domingo, junho 30, 2013

Soneto afônico

ou 
Soneto das oito e meia


Solto a língua sobre o verbo

sopro o sopro sobre o cimo
subo cego e deslizo
e solto, broto, profiro.

desvio o foco do umbigo
solto o solto, pronuncio
lanço, abrolho, abono, abuso
solto, solto, solto, solto.

solto, solto, solto, solto,
solto, solto, solto, solto.
solto sentido polifônico.

bakhtinianamente falando
solto sentido polissêmico
solto verbo metalinguístico...



recomeço

Uma enigmática vitoria crispada de perguntas e problemáticas. Depois de tudo, de dores e males, tais têm a história do grande Self. É tanto uma doença que pode destruir, a primeira erupção da força e da vontade de autodeterminação, auto-avaliação, essa vontade de vontade de ser livre e quando a doença se expressa nas tentativas selvagens e extravagantes, é demonstrado na frente de si mesmo, seu domínio sobre as coisas. Vaga cruelmente com uma fome insatisfeita, que captura a emoção perigosa. Deve expiar-se o orgulho destruir o que o atrai. Como o riso mal se volta para o que se encerra escondido, coberto por qualquer modéstia, de ver a aparência das coisas, quando as invertemos. No fundo da minha agitação de vagabundo é como e sem rumo inquieto destino para guiar-me, como em um deserto é a questão de uma curiosidade cada vez mais perigoso. Não é possível subverter todos os valores? Que bom é algo errado? É tudo, em última análise, talvez uma falsa? E se estamos enganados, não é exatamente por isso que somos também enganadores? Será que inevitavelmente também enganam? Esses pensamentos levam cada vez mais longe, cada vez mais perdido. A solidão e uma temível deusa que me envolve e me circunda, sempre ameaçadora, estranguladora, cortante esta terrível deusa cada vez mais envolvente, mais asfixiante, mais opressiva, mais avassaladora, mas quem sabe hoje o que é solidão?

poema das 4

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deixar as cinzas voarem
no vento da multiplicidade
ficar bem no quentinho
fazer um carinhobão
tocar flautinha comilton
embora semsemi-ton
fá-zustenido na língua
vem comigo gatinha
deixa dar um jeitinho
vamos nesse caminho
vamos pra frente juntinho
grita vitória comigo
vem ser feliz
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deita e role
beba o último gole
da taça
das lágrimas de fel
derrama mel da boca
seja meu amor
sempre

sábado, junho 29, 2013

poema das onze e meia

Meu Deus é um deus cruel
que anda sobre os meus pés

se esconde em pequenas coisas
e não se mostra ao invés.

Reverso da soma antinômica
= subtração simétrica harmoniosa.

Pego esse teclado contraditoriamente hiperbólico,
no mundo-quarto-anfiteatro tetrassilábico,
com-dordecabeça-mente estrábico.

visão sistêmica deu se bi-foulcault
tecnológicabeleira paquidérmica

quem é esse viajante?  

quem é esse deus cruel?

que espalha esperança
e transforma sal em mel?













re-make

Sabe, não aguento mais esperar essa transição, essa arrumação, essa mutação, essa incerteza, esse lento contagio das horas, esse tango sem compasso. Busquei nas cinzas o que restava e refiz voo em sentido às montanhas e ao horizonte infinito, enquanto os ventos tocavam minhas asas e os vermes mordiam minhas entranhas. Rezei trezentos e sessenta graus em torno de mim mesmo, o mais alto que estive só, o mais distante. Compartilhei com os elementais a mesma água empoçada que fazia purificar meu corpo. Escopo do topo não concedeu felicidade final. Buscava o interno eu eternamente perdido nas montanhas e nunca rasgando os vales, nunca descendo do ar puro q me alimenta o cérebro. Chego a não ter ação. Chego a estar infernizado com a ausência dos meus pés na terra. Não consigo ver Deus. Não consigo ser praga nem pragmático, se embora nada houvesse. O verme segue contente adiante o seu aparentemente, insignificante destino.







4:44

me deixo te perder
tem hora

o coração agora
é o ninho espinhento

da memória
onde lá eu te coloco
em pensamento


sexta-feira, junho 28, 2013

mistic revelation

Realmente poetinha,

Sinto saudades, sinto vontade de chorar diante da beleza. Ouvindo um solo de guitarra flamenca meu coração se contraiu e aquela água salgada que chamam lágrima quiseram saltar dos olhos, mas me contive. Talvez a beleza não fosse pra tanto ou talvez não fosse o momento de chorar, sim, esse é o verbo. Quando elas escorem, ou brotam, assaltam ou latejam.
O coração palpita desgovernado. Uma oração sem credo, um sapo sem brejo. Um blues sem lamento se faz sem pensar.  Depois, cada um com seu cada-um, compõe a representação desse momento. Tenta representar o sublime, acima d’arte donde se foi, varreu e foi varrido, se dissipou, sumiu, esvaneceu, o interpretante imediato. Um gol do Pelé, a Monalisa de da Vinci, um conto de Tchekhov, todos os perceptos, sabor, som, cheiro, ângulo, frio calor ou arrepio, sensações que tampouco conseguimos descrever, perdem-se no tempo-espaço. Fica o enunciado retratado em signos pouco efetivos.
Os antigos egípcios acreditavam que nossa razão encontrava-se no coração, esse músculo pulsante, e não no cérebro, essa tripa esbranquiçada de recônditas reentrâncias.
Eu diria que notas musicais são mais descritivas do que o verbo. A nota musical é mais vivaz e entusiástica, calorosa, ativa, agressiva, que a palavra. Assim como, claro, pode ser o antagônico aos adjetivos que agora foram atribuídos por mim.
Pode ser desanimada e fraca, calma, dócil e frouxa. Alongada bem como no lirismo do trompete de Chet, num sopro leve e contínuo, quase mortiça. Parece não dizer nada, mas diz tudo. São as chamadas frases musicais. Título bastante conveniente para essa expressão sonora.
Ainda assim seguimos relutantes em aceitar a seiva suave dos sons, esses e outros.
Aliterações. Repetições. Arranjos, acordes, arpejos, bemóis, sustenidos. Ocultações melódicas, organizações poliritmicas, representações harmônicas, pantonalidades múltiplas. Sétimas diminutas oitavadas, nonas, oitavas duplas... Polifonia sinfônica, releituras.
À música é dada uma quantidade aparentemente infinita de termos classificatórios que ela própria desconhece. Um Lá não sabe que é chamado de Lá. Assim como o Dó, Ré, Mi... tal como tudo, toda nomenclatura, todo discurso exotérico ou esotérico.
“O homem é o único animal que se preocupa em nomear”.

Alice conversa com o Gato do País das Maravilhas (no País das Maravilhas os animais, eles falam, diga-se de passagem, o que transgride a realidade e entorpece nosso imaginário) sobre sua gatinha Dinah. Ela indaga “gostaria de saber se quando minha gata ronrona ela quer dizer não, ou se quando ela mia ela quer dizer sim, ou não”. Sabem o que o Gato responde?
Ele dá de ombros, deixando a entender que os animais não se ocupam em dar título aos ruídos que emitem. Novamente, “o homem é o único animal que se preocupa em nomear”.
A música causa sensações indescritíveis. Apavorante, espantosa, admirável, esplêndida. Pode aterrorizar e causar pavor, náusea, pânico...

Für Elise de Beethoven ficou associada ao caminhão do gás passando na rua, anunciando sua presença de forma bem sóbria, nada explosiva.
Imaginem se fosse associado à nona sinfonia.

Para Mikhail Bakhtin, um pensador que se voltou contra o formalismo russo, (escolástica vigente na época que tencionava estudar tão somente a língua escrita, deixando à parte a oralidade, o discurso coloquial.) o confinamento na Sibéria em uma solitária, onde recebia comida e água e não teve contato visual com nada e ninguém, gerou frutos que comemos com gosto ainda hoje.

O som de um vidro quebrando, no mapa visual de quem enxerga e sabe a forma de um vidro, indica que o acidente ocorreu.
o som de um vidro quebrando, no mapa visual de um cego por natureza forma a imagem cerebral de um legi-signo simbólico, que não indica, mas, no momento em que ocorre, é em si a interpretação de tal acontecimento.

Assim, as aves quando anuncia o dia chegando; a chaleira quando apita avisando; o cheiro de algo que causa estranheza e sobressalto e nos tira do andamento habitual dos fatos; o frio da noite que se avizinha...
Todos são signos genuínos em sua completude.
o que podemos “imaginar” ou sentir
são ícones, índices e símbolos legítimos quando deixamos de raciocinar com palavras e nos entregamos humildemente ao fato de que somos animais simbólicos, simbolistas. Entramos em contato com signos genuínos (interpretante final) ainda que breve, apenas roçamos pelo devido de tempo, necessário para gerar um ato reflexo. Penetramos nas obscuridades do instinto pelo devido milésimo (ou milionésimo) de segundo suficiente pra salvar nossas vidas, ou não.
Quando deixamos de ser glosadores verbi-voco-visuais de tudo que nos cerca, deixando a parte a capacidade de organizar os signos linguais que nos afere a capacidade de organizar o pensamento, entrou em contato com a neurolinguística que salvou nossa espécie, (no período quaternário, quando o homo sapiens passa a existir sobre a gleba terrestre, andando sobre duas pernas).

Quanta novidade nesse bipedismo!

Vocalizações ainda eram de suma importância. Como saber o momento de caçar? A fome, que só é vista através de um índice, estômago doendo, formulava a imagem da caçada naquele cérebro primitivo.
Com isso saíamos ato contínuo para as vais de fato, até que a dor fosse domada. Até a invenção de pequenas embarcações, até a invenção da lâmpada...
Assim existimos, fomos, somos, e criamos e seguimos...














mas agora aqui estou eu a conversar com um poeta invisível, um leitor improvável e um Deus morto.
Absorto em meu próprio pensamento...




















As Várias Pontas de Uma Estrela - Caetano Veloso e Milton Nascimento


Estrela de cinco pontas
Cinco estrelas no cruzeiro
Trilhões de estrelas no céu
Três pontas mil corações
E o menino brasileiro
Com os olhos duas contas
Atravessa o imenso véu
De brilhos e escuridões

Que Deus segue esse menino?
Que deuses o seguirão?
Meu verso de sete patas
Notas desta melodia
Quem me ensina essa lição?
Quem me explica esse destino?

Que grito dentro das matas

Agora responderia?


Não sei, mas ando com ele
Às vezes voamos juntos
Pedras superpreciosas
De aves nas alturas tontas
Tocamos vários assuntos
Às vezes roço-lhe a pele
E somos estrelas rosas
Três, quatro, cinco mil pontas

Pontas, pontas, pontas







thomaz tranquilo, Thomé

Não enlouqueça antes da chegada do inverno, quando o sol se ergue sobre o galo, quando a passarada sai cantando, quando as folhas velhas secas caem, quando o dia se retrai entre tinieblas… não deixe de ver toda odiosa oscuridad de las negruras.
Não perca a
chance de estar frente à frente às tenebrosidades, incertitudes, confusões astrais,   negruras, lúgubres apresentações macabras,tomates verdes podres, porcos  parcos pircos, as vírgulas faltosas, os pontos perdidos, os pingos do infinito, os gritos abafados abofados que não foram ouvidos, penumbra,o preto pé do pai de pedro, o baba do nefasto, a fiesta dos rebuznados,  a lei do celestial,  o vicio da palabra esbranquiçada, a sobra que a sombra  assombra, reflexo do nada em si ensimesmado em si mesmo juntos reunidos, criancinhas que fumam cigarro e guardam cinza para por no cachimbo, a cinza é o signo da pedra, uma trouxa de roupa amontoada, um trouxa em busca o que não perdeu, varios trouxas, vários olhares pro nada a procura de tudo, raros não raros ratos cachorros gatos cobras lagartos arranhas e baratas, racumim! espalmado pelo chão, (cuidado para não pensar que é ração) a embriaguez dos palhaços da madruga, as velhas que usam droga, os aturdidos falso cognatos, absurdez polifônica, as mãos mais sujas do mundo, as camas de mola(-ex) onde dorme todo mundo junto, a janta o janto, o rimo sem flex-ou-flux, um blues doído que rui, uma habitação fanta-sem gás, um maço de san marino vazio e ate isso deixado em pedaço, humanísticos mc’s do brocado, o céu sem luar e sem certaza sem sertão sem rumo sem-tido, sem tem tido sem tem sido sem tem siado, avião de ser esquecidos, a bengala Allá Sara, cobra o cheque dos desvalidos, a carne de frango.
Tudo bem temperadinho.
Se você si sentir, certamente
vocêestá vivo…
                                out Of
           
out
of la ofuscación de las noches de verão.
Out of la corte del
cortiço

no
Iraque no Irã ou Barcelona,
no sul do chile, no xis da chula, ou em Pamplona
no mato grosso,
sem grass
sem

seu filho seu pai e seus primo seus tio,

nada(s)
que você possa
fazer por ésso
isso
ou por éles

nada
que não começe com ême
mer-gos-bos, a vida toda ou
às (f)vezes

todos levar do cao o mundo insano
de(f)verão no in(f)verno
lembrar o gosto disso




quinta-feira, junho 27, 2013

re-make



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quarta-feira, março 21, 2012


Hi-kalimba
Hi-kibe

não há representatividade
na reprodutibilidade 


não sei conta de matemática
procuro palavra que caiba



meu vazio de xamã








Já não há nada aqui além de lálá. Nada além de mim, ao seu lado assim, já não consigo dormir. Seu coração palpita de empolgação quando discorre sobre o tema, e reinventa a pólvora no momento mágico. E enche o quarto quando chega, erótica.

Silêncio polifônico





Então acontecem cento e uma coisas no espaço de um ano e depois, quando eu fico bem, todos voltam a conversar comigo naturalmente. A maior naturalidade do mundo não seria capaz de reverter o desprezo. A coisa acontece de dentro para fora. Organismo como objeto da desconstrução. Construção da coisa inorgânica dos seres inanimados. Ainda hoje acho difícil assistir a isso. A ideia e o pensamento como construção de imagens. Signos que possuem forma material estruturada. Assim palavra como composição de signos linguísticos comuns ao próprio de determinada cultura. A primeira tecnologia - a invenção o alfabeto grego, a organização dos símbolos linguais - mudou a forma de captar informação. O ensino era peripatético – o mestre andava de lá pra cá, onde era seguido pelos seus discípulos.


Tanto interior quanto caótico...

terça-feira, março 20, 2012


Als der Blume



Ontem dormi pensando em nós doisPensando no deserto que há em mim




A vida parece uma rosaO dia ...quando a flor

segunda-feira, março 19, 2012


kabuki



menino que brinca com fogo


tem medo de água fria




Os pássaros voltam de onde eu nunca fui


à noite,


meu fogo interior




acorda,


menino-passarinho




segunda-feira, novembro 14, 2011


Bonito, meu bem, mas inútil.




Funny, dear, but useless...Para aproveitar a fala do Amir Klink (apesar de não gostar muito dele, de damno proprio quisque dolere scit “cada um sente seu mal”) que diz que não sente e nem nunca sentiu depressão na cidade, ou seja, no meio urbano. É assim que eu me sinto. Descolocado, deslocado, desapropriado ao que seja propício e formal ou informal, tristeza profunda e saúde psicológica abalada. Mas quando estou nas “minhas terras”, na cumeeira das serras e nos vales, nunca me sinto só, desadequado, impróprio, desapropriado à minha própria saúde, concentrado em mim mesmo. Passei por esses vales durante nove dias completos e oito noites. Caminhando, sozinho, dormindo, fazendo fogueira, olhando pro céu das estrelas, com ou sem estrelas, com ou sem lua. Provei a mim mesmo quem eu era, quem eu sou, e a matéria-prima da qual eu sou feito, e a matéria espriritual que é a minha figura. Depois disso então, desse contato tão próximo, dessa catarse, desse mergulho, mente vertical, não me mais importa- o julgo de ninguém. Nessa disputa acirrada por descobrir a si mesmos. No deserto pós-moderno da Vilarinho. Afinal, injuriarum remedium est oblivi, “a maior vingança é o desprezo”.

domingo, novembro 06, 2011


Ou isso/ou aquilo


B diz que em uma coisa concorda com A: se você é poeta, é muito provável que seja miserável, porque “a existência de poeta por si fica na obscuridade que resulta em não se levar ao fim o desespero, em ter a alma sempre tremendo em desespero e em o espírito não ser capaz e em o espírito não ser capaz de ganhar tal transparência verdadeira.”Sǿren Kierkegaard em Ou isso/ou aquilo – segunda parte.


A primeira parte consiste em escritos de A – rabiscos, ensaios como “O homem mais infeliz”, em um diário íntimo chamado “O diário de um sedutor”, que se diz editado por A, mas escrito por alguém chamado Johannes. A segunda parte de Ou isso/ou aquilo consiste de cartas longas de B para A, atacando a filosofia de vida de A e aconselhando-o a deixar a melancolia de lado e tomar uma atitude. B parece ser um advogado ou juiz, casado e feliz. É um cara meio pedante, na verdade, mas um pedante astuto. A parte citada sobre a infinidade da melancolia vem da segunda carta, intitulada “O equilíbrio entre a estética e o ético mo desenvolvimento da personalidade”, mas a essência do livro é a sua oposição da estética e do ético. B não tem duvidas de que a vida ética é superior à estética. Ler Kierkegaard é como voar no meio de uma nuvem pesada. De vez em quando há uma brecha e você tem uma visão clara e brilhante do chão, mas então volta ao cinza da névoa de novo e sequer ter uma idéia de onde está.Kierkegaard, Sǿren. Filósofo dinamarquês, 1813-1855. Era filho de um comerciante bem de vida e herdou uma fortuna considerável de seu pai. Gastou-a estudando filosofia e religião. Ficou noivo de uma moça chamada Regine, mas terminou o casamento porque decidiu que não era feito para o casamento. Adquiriu uma formação para o sacerdócio mas nunca se ordenou e, no fim de sua vida, escreveu ensaios polêmicos contra o cristianismo convencional. Sem contar com duas estadas em Berlim, nunca saiu de Copenhague. Sua vida parece tão morosa quanto foi curta.

sexta-feira, novembro 04, 2011


Práticas antigas




Essas núpcias de fogo entre o céu e o momento da morte. Esse medo, essa presença, esse alguém. Esse alguém em nós e a capacidade de viver. A vida me faz querer seguir. Seguir para as frentes. Como lidar com a imagem de si mesmo? Existimos dentro de nossa cabeça, e eventualmente, fora dela. Como enterrar nossos mortos? Viveremos para sempre. Somos eternos.

terça-feira, novembro 01, 2011


Teresópolis on-line


Pessoas normais fazem coisas indizíveis. Coisas sobre os nossos olhos, inenarráveis, absurdas. Dignas de uma disputa de fim de batalha, sem conversa, sem credo, sem, nada. Com devido insucesso com que caí nessa cilada. Auxiliado por versos de tempo longo e digno de reflexão. Mas quem me dera. Quem me dera todo o fôlego da razão por si só. Da necessidade em si de ser, ao invés de estar à deriva em mil platôs. Navegando mil realidades... náufragos insucessos, polemizando livros perdidos praquelas putinhas do além. Livros que eu nunca mais voltei ver. Fogem de mim como crianças. Mo as darei uma palmada. Umas palmas na bunda dessas pequenas, pra que não ousem mais roubarem livros de um poeta furtivo. E suas nádegas coçam de vermelhidão. Nunca mais tive meu Spinoza de volta. Volume raro. Eu vo-lo daria se eu pudesse, mas nem era meu...

A stranhez do Tempo já não me causa spam





A morte do pai do meu amigo talvez tenha me transformado mais do que a ele. Transformado não sei se é apalavra certa... Hoje eu acordei com a sensação de que tudo está certo. Tudo acontece no momento certo, na hora certa, no lugar certo. Certo como? Não sei dizer. Uma força cósmica que alguns tomam por Deus e que alguns poetas dão o nome de esperança. Um brilho nos olhos. Mas um brilho bem lá no fundo, opaco, quase se apagando, torna a iluminar, torna a dar sentido, rumo, direcionamento. Sei lá. As coisas são como são, mas de uma maneira estranha. Nada se sabe, nada de pode ver antes que aconteça. De fato, somos o passado de um presente quântico. É mesmo? Y hasta cuandocompañeroChe Guevara?

domingo, outubro 30, 2011


Tanto faz



Eu me tornei menos importante do que isso. O meu ato de criação te dá tesão? Dedilhando o teclado como quem não apóia o verbo na frase, e que assim propõe que os meios não tenham as mesmas finalidades, mas que tenham princípios. Princípios exalam o aroma de um doce começo ainda desconhecido. Qualquer ato faz-se a seu tempo e não fora dele, porque eu me tornei menos importante do que isso. Tanto faz.

quinta-feira, outubro 27, 2011


Sigo

Talvez eu diga “eu te amo”
Talvez não

Talvez eu siga o caminho
Talvez eu mesmo seja O
... caminho

Levo tudo na bagagem
amor, ódio,
esperança...

segunda-feira, outubro 24, 2011

domingo, outubro 23, 2011


Hai-kaio




Na verdade, eu queria dizer que...
Eu queria dizer que...
Eu queria dizer...
que...
eu queria dizer...
mas...
é isso aí...

sexta-feira, outubro 21, 2011











Nunca me considerei uma pessoa religiosa. Acredito em Deus, suponho. Quero dizer, acredito que existe Algo (ou Alguém) além do horizonte da nossa compreensão, que explica, ou deveria explicar, “por que estamos aqui?” e “qual o sentido disso tudo?”. Creio que sobrevivemos para saber a resposta dessas perguntas, simplesmente porque seria intolerável pensar que nunca saberemos, que a nossa consciência se apaga com a morte como uma lâmpada quando queima. Não é uma razão enorme para acreditar, mas é isso aí. Respeito Jesus como um pensador ético, não jogando a primeira pedra e mostrando a outra face e tudo mais. Nunca fiquei com vontade de me tornar católico. Quando criança fui com minha mãe em algumas missas, coisa e tal. Sempre me senti acanhado e constrangido nessas ocasiões, sem saber o que tinha que fazer, se devia sentar ou ficar em pé ou me ajoelhar.










quinta-feira, outubro 20, 2011


meus medos,meus olhos, meus sonhos, meus monstros,

minhas constelações de fogo

Segundas-feiras são flores de janeiro




Segundas-feiras noite adentram meus devaneios.Vou sem receio, mas esqueço as finalidades do meio. Na vacuidão dos pensamentos que se vagueiam, no meio-de-jogo de uma partida de xadrez. Numa segunda-feira, fauna e flora se misturam. Agora, o conteúdo social falido. Agora, um conceito falido. Realidade entre criação. Olho para minhas mãos, como em tempos perdidos qual busquei compreender nuances de minha alma, os fios que compõem esse tecido. A maior sutileza, na hora do jogo, foi poder ver, sentir e traduzir coisas que se perderam no passado. Por entre ruas e becos, bares e lugares, buscando vírgulas, respirando o ar, navegando os mares, tudo dentro desses olhos. Na Longelândia, bem longe. Distante como diamante bruto.