terça-feira, maio 20, 2014

Criação

Bem, quem disse que os artistas não trabalham? Quem disse que os artistas têm somente vagas inspirações? Enquanto os trabalhadores vivem o pragmatismo diário, de horários de descanso, e para as refeições. A “hora do almoço” é uma criação recente, pensada pelos ingleses que fizeram a Revolução Industrial. Alimentar homens e máquinas determinava essa necessária condição. Em outros tempos, grupos de criação, os chamados coletivos, se reuniam nos porões escondidos da soberana lei de czares russos e assim criaram a Modernidade. Óssip Mandestalm, Dostoievski, Gogol, Tchékov e Tólstoi foram figuras fundamentais para que outra revolução se tornasse realidade – a revolução do pensamento.
A divagação faz parte da formação da ideia, do ideação, da concepção, da imaginação, do diagrama e desenho. No momento seguinte, não fundamentalmente logo depois de ser concebida ela acontece (o vir a ser) no plano de imanência como artifício básico do imaginário. A ideia-objeto encontra-se em um lugar distante da Razão, habita à imagem de elusivos deletérios, esconde-se a sombra de diletantismos próprios, e mostra-se à luz de cômodos venenos que nos embriagam.
Deleuze reafirma, com certa propriedade, que a ideia de ideia(Bakhtin) surge por meio daquilo que o sujeito já viveu, experimentou, viu, ouviu, ou teve acesso. No entanto, creio que a entusiasmo criador pode surgir de algum distúrbio inusitado, algo que foge ao pessoal e coletivo, uma histeria ígnea que dimana em eflúvios talvez não-simbólicos e indivisíveis, que acinte (ou não, no caso da loucura) fulminante e desprovida de moralidade comum, como ato criação.
O sujeito então funciona como vetor desse objeto-ideia, como ferramenta. Não como origem. Apesar de ser o imo criativo-criador da ideia-objeto, o sujeito subjetivo transforma em objeto tátil aquilo que uma vez esteve em seu interior. A objetividade é subjetiva. Ele se vale da matéria da qual dispõe para consolidar o pensamento, a coisa em si (Kant, Der Kategor). Nomeia de forma estrutural, constrói, afere valores e qualidades, determina.O ato de criação passa por etapas que estudos da neurologia empenham-se em descobrir através de estudos epistemológicos, embora ainda não haja alcançado definição capaz concluir um círculo perfeito esperado.
Como avaliar o traço? de onde surgiam as pinceladas de Gogh e Gaugin? Como valorar um matiz de cor, uma queda cromática? Quanto vale um verso rimbaudiano? Jean Cocteau trabalhou durante seus últimos anos em uma obra que permanece inacabada.
A concretização de signos de arte, não se alcançam necessariamente o produto final, obnubiladas por uma série de reveses.

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