domingo, agosto 31, 2014

por Pedro Lima


Alerta Geral!

Stephen Spielberg com 10 aninhos

George Clooney, quem diria...

Kurt Kobain curtindo quando era neném...

 
Circulou pela facesfera: questão candente, in candescente:


que orientou, entre meios e sara vaias, uma reflexão. Creio necessário abstrair as questões divinas... sobretudo aquelas rebatidas nas questões morais, por consequência... não há crime contra propriedade neste caso; o que há é livre arbítrio em exercício pleno e, por contemplar "atitude afirmativa" estará sub metida à iguais consequências... uma "tomada de decisão"... que o acesso oportuno ao conhecimento, um organismo em adequado funcionamento e, neste caso, algum afeto compartilhado, uma rede de con_fianças que qualifique esse momento a que deve se chegar depauperada; tal_vez... sem contar, efetivamente, um amplo espectro de condicionantes - sociais, culturais, incluindo os morais e divinos que ainda graçam - preparam esta mulher para este "passo", e que, convenhamos, ao fim e ao cabo, traça o caminho que é exclusivamente dela e, por isso, somente ela irá lidar com as consequências quais sejam... (no âmbito físico), psicológico e de sua subsistência no coletivo, posto que submeter-se-á, inevitavelmente, a julgamentos em grandes e pequenos círculos, como este... enfim, questão complexa, que me mobilizou compartilhar aqui: como quem - como cada um de vcs - procura compreender e situar-se quanto ao seu papel nesta mixórdia toda a que chamamos de contemporaneidade....
...cria-se então um paradoxo, pois parece que é isso o Estado acaba executando a sua livre arbitrariedade, sobre o arbitrado por cada mulher, em específico... questões de jurisprudência... será? en_fim... quando começa "a vida"... e o quanto que um ocaso, este e tantos, a trans_formam, efetiva e cotidiana mente? se couber, não mudo mais, feito papagaio: circunvoluam-se opiniões(!)...

Por Pedro Lima
Colaborador do Papagaio no Rio de Janeiro






in UK

Nook boy

um sonho que tive...

31 de agosto de 1930


Ano do cavalo




Fran, 

Parece agora que vim de outro planeta. O Principezinho de Saint Exupéri perdido e perplexo. Quando víbora disse que ao olhar os campos de centeio lembrar-se-ia dos seus cabelos amarelos afirmou tu te tornas responsável por aquilo que cativas.
Diga-me, qual foi o grande mal que fizemos a nós mesmos?
Desculpa-me eu ser assim. Assim como eu sou. Desculpa gostar de você e não ter você aqui perto de mim, salvo em pensamento. Ah, e de café também, só poder lembrar o gosto... enquanto faço lamber gotas de água de cactos. E de fumar tanto, tendo que racionar cada trago. Fazem quatrocentos e noventa e cinco dias que estou perdido nesse meio do nada, e nada me fez quer te ver tanto. Me espera, escrevo pra mim mesmo em desespero. Será que ela ouve minhas preces? Morreremos jovens para sempre, juntos. Desculpa meu imediatismo, minha solidão de enfermaria. Desculpa as nossas vidas paralelas Desculpa as lágrimas que brotam do nada e entretanto. O que me possuí, esqueça. Você me tem mais. Desculpa se você é como o vento dizendo que a brisa passou. Desculpa se te faço gemer e ao mesmo tempo sou assim sou tão passional, passível de uma profunda averiguação. Se eu não quero falar nem lembrar o passado. Lembro que eu nunca existi que eu nunca fui, portanto nunca jamais eu o era. Estou, sou, na impermanência dos monges tibetanos, na previsão do tempo e dos profetas, na língua dos poetas, na faca dos dois gumes, e cumes de montanhas chinesas e na poeira dos anos, meu anjo. Soprado no vento de uma vocalização de faz como se fez – sexo, jazz e café. Desculpa se deslizo no céu da minha língua comprada num sonho. Desculpa se lambo teu umbigo, se te arranho, e ainda assim depois discuto contigo, sem querer. Sem medida. Que esse sonho nunca se acabe. Quero tragar a fundo esse Você imaginado até que um milhão de sonhos se tornem realidade. Esqueceria esse “será vai dar certo”... não se perca nunca de mim. Sou apenas mais um Ouriço do jogo de croqué da Rainha do País das Maravilhas.
Je suis
Je...
suis
sua criança...

Sobre a Verdade e a Vida

30 de agosto de 1930   
Ano do cavalo




Maria, Eu vos saúdo!
Sobre as terras fragmentadas desse lugar esquecido, eu vós digo – A verdade está comigo! A mão se move para o centro da carne, a pele treme na felicidade e a alma sobe feliz até o olho. Uma enigmática vitória crispada de perguntas e problemas. Se ao mesmo pudéssemos interpelar nosso Deus imaginário Qual é o meu nome, ó Poeta Divino? E, se ao contrário, nos fosse dado o faro de algum vento interplanetário. A eternidade poderia nos agraciar com o verbo intergalático. Daí seriamos vários, muitos, múltiplas vozes do Todo, e todos juntariam suas vozes para recitar um poema cósmico. E todos viriam contemplar o que nos foge aos olhos e sentidos alcançaríamos a culminância, à semelhança do Esteta Divino – de onde viemos, para onde vamos? Ó mãe de todas as mães, uma pergunta tola para um pensamento complexo... Depois de tudo. Das dores e dos males, tais encerram a história do grande Self. É tanto uma doença que pode destruir, a primeira erupção da força e vontade de ir além da autodeterminação, auto avaliação, essa vontade de vontade de ser livre. E quando a doença se expressa nas tentativas mais selvagens e extravagantes, é demonstrado frente a si seu impotente domínio sobre todas as coisas. Vaga cruelmente com fome insatisfeita, que captura a emoção perigosa. Deve expiar-se o orgulho e destruir aquilo que o atrai. Como o riso mal se volta para aquilo que se encerra em si mesmo. Escondido, encoberto por qualquer modéstia. Ver e transverter a aparência das coisas, quando a vemos, as inventamos, invertemos. No fundo da minha agitação de vagabundo é comum e sem rumo certo esse inquietante destino. para guiar-me, o deserto é a uma curiosidade cada vez mais perigosa. Será possível subverter todos os valores? Que bom seria algo delirantemente errado. E tudo, em última análise, talvez uma falsa. E se estivermos enganados, não será exatamente por isso que somos também enganadores? Será que, inevitavelmente também a nós nos enganam? Esses pensamentos levianos. Levam cada vez mais longe, cada vez mais perdido, cada vez mais perto. A solidão é uma temível deusa que nos envolve, circunda, abraça, aperta, sempre tão esperta e ameaçadora estrangula. Cortante e extraordinária deusa cada vez mais envolvente, mais asfixiante, mais opressiva, mais avassaladora, mais astuta. Filha da... mas quem saberia dizer hoje o quem é, de fato, Solidão?

sábado, agosto 30, 2014

atravessando a ira de Deus - tempestade de areia

30 de agosto de 1930




Parece que eu não sou mais eu. Parece que eu não pareço mais comigo, aquele eu antigo, velho, morno, pornô, gentil e gélido.
Olho no caco de espelho que trago guardado do outro mundo e, quando falo não ouço minha voz. E nunca Volto eu a ser eu mesmo, mas guardo o espelho com os olhos doendo que é um fragmento, caco de um mim mesmo. Um poderoso artefato do antirreflexo. Eu quebro os cavalos, admiro a paisagem, e na passagem, quebro cavalos.
Ao fim da tarde, uma espécie de superintendência do caos procura uma palavra que poça dançar comigo. Vieram das areias, arredias, noturnas, faceiras, fulas.
Senão a observação delas mesmas, enquanto passo a passo devagar. É preciso guardar um pouco do pó de si mesmo para o outro dia, o dia que seguirei, o dia segue que cego. O dia a dia cego que sigo, o conseguinte, se consigo. Sem ego. Sem nada, senão as formas de âncora e de bigorna que peso e diáfano é o peso também de mim.
Um T atravessado as pedras, segurando meu barco na Tempestade tarde de areia arredia que tenta cruzar ventos cortantes e a força da amplidão do mar de dunas. E ao tempo, torno minhas forças para o sentido que, teoricamente, me as fê-lo trai-las.
Começo a ouvi-la e vê-la com seus treze olhos. Desculpa, mas não é um esloveno vos fala. Ninguém me preparou para isso. Sim, deixo, deixa, deixo disso. Açucena cruzou o abismo eu também consigo. Entro nessa cena sem compromisso de ter-que-ser-forçosamente-aquele, mas ser apenas, e se conseguir eu sobrevivo. Com a mão de duas mãos tornando realidade aguardando a dissipação dos grãos aflitos. Fazem trinta e seis horas que luto contra o vento e não vejo a luz do sol. Amigo, você ainda não conhece uma dessas... isso não acontece todo dia.
A linha é curva. O vento agora é leve. A nuvem de areia se eleva. Um passarinho pousa bem na minha frente numa cena insólita. E a visão agora é tudo que eu tenho, e esse tudo chega a ser minha janela, mas não tenho certeza de possuir (sem o símbolo tirânico da palavra possuir) nada. Somente a mim mesmo nem mesmo disso eu tenho a prova.
As multidões andam querendo um alguém qualquer para crucificar. Já se passaram dois mil anos, e vamos, vamos Deus! – derrama a bestialidade o Teu rebanho. Não sou digno de correr, fico e me explodo. Pensava que eu verbo era irregular? Que declinaria Seu convite. Então fico e me explodo mais uma vez, mais mil vezes.
A calmaria se faz. Acendo um cigarro americano. Aquele dia não imaginava tanto, e hoje, tenho os olhos cansados. Hoje eu cantaria e fumaria e explodiria mais mil vezes como um sapo a fumar mil cigarros e gozaria e dormiria em teus braços até você sair sem eu saber. 


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