sexta-feira, setembro 19, 2014

3... 2... 1...



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Eis que aqui nos não gostamos de obviedades. Essas pululam em outros sites feito libélulas. Fazemos o "ruim" por que senão, as pessoas acabam visitando os sites que são ruins mesmo... 



Moro no país de mudanças prementes e onde sonhos e delírios são, ao mesmo tempo, fundamentais. Um país de metáforas e a realidade não é o que pensamos. Acredito que vai além disso. Uma corrente oposta ao solipsismos – onde só o conhecimento pessoal fenomenológico, ou seja, adquirido a posteriori – em se tratando de análises textuais, socais e modo de pensar que enfatizam aspectos como intenção, ação, consciência, etc. daquilo que é estudado ou daquele que estuda ou interpreta qualquer coisa.
O subjetivismo afirma que a verdade é individual. Cada sujeito teria a sua verdade. A ideia do sujeito é que projetaria o objeto. Para o objetivismo, a verdade é a correspondência ou adequação entre a ideia do sujeito conhecedor e o objeto conhecido. A verdade, por isso, é objetiva e não pessoal, nem subjetiva.
E, ao mesmo tempo, um país de substancialidades e coisas bem reais.
país genuíno, dotado de um povo heroico e um brado forte e retumbante. Um país de pais e mães. Um país de povos e culturas, não “apenas”, “porém”, mas “também”, “inclusive”. Esse conhecimento encontra-se no gueto, na esquina, no clube. No DNA dos povos tribais e de todos os rincões do mundo. Aparece nos tambores de África, nos baixos do blues, nas notas do samba e nas batidas tropicais, no xique-xique e atabaque, pandeiro e tamborim. Temos as mãos sujas de fogo de nossos ancestrais. Somos assim.
No portal onde os contos (delirantes) se localizam, temos acesso a um fragmento inicial. Mas subitamente, na alameda inicial de uma aventura, Rodrigo heroicamente salva-nos do fim, antes que acabe. Ler e vir, ler e vir a ver e ouvir.
A noite já está chegando. Eis que um contador de histórias pega se violão e caminha para o quarto de seus filhos que o aguardam. Quando ele abre a porta recebe uma onda de calor, amor e ternura. Neste momento, o pai, um contador de histórias que ele mesmo cria, dedilha músicas que acompanham a narração das histórias criadas por ele.
Assim, o dia vai acabando na companhia dos que tanto ama. Incentiva-os na leitura e na música. A partir destes momentos, Rodrigo Feres, pai, escritor, o compositor, inicia uma outra maneira criar.
A arte da criação de contos se estabeleceu no universo de Feres. Ao escrever cenas que compõem o panorama do texto, ele imagina e supõe que elas pedem uma sonoridade... Surgem então os contos com fundo musical, que conduzem os leitores ao diferente, à “sensação” e o estímulo.
Refletindo, raciocinando, acreditando ele pensa a expressão utilizada para exagerar o fato, um objeto, ou qualquer coisa cuja quintessência disso necessita. Plantando nos pequenos a vontade pelo gosto. O gosto de aprender, desejar, desejar o saber. Saber saborear o conhecimento. A busca pelo objeto. Estar de acordo, se contrariar, ir contra, rir, se amedrontar em segredo. E antes de dormir, perder o sono pensando naqueles lugares do encanto, do fascínio e da imaginação. No dia seguinte, querer aquele outro pedaço que se torna necessário à vida, como que se respira. Um mundo de se ler e ouvir. Palavras e som no mesmo patamar, mesmo plano. Nos encantando.
Obrigado, Rodrigo Feres, por sua criação. Seu duplo talento como escritor e músico. Contador de histórias, compositor e instrumentista.
Um grande artista sempre vem acompanhado de varias aptidões.
Você é um deles.

Eis o homem, pois!



Rodrigo e os filhos

Gustavo Perez
Cláudio, esse é o músico Rodrigo Fereshttps://fbstatic-a.akamaihd.net/rsrc.php/v2/y4/r/-PAXP-deijE.gif

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Rodrigo Feres
Olá Cláudio!
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G.P.
 Certa ocasião eu conversava com um amigo e falávamos sobre o barroco. Ele dizia que o movimento não aconteceu no Brasil porque não seguia a mesma dinâmica europeia, de quebrar conceitos pré-estabelecidos. O que indica que estávamos à frente do tempo, nesse período. Em todas as áreas da Arte, com a maiúsculo... nessa mesma ocasião, ele comentou um fato interessante.
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R.F.
Cito Bento Teixeira como parte importante no movimento, que realmente foi bem diferente do movimento europeu.
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G.P.
Eu disse a ele que no Brasil... opa, acho que nosso amigo Cláudio acaba de chegar. Cláudio, se apresente por favor...
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Claudio Rodrigues da Silva
Olá Rodrigo.
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R.F.
Olá Cláudio!
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C.R.
Olá Rodrigo. Sou Cláudio Rodrigues, e vou participar da entrevista.
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R.F.
Será um prazer!
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G.P.
Cláudio, eu levantei a questão da arte barroca no Brasil... e disse que um amigo afirmou que ela não teve o mesmo propósito aqui do que na Europa, e Rodrigo citou Bento Teixeira confirmando nossa suposição. isso dava ao artista maior amplitude de criação, concordam?
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R.F.
Eu acho que o período no Brasil era totalmente diferente da realidade europeia. Lá o movimento era luxuoso e aristocrata. Aqui a realidade era outra.
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G.P.
Exatamente. Acho que nosso cancioneiro popular é a nossa filosofia. As letras, as composições, formam um conjunto de ideias que representam a ideia do nosso pensamento. O que você acha disso?
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R.F.
Isso é muito relativo. Acredito que vários fatores podem influenciar para uma criatividade coletiva em um mesmo período.

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G.P.
Sim... qual fator você enxerga no ato de criação?
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R.F.
No meu caso, a criação acontece por consumir outros tipos de arte e cultura simultaneamente. Me alimento muito de música clássica. Bach é minha principal influência musical, mas amo rock clássico. Quando estou escrevendo, ouço bastante o concerto de Brandenburgo em Fá maior.
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G.P.
E o "ler" aparece aonde?
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R.F.
A música, no caso do Levir, é um acessório. Ela é composta depois que escrevo os contos. Mas é um acessório importantíssimo, pois ela é o tempero. É o que enriquece o texto, ajudando o leitor a criar cenários muito mais complexos ao experimentar o Levir.
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C.F.
No Levir, você tem consciência de que está trabalhando nos limites do "livro"? Que está atuando nos limites da ideia de "livro"? Em um momento em que se discute o "fim do livro"?
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“Todos os textos somados à música como trilha sonora, possuem um DNA cinematográfico”


R.F.
Claro. O Levir é uma proposta totalmente nova, e não se trata de um eBook convencional, que já não é um livro convencional! Minha criação tem o ineditismo como característica principal.
Todos os textos somados à música como trilha sonora, possuem um DNA cinematográfico.
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C.R.
Sim, ao invés de você estar reclamando o "fim do livro" ou simplesmente publicar seu texto em eBook, você cria algo novo, próprio para as novas tecnologias.




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R.F.
Sempre fui fã de cinema. E o Levir é a interseção do livro com a música e cinema.
E os meus textos não são longos. Cada conto tem aproximadamente 50 páginas. Pensei justamente em uma média de hábito de leitura do brasileiro, que não é grande. Meus eBooks foram criados para se adequar ao costume de leitura do nosso povo.
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C.R.
Isso é muito interessante. E acho importante para o incremento desta discussão em relação às novas tecnologias. Me parece que é um trabalho pioneiro, que abre um horizonte importante para a literatura.

R.F.
Falando de novas tecnologias, o eBook é muito prático, ecológico (por não ser necessário desmatar uma árvore sequer, lógico) e você pode ter até 5.000 títulos em um único reader.
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C.R.
Gostaria de saber quais foram suas influencias na literatura. Saber o que você lê e o que você lia...
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R.F.
Eu sempre gostei muito de ficção científica. Já li tudo de Philip K. Dick, por exemplo. O considero um gênio neste gênero.
Outra paixão que tenho, são roteiros de cinema.




Um comentário:

Rodrigo Feres disse...

Prezado Gustavo, só mesmo um grande pensador e humanista como você para compreender e dissecar tão bem e tão claramente, o universo Levir! Lendo sua matéria consegui enxergar quão grande e intima é a relação do Rodrigo pessoa do dia-a-dia com autor, que "tenta" se separar em dois universos quando cria. Sou o que sou e fiquei muito feliz e emocionado, com o espelho formado por suas palavras que vi, e quando enxerguei o que você viu.
Abraço meu caro, e sem mais palavras que consigam demonstrar o tamanho meu agradecimento, até a próxima!