quinta-feira, agosto 07, 2014

Letícia Wierzchowski





Nascida em Porto Alegre em 1972, Letícia Wierzchowski, antes de se dedicar à literatura, iniciou o curso de arquitetura e trabalhou em diversas áreas. Publicou em 1998 seu primeiro romance, O Anjo e o Resto de Nós, relançado três anos depois. Ao longo de sua carreira publicou onze romances, algumas novelas, uma antologia de crônicas e cinco livros infantis. Teve seu romance, A Casa das Sete Mulheres, publicado em 2002, adaptado para a televisão e exibido em trinta países. Recebeu em 2012 o Prêmio Açoriano de Literatura, pelo romance Neptuno, lançado no mesmo ano. Alguns títulos que se destacam de seu /.../ são, além dos já citados, O Escritor Que Escrevia, de 2003; Um Farol no Pampa, de 2004; Uma Ponte Para Terebin, de 2005; Os Aparados, de 2009, e Os Getka, de 2010. Seu último romance, Sal, foi publicado em 2013. Em 2014, é esperada a publicação para agosto de sua primeira tradução, As Cartas Que Não Chegaram, pela editora Record, em que o escritor e dramaturgo uruguaio Mauricio Rosencof, relata sua experiência como preso político durante a ditadura em seu país. E em setembro será lançado o filme O Continente, baseado em O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo, cujo roteiro adaptado pela autora em parceria com o escritor Tabajara Ruas, vem sendo trabalhado há seis anos.
Sal, o 11º romance da autora, lançado pela editora Intrínseca, foi produzido inicialmente para se lançado apenas para edição e-book. Tendo uma construção fragmentada, o livro narra a história de uma família que vive em uma ilha, La Duiva (anagrama para La Viuda), em um país ao sul do Brasil, tomando conta de um farol. Utilizando-se de uma linguagem poética, a autora o dividiu em capítulos curtos, em que cada personagem narra sua história, tecendo a história da família, indo e voltando no tempo, desenvolvendo a narrativa através dos vários pontos de vista de cada um. O livro se espelha na atividade de Cecília, a matriarca da família, que tece um grande tapete, atribuindo uma cor para cada um de seus filhos. Escrever uma história dando voz a muitos personagens, segundo a autora, é como tecer um grande tapete entrecruzando diversas cores. Espelha-se também no livro que Flora, uma de suas filhas, por sua vez escreve, baseado em suas vidas, trabalho este, por sinal denominado O Livro, que desencadeia os acontecimentos que irão desintegrar a família, deixando a viúva Cecília, só em sua ilha, tecendo o destino de seus filhos numa clara alusão à Penélope, mulher de Ulisses, da Odisséia de Homero.
É um romance bem escrito, a trama é bem urdida e a linguagem de que se utiliza a autora tem momentos de muita beleza, porém o livro peca pelo clima e os personagens em excesso romanescos: marinheiros fumando cachimbo, o tapete interminável da matriarca, feito para cobrir os 365 degraus do farol, a viagem pelo mundo de personagens em busca do eterno verão, etc.

por Cláudio Rodrigues

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