quinta-feira, outubro 31, 2013

__ Hello, mister Josef – disse a Gi, depois de entrarmos na loja.

__ Hello, Frau Hildgert – respondeu o velho, de olhos azul-sem-graça.
__ Frauleine – Fez questão de corrigir – senhorita. – tinha pânico de ser chamada de senhora.
Eu disse que esses judeus não estavam de brincadeira. Percebi porque o senhor foi muito simpático. Até me confundiu com um dos “da turma” – “Shalom! Shalom” – disse olhando pra mim. ‘Shalom, seu Josef’ – às vezes falava português ao deus-dará. Será que pareço judeu? ou foi apenas uma camaradagem fingir que me confundiu? tipo, você parece ser um dos nossos, rapaz, ou, poderia ser um dos nossos... Sou um tipo comum.
Era uma pequena loja na 51 Leste, perto da Park Avenue. Parecia uma loja de fachada, e era. Fomos conduzidos pelo senhor Josef para outro cômodo, iluminado apenas por alguns raios de sol que caíam verticalmente sobre a mesa, através de uma janela de vidro. O senhor Josef sentou-se de costas pra janela e ergueu a mão como dizendo ‘Venham! Venham’. Sentamos diante dele e acendeu-se um abajur. Plic! Pude ver todas as curvas de suas rugas. “Deixe-me vê-los, senhorita Hildgert” – ordenou o velho. Então a Gi abriu a bolsa, pegou um pequeno saco de veludo vermelho e despejou as pedras sobre a mesa, em um pequeno bojo de vidro.
A voz da Gi me pareceu um pouco dissimulada, mas pouco importava minha opinião. Eles queriam mesmo era saber do dinheiro. A palavra enxerga assim enfileirada, tal qual o vil metal da espada. E era por esse vil metal que estávamos ali. Trocando pedras preciosas por money. O velho Josef examinou as pedras uma por uma, cuidadosamente.
Eram 33 no total. “Número cabalístico” – disse Josef Schorsch. E o que isso queria dizer, afinal de contas? Acho que eu era mais desconfiado que eles que sempre respondem uma pergunta com outra pergunta. Fiz o teste.
__“E “o que isso significa senhor Schorsch?” – And what das that means, mister Schorsch?

__ “E por que isso te interessa filho?” – respondeu perguntando. Viu? Estava provada minha teoria. Passou um tempo examinando as pedras, uma por uma. Os raios de luz que vinham da janela, ele deixava trespassar pelas pedras, como um sábio ilusionista. Seus olhos me pareceram de uma obscuridade sinistra.
__ “Pois não senhor Schorsch” a Gi tomou a palavra depois alguns minutos de silêncio. “... assim que o dinheiro estiver na minha conta os diamantes serão seus.” – disse como se fosse mulher de gangster italiano sem Família, e mostrou o celular.
Okay, miss Hildgert. Vamos transferir o dinheiro” - então chamou por alguém, em hebraico. Logo apareceu uma mulher que parecia um feixe de ossos. Conversaram tão rápido que só podemos entender o ‘Yes... Yes’ e o ‘schnell’ rápido! Então começou a surgir um monte de gente. Primeiro um jovem sarnento, de cabelos loiros encaracolados, que parecia ter uns dezesseis anos no máximo. Conversou com o vovô e também saiu rapidinho. Depois veio um homem mais velho, de camisa branca e suspensório.

Gothan

Silence of a dawn. O silêncio é assim, a televisão falando baixinho, o resvalar das folhas sobre o vento, dois uivos distantes se comunicam, um cachorro que passa latindo, um carro que sobe solitário, luzes que se apagam. A madrugada aporta e eu, como náufrago, sinto-me perdido na ilha do meu quarto, o abajur é fogueira no platô do ego, procurando estrelas no céu nublado. Os helicópteros passam procurando alguma coisa, imagino. Alguém fugindo, mais um crime cometido, mais um bandido, mais uma “noite bandida”. Vejo a máquina aérea que plaina sobre os prédios feito abelha. Alguém se escondeu entre as paredes, as ruelas, o mato, o beco. É hora do homem-morcego.


01h06min

echo flash


Uma coisa que ele sabe está ecoando nas colinas certamente. Se perder como espécie de instante cheirando a sabão. Como referido, na boca superior coloca a cor desejada, o livro e a limonada. Você colocou velas na formiga-espaço. E chamou o cheiro de queimado quando aquecido. Abrange quase toda a casa a perder. Se tornando Echo flash de arrefecimento. Uma e vez outra, meses de quase todo dia ele se vai. Estou queimando os convidados chegam. Eu faço o cheiro, é muito intenso. Asfixiado. Após passar o olho pela minha mente muito infelizmente, naquele momento, um amigo dá vida a um pensamento próprio. Mesmo que às vezes você vem, querida, falta minha alma. Eu tinha um amigo do colégio...
absoluto é o caminho 
certa vez 
eu estava registrado
momentaneamente

tinha alguma leitura
antiga da Suécia
meu rosto ferido de jovem vuruvuca frases tiradas do telhado 
você sabe da minha situação
que a hiperatividade fuck
dispensado do tédio
felizmente tão dizendo
mas por exemplo
ou noite de sono e tédio
algo me diverti e 
me perdi
memória afetiva

Meu caro Joaquim, 
Hoje eu acordei sem o som dos pássaros que tanto me enchem o saco pela manhã. Que sonhava minha alma, vez passada. Ao sul de mim mesmo, fluxo migratório de toda merda. Pesseguinho uma vez me disse que eles acordam porque os filhotes acordam com fome. Então voam pra buscar algum petisco pros pequenos desorientados, que piam sem parar num frenesi manicomial. Depois que a mamãe ou o papai passarinho volta, eles (e eu) voltam a dormir. Sem intenções de despertar para a vida... Sem a emoção dos grandes voos e pretensões escondidas na casaca, ou debaixo da asa. Luz desértica. Tento pintar uma cena da desolação com que escrevo. No Egito antigo acreditavam ser o coração o órgão que “pensava” e não essa especiaria chamada cérebro. Doce zero. Eu precisava de uma flor de mandacaru, mas feel so lonely é tradição - não adianta sofrer por isso. A dura realidade. A vida acontece sem ensaio, sem estreia, sem coquetel de boas vindas sem bodas de neném nem santo roendo a madeira do altar. Os fatos foram me atropelando e deixaram as pernas mais dormentes mais adiante... meu destino espera, me aguarda, tenho fé. O dogma é superar o perigo constante de todas as coisas que eu não concordo. Cada um com a sua moral e falta-me algo imaterial. Anuir ao fato de que pertenço ao mundo é o maior dos dogmas. O que me cerca. Na ponta da sombra morra a luz da minha esperança. Gota de orvalho que caiu noite passada. Sopro da umidade dos mares sobre a euforbiácea. Adaptada às condições severas na origem, singularidades e flores maravilhosas. Eu precisava flor de maracatu. Parece tudo distante. Aos olhos, verso agudo, verso esdrúxulo, verso obtuso. Parece estar ali, lá longe. E essa longuidão não existe. Eu tenho as palavras afiadas num dia de domingo, a prece. 
Desde que mudamos, cruzei uma etapa lenta em passo rápido; em motuo continum. Troquei de pele. Desfiz meu senso de padrão, denão-padrão, e de ausência. Voltei ao início da linha quântica. Refiz meu senso de estética, de ética, repensando a hermenêutica, a prosopopeia hemorrágica e cibernética à luz das estrelas. A não-retórica. Silêncio. Desde que mudamos, esse ângulo mudou de vista. Desde que mudamos, destruí o templo dos meus sonhos e tento entender o que sobrou de mim nesse conto. Lamento, mas derrubo lápides. Após cruzar num pulo essa etapa, aqui estou: re-territorializado. Solidão? Qual tátil sentimento é esse? Qual Romeo, havia alguém em sua vida. Olho pras janelas quando há alguém. Desde o infinito até o vale da noite. Dizer que não se quer fazer juízo de valor sobre qualquer assunto, já é ter algo pra dizer. Presunção de inocência? Prazer em viver. Pela janela olho para o céu. Olho pras janelas. Quando há alguém que também sonda a silhueta alheia no espaço vertical dos prédios, do cérebro. Impressões, cuidado! Volátil, o sentimento aguarda. Arranja de forma impecável toda desordem. Começo a organizar minha mobília mental, minha casa mental. A palavra anda solta por aí: livre como passarinho. E, sinceramente, minha vida vertical se constitui. Gente sempre se adapta a tudo. Quase todo tipo de privação, ríspida e radical, inesperada. Ou lenta e rigorosa, como o tempo. Uma volta rodopio. Uma volta ao ser. Uma volta e meia ao prazer de viver.


Mas nunca fiz canção de amor.
Quando uma vela acende a outra...

Como se encerra algo em si? na falha? no ego?
Qual parte do rabisco te faz seguir adiante? o equilíbrio das massas?
Como quem,
pena na mão,
verifica, profetiza, cria, engole, samba, arremessa, casa e se divorcia da causa, da causística da causalidade cáustica, enfim, Tudo no Todo e o Nada se transforma...

O que há no fundo do ARREPIO?
mater saeva cupidinum




Uma enigmática vitoria crispada de perguntas e problemáticas. Depois de tudo, de dores e males, tais têm a história do grande Self. É tanto uma doença que pode destruir a primeira erupção da força e da vontade de autodeterminação, auto-avaliação, essa vontade de vontade de ser livre e quando a doença se expressa nas tentativas selvagens e extravagantes, é demonstrado na frente de si mesmo, seu domínio sobre as coisas. Vaga cruelmente com uma fome insatisfeita, que captura a emoção perigosa. Deve expiar-se o orgulho destruir o que o atrai. Como o riso mal se volta para o que se encerra escondido, coberto por qualquer modéstia, de ver a aparência das coisas, quando as invertemos. No fundo da minha agitação de vagabundo é como e sem rumo inquieto destino para guiar-me, como em um deserto é a questão de uma curiosidade cada vez mais perigosa. Não é possível subverter todos os valores? Que bom é algo errado? É tudo, em última análise, talvez uma falsa? E se estamos enganados, não é exatamente por isso que somos também enganadores? Será que inevitavelmente também enganam? Esses pensamentos levam cada vez mais longe, cada vez mais perdido. A solidão e uma temível deusa que me envolve e me circunda, sempre ameaçadora, estranguladora, cortante esta terrível deusa cada vez mais envolvente, mais asfixiante, mais opressiva, mais avassaladora, mas quem sabe hoje o que é solidão?

não sou de rima sou de estima esta coisa doce,fértil que nem laranja lima chupada no pé de fruta do pomar... assim aprendo a amar.

Gustavo Perez

responda um quiz.


Descubra os corpos, siga os instintos, veja o que estiver vendo, reúna energia psíquica, acabe com a energia destrutiva. O que está atrás da porta?
O que não é como aparenta ser? O que eu sei no fundo de mim mesma que preferia não saber? Que parte de mim foi morta ou está agonizando? Todas essas perguntas são chaves. E é muito provável que as respostas a essas quatro questões apareçam manchadas de sangue. Sede de calma Vc tem alguma alergia? Evacuou hoje?

Cristina Siqueira
Então começo assim: "esta via vez de nada acumulada... esta viuvez."
-O que esta atrás da porta?


-o medo!... o não enfrentamento com verdades que chegam até a ponta da língua e dai eu mordo...a língua.O amor que neguei por não ter o que oferecer... a preguiça,o desajuste ao que não se ajusta mas me parece que sou eu que não me encaixo.A crítica...ver e fingir que não vê como se fosse tolinha... engolir a pose alheia como se fosse o must ! - o fantasma do fracasso, sensação de desajuste a tudo..sei o que tenho de fazer mas não faço,quero ,quero muito acontecer bem e bacana mas estou sem energia para cumprir o que me pedem...não acredito em planilhas,formatos,prazos,orçamentos mas tenho que me enquadrar senão vou dançar e não escolhi dançar deste jeito .O pote de moedas de ouro esta na minha frente e eu não consigo alcança-lo... entende ?... estou desencaixada,até nos quadris,e não consigo voar porque deixei que me cortassem as asas.

-O que não é como aparenta ser?
a superfície,o tempo,a idade.A liberdade /em luta com o apego /... a mansidão,a submissão,a saúde/a coragem...a palavra às vezes.A beleza e bondade que gostaria que fossem...a beleza é luxo ,é cara ,vaidosa e me corrompe...amo a beleza.O dinheiro é caro e me frustra...sou nobre e não me aceito pobre...isto é amplo...é luxo !Não sou resolvida, estou me resolvendo e ninguém acredita!... o que gosto de fazer não me sustenta ,muitos usufruem e não pagam a conta .
a clareza... sei que estou vivendo mistérios e muito se oculta pois tenho muitas chances que não se desenvolvem e fico confusa...na verdade sei que me empenho,.. e por que não está fluindo, a vida ?... ou esta ?Esta!... sem estrutura...mas não é bem isso também... estou bem cuidada...o que quero mais ?... estou bem abrigada,sempre nos melhores lugares de minha escolha mas estou à deriva... Preciso base. Ufa! segurança ...confiança em mim.Talvez ...
Preciso reacender a paixão... este mormaço me turva os olhos.Uso óculos

-O que eu sei no fundo de mim mesma que preferia não saber?
que a dor me compraz.
que me engano.
que não estou dando conta de me sustentar !
que mudei...
que espero o que não existe
que tenho gula de tudo !.. e, não dou conta de tudo
que não tenho limites e os busco para rompê-los...os limites.
que o mundo não é cor de rosa...
que me traio
que estou só !
-Que parte de mim foi morta ou está agonizando?
o romantismo
o desejo
o ânimo
o amor!
a alegria... estou xoxa !... o riso de verdade,o amor de verdade...cadê ?
onde foi parar...?
Alergia?
sou imune.
Evacuou hoje?
intimo demais...


quarta-feira, outubro 30, 2013

pas plus de douleur
minha criança.Mama is
going to touch you, 

mama is going to give youcarinho. 
Não há mais dor,meu niño... 
não tive ninguém ao meu lado quando me encontrava partido
estava torto
olhava de lado
ululava
o obvio
aflitivo
um olho
pra cada
cisco
um cisca
pra cada
escarro
um pare
pra cada
carro
pra cada
pedra
um
pigarro
fui vil
fui
mau
acostumado
fui
um animal gentil
meio mal
meio gentil
mea culpa
meu adolescer tardio
minhas pernas meu quadril
vitrifiquei meus sinhos
minha tarde de abril
e nuca mais tive
acesso
àquilo que se perdeu....
lágrimas na chuva

fim

para Pedro Lima

Esse é o jargão de Wilson das Neves

Ô sorte!

Esse é o jargão de Wilson das Neves.
Ele me revelou ao pé do ouvido que as pessoas confundem a quem ou a que ele se refere essa tal sorte. “Isso é pra ‘eles’” apontando as estrelas da noite, uma saudação aos tais orixás cubanos.
Ele se referia à plêiade de deus africanos da linha de candomblé da qual ele faz parte. Orixás do sincronismo africano que ganharam outros nomes herdados.
“O sábio olha pra lua” eu disse, “o too olha pro dedo”.
Afirmo muitas coisas aqui, dentre elas que Wilson é um homem religioso. Fiel ao seu deus, e crédulo naquilo em que crê.
Ele profere seu ritualístico “Ô Sorte!” olhando pro céu, agradecendo e bendizendo aqueles que o iluminam.

Quando completou meio século de idade, comemorou seu cinquentenário no Clube. [Renascença, no bairro Flamengo.
O Renascença é um clube tradicional de samba onde entrevistamos o Moacyr Cruz, aglutinador de bambas e parceiro de composição de Wilson ele dirigia o clube, nessa temporada.]

Voltando a história vinte anos, o clube já existia, e Wilson comera seus cinquenta anos lá.
Muito animada, uma amiga que com ele gravou diversas canções, a Elza Soares, vai à frente (pois lá não tem palco) e “canta a noite inteira” palavras do próprio Wilson.
Em seguida aparece um jovem que já fazia sucesso, Chico Buarque, e canta em sua homenagem, para agradar a todos.
Então, eis que acontece o inesperado. Às cinco horas da madrugada alguém que não estava entre os convidados vai à frente e desembrulha com sua voz potente de tenor, entre as mais fortes e eloquentes do país “Conceição...! vivia à toa no morro...”
Cauby Peixoto, nada mais nada menos.
Uma voz de transgressor.
Encerramento triunfal.

Então eu reafirmo, senhor Wilson é um homem muito bom.
Ele segue a vida tranquilo, colhendo o beneficio de ter sido espera simplesmente o que será o vir-á-ser.
E eu sinceramente, digo, que ele merecia mais por isso. Merecia ser lembrado como um dos instrumentistas mais geniais do Brasil.
Seu filho prodigo, Alexandre, morreu num desastre carro imprevisto. Mais um vacilo da policia do Rio que, na linha vermelha (avenida que liga a Ilha do Governador ao centro do Rio) mandou-o parar sua caminhonete e ele não conseguiu. Deslizou e capotou duas vezes seguidas. Meus pêsames senhor Wilson, meu amigo, quiséramos não relembrar.
mas eis que o nosso caro Alexandre Segundo cumpriu um grande compromisso nessa viagem ao Rio, em janeiro de 2007, sendo também filho e grande admirador do velho Das Neves, amigo e companheiro, e irmão mais velho quando me faltaram conselhos.
Devo agradecer, Alexandre, por proporcionar a chance de vivermos essa experiência mais do que uma simples pré-produção de algo. O que fazem agora para esse tal documentário, com luzes e maquiagem, é o que fizemos “no peito e na raça”.
Mas vou deixar os agradecimentos pro final, se é que essa história termina.

Lá... bem longe...



Senhor Wilson é um homem muito bom.
Trabalhou vinte anos com a Clara Nunes. Viajou pelo mundo ouvindo ela cantar. Gravou com todos os músicos que eu mencionei dias seguidos e me desafiou a perguntar outros. Tooths Thieleman, Sarah Vaughan, Michel Legrand, Sean Lennon e outros que não constam na wiki, mas que não me lembro, portanto não vou dizer.
Mas fora os que são citados na wiki, ele gravou com Ellis Regina em 1969 ao vivo no Olímpia de Paris. Sei por que vi com meus próprios olhos o nome dele escrito na contracapa do vinil. O homem é mesmo uma lenda. Uma lenda viva.
ele era músico de estúdio, ou seja, trabalhava em uma gravadora. Sendo assim, creio que ele, além de aprimorar sua técnica, teve a chance de gravar com instrumentistas e cantores de outros estilos de música.
Foi o que me disse o sambista Arlindo Cruz na porta da quadra da Império Serrano o dia que fomos visitar a escola. “O senhor Wilson levou o samba para outros estilos. Nos devemos isso a ele. Ele tem mérito por isso. Nós agradecemos, nós do samba de raiz.” ele disse. Me lembro bem daquele baixinho barrigudo, que em 2007 ainda nem era global, falando pra mim essas palavras mais ou menos assim, como eu citei.
Ele tem razão. Em 1986 quem organizou a bateria da escola de samba que iria vencer o carnaval foi nada mais nada menos que o cara, próprio Wilson. A Império ganhou com o samba que até hoje é sinônimo de samba-enredo e não nos sai da cabeça quando toca (tome um bom fôlego)“Bumbum Paticumbum Prugurundu”. Ele é foda. Organizou uma galera enorme de gente tocando diferentes instrumentos percussivos, e a escola ainda foi campeã.


Nesse dia o pegamos na saída do Canecão e fomos até a quadra da Império Serrano vermos o quanto ele é bem recebido pelos bambas de sapatinho branco que o vem cumprimentar respeitosamente como velho companheiro da escola. Ele é componente da velha guarda da escola, o que remonta aos tempos idos...



Lá... bem longe... Quando ele era um menino. Quando o pai dele colocava caixotes de madeira pra eles verem o desfile. Quando se desfilava o carnaval do Rio em outras avenidas, por volta 1950... quando as primeiras escolas surgiam... e a mãe do senhor Wilson fazia questão de torcer pra Império. E eles nem eram do morro onde ela surgiu. O pai paraibano e a mãe carioca. Bela troca.



terça-feira, outubro 29, 2013

Orquestra Imperial e coisa e Talma!



E foi assim que começou nossa incansável incursão pelo Rio. Segundas, terças , e quartas interrogando o senhor Wilson das Neves , a quem apelidei de honorável homem das Neves, e quintas, sextas e sábados correndo atrás de depoimentos de compositores que são parceiros em suas músicas, e por todo canto do Rio.
Numa dessas empreitadas fomos parar no alto Leblon. Casa de Jorge Mautner.
Antes devo contar como foi o show da Orquestra Imperial.
Chegamos à Lapa mais ou menos ao cair da tarde. Ronaldo a essa altura, era nosso guia oficial. Estacionamos o carro em local seguro. A lapa é um burburinho de dar arrepios, mas arrepios bons, frissons de noiva em dia de casamento. Logo chegamos ao Circo Voador.
O nome de Wilson sempre nos foi nossa credencial mais eficaz, portanto, portanto a parafernália de filmagem e áudio, logo entramos. O show ainda demoraria a começar.o que fazer até lá?
O pré-carnaval da orquestra Imperial começou com a turma de moreno Veloso e Seu Jorge, que com seu Vozeirão bem afinado e Moreno com seu acordes, fizeram uma festa só pros amigos. Primeiro ano. segundo..., a notícia se espalhou na roda de moreno, um bumbo, um cavaco, um baixo, uma guitarra, uma cuíca e um pandeiro, no terceiro ano a festa se institucionalizou e já não era mais fechada ao público.
Seu Jorge teve que sair de cena, assim como Moreno, filho do Caetano.
Começaram a chamar então outros bambas como Mautner e senhor Wilson, que nesse espetáculo arrebenta um chique-chique cubano. A bateria fica a cargo de Domenico (Domenico Lancelotti). 
fato é que, como um grupo de jovens une o velho ao novo? qual é? “colé”? Fomos ao camarim perguntar de qual era.
A primeira coisa que avisto é Talma de Oliveira. Nunca tinha visto uma mulher tão alta na minha vida. Um salto alto e uma fantasia de sair na avenida. “como vai, minha querida?” cumprimentei “tudo bem, eu vou bem, muito bem e você?” redarguiu destemida. Meu deus! É a Talma! Se segura malandro! Faz a sua entrevista! Quando eu aperto o REC aquela ela muda de figura. “Talma, o que o senhor Wilson representa na sua vida?” primeira perguntinha da minha pauta. “Bem,”  emposta a voz, cresce mais uns três centímetros e lá vem! Uau “eu, quando quis gravar eu primeiro disco” (e eu nem sabia que ela tinha disco gravado “fiz questão de convidar o senhor Wilson pra participar de todas as faixas. Ele só veio enobrecer nossa...” Queridos leitores, a moça não pode sentir um “gravando!” que transforma completamente a  corporatura. Nota-se a olhos vistos. é impressionante! Pra não esgarçar-se a cadência rítmica, já o tal Rodrigo Amarante: “oi querido amigo, o que o senhor Wilson representa pra ti em nossa musica popular brasileira?” pergunto eu. “eu não sei muito de música popular brasileira” ele responde. “é tudo que tu tens a dizer?(...)(?!)(mas...)(?)” quase digo uma palavra feia. Juro por Deus que me arrependo em não ter dito ao pé do ouvido. Conversa vai conversa vem, apaga o baseado, the show must go on! Led Zeppelin em ritmo de samba enredo. E Robert Plant teria adorado. 

quiz with koz

·      

 hi Kozy,
Today I want to do a quick one quiz with you, can we? you'll see.

1.
God.
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Kozeta Filipi
If I believe in God ??
       
03:10
Gustavo Perez
...yes. What is God for you?
2. Who would you take to a desert island?

Kozeta Filipi
God is all I have
My strength, my life, my salvation, my everything
God is the reason for allowing thing to happen...I may never understand his wisdom but I simply I trust his will
Above all else, guard my heart, for everything & I flow from it

Kozeta Filipi
Desert Island: that's a good question, love of my life, time passes, memories fade, filling change, people leave but heart never forget. 
The only things I own which are still worth what they have cost me are my travel memories... The mind-pictures of places which I have been hoarding like a happy miser.


Gustavo Perez
What annoys you most in a person?


Kozeta Filipi

I hate when people lies. Big or small lies are lies, for me: I would rather be upset over the truth, than feel betrayed over a lie.... At least I can forgive someone for telling me the truth!!! About selfishness people that's no bothering me, in my opinion: this seems to be the mentally of all selfish people & most people are very selfish because they've never had to live outside of they confront zone.


segunda-feira, outubro 28, 2013

Império das Neves


Segundo dia. Alexandre me acorda cedo pelo telefone. Eu sou surpreendido pelo café da manhã duplo que recebo. Supostamente estaria acompanhado. Como o meu bocado e o da minha parceira invisível.
É bom me ver no espelho quando deito e olho para o teto. 
Desenhei a logomarca do Bariloche no meu caderno de notas, um boneco de neve, quase um oximoro semiótico, visto que no Rio de Janeiro o calor é sempre extenuante. O ar condicionado permanece ligado... a movimentação dos camareiros dá um ar de cotidiano nessa terça feira que se desenrola.
Bem, banho, pauta, pasta e lá vamos nós.
“Senhor Wilson, cá estamos nós mais uma vez”. Dessa vez estávamos munidos de quartoze fitas cassete compradas em uma loja no bairro da Tijuca e pilha alcalina reserva.
Nada podia dar errado.

[... triste detalhe: acabo de saber através do Alexandre Segundo, via Facebook, que há um camarada, habitante da região sul do Brasil, escrevendo a biografia oficial do Wilson das Neves. E que quatorze fitas se perderam.
Desincentivo?
Não para o meu fôlego pulsante.
Que essa então seja a biografia não oficial.
leiam!...]


Cheguei bem mais animado. Eu já conhecia o caminho a ser percorrido pela linha vermelha. Ao entrar na ilha, já sabia onde se localizava a residência de Wilson. Ao entrar na casa, já sabia as escadas que subiríamos até o terraço. Já imaginava a vista e o quadrante do sol, uma visão opaca de floresta ao fundo à esquerda e o mar a se perder no horizonte. Se a memória não me roubou nada.
só não sabia, de fato o que iria ouvir.
O sol comanda as ações. Antes que eu percebesse já estávamos abrindo latas e cervejas novamente. O que depois pude verificar ser uma coisa que foi incorporada à cultura.
O sol e o litoral. O sol e a margem...
A atitude litorânea impele para as frentes.
Faz com que as pessoas sejam obrigadas a mostrarem seus corpos e suas mentes.
Suas cabeças pensantes, seu senso de autopreservação e seu discurso de inefabilidade são repassados em brasa quente pelo inevitável calor de verão.


Manaus, 384, Santa Tereza

"Foi na Lapinha, foi, Maria nasceu
Vestida branco, oh, ela apareceu"







Espaço Comum Luiz Estrela integra a rota do Cortejo e os Cantos da Missa Conga, reforçando a ideia de que as mais diversas formas de cultura são bem vindas por aqui. Um altar para os santos foi colocado enfrente ao lugar, sendo adornado pelos cantos de louvores, danças e instrumentos. 





Fotos e texto retirados do mural da Flávia Mafra. Uma força pro movimento, Flávia.

Curta com Novais

Há pouco menos de um mês eu fazia a minha ronda randômica pelo espaço cibernético quando ao puxar assunto com um velho amigo, Léo Pyrata, me veio a cabo através dele que um membro da equipe de diretores do Estado de Sítio, André Novais, estava em Estocolmo representando seu filme pouco mais de um mês.
Pouco Mais de Um Mês recebeu em Cannes, um dos mais proeminentes festivais do cinema mundial, a Menção Honrosa de melhor filme estrangeiro na categoria curta-metragem. E, em virtude disso, lá estava André Novais de Oliveira, residente de Contagem, a representar seu filme “Pouco mais de um mês” convivendo com outros diretores do mundo inteiro.

o meu papo com o Léo Pyrata, minha fonte, foi mais ou menos assim...
Leo Pyrata
Acho que o pouco mais de um mês foi feito com 7d.

Gustavo Perez

A produção é grande?


Léo Pyrata

Ele fez um longa recentemente com os pais dele atuando
usando uma red.


Sim...
Ele é um dos cineastas mais interessantes do cinema brasileiro atualmente
Seria o máximo
Adiciona ele e manda uma mensagem que ele é superbacana.
Você pode me ajudar, Léo?
sim eu dou um toque pra ele.
ótimo
acho que é bom pegar esse timing
valeu pela dica, Léo
vou pegar sim
Ele é um dos diretores do estado de sitio também. Digo isso porque vou gravar meu longa ainda, mais pro final do ano que vem, e to num momento sem muita coisa pra falar e filme meu pra divulgar... e o André tá num momento foda com esse curta novo dele.
Claro, direto de Estocolmo seria ótimo.  
E esse longa já filmado que provavelmente sai antes deu filmar o meu ganhou menção honrosa em Cannes.
Como chama?
Tá na pagina dele, o Pouco mais de um mês, que ele filmou e atuou junto com a namorada.
como faz pra eu ter acesso a mais coisas dele?
tem esse curta dele sensacional também que passou num monte de lugar,
Fantasmas (Ghosts) (Dir: André Novais Oliveira, 11min, 2010, MG, Brasil)-English Subtitles
www.youtube.com
www.filmesdeplastico.com.br/
www.facebook.com/filmesdeplastico
ele tem entrado noface?
Sim, ele entra muito
TRAILER POUCO MAIS DE UM MÊS - FILMES DE PLÁSTICO - 2013
vimeo.com
E os horários você sabe, Léo?
Durante o dia e de noite também. Ele tava online mais cedo...
e lá vou eu procurar o André. Sem saber que horas são em Estocolmo. Na verdade, sem saber, de fato como se escreve e onde fica. Se é Estolcomo ou Estocolmo? 



foto divulgação

Parte dessa entrevista foi realizada quando o diretor André Novais encontrava-se em Estocolmo  E eu não podia deixar de perguntar a respeito das bebidinhas locais. depois peguei o embalo da premiação da


Janela Internacional de Cinema do Recife

Confira nossa conversa:


Gustavo Perez
Eu assisti seu filme na internet. Desculpa pensar que Estocolmo fica na Noruega. Eu que me perco nesses países nórdicos... mas diga, você está em Estocolmo por conta do Pouco mais de um mês e filme está sendo exibido no festival. Como você buscou as locações para filmar o seu filme?


“grande parte das pessoas de fora espera por filmes que falem da violência nas favelas”


AN
...tranquilo... eu fiquei sabendo que Estocolmo era aqui só depois que compraram as passagens. As locações dos filmes geralmente são perto da minha casa, no caso do fantasmas foi isso. No caso do Pouco mais de um mês foi na casa da minha namorada
A exibição no youtube. E você assistiu na internet? Pô, que massa, cara.

GP
assistente de direção?

AN
No estado de sítio eu dirigi com ele e mais seis caras. 
No Fantasmas houve diretor de fotografia, diretor de produção, assistentes de produção e eu dirigi, escrevi e captei o som.

GP
Como funciona essa maquinaria? Você filmou com qual câmera?

AN
Filmamos com a hv30.

GP
Quanto à captação do áudio e adequação técnica?

AN
A captação foi com um microfone ligado direto na câmera. A filmes de plástico não tem atores. A gente atua nos filmes, mas não somos atores profissionais... A Filmes de Plástico é composta de três diretores e um produtor.
GP
Ele que foi pra Cannes, o Pouco mais de um mês?
AN
Não... O filme que foi pra Cannes foi o último que eu dirigi. Chama Pouco mais de um mês.

GP
"Pouco mais de um mês". Faz pouco mais de um mês que você divulgou? Tem cerveja aí?

AN
O filme chama pouco mais de um mês. Tem muita cerveja diferente aqui, muita cerveja artesanal.

GP
André, o cinema brasileiro parece ser um dos mais interessantes do mundo.
Hoje, a produção de filmes e diversidade de temas, maneiras de abordagem, entre documentário, híbridos e ficcionais, marca presença em festivais proeminentes como aconteceu com Pouco Mais de Um Mês em Cannes. Como você avalia a recepção dos filmes brasileiros no exterior para plateias que não conhecem o Brasil? Como eles percebem o Brasil?

Os filmes brasileiros tem uma boa participação nos festivais internacionais. A diversidade de filmes do Brasil no exterior é muito grande, diversidade de temas, estilos, localizações geográficas etc.

AM
Dá pra perceber que grande parte das pessoas de fora espera por filmes que falem da violência nas favelas, da pobreza, muito em decorrência de filmes que conseguiram chegar ao circuito comercial e que tiveram grande sucesso por lá, como, por exemplo, Tropa de Elite e Cidade de Deus.
Mas também existe um grande respeito pelo cinema brasileiro enquanto produção de ótimos filmes, independente de seu tema e estilo.

GP
Você, com sua grande criatividade mostrou que é viável unir qualidade e imaginação aos filmes que são produzidos no Brasil, com baixo custo de manufatura dos processos necessários ao cinema, captação de som, como você me disse, passando pela ilha de edição, até chegarem à divulgação e atingirem o público. Você acha que esse caminho está mais curto nos dias atuais? O que você me diz disso?

AM
Os novos recursos digitais ajudam no processo da produção. Novas câmeras, em sua maioria, mais baratas, captadores de áudio, ilhas de edição etc. Mas o caminho é ainda difícil. Precisamos de mais financiamento para produzir. A produção de curtas cresceu muito no Brasil nos últimos anos, e há uma dificuldade de se conseguir espaço nos festivais.
Algo que ajudou muito no processo e encurtou a distância dos filmes com o público é a internet. A facilidade de se colocar um filme no vimeo ou youtube ajuda muito.
Fora as redes sociais que podem ajudar a divulgar o trabalho.