sexta-feira, agosto 15, 2014

67° Festival del Film di Locarno



Bem, há mais ou menos um ano atrás eu conversei com o diretor de cinema Gabriel Mascaro por conta de uma entrevista que fiz com a atriz e bailarina Dandara de Morais que havia citado sua participação no filme Ventos de Agosto. O Gabriel é um cara muito criativo que supera expectativas em suas produções. Sempre de extremo bom gosto na escolha das locações e na escolha e desenvolvimento dos roteiros, ele é um dos diretores da nova geração que merece atenção especial. Ele desenvolveu um estilo próprio de filmar que entusiasma pela qualidade das filmagens. Dirigiu vários filmes que mesclam o gênero documental e ficcional, e se difere dos demais diretores da nova geração por esse estilo inovador. Naquele momento Mascaro se furtou a dar-me informações sobre o filme que estava na última etapa, sendo finalizado.
Eis que repente, Locarno chega para confirmar o eminente “cinema regional” vindo do Brasil com a exibição da primeira ficção assumida de Gabriel Mascaro, video-artista documentarista cujo filme Domésticas foi exibido no Indie em 2013. Ventos de Agosto mostra um cenário inóspito e desertificado. O filme é também um olhar para uma comunidade que sobrevive como pode. Em Ventos de Agosto, Mascaro dirige atores não profissionais em uma história totalmente ficcional, levantando questões de progresso e comunidade de maneira que faz alusão ao Apichatpong Weerasethakul (diretor de cinema, do cinema independente tailandês) e Glauber Rocha.
Em Glauber, Mascaro vai buscar a atenção e a sensualidade com que filma os corpos e a selva, o mar e a terra, e a ideia de um “paraíso” que só não é perdido porque nunca foi encontrado – mas que desaparece assim que é identificado enquanto tal.
Hoje, nas primeiras horas do dia eu conversei com meu amigo Daniele Caldelari, cameraman da RSI (Radiotelevisione Svissera Italiana), e ele me contou tudo sobre o evento que reúne pessoas do mundo inteiro.

Melanie Griffith ao lado de Daniele



Gustavo Perez
Oi Dani, como vai? Tudo bem?

Daniele Caldelari
Sim, tudo. Estou trabalhando no Festival de Cinema de Locarno

G.P.
Locarno fica perto de Lugano, a cidade onde você mora? Qual distância?

D.C.
Locarno fica a apenas 30 km de Lugano.
G.P.
sim, bem próximo, não é mesmo...

D.C.
Sim. Há também um filme brasileiro concorrendo.

G.P.
Interessante... Daniele, qual o número aproximado de pessoas presentes? E quantos jornalistas fazem a cobertura do evento?

D.C.
Todos os dias, 8.500 pessoas sentadas... jornalistas são cerca de 250-300. Há pessoas do mundo todo e o pessoal asiático compareceu em massa.

G.P.
Houve algum contratempo durante o festival?

D.C.
O único problema, qual a Informação viculada ao evento, foi a chegada Roman Polaski.  Sobre o escândalo supostamente ligado à pedofilia, há muitos anos. Contudo, ele não foi criticado diretamente, porém, decidiu não vir.

G.P
Isto teve um impacto negativo?

D.C.
Sim. Muita decepção e produziu uma má imagem do festival.

G.P.
Lorcano fica em região costeira? Há praia?

D.C.
Não, não há praia. Locarno está localizada às margens do Lago Maggiore, mas é cercada por rios e montanha, onde se pode tomar banho em água muito fria, mas bela.


G.P.
como funciona a comição que seleciona os filmes? Há uma equipe de observadores?

D.C.
Sim, há uma comissão que durante todo o ano anda a procurar pelo mundo filmes que tenham o perfil do evento. Os filmes em Locarno são os mais procurados e são menos de uma audiência de massa.

G.P.
O que você destaca, a partir da sua observação pessoal?

D.C.
Há muito glamour envolvido. E sim, pessoas da Ásia estão sempre presentes e gostam muito de Locarno. É muito bom.

G.P.
Quanto a organização, eles estão contentes com o andamento do festival?

D.C.
sim, tudo transcorrendo perfeitamente. Os filmes em competição são 17 ao todo. O festival existe há 67 anos, com o prêmio Leopardo d'ouro. Como em Veneza o Leão de Ouro, em Berlim, Urso de Ouro e em Hollywood, o Oscar


G.P.
Há outras atrações além da apresentação dos filmes?


D.C.
Sim, há muitos festivais de música. Locarno vive! Ah, uma curiosidade. A tela onde os filmes são exibidos é a maior da Europa.


sala de imprensa

ligações externas

67° Festival del Film di Locarno
site da RSI - Radiotelevisione
Svizzero Italiana  

Pardo Live
transmissões ao vivo através do site do festival


Sinopse

Shirley deixou a cidade grande para viver em uma pequena e pacata vila litorânea cuidando de sua avó. Ela trabalha numa plantação de coco dirigindo trator. Mesmo isolada, cultiva o gosto pelo punk rock e o sonho de ser tatuadora. Ela está de caso com Jeison, um rapaz que também trabalha na fazenda de cocos e nas horas vagas faz pesca subaquática de lagosta e polvo. Um estranho pesquisador chega na Vila para registra o som dos ventos alísios que emanam da Zona de Convergência Intertropical. O mês de agosto marca a chegada das tempestades e das altas marés. Os ventos crescentes marcarão os próximos dias da pequena vila colocando Shirley e Jeison numa jornada sobre perda e memória, a vida e a morte, o vento e o mar.

Ficha técnica

Com Dandara de Morais e Geová Manoel dos Santos
Produtora - Rachel Ellis
Direção - Gabriel Mascaro
Roteiro - Gabriel Mascaro e Rachel Ellis
Fotografia - Gabriel Mascaro

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