quarta-feira, abril 16, 2014

the missing God

Because in the end, you won’t remember the time you spent working in the office or mowing your lawn. Climb that goddamn mountain. Jack Kerouac

Sobrevim o dia anterior me lamentando. 
Esperando que a noite surgisse. 
Estava cansado e triste.
As coisas espalhadas pelo chão, não havia quem visse... não houve quem viesse, claro, além do sol em diagonal. Abrasador. Relutava em curvar-se no horizonte, deitar-se na imensidão.
Esse dia foi hostil, do início ao fim. Um longo dia.
O calor tingiu minha pele, -eu corpo, meus olhos. A luminosidade intensa e constante.
Os próprios da pele haviam de ser abandonados, assim como os ócios do pensamento. adágio, piano, ora presto e fogoso. As minhas retinas que captavam a paisagem que se deflagra lá do alto olhavam somente para o chão, o caminho a seguir, a trilha, a senda.
Acendo a fogueira.
Minhas pálpebras desciam como pousam os pára-quedistas e subiam feito uma lenta revoada de pombos.
A noite adiava sua chegada, e passei a sentir a Sua presença. Eu, no ziguezaguear sonífero de cobra lambendo a lenha da fogueira, crepitando chamas e fagulhas de madeira, quis inventar seu divino apotegma. Eu era a própria natureza.
Um anexim sórdido, complexo, perfeito.
Diante solitário do deserto das idéias, onde vagueiam soi-disant, adentrei sem perceber os labirintos do cérebro.
A passos lentos eu andava dentro de mim mesmo. A esmo, soturno, solitário e despretensiosamente, caminhava nesses pensamentos em busca de alguma porta, talvez inexistente.
Foi quando tornei meus olhos pra direita e, ao fundo de um desses longos corredores, havia uma porta entreaberta. À meia luz então conceber que era a Vós quem via. E atrás dessa porta que jamais sonhei existir, imaginei Vosso aspecto, salvo de quem Vos atribui a forma humana.
Eras apenas uma luz. Suave, difusa e branda. Era uma silenciosa epifania. Deus, entendi que eu era Você aquele dia.
Que eu e Você éramos Eu

... e todo o universo.

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