segunda-feira, junho 16, 2014

,Copa
sim

o tema continua o mesmo


Ontem foi
sábado, o dia da criação. O dia em Deus, para não ficar com suas vastas mãos abanando resolveu criar o universo.
Bem, todo domingo eu escrevo o editorial da semana. Aquilo que vamos abordar, temas principais, pessoas legais, música, percepções do mundo, mensagens em órbita enviadas por códigos alienígenas, o globo, a Globo, o bairro, o gueto, um planeta, muita treta.
Falo daquilo que me interessa e cada um fala o que pensa. Nunca começo uma oração com porem, mas, entretanto ou todavia ou no entanto. Agrada-me falar em coisas positivas. Escrever sobre exterioridades que vagam no deserto das ideias. Por isso, e também por isso, nunca começo uma sentença com a palavra Não, e quase nunca uso as palavras realidade e verdade pois guardam um significado relativo que não caberia dentro de pessoalidades, universalidades ou generalismos que transportam, convém dizer, a mensagem, apenas para algumas pessoas.
A intenção é prevenir, embora, não obstante, incautos terráqueos encontrem algum fogo subserviente de passionais personalismos deflagrantes tórridos solipsismos ocultos clandestinos.
A prolixidade desse preambulo acaba em nada dizer em si. Nada. E o que resta quando sobra o Nada? Estamos indo bem, embora o domingo não queria de ver ninguém bem. É como fim de um ciclo. Circula em volta de si mesmo e torna ao início.
Estamos em plena Copa do Mundo. São apenas sete jogos em busca de um caneco, uma taça, troféu, prêmio. As equipes classificadas para esse campeonato lutam contra o tempo. São apenas trinta dias de evento.
Bem, minha cidade está cheia de colombianos e argentinos. Esse é um texto secreto. Algumas pessoas de países que não se classificaram também vieram acompanhar esse acontecimento esportivo de dimensões globais. Remonta a antiguidade, onde na Grécia – escola de rivais – de uma acirrada competição entre as províncias, surgiram os jogos olímpicos. O vaivém das competições, que data de 776 a.c. tinha fins políticos. O resultado surgia com valor agregado, com o perdão do trocadilho. Saber quem estava mais preparado para a guerra. Representava, enfim, em quais condições socioeconômicas, político, bélicas, sanitárias (etc.) cada uma delas estava. Ganhou tanta repercussão, agitava tanto a galera, que competimos até hoje. Outros jogos, claro.
Porém, já nos tempos modernos, surgiu o futebol. Os ingleses são detentores desse invento. Bem, a Inglaterra que não representa o que os queridos gregos fizeram pela humanidade (advento da democracia, surgimento da filosofia, invenção do primeiro alfabeto) também foi e ainda é um ícone das grandes navegações, e, por céu, mar e terra, o esporte chegou aos quatro cantos da grande esfera que damos o nome de Terra.
Então, caros amigos, eis que me sinto um náufrago desse grande mar, e esse lugar é aqui. O Brasil está sediando a Copa. Sozinho na arena, por assim dizer.
O 'grande mar' é aqui identificado como um símbolo das nações do mundo, o "grande mar" da humanidade em todos os séculos.
O tal episódio chamado “Copa” é aqui em casa, ou logo ali, no Mineirão – segundo maior estádio do país, onde até o papa já desceu de helicóptero e onde shows de rock atraíram a multidão.
Não estamos preparados em todos os quesitos que constituem um ganhador.  A doce impressão que tenho é que estacionamos o carro em local proibido. Uma vaga para portadores de deficiência física, mas, ao voltarmos nos deparamos com um poema gravado em batom em nosso para-brisas. Um emblemático sermão. E vejam que foi justamente um deficiente físico que deu o chute inicial. Não sei como. Tampouco a mídia fez questão de nos esclarecer. O que considero certo absurdo.
Contudo, no fim as contas, os brasileiros apiedam-se dessa efusão de eflúvios e esquecemos que esquecemos da própria seleção. E nos embebedamos por razoes pessoais e choramos e ficamos excitados com fantasias particulares. E por causa de particularidades causais, acordamos na segunda-feira, primeiro dia útil da semana e consequentemente, nos intoxicamos de nos mesmos outra vez.
A partir cadência do samba, ao jazzístico ganzá do improviso, passando pela salsa caribenha e atravessando desertos afetivos e campos gramados, ao chamado de guerra dos tambores africanos, nos deparamos com nos mesmos outra vez. E depois das horas, cruzando a zaga, marcando gols de placa e ovacionando históricas goleadas, voltamos pra casa. A mesma rua, a mesma casa, o mesmo chão. Partir, partir, ir-se embora, se nem sequer saímos afinal.
Não quero mais sair de casa, o mundo é aqui.
Valeu seleção.

Gustavo Perez























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