terça-feira, setembro 23, 2014

Cartas



Alegrias de quintal
Belo Horizonte, 6 de setembro de 2014. Ano do cavalo.
O deserto só cresce. Ai de quem oculta desertos
                                                                           Nietzsche
Caio,
Coloco novamente a mão no lápis, e a palavra derrama no infinito profundo dos seus verdes vales do fim do mundo. No meu quintal há um deserto, sabia? Aquele onde estivemos juntos, eu, você, Mardou. E o que soprou de onde vento? Invoco meu solilóquio de arlequim maltrapilho. O que me trouxe aqui? Seria bom se você tocasse agora aquele estribilho, nas tardes verde limão. O deserto se transformou em mim e meus olhos contemplaram a noite abundantemente, que de repente contornaram meu pescoço feito nó da forca espargido em patíbulo sinistro e nefasto do caldo animal total que me engole em largas golfadas embriagando mais depressa o pensador, e a única via de contato entre a coisa em si e o lençol se desertificou. Tão simples só e assim. Hoje eu também acordei bemol e o sol

surge
de
onde
bebo
o porvir




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