se abanca sem rede nem armadilha.

No bird soars too high, if he soars with his own wings.
Nenhum pássaro poderia voar tão alto se voasse com as próprias asas.

A dead body, revenges not injuries.
O corpo morto não reage a maus tratos

The most sublime act is to set another before you.
O ato mais sublime é colocar outro a sua frente

If the fool would persist in his folly he would become wise.
Se o louco persistisse em sua loucura ele acabaria se tornando sábio.

He who has suffer’d you to impose on rum knows you.
Aquele que sofreu tuas imposições te conhece.

The tygers of wrath are wiser than the horses of
instruction.

Os tigres da ira são mais sábios que os cavalos da instrução.

Prisons are built with stones of Law, Brothels with bricks of Religion.
As prisões são construídas com as pedras da Lei, os bordéis com os tijolos da religião.

The pride of the peacock is lhe glory of God.
O orgulho do pavão é a glória de Deus.

The lust of the goat is the bounty of God.
A luxúria da cabra é a bondade de Deus.

The wrath of the lion is the wisdom of God.
A fúria do leão é a sabedoria de Deus.

The nakedness of woman is lhe work of God.
A nudez da mulher é o trabalho de Deus.

Excess of sorrow laughs. Excess of joy weeps.
Excesso de tristeza ri. Excesso de alegria chora.


The roaring of lions, the howling of wolves, the raging of the stormy sea, and the
destructive sword, are portions of eternity too great for the eye of man.

O rugir de leões, o uivar dos lobos, o furor do mar tempestuoso e a espada destrutiva são porções de eternidade excessivamente grandes para o olho humano.
The fox condemns the trap, not himself.
A raposa culpa a armadilha, não a si mesma.

Let man Wear the felI ofthe lion, woman lhe fleece of the sheep.
Usai o homem a pele do leão, a mulher o velo da ovelha.

The bird a nest, the spider a web, man friendship.
O pássaro constrói o ninho, a aranha a teia. O homem, a amizade.

What is now proved was once, only imagin’d.
O que agora foi provado, foi apenas imaginado.

The selflsh smiling fool, & the sulIen frowning fool, shall be both thought wise, that they may be a Rod
O egoísta sorridente tolo & tosco carrancudo tolo, passarão ambos por sábios para que haja o Castigo

The rat, the mouse, lhe fox, the rabbit: watch lhe roots; the lion, the tyger, the horse, the elephant, watch the fruits.
O rato,o camundongo, a raposa, o coelho olham as raízes. O leão, o tigre, o cavalo, o elefante olham os frutos.

The cistem contains; lhe fountain overflows.
A cisterna contém. A fonte transborda.

One thought, fills immensity.
Um pensamento preenche a imensidão.

AIways be ready to speak your mind, and a base man wilI avoid you.
Esteja sempre pronto a dizer o que pensa, ou o imbecil te evitará.

Every thing possible to be believ’d is an image of truth.
Tudo que é possível de se crer já é uma imagem da verdade.

A The eagle never lost so much time, as when he submitted to learn of the grow
A águia nunca perdeu tanto tempo como quando se dispôs a aprender com a gralha.

The fox provides for himself, but God provides for the lion.
A raposa provêà si mesma, mas Deus provê ao leão.

Think in lhe moming. Act in the noon. Eat in the evening. Sleep in the night.
Pensa pela manhã. Age ao mio dia. Come ao entardecer. Dorme a noite. 

He who has suffer’d you to impose on rum knows you.
Aquele que sofreu tuas imposições te conhece.

The tygers ofwrath are wiser than the horses of
instruction.

Os tigres da ira são mais sábios que os cavalos da instrução.

Expect poison from the standing water.
Espera veneno da água parada.

You never know what is enough unless you know what is more than enough.
Nunca se sabe o que é suficiente antes que se saiba oq eu é mais do que suficiente.

The tygers ofwrath are wiser than the horses of
instruction.

Os tigres da ira são mais sábios que os cavalos da instrução.

Expect poison from the standing water.
Espera veneno da água parada.

You never know what is enough unless you know what is more than enough.
Nunca se sabe quando basta antes que se passe do limite.


The fox provides for himself, but God provides for the lion.
A raposa provê a si mesma, mas Deus provê ao leão.

Think in lhe morning. Act in the noon. Eat in the evening. Sleep in the night.
Pensa pela manhã. Age ao meio dia. Come ao entardecer. Dorme a noite.