terça-feira, julho 08, 2014

Anderson Ramanery





Imbricações em dois tempos

entrevista com Anderson Ramanery 
por Cláudio Rodrigues e Gustavo Perez



Um trabalho do corpo? Uma arte do fazer? Um trabalho do ver? O que é isso a que se assiste, ou se presencia diante das performances de Anderson Ramanery? A arte viva, ou arte-vida, que este excepcional performer apresenta, mescla artes plásticas e cênicas, o religioso e o profano, ao mesmo tempo em que comunga e congrega, causa perplexidade à quem o assiste, levando-a a um beco-sem-saída do qual só se escapa voando e encarando o sol de frente. Não como uma fuga, porque nada em sua arte o leva a isso, mas uma chamada à responsabilidade de voar.

Em Sujeito: O artista diante da tela em branco. O artista olha a página em branco. Enfia as mãos nos bolsos e retira deles manchas. Suja o sudário de sentido. A página, a tela, se desvirgina. Passa a ser outro símbolo. O artista enfia as mãos nos bolsos de onde retira os elementos cênicos e os dispõe sobre a página em branco. A tinta, as lâminas de Gillete, as postas de carne imaginadas e as camadas de sangue sugeridas. Tudo sai de seus bolsos. Mas são as mãos que os retiram. Ninguém vê, mas são suas mãos que deveriam ser notadas, como as de um prestidigitador.

O artista propõe um acontecimento que não é uma festa, não diverte. O performer não dança, não representa. Mas congrega uma comunidade com a qual comunga e consagração o fazer artístico.

Cria um espaço e um tempo com seu corpo. Seu trabalho é o corpo, os objetos cênicos, o lugar, a pessoas, o momento cultural, político, social e econômico em que a cena se apresenta. A performance é uma intervenção, não um espetáculo. Se propõe como um objeto colocado em um espaço, e este espaço não é mais, é dois, é mil, e se desdobra em sentidos aparentemente sem sentidos e sem saída. A plateia fica perplexa diante daquilo que não compreende e é de difícil leitura.

O trabalho de corpo do performer não o extravasa, não desabafa, não se resolve numa catarse e não a provoca em quem assiste. Pelo contrário. Expõe uma tensão e uma questão que não se resolve, e exige que o público se manifeste. Não resolve suas tensões e seus problemas, coloca-a diante de suas perplexidades mesmas, das surpresas que cada um poderia tirar da cartola, mas não o faz. E é isso que o performer diz com mudo sarcasmo: disto vieste, és isto!
 
Cláudio Rodrigues 




C.R.
Você mescla vários elementos em seu trabalho. Mescla artes plásticas e artes cênicas. De qual delas você se originou?
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A.R.
Sim, mais ou menos.
Sou das Artes Visuais ou plásticas, a performance utiliza de qualquer outra manifestação para ser colocada em ação, usa teatro, dança... mas não necessariamente teria que saber atuar ou ter alguma relação com o teatro, dança, mímica, gestos, só pegamos coisas, ideias emprestadas.
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C.R.
Sim, eu percebi isso.
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A.R.
Bem, na verdade os performers das plásticas nem gostam muito dessa relação ou comparação, eu por exemplo não faço nenhum exercício, atividade, nada relacionado com o teatro, ou a dança, mas as vezes minhas ações se parecem muito com o teatro do absurdo.
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C.R.
E não é uma dança, você não está entretendo uma plateia.
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A.R.
Sim, exatamente. Você matou a charada!
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C.R.
Você está provocando quem o assiste. É uma interferência.
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A.R.
Sim, não é entretenimento. E quase nunca a ação é muito confortável de acompanhar, mas uma vez presente e difícil não ver, se deslocar da realidade na ação absurda.
não provocando, mas interferindo no espaço, no tempo e digamos com convidados ou afins, como um ritual.
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C.R.
Gosto como você usa os elementos cênicos, como os escolhe, e suas obsessões, como o cone de vidro. Assim como acho interessante como usa a música e como compõe com isso um espetáculo inquietante. Conte-me sobre esse elementos, Anderson.
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A.R.
Os elementos entram como uma forma de suporte, os importantes, as vezes meros complementos. Cone de vidro, olha nunca tinha pensado nisso, a princípio ou no início era o suporte vital para o peixe, esse foi uma obsessão, agora você me fez pensar no esmalte, o vidro também é um cone...
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C.R.
Em estático Quarto n 11. fiquei muito impressionado com sua performance em Sujeito. Você tem noção do quanto ficam bonitas suas mãos nesta performance?
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A.R.
Usava música nas ações, ai alguém fez uma crítica dizendo que as vezes parecia um clip musical, e na verdade tem muito haver pois vejo muitos clips, mas acabei optando pelos sons naturais hoje em dia, a música fica sendo como minha inspiração, normalmente alguma música, estilo, música é a grande inspiração para ação, ai ouça intensamente, mas só eu, no meu processo criativo...
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C.R.
Mãos de mágico irônico
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A.R.
Eslamt foi uma performance elaborada em cima do Satirus, é uma sátira
Fiz a primeira vez, gostei da beleza, do incomodo do esmalte, daí uso em todas as apresentações... Esmalte....
E você trabalha com poesias?
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C.R.
Eu tento.
Acho seu trabalho visceral, não sei se é exatamente isso...
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A.R.
Penso que sim, quase xamanismo, mas sem muitas referências, eu mesmo crio meus rituais, me deixo levar pelas emoções, sensações que interferem no meu dia-a-dia e as absorvo e degluto, uma antropofagia emocional.
Gosto da energia que envolvem os rituais, não necessariamente sigo as regras ou instruções...
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C.R.
Você cria as regras, certo?
Queria que você falasse das mãos em Sujeito. Fiquei muito impressionado com elas, mais do que o que elas faziam, porém mais quando elas e o que faziam se tornaram uma coisa só quando você as espalma na página não mais em branco. Aquele momento é mágico.
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A.R.
Sabe, me apresentei a semana passada, "nem mais um PiiU", a ação foi uma coisa sem pensar em nada, só tive uma imagem enquanto estava no ônibus, era eu com um pé de galinha com esmalte, e eu os cortando com o alicate, não tem nada envolvido, a não ser o Surrealismo, em sujeito as mãos estarem pintadas de preto foi só para destacar o vermelho, nada pensado, ou intencional, simplesmente teoria da cor... Gestalt
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C.R.
Exato, mas falo dos gestos...
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A.R.
Um momento de puro instinto, as partes mais difíceis da performance são: como começar e como terminar a ação, naquele momento senti a necessidade de colocar as mãos no tecido e puxar, pois já sabia do efeito que iria conseguir, do vermelho se espalhando...
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C.R.
Sim, maravilhoso
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A.R.
Em relação a performance, essa que os artistas das Artes plásticas, não tem muito conceito, muito porque, utilizamos elementos ou ações porque é conveniente para ciar algum efeito plástico...
é nosso corpo criando uma imagem, esta imagem será fixada na mente do espectador e criar um "quadro", um arquivo mental, ao invés dele ver um quadro físico, pintado numa tela e exposto numa galeria.
Bem meus caros estou de saída, embora dormir... vamos conversando e trocando ideias...
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C.R.
foi muito bom, meu caro. Obrigado.


O que faz com que uma imagem seja capaz de conjugar ao mesmo tempo seu caráter transitório e permanente?
O que faz com que a imagem deseje esse paradoxo?
Cada paisagem é singular, e dar conta da imensa gama de detalhes que ela passa estabelece experiências imagéticas igualmente singulares.
A procura dessas qualidades de categoria a arte contemporânea incorpora a cada nova experiência estética propostas da ordem da especificidade, da experiência, do acontecimento, do processual, do variável, da flutuação, da impermanência, da efemeridade e da desmaterialização da matéria e corpos, ao mesmo tempo em que investe na particular qualidade de presença capaz de reconfigurar o corpo em sua dimensão de sujeito.
Mas o que torna uma imagem presente?
Quanto mais a arte contemporânea potencializa essa singularidade, através da sensorialidade experimentada no tempo e no espaço, constitui relações igualmente singulares e múltiplas.
A brevidade do ato onde a finitude de sua construção, ou seja, a sua morte, coloca o espectador diante do paradoxo, o evento em sua maior força de permanência concentra os sujeitos que interagem com ele e, mesmo após a sua morte, continua ecoando de maneira indelével naquela experiência vivida. Nesse diálogo em que acontece o fazer, lidando com a imprevisibilidade, as formas se moldaram para que assim pudessem coexistir. A imagem que se cria neste processo de junção das partes instaura no espaço a impressão de flutuação diante das enfermidades instauradas pela harmoniosa poética do silêncio. A fim de investigar as imbricações entre os campos conceituais, na
interconexão dinâmica entre conceitos predeterminados são gerados novos significados para a captação inapagável de um instante.

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G.P.
Anderson, qual foi seu primeiro contato com a arte?
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A.R.
Bem, lembro era fascinado pelo desenho, 

então toda semana implorava para meus pais comprarem cadernos de desenho para mim, muitas vezes ao invés de comprar um doce, balsas, comparava cadernos e ficava desenhando...
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G.P. e você se inspirava, digo, que imagens você desenhava nesses cadernos?
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A.R.
A princípio era desenhos estereotipados, coisas de crianças, uma casinha, jardins com flores, sol, árvores... e situações do cotidiano, tipo eu passeando no clube, nadando, ou no pomar de frutas, o bom era que não tinha compromisso algum com a estética, com a forma, e sim o comprometimento de curtir o fazer, o desenhar e depois colorir...
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G.P.
sim, o lúdico presente na vida de toda criança, certo? e esses desenhos ganham forma em que fase da sua vida, Anderson?
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A.R.
isso, eu desenhava um caderno por semana, e o engraçado que nunca tive muito apego a estes registros, era pelo prazer de desenhar, hoje me arrependo de não ter guardado nenhum...
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G.P.
Era isso que ia perguntar, se guardou algum...
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A.R.
Na adolescência passei a procurar cursos, oficinas que direcionassem meus rabiscos, mas procurei na época tentar conciliar a alguma profissão que me rendesse algum lucro, então fiz um curso rápido de desenho de arquitetura e decoração, mas não era o que queria, e o curso só serviu para aumentar minha busca para algo mais artístico...
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G.P.
Justamente nesse período, na entrada da fase adulta, você teve algum incentivo, não digo familiar, mas pessoal, para se tornar artista?
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A.R.
Olha meu pai sempre foi sempre liberal conosco, dava apoio a nossas investidas, tudo que queria fazer ele dava força, fiz cursos de DJ, artesanato, bijuterias, design gráfico, etc., e meu pai era o maior a de minha procura artística.
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G.P.
quando você acorda qual a primeira imagem que lhe vem à cabeça? Você tem rituais? É ou se considera uma pessoa metódica? Do tipo de pessoas que não dorme se a porta do armário estiver aberta...

A.R.
a primeira imagem é do café e um pão depois eu fumando meu cigarro de palha, ai eu realmente acordo, (risos) mas também penso qual roupa vou usar, procuro usar algo ou alguma coisa que mude meu humor ou que fortaleça alguma ideia ou sentimento que estou sentindo no momento, tipo se acordo meio desanimado, com preguiça, penso: vou usar uma camiseta vermelha pra dar uma energizada no corpo, ou se estou meio desgostoso com algo e quero passar esta indignação, penso vou usar preto...


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G.P.
Você se considera um cara metódico?
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A.R.

Sou super metódico. não durmo com o armário de portas abertas, sempre levo uma garrafa de água para cama, nunca bebo, mas se ela não estiver lá eu não durmo, e quando tenho algum trabalho a fazer e começo a cansar e pensar em deixar pra terminar no outro dia, costumo me presentear, ou punir, tipo: só fumarei o último cigarro da noite se terminar, ou se não terminar essa pintura não como um doce, então necessariamente, senão começo algo pra terminar no outro dia, procuro sempre fazer algo que possa encerrar ou terminar no mesmo dia.

G.P.
Qual grau de confiança você tem com pessoas? E como você se posiciona politicamente? Tem opiniões formadas?


A.R.
Não confio, queria confiar e muito, mas ando desiludido com a maioria...
Tenho opiniões humanas, costumo me posicionar de forma que o humano prevaleça e não a política...

G.P.
Qual estilo musical você curte?

A.R.
Nossa! Essa pergunta me faço sempre, curto tudo, exceto sertanejo, talvez porque ouvi demais na minha infância no interior, mas ultimamente não ouço nada que entenda da língua, então estou optando pelas músicas alemãs, árabes, muitos mantras, musica sufi, ou seja, muita coisa ritual e uma procura por algo xamanico. Gosto de novidades...

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G.P.
A Madona por exemplo, ícone pop dos anos 1980, foi ídolo de muitos e até hoje é. Você também teve ídolos?
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A.R.
Tenho dois ídolos, fizeram parte de minha adolescência e até hoje curto, porque me influenciaram - Morrissey do The Smiths, e o Boy George. Acho esse cara fantástico o Boy George, ela assumiu sua postura sexual e deu uma banana para a sociedade machista.
A Madonna?!! Amo sim, já gostei mais, ela ficou muito americana, muito pop, muito vendável, mas admiro a força de vontade que ela teve para alcançar o sucesso. Acho ela mais uma empreendedora do que artista, excelente dançarina, mas musicalmente ela tem decepcionado...
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G.P.
E quanto ao Boy George...

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A.R.
Ele é gay, e tem se posicionado de uma forma diferente. Ele simplesmente assumiu sua sexualidade, vive sua vida sem se preocupar ou tentar fazer tanta cobrança de órgãos, públicos. Creio que ele disse pra si mesmo: eu sou gay, vou me vestir como gay, sair como gay, eu sou e pronto, os outros e que se preocupem com a sexualidade deles...

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G.P.
E quanto à religião? Em você, para você?

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A.R.
Quanto a religião sou de família católica, e na verdade era pra ser padre (risos). Fui aceito pra o seminário e na hora H pulei fora, pois meus mudaram para BH. Eu iria ficar muito longe deles, então desisti e vim junto para capital.

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G.P.
Deus? Você acredita, e como?
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A.R.
Quanto a Deus, acho tão difícil falar sobre isso, sempre penso porque as pessoas acham que Deus irá nos castigar, se nossos pais que são tão inferiores a Deus nunca nos castigam ao fogo eterno, porque Deus que foi capaz de criar um universo inteiro, é onipresente, é tantas coisas tem que castigar? Penso em Deus como uma energia que faz tudo se manter junto, os grãos que unem uma pedra, as folhas que formar uma árvore, penso mais nele como uma energia de união, uma força que passa por tudo e todos...

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G.P.
Onde seria esse seminário?

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A.R.
O seminário seria em Patos de Minas, meu sonho era usar mitra, que são aqueles chapéus de bispos e papas (risos). A minha imagem sobre Deus?!!? Difícil pensar numa imagem quando se pensa nele como uma energia, mas se tivesse que escolher uma imagem seria a de um foco de luz, um ponto luminoso...

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G.P.
Qual característica mais te incomoda nas pessoas, Anderson?
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A.R.
Pessoa acomodadas me incomodam, infelizmente o tipo brasileiro, aquele tipo que aceita as mazelas, e acham mais fácil não lutar para mudar algo na vida, porque lutar dá muito trabalho. Temos que mudar nossa posição cômoda, de deixar as coisas acontecerem e ainda dizer seja o que Deus quiser, Deus não quer nada, ele já tem tudo, a verdade é seja o que eu quiser!
Na verdade tenho mudado minha postura em relações aos outros. Tenho voltado para mim essas perguntas - o que eu detesto em mim? Detesto em mim a minha maneira de ser de revoltado, minha impaciência, tentando ficar firme na minha mudança, que quase impossível de transformar, mas tento. Sou estourado, reclamo muito, então estou de certa forma me reeducando, mas também sem alterar muito, já deu certo nestes 44 anos, não pode mudar muito...

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G.P.
O bizarro é um das características do “belo”... enfim, você utiliza esse dualismo morte-vida, feio-bonito...?

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A.R.
Plenamente, na verdade meu trabalho é bem bizarro, a maneira como me apresento muitas vezes é bem bizarra, os símbolos, os mitos que trago pro meu trabalho lembra a bizarria, uso muito o glamour de alguma roupa ou acessório em contraposição a algum objeto ou material que utilizo – um pé de boi, um pedaço de carne, um peixe morto, enfim, é algo bonito que incomoda.

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G.P.
Como você enxerga seu papel na arte, diante e dentro dela?

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A.R.
Eu simplesmente aceitei meu papal na Arte. Tenho ela como algo acima de tudo, ela nunca me decepcionou, nunca me abandonou, nunca me hostilizou, a partir do dia que me tornei artista, ou aceitei a Arte, a Arte só me trouxe prazer, o que fazem com a Arte me incomoda, mas ela é minha vida...
Completamente, minhas melhores apresentações foram criadas e manipuladas em cima de muita dor psicológica e tristeza, felizmente ou não estes sentimentos fazem parte de minha obra, muito mais a nível psicológico do que corporal...

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G.P.
Já assustou alguém, alguma criancinha?

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A.R.
Já assustei crianças sim (risos). Estava bem macabro, muito bonito, bem vestido, com uma máscara e a Matilda, minha boneca, e meu trabalho era andar pela rua de noite com a boneca, e as crianças se assustaram, depois ficaram de longe perguntado o que era que estava fazendo, ai respondi que era uma brincadeira de artista para elas entenderem o que era, ai relaxaram e saíram correndo, gritando pros pais “ah ele tá só passando um medo na gente, é tudo de mentira!!” Foi bem engraçado...

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G.P.
Qual foi o melhor momento da sua vida e da sua carreira? Poderia citar a coisa mais sublime que já te aconteceu?

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A.R.
Sim, pode ser duas coisas?

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G.P.
Claro...!

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A.R.
Acho que a primeira foi quando passei a usar o sobrenome de meu pai como artista Ramanery, e a outra foi ter conhecido meu companheiro. Ele me aceitou tão plenamente, sem exigir nada em troca, me acompanha onde vou. Às vezes com boneca, unhas pintadas, puxando um carinho com peixe, enfim ele sempre fica me apoiando nas performances que faço.

G.P.
você já teve um momento de revelação, uma epifania?

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A.R.
Estou perdendo o medo de meter a cara na vida. Parei de pensar no que os outros vão pensar ou dizer, que digam o que fiz e que não tiveram coragem de fazer.
Na verdade estou trabalhando com a criação do grupo PiiU.
Criei este grupo justamente para poder fazer este tipo de trabalho, tentar alcançar um maior número de pessoas ligadas à Arte.

G.P.
Uma pergunta sacana... Você usa calcinha?

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A.R.
Não, sou cuecão de couro. (risos, risos, risos)

G.P.
Como você dá nome à sua arte?

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A.R.
penso o seguinte sobre esse vestuário que estou utilizando e o esmalte, esses meios fazem as pessoas relaxarem, e se desarmarem, ai então quando elas pensam no meu ridículo, eu retiro um pedaço de carne e costuro nela, ou faço algo profano, entende?
Entre os mais chegados tenho utilizado intervenção performática, mas no geral é uma performance.
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G.P.
Você já tentou se matar, Anderson?

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A.R.
Sim. Com três aspirinas... na adolescência.



















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