sábado, julho 19, 2014

Sobre o que não sei

Quando Deus criou todas as coisas e presenteou a humanidade com o intelecto, professou sua grande piada cósmica. Alguns não entenderam. Outros fingem não entender. Há também aqueles que apelam para um nível de racionalidade coisificada, intransitiva. Mas quando aqueles que acreditam no materialismo racional vêm-se diante do abismo que separa o Amor da Razão. O assunto nos tornou escravos do universo. Converso comigo mesmo. As letras que escrevo parecem querer sair um passo à frente. O amor é um deletério que destrói nossas mais íntimas convicções. É um peso sem alça. Ele tem razões que a razão desconhece, mas nós, homens e mulheres, nos identificamos através dele. Sob a imagem da incerteza à beira de um penhasco ilusório. Somos cegos. Por isso corremos o risco de estar um passo à frente desse abismo. Ainda cegos encaramos o abismo, nessa faculdade incoercível de sonhar. Construindo pontes imaginárias. Delineando horizontes. Cruzando desertos afetivos. Como um retrato no sonho. Sem presciência, sem breviário, sem hora. Amor é acordar diante do cenário. Extraindo verbos, conduzindo devaneios, doente das aparências. Removendo sentimentos. A cólera de Hegel não basta contra Jaspers, Husserl, Santo Agostinho ou São Thomas de Aquino. Sonho menino. Água mais rápida que flui na fonte do rio. É estranho que tudo seja assim, incompreensível. Um lugar vazio na prateleira dos momentos idos. Perdoa-me, nessa atmosfera lenta da intimidade além do toque.

Um comentário:

Francisca Aparecida Lopes Bello disse...

Abismo,cegueira,beira de um penhasco,pontes imaginarias, desertos afetivos,socorro não quero passar por isto mais uma vez.que texto,que verdades,parabens.