sexta-feira, julho 11, 2014

Cida, continua, mas

Por enquanto, por encanto ...
“Não é não, pai. É um medo estranho de dormir, sabe?”
Anseios da alma. Eu dizia, mas só os pássaros da manhã, ouvia. Além dos anjos, como agora. Bocca chiuzi, feito a melodia, guardavam amplas claras, alvas e horripilantes, eternas auroras, como agora. sim faltava-me, e faltou-me. o ar que respirava, quando impulsionado pelo frio da memória. Inventava o frio do amanhã. O frio seco e úmido do invento, inverno. O calor da solidão. Inverto. De fato, causa original do fenômeno, como agora, a solidão causa frio e medo. “Não estamos sós” vivem dizendo. Sobretudo com quem estaríamos então? Deus está por nós em nós, em nossos passos desatentos. Deus está conosco. Então, nesse vazio labirinto onde moro, queria que Deus conversasse comigo. Se ela mora dentro, aqui no meu corpo, do que penso, do que faço, do que escrevo, decerto não me entendo cem por cento, nesse tal Existir. Por um certo incerto, verto. Mas não me sinto inseguro, nem ajo errado em ser. Sou eu mesmo minha própria invenção. Brilho disperso e derradeiro que o fátuo fogo encerra. Inventei começos que nunca aconteceram. Inventei meios que não tem fim. Inventei afim de vive-los, vê-los. Faze-los acontecer, enfim. Uma ideia que está no lugar de outra ideia, o pensamento. Nem que estivessem só em mim. E ali ficassem também. Estivessem, fossem, constituíssem, significassem. Em que consiste viver? Olha que eu já li O Ser e o Nada e acho que entendi. Já lhe disse que minha epifania é “quão? ”, o oposto da epifania de Hamlet “ser ou não ser? ”.  E não “como? “, “quando? “, “onde? ” ou “por quê?”. Com quando tenho fome. Ando quando é necessário. Vivo porque é necessário viver.
Que ânsia distante perto chora?
não há afeto, nem alma, nem caixinha de Pandora.
Escrever é o desespero com que tento balbuciar alguma coisa indizível. O QUE SENTIA? nos dias não vividos que passei sozinho? Noites eternas e madrugada sem fim.
Devia chorar mais por ela.
Mas, o que fazer com o choro adulto?
Escrever é meu canto de pássaro que se perdeu. Perdeu abrigo. Perdeu-se dos amigos, dos companheiros que com ele voavam. Perdeu sentido e adquiriu outros, como ainda perdido um pássaro tem asas. Sem verbo, sem dia, sem mim.

 



para Cida Do Valle

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