quarta-feira, julho 30, 2014

alguns dias


Estive perdido no espaço e todas as palavras foram paliativos da palavra dor que não entendíamos, ou não estranhamos o sentimento, ou simplesmente nos amávamos. Não era preciso exaltar o fascínio ou deflagrar nossos defeitos fatais. O âmbito incorrigível da natureza humana causava certo pânico. Os dois então causaram certo incômodo. Compaixão por aqueles que buscamos a falsa alegria do signo, conhecida por vários nomes. Sexo, desejo, alivio, orgasmo. Dormir ao sentir o calor do seu corpo. Códigos, ritos e ritmos do compasso de um domínio inalcançável. Fogem de um mecanismo cognoscível presos em um mecanismo fechado. Permita que despeje meu desejo em seus olhos gráficos.
As letras sempre foram refúgio de um desfecho trágico. Bandido, banido, endomorfismo causal matemático de um sistema lógico que não compreendo. Sexismo marcado pela naturalização da mulher versus uma racionalização do homem. Condicionado a noção de sensação de um desejo em agenciamento. Inebriado pelos sentidos em que percebo suave, delicada e melodiosa canção da madrugada.
dessa relação com os dignos, quantos cigarros fumei. Saio limpo, triste e vazio. Desfaço-me do energético impacto do conceito palavra. Amor, onde estiveste que não te vi? Transfigurado em mil imagens. Foste a substância espectral Inteligível à sombra do palco? Volúvel, aéreo e vazio sobre as asas de um pássaro?
Um pássaro livre..
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Texto e imagens



aparentemente sem nexo de estarem próximos num mesmo espaço.De repente nos deparamos com sombras,rabiscos,imagens de pequenos animais,pedacinhos de pael rasgados,tecidinho cor de rosa,figurinhas geométricas uns desenhados,outros colados sobre papel com textos desfocados.Veja,há textos virados ao contrario!percebe-se que não há por parte do dono do "caderno de notas"preocupação em que o caderno tenha na realidade esta função de lembra-lo de algo,ou mesmo que sejam so anotações.A visão das páginas nos faz pensar num processo intimo de memorias,momentos, sentimentos,que só o dono do caderno conhece e sabe porque o fez assim.No mais, fica no limbo entre o criador e o espectador o universo do desconhecido, do mistério e da surpresa da obra criada. Esta é a beleza da criação artística, venha ela da forma que vier. A mim cabe somente acrescentar que me encantei ao abrir este "Caderno de notas" e com tudo que nele continha

Francisca Bello

Diga a verdade e seja livre




Em Barra do Guaicuí, no sertão de Minas Gerais, onde o Rio das Velhas desagua no velho Chico, uma frase desafia a mentira.

Tita Marçal participação especial dessa edição

Dói que samba



O samba dói. Mais uma vez, toca este samba. Me dá este tiro no peito pra eu chorar. Meu barraco pegou fogo. Meu time perdeu outra vez. Minha mulher dançou pro outro olhar, num bar qualquer. Me dá este tiro no peito. Me tira esta coisa de dentro. Um sabiá, uma laranjeira, uma beca bacana e um calçado legal.Eu sambava na roda e achava que era o bamba e tal. Já sambei no asfalto, batuquei em caixa-de-fósforo um samba que só eu sei e a diaba da mulher me faz um negócio desses?! Dança pra gringo ver e me dá só uma merreca. Depois eu bato em mulher e o pessoal ainda acha ruim. Mas como eu vou fazer uma assim andar nos trilhos. Me dá este tiro logo, que me dói a dor nos cornos.Eu quebrava o barraco todo dia. Jogava prato pro alto. Jogava panela porta afora. Batia no menino, batia no cachorro, batia na mulher e no vizinho. Comprava fiado na esquina e não pagava. Tomava uma pela manhã que só acabava à noite. E me deitava com todas que queria. Agora que larguei minha mulher por essa aí, esta me fura os olhos! Me dá um tiro logo que eu quero chorar e o choro não sai, só essa coisa esquisita, essa gosma no peito, essa chiadeira na alma, esse desassossego no ventre, esse padecer de par de chifre. Putzgrila! Puta que o pariu, lá dela! Me passo o fogo logo ou eu me atiro pela janela. Mas nós tâmo num barraco meu chapa! Pula da janela que não quebra nem um osso. Então me dá um tiro logo, malandro, que esse samba me dói pra caralho!
Cláudio Rodrigues

Ressaca de Copa





Cuando reconstruyendo el monticulo de arena que me ergia 5 centrimetros por sobre encima de la cabeza del pelotudo de 2 metros situado 3 filas delante mio, senti un escalofriante silencio y todas las manos de mis compatriotas tomándose la cabeza la boca o golpeando la arena. Habia ocurrido, el puto de Mario Gotze puso el 1 a 0 final. Acto seguido toda mi alegria y esperanzas de ser campeones se transformormaron en lagrimas, insultos, acusaciones y una serie de palabras sin sentido que expresaban mi colera y amargura.
Fue posición ilícita! El cobarde de higuain y el horroroso de palacio, que hubiera tirado el centro en lugar de patear al arco…ya nada importaba, la copa se la llevan loa germanos…no alcanzaron los pañuelos, papeles, servilletas y demas elementos absorventes para limpiar las lagrimas de los mas de cien mil argentinos que fuimos a Copacabana a cumplir el sueño de ver campeon a la celeste y blanca.
Lo ultimo que recuerdo escuchar es el sonido sordo de las ojotas, zapatillas y pies descalzos por las calles de Copacabana, con las banderas en alto y el pecho erigido, pero con la ilusión quebrada.
Esta vez el leon no se comio al raton, la carroza se convirtio en calabaza, se cayo el castillo de naipes, Argentina esta de luto.

por Pedro Ginesta