sexta-feira, outubro 10, 2014

Dínamo da noite estrelada



Se você completa




Se você deixar que eu parta, enfim. Você vai dizer que só depende de mim, da minha força de vontade para continuar, seguir, evoluir. Mas espere, você não está dizendo nada. Isso são apenas palavras que se materializam do meu ego. Sou apenas EU dizendo. Acendo um baseado. Provar a mim mesmo que ainda vivo. Não sinto mais prazer no sexo insosso, na cerveja sem gosto, no cinema, em nada. Sobrevivendo a cada dia em que não espero recompensa. Um dia que se parece com o outro. Acompanho as notícias pela televisão. Meu olhar perdido e desinteressado. A egolatria camufla a estrutura de seres humanos frágeis. Não que isso seja uma vantagem (aliás, quem conhece demais a si mesmo, perde um pouco a curiosidade e essência), mas conheço-me o suficiente para ver a mim mesmo. De fora não indulgente, de forma real. Sob o dom divino da dura árdua realidade. Estive vazio, e agora? quantas noites se passaram? Dessa janela vi muitos entardeceres, o sono da bebedeira da madrugada. Sim, no fundo, autodestrutivo, mas além, diga que não é verdade. Quando acho que já superei, me vejo pensando e tentando esquecer. Solidão que resguarda minha vida estreita as portas e controla meu caminho. Lembro-me o dia que saí dessa desse castelo, quando não pude mais suportar a vida monástica. Não concordo que destruam minha moral. Aquela que foi pisoteada e atirada no lixo nessa loucura órfã desvairada. Um pouco de vida familiar ia te fazer bem.

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