domingo, agosto 10, 2014

day back


São as últimas páginas desse caderno, do qual me valho para escrever qualquer coisa diferente. Que seja mais caliente do que estar diante da fria tela computador. Minha mão se move contente. Sabe que vai acertar o signo sem medo de não alcançar precisamente cada letra do teclado, o que muda completamente o sentido, a ordem, ou cria um monstro.
hoje é um dia diferente. Foi de fato, em minha realidade. Um dia bem acerca da noite. E agora, 3 e pouco da madrugada, faz frio. E apesar do frio que me obrigado a usar esse agasalho quente quando preferia estar de camiseta, me sinto alegre, beirando contente. Será que devo transportar isso pro computador? Nem gosto dessa palavra.
tem puta, teme dor no final e com no início não tem nada. Com o que? Com raiva. Isso. Eu fico com raiva de ter tanto tempo da minha vida diante dessa máquina, má quina. Porra de vida! Porra de máquina!
Observo pacientemente esse anjo sem asas, esse diabo sem calda, esse cavalo sem patas. Esse guerreiro sem flecha essa página sem esperança.
essa ânsia. Essa mudança dos ventos, essa morte sem via, essa rua. Esse ser estar esse fôlego sem ar, esse dia sem noite, esse somente. Essa frase incompleta, esse pau sem buceta, esse céu sem estrela. Difícil conte-la. Esse deus sem louvor sem povo, sem universo. Esse prazer sem dor, esse ardor sem oposto. Os dualismos da sombra dos objetos no meu quarto sem cor e a solidão do ato.
E nesse momento o que desejo? Começar novamente. Transgredir, transcrever. Passar para o computador essa cena final do último ato. Sem hora no breu da madrugada, como passos que se perdem sem memória. Sem abraçar e sem abraço, ou ser abraçado.
sinto sua falta atuando no meu palco. E se disser que não, minto. Tenho andado quieto sem sair do lugar. Dói só de pensar. Doía cego sem doer, agora dói muito no mais tardar das horas como essa noite. Noite... noite que és o meu açoite...
e quando fica cicatriz atroz o que é que eu faço? O que fica levo, o que é eleve eu arrego, onde fica eu levo e se quebra eu parto. E levo meu ensejo, meu retrato e sigo traçando a geografia deserta do último ato. sem vínculo. Sem fogo, sem motivo, sem de novo, sem... só sentir-se, assim só e no dia anterior só assim. Somente um corpo. sem órgãos, sem ego e
sem mim.


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