sexta-feira, dezembro 11, 2015

é de 1986



A


Ele começou a desfraldar-lhe (assim, bem lentamente: d-e-s-f-r-a-u-d-a-r-etc... (um leve tom irônico) as coisas, as coisas entre os sabões. Depois comeu todos os bombons, os finos e os grossos, lambuzando o balcão em que se esfregaram suas caras bebericando caldos destilados e cristalinos como ficaram suas línguas em beijos cada vez mais fundos. Ela acabou mostrando livros de murais romanos, cenas vermelhas, cenas ocres, conas entreabrindo-se, entrefechando sobre grossos dinamismos, esferas glandes... PLOFT! O livro caiu entre as pernas. Coisas entreabertas se entrefecham. Uma ninfa descalça olhando a lua velou-os por toda uma noite num pôster. Se ela fizer vocalize assim todo dia, eu juro que não me caso com ela. Um mantra de gatos ou lobos loucos, coca pra dentro do ouvido, gente saindo pra fora, elevadores descendo no fosso, e mais uma vez, sim, mais uma vez, vociferante e bela ela surgiu do alto da escada com um piano. Ouuuuuuuns. Ieeeeeeeeens, splechts de boca salivando sobre a louça da casa e a cristaleira, Kodaks seminuas, máquina fazendo PLIM! e voltando pra trás. Amanhã acho que ela, a outra, vem para tomar sol. Tomara que tome outras coisas e em outros lugares e fique pra jantar e mostre as cartas meladas pra nós sobre a mesa, dele, o outro, que foi pros states e está trabalhando lá com alguma coisa legal. Ou seria ilegal? Ah! Ela desligou o troço. Abriu uma revista de modas e começou a entreter a vagina com a mão, como a uma cadelinha que precisa de cuidados. Vestidos de seda, pele, pé descalço chuta a areia, cristal de olho quebrado. BLIMBLÃO. A campaínha. Ela correu lá dentro. Içou rapidamente a saia e olhou lá. Depois, mais rapidamente ainda, tirou o espelho e preparou algumas car rei ri nhas. Delicadamente. Como só seu rosto sabia ficar. Ele lavou as mãos enquanto isso. Chamou a eterna Maria que, submissamente, trouxe-lhe a toalha e deslocou-lhe um olho sem querer, quando riu por perto. Enquanto isso, a outra, isso é, ela mesma, deslumbrante e bela, já descia a escadaria devidamente preparada e acondicionada em pele marfim.

B

São Paulo acordou como iguanas em Galápagos. O sol vermelho em ramagens, o pó evola sobre, um naco de dente, um pedaço de dente, ele adorou. Esfregou na pia seus dilemas, pensando no mar e como ali chegara, foi ficando, olhando-se olhar. _Ele arrotou no meu nariz gostoso assim, dentro de mim encostado. Eu na janela, encostado ele, em mim forçando a barra um pouco, e numa outra vez, nem foi tão bom, nervosos, um vermelho ficando na mão dele, de lado foi melhor. Tudo ganindo, o dia foi se enxadrezando, fechando-se em tramas, tecido. O orifício era uma flor de dor, absinto, grito engolindo o sol. Marcas de risos nas costas. Pele sangrando. Pelos. Esbarro às vezes em seus olhos e gosto quando se desencosta dos meus, assustados.

C

Ele passava horas e minutos perdido em finas reflexões, de intestinos grossos e bombons (que nem eram tão bons), e gostava de revistas indecentes, principalmente cabeças chupadas, coisas assim, nisso ele era bom. Mesmo assim, quando ele escutava os chiados da torneira, uma espécie de rangido, que soava a apelo, meio choro e ranger de dentes, ele se arrepiava todo arrependido e voltava aos bombons. Ou suas reflexões a respeito.


por Cláudio Rodrigues

segunda-feira, novembro 30, 2015

A mentira e crueldade por trás do leite

 
 
 
O leite animal não vem de vacas felizes e bem tratadas,como a propaganda mostra. Ele é fruto da exploração de seres inocentes. Resultado de uma vida de encarceramento, escravidão, tortura e sofrimento de animais sensíveis que nasceram para ser livres.

quarta-feira, novembro 25, 2015

consciência do silêncio



23 de novembro de 2015. Jardim Canadá.
Meu tio morreu
À priori, ou seja, antes do fato.

Título - Vem mãe

Abre-se a porta do meu quarto. Terça-feira sete horas da manhã.
O que era pra ser le premier bonheur du jour, a primeira alegria do dia, pássaros cantando, sol raiando... A porta abre-se e o que vejo é o rosto aflito da minha mãe que entra rapidamente e senta-se na minha cama. Durante o breve percurso ela diz e continua.
__ Tio Gil morreu. Ele estava se sentindo abandonado. Fez greve de fome. Eu queria tanto ter ido lá visitá-lo. Eu ajudei a criar. Meu Deus! Eu e a mamãe...
__ Calma mãe, calma - digo, ainda assustado, ainda surpreso, ainda dormindo.
Ela sai.
__ Preciso ligar pra...
Encosto novamente a cabeça no travesseiro. Meu Deus! - repito em pensamento. Início de um dia de reflexão. Meu Deus! - digo, reverbero novamente, daí dou-me conta que essa nem chega a ser uma expressão, senão uma tentativa de comunhão com o universo.
Esse tio tem uma história cheia de nuances que...  Bem, interessa contar a vida dele? Vocês gostam della comedia de la vida humana, não é mesmo? Gostamos, sim, pois a vida é espelho e enigma. Pois bem. Ele é fruto da relação entre meu tio mais velho e a mocinha que trabalhava na casa de meus avós. Meu tio bebia e numa dessas capotou o carro, morreu e levou consigo mais alguns passageiros. A mocinha, que era mais velha, por conta de sabe-se lá, tornou-se meretriz. Já o pequeno rebento, num ato de bondade, foi adotado em condições calamitosas. Tinha contraído paralisia infantil e apresentava um quadro grave de disenteria.

continua...

sexta-feira, novembro 13, 2015

Lúcifer na Floresta

Então Dante decide seguir Virgílio que o guia e protege por toda a longa jornada através dos nove círculos do inferno, mostrando-lhe onde são expurgados os diferentes pecados, o sofrimento dos condenados, os rios infernais, suas cidades, monstros e demônios, até chegar ao centro da terra, onde vive Lúcifer. Passando por Lúcifer, conseguem escapar do inferno por um caminho subterrâneo que leva ao outro lado da terra, e assim voltar a ver o céu e as estrelas.


crack qual a onda que dá… pra onde vai a razão… o que importa meta nóia meta física cara metade feito barata tem ideia…
.
.
sublima - rasteja transcende - escorrega liberta - atravessa
.
.

gozo re compensa re entrante longo curso curto circuito re voltado re tornado sem ter na mente sabe ser eterno etéreo

instante infinito crê que seja acabável ao fim ao cabo sem tempo nem espaço…
.
.

pega uma muda troca surda aconselha re concilia com o real… acontece a revelia …crash… consciência pifa pífa pífanos Schopenhauer Niet clama ideia in consciente out energia vital tal gia gira gera potência elevada a enésimas
.

P. L.

sexta-feira, novembro 06, 2015

desfaçatez






Dá-me um segundo. Diga-me, quando chegará o momento oportuno? Aquele momento exato, em que nos meus olhos vão redescobrir o mundo e talvez mude minha apatia diante de tudo. Os tambores, o contrabaixo do jazz, o banzo, um gueto de blues norte-americano, grito de guerra em África - meus dedos, minha boca, barba. Meus pensamentos, enfim... Quando me olho no espelho, nos olhos, não sou mais o mesmo. O homem diante da vida. Menino, criança. Homem velho. Coisa sem sinônimo.  carente que espera sem dormir um vampiro que venha no meio da noite dar-lhe um abraço. Abraçar e ser abraçado sãos dois atos muito diferentes. Quase como atacar e ser atacado. Nem Eu vejo-me mais, senão de viés vez em quando, quando Rosa Passo meus passos diante das paredes e o reflexo pouco do mastigar dos olhos surpreende-me  com a urbana despretensiosa cena. Assim recomeço através desse outro “eu” que não viu passar, nascer, surgir e desaparecer na cena assim do nada. Apenas surgiu “do nada”, como o passar do tempo de tudo do Todo, tal como esqueço uma pessoa e me reparo flagrantemente nada existe mais via real e dói, mas não vejo. E novamente atravesso através do espelho. Eu garrulante, chilreiro, esparolado, louco, loquaz, incongelável irreprimível, irrespirável, incorruptível, imperdoável 

quarta-feira, outubro 28, 2015

peixe-sapo-eu-sapo-peixe

A futuros mais remotos, a meios-dias mais meridionais que os que jamais pôde sonhar a fantasia, além onde os deuses se envergonham de todo o vestuário
Assim falou Zaratustra





O extra-mim
enfim, decerto nada soube
tudo ou anything
O deserto nada há por sobrevir  
de como entornei-me Eu, ainda que assim
assim
tornei-me Eu-mim aqui
enfim
tornei-me entorno
tinta de besouro verde derramado
tinta de titiriteiro entorno inteiro
de eterno retorno
o dia diatônico reto urgia 
de gravata branca e terno vermelho
de gravatá sem terno, mas nesse modelo
feito espelho
high so far se já so long sou cama lambido
camarada libido libidinoso beija bem
se viu cívil se vil se gólgota se esgota
horizontal progesterol gol, gota-a-gota
Essa reta assíntota limita a curva, reza lenda
pela equação que não ultrapassava a dupla
mas qual, quão!? não funciona – facínora idiota!
Foi tudo em vão? tecnocratas da genipoca!
chiou meu coração cachorro, quase morro
mesmo assim, merci... foi por você que vim aqui
estames são de quatro em quatro,
dois dos quais, mais longos do que outros
diz-se dos vegetais que têm dínamos rizomáticos
gárgula garganta gargalha
Beatriz sentada aos pés da Santa
engole peido-de-xoxota
atravessei o sinal, entrei na contramão
extra-mim além acima sobre, ainda que longe daqui aqui mesmo...
nos verdes vales do fim do mundo
eis o homem, pois
o Paraíso de Dante’s now!
cem mil dentadas de animal
no mar de ossada sã dinamizada de manada
mamam menininhos mortos num pedaço de jornal
sonhei com a morte? – “não!” disse Carlos Gustavo, o Jovem
“sonhaste consigo mesmo entre os cavalos” redarguiu tão formal...
Foi daí que, sem pensar, eclodi, revidei com resposta angustiante e recriminei e acusei através do discurso verbal =
__ O peixe é o peixe, sapo é sapo e eu sou eu - animal!


sábado, outubro 24, 2015

It's funny how money changes the situation



As palavras são apenas um conjunto de letras e as frases uma junção de palavras, um parágrafo, a conjunção dessas frases e um texto, um bilhete para a eternidade. Ouvir com os olhos a palavra escrita. A semiótica busca o começo para encontrar o fim. A cor tenta retratar a realidade assim como a palavra tenta nomear a cor. A habilidade de interpretar a própria realidade está na subjetividade do olhar. A filosofia é de cada um. Não é difícil começar pelo fim, contanto que haja meios de entender. Não é difícil tentar entender o fim, sem meios nem começo. É fácil observar os meios, sem fim nem começo. É triste esperar o fim, que sempre vem. Pelos meios que me ocasionaram, até posso acreditar que o sofrimento chega sem aviso e o amor sorte do destino.
Soho. Flamenco Sketches. Chegamos ao apartamento onde Lloyd recebia seus convidados. Ele havia nos cedido durante o tempo que fosse necessário passar em NY, e finalmente saímos daquele hotel barato no Harlem. Não conseguia escrever uma linha, fazia uso de um dicionário. Uma revista em Madrid aguardava um texto meu sobre contemporaneidade e... Eu queria me jogar do prédio, mas quando olhava a vista do entardecer lá fora, mudava de ideia.
Um crítico da revista The New Yorker escreveu que “... sua maneira de escrever, even vaguely, refers to the classic Of Human Bondage, do escritor britânico W. Somerset Maughan.” ainda que vagamente remete ao clássico Da Servidão Humana. Um dos meus livros preferidos. Terá sido influência?

dedicado aos negócios



___ was wills du?

Hoje, hey Jude, nuca compreendi as suas “leis”. Mas foda-se também. Agora, o que não volta mais. Passou. Sua putinha! eu te adoro. Ao passo que ainda caminho. Com toda a minha beleza, inteligência, impulsividade. Moro na filosofia pra ninguém zombar de mim. Fingir que está tudo bem. Eu sou um farsante. Um beat angelical do Tempo. Se você estivesse aqui, mas até que eu esteja certa de que você não “não está nem aí” nunca dormirei em paz. Chet Baker e seu trio tocam as notas do jazz. Ele canta, desafina, alucina, “viaja” no som do piano e do contrabaixo. Rush na funiculina, um fugitivo do Tempo e a pantera cor-de-rosa. Um gozador. Das notas mais bonitas, mais líricas, mais enfáticas. Cada frase musical dói ah, mas como dói... E também zomba da própria dor numa espécie de ladainha jazzística. “mas hein, não tô nem aí com você”. E quando canta ele expressa esse desprezo. Desprezo pela vida, pela verdade, por você. Moto contínuo, a ladainha não pára. E é por isso que gosto dele. Ele não esgoela as notas com pavor intimidador, mas prolonga o sopro do lirismo e da angústia. Boceja nota à frente, acima e nota abaixo. Canta, vocaliza, nos agudos e nos graves. Algo de que me angustio por não saber se também desprezo a humanidade. Não que eu seja falso. Sou sincero até a morte e não penso mal de ninguém. Não projeto o mau, não “desejo” o mau. Normal que eu me sinta meio magoado por tanta coisa que desanima... Mas “acontece”. “A vida é assim mesmo...” Coitado do filho-de-uma-puta que fala isso. A vida não é assim, não engane você mesmo. As coisas acontecem da maneira que a gente não planeja, mas somos as vítimas e os algozes desse paradoxo chamado por “amor”. Chamo de “vida de relações”. Essas foram para mim um verdadeiro lixo. Eu também sou um lixo e o malfadado acontecimento diário chamado Vida, no momento me dá uma preguiça danada. Não sinto mais prazer.

sexta-feira, outubro 23, 2015

James Douglas

A única obscenidade que conheço é a violência.
Jim Morrison 

Diga não à violência

Vivemos num mundo onde nos escondemos para fazer amor! Enquanto a violência é praticada em plena luz do dia.




John Lennon

zero






Como em um vaso de mágico por beber,
no espelho dissolve lentamente seu aspecto
depois joga uma mistura do seu sorriso pronto

Aguardando o que aconteceu,
em profundez madeixa de cabelo,
mecha por mecha infundindo e,

desde o vestido expondo languidamente
seus ombros brancos e bonitos
silencioso sorver o seu caminho


Mas não assim como no amor,
esquecendo-se de tudo no mundo
corrosivo, dúvida, e um sinal 


Na parte inferior do espelho
provoca amor e precipitação tardia...

magic Hermeto



sábado, outubro 17, 2015

O QUE É VEGANISMO?


É um movimento a respeito dos direitos animais. Por razões éticas, os veganos são contra a exploração dos animais. O boicote à atividades e produtos considerados especistas é uma das principais ações praticadas por quem adere ao movimento.Teve inicio, nos anos 1940, por organizada por Donald Watson.


"O veganismo é uma forma de viver que busca excluir, na medida do possível e do praticável, todas as formas de exploração e de crueldade contra animais, seja para a alimentação, para o vestuário ou para qualquer outra finalidade. Dos veganos junk food aos veganos crudívoros – e todos mais entre eles – há uma versão do veganismo para todos os gostos. No entanto, uma coisa que todos nós temos em comum é uma dieta baseada em vegetais, livre de todos os alimentos de origem animal, como: carne, laticínios, ovos e mel, bem como produtos como o couro e qualquer produto testado em animais."
Definição criada pela The Vegan Society, da Inglaterra, mais antiga entidade vegana do mundo.
O vegano ou vegana, portanto, é a pessoa que pratica o veganismo, não contribuindo para o sofrimento dos animais. Veganismo são princípios pelos quais o ser humano deixe de explorar os animais e a prática e buscando o fim do uso de animais para alimentação, apropriação, trabalho, caça, vivissecção, confinamento e todos os outros usos que envolvam exploração da vida animal. Os veganos procuram abolir qualquer prática que explore animais, zelando pela preservação da liberdade e integridade animal. Também boicotam qualquer produto de origem animal (alimentar ou não), além de produtos que tenham sido testados em animais ou que incluam qualquer forma possível de exploração animal nos seus ingredientes ou processos de manufatura. Ou seja, não utilizam produtos de beleza, de higiene pessoal, de limpeza, etc. que não estejam isentos de crueldade.

Alimentação vegana

Veganos excluem da sua dieta carnes e embutidos, banha, vísceras, músculos, gelatina, peles, cartilagens, laticínios, ovos e ovas, insetos, mel e derivados, frutos do mar e quaisquer alimentos de origem animal. Consomem basicamente cereais, frutas, legumes, vegetais, hortaliças, algas, cogumelos e qualquer produto, industrializado ou não, desde que não contenha nenhum ingrediente de origem animal. Existem documentários, vídeos.. que vai fazer você tomar consciência deixarei links abaixo. Links | Sites veganos e direitos animais.
ANDA
www.anda.jor.br

Camaleão

www.camaleao.org


Gato Verde
www.gatoverde.com.br

Muda o Mundo
www.mudaomundo.org

Olhar Animal
www.olharanimal.org

PEA – Projeto Esperança Animal
www.pea.org.br

Pensata Animal
www.pensataanimal.net

Veganos.org
www.veganos.org.br

Vegan Society NSW
www.vegansocietynsw.com


quarta-feira, setembro 30, 2015

buraco de formiga


Wormhole



"Como podem ver será algo que unirá diferentes sítios da estrutura do espaço-tempo. (Daqui surgem teorias sobre viajar no tempo e/ou espaço, que tenho a certeza que não perderão a oportunidade para comentar, mas que estando envolvidas nesta teoria que é apenas uma hipótese, não podem receber muito crédito, não descuidando do fato de ser uma possibilidade, caso a teoria se confirme. Segundo outras teorias, estes "túneis" poderiam ligar universos paralelos, embora seja menos provável por razões de inconsistência com outras premissas que a teoria usa como fundamento...) Como veem na imagem, no meio do "túnel" fala lá de "energia negativa" - este é um dos problemas: nunca se "viu" energia negativa, ainda assim se existir fará parte de outra matéria também teórica que se chama "matéria exótica". Por que metem uma "matéria" que não se sabe que exista na teoria? Simplesmente para que se possa pensar nesta teoria da existência de buracos de verme: sem energia negativa, a chamada garganta do buraco fecharia sempre que se recebe qualquer matéria, o que tornaria o buraco totalmente inútil em termos teóricos, pois só existiria caso não fosse usado..."

coisa sem sentido



Uma frase veio à tona. Pulou, escapuliu, me fez pensar. Fez-me entender outras frases que já haviam sido ditas. Somente hoje eu compreendi o contexto. Agora tenho a quem matar com a minha indiferença. Hoje deixo de ser indiferente a mim. Vou comer um prato feito no mercado e à noite tomar uma cerveja no Aquarius e pedir um tira-gosto, sentado no enorme balcão que abriga todos, sedentos e famintos. Ver o Jornal Nacional. Depois de pagar a conta e dar um adeus vespertino, vou andar até a esquina e comer um churrasquinho de gato, trocar umas ideias com o baiano velho, aprender um pouco.
Aprendo muito sobre a natureza humana. Os próprios da mulher e do homem. Parece que se refestelam em si. Eu me pergunto de onde vem essa força. Então, com uma pergunta enigmática qualquer, eu vou pra cama, pensar um pouco, enquanto algum filme idiota passa na TV, sem som, no mudo.




Nota se fim...

sábado, setembro 26, 2015

Flutue no céu

E que também adormece, também dança, dança o choro-valsa e a valsinha e adormece. Dança. Dança e encaixa suas notas, compassos e contratempos e ritmos. Areja, esvoaça, vai longe. Voa... e retorna à perfeita percepção, própria em si mesmo. Madruguei com você. Abdiquei de tanto faz o que. Não há como perceber o mundo fora de si. Não há como não tomar atitudes desesperadas. Há como Ser ou forte e firme ou fraco. Sem morte sem norte sem leme quem te ame e sem tabaco. Sem café? Já li muito. Meus ouvidos agora querem aprender a ouvir mais do que ler. Tenho lido pouco ou quase-nada. Ler é deixar alguém falar no seu ouvido. Nada de realismo fantástico, nada dos contistas russos. Sinto-me um intruso na obra desses mestres, confusos, russos, obtusos. Minha garganta seca. Minha ausência de diálogo e minha fala ficam obstinadas, corrosivas. Ultrapasso a hermenêutica do apuro, pichado nos muros da memória. O que passou, passou... Flutue no céu, ou siga-me.





terça-feira, setembro 22, 2015

Live


Tanto tango trago em ti





Dos gardenias para ti
Con ellas quiero decir:
Te quiero, te adoro
mi vida
Ponles toda tu atención
Que seran tu corazón y el mio
Dos gardenias para ti
Que tendrán todo el calor de un beso
De esos besos que te dí
Y que jamás te encontrarán
En el calor de otro querer
A tu lado vivirán y se hablarán
Como cuando estás conmigo
Y hasta creerán que se diran:
Te quiero.
Pero si un atardecer
Las gardenias de mi amor se mueren
Es porque han adivinado
Que tu amor me ha traicionado
Porque existe otro querer


A cabeça cheia, a cabeça vazia... devo dormir ao teu lado, mas não posso mais. Tomo uma chuveirada e estou guardado pelo sol. Novo quintal, novo bairro perimetral, mesmo sol. Tudo é novo, tudo de novo. Oriento-me de dentro para fora e localizo-me de fora para dentro. A doce, lenta e calma percepção do mundo ao redor. Vejo as estrelas. Às vezes choro. Quão distante está você agora? Acho que apenas dentro de mim, ao menos dentro de mim. Achar essas minúcias da vida, do caminho, das águas, ventos e sentimentos e a noção que tenho de mundo agora. Dor, amor, solidão. Então tudo se acalma. Meu corpo, minha mente, alma.. Começo um novo que se expande aos poucos e tento acampar nesse novo e me deixo guiar. E o horizonte cresce a cada passo, a cada palmo, a cada pedaço de esquecimento...


como tragar o indecifrável



como tragar o indecifrável?

nunca estive disposto feito pato d circo em tiro ao alvo
feito sapo de vala na beira do alambrado,
feito palhaço fumador descalço que odeia  sapato largo,
mesmo r assim a vida segue seu rumo, fatalmente, ao mesmo tempo em vários rumos. Não importa que a vida seja mesmo essa aventura errante, que importa sentir-me vivo? preparado para surgir e emanar de encontro, porque hoje o amanhã consiste em novamente trespassado,
de onde surgem as cobras e as cobranças, a dança, a malandanza
um sapo veemente-mente descaralhado e descalço
sem vos, sem vês, sem vis-à-vis feito o palhaço
eu pico a mula me aprumo e vou contente.

Ossip

Caminheiro
Sinto é um medo, um medo insuperável
Defronte das alturas misteriosas.
E dizer que me agradam andorinhas
No céu e do campanário o alto voo!
Caminheiro de outrora, cá me iludo
Pensando ouvir à borda do abismo
A pedra a ceder, a bola de neve,
O relógio batendo eternidade.
Se assim fosse! Mas não sou o peregrino
Que vem dos fólios antigos desbotados,
E o que em mim real canta é esta angústia:
Certo – desce uma avalancha das montanhas!
E toda a minha alma está nos sinos,
Só que a música não salva dos abismos!

segunda-feira, setembro 21, 2015

sim, sei...

Abrigar alberga seis das nove três frequências

Ela incumbiu a dizer que as rodas redondas de cucos
de duas pernas da calça de passar roupas do armário
onde o pássaro da cereja e aranhas de arame desmoronam
cascos díodos deslizantes
denominações dos silos para dissolver a comida
do frio leite em envelopes selados
agulhas de tricô jogam cromado fingidamente
do carvão da morsa a sombra negras
veludo de endereço verticalmente chinês
balanças em estado de alerta na Mongólia
vestígios de hanseníase incubadas mudo

sexta-feira, setembro 18, 2015



Surge mais forte de fatos que de afeto
Morna é a fragrância da
madrugada

Fragmentos harpejados,
herméticos de Fátima e
agulhas náuticas
no mar de Malta

Amalgamada
farfalha
nalma
e a fleuma
aflora.

murmurejando
ciciando
não
sei
se
canto

rumorejando
negro
pardo
e santo
meu lamento
meu breque
meu salamaleque

Dimitri





combinações desengordurantes

Na cova de duas folha claras
a casca da pena claramente
a obstrução do indispensável
saber como saber autenticamente
uterina, inibida, singular
para empurrar todos os pregos
de um hiato em forma de infortúnio
deslizou o colar escorregou ao longo do turno
na atividade do cérebro
o ruído, a presença de um escândalo de sândalo
a senha centípede
dos chakras de um moedor

quinta-feira, setembro 17, 2015

.


El Macho Cabrio


Quem é a Besta Fera sobre a qual a Prostituta Babilônica está sentada, fornicando e dominando? Palavras da Gênese. 16. Os dez chifres que viste, assim como a Fera, odiarão a Prostituta. Hão de despojá-la e desnudá-la. Hão de comer-lhe as carnes e a queimarão ao fogo. 17. Porque Deus lhes incutiu o desejo de executarem os seus desígnios, de concordarem em ceder sua soberania à Fera, até que se cumpram as palavras de Deus. 18. A mulher que viste é a grande cidade, aquela que reina sobre os reis da terra. Revelação 17:1-18 E um dos sete anjos, que tinham as sete tigelas, veio e falou comigo, dizendo: “Vem, mostrar-te-ei o julgamento da grande meretriz que está sentada sobre muitas águas, com a qual os reis da terra cometeram fornicação, enquanto que os que habitam na terra se embriagaram com o vinho da fornicação dela. E os dez chifres que viste significam dez reis, os quais ainda não receberam um reino, mas eles recebem autoridade como reis por uma hora, junto com a fera.”

Deus morto fêmea


A hora em que Dimitri engasgou-se, pôs tudo pra fora, naquela hora. Eram três e vinte sete da tarde de uma quinta-feira. O ano eu não me lembro, mas foi no inicio do século. Acho que no final da primeira década. Vivíamos numa sociedade que ainda não tinha noção de si, não tinha noção de estar passando por uma época de transição. Normais que não tivessem essa capacidade de distinguir as mudanças (assim como os renascentistas não disseram: Eis, pois a Renascença! Coube aos historiadores nomear) em uma linha do tempo. Sim, até então era uma linha reta. A época, nunca dantes vista e sem dispor de pais e mães filósofos, que fossem capazes de dizer em sua totalidade, o que estávamos vivendo. A partir da morte de Dimitri Marcowich foi que me dei conta de que tudo parecia ser, mas não era. Tornou a vir o pensamento dos morros, fase-da-macumba, do império Austro-Húngaro, das manhãs de domingo. Tornaram a vir as umas lembranças, ou más recordações. As palavras do pastor sobre a nave, a comunhão, a dor de estômago e as inumeráveis cervejas da noite anterior. Os amigos que eu não conhecia. Nunca sabia o que estava se passando. Veio de novo essa memória. A sensação de que estava sendo passado pra trás novamente, mas por mim mesmo, novamente. Quis me afastar, correr, deitar dentro de mim. Língua gelada língua gelada. Como eu... A passividade em que vivíamos... Pessoas recusavam-se a serem artistas, mesmo sendo. Administradora de empresas que concatenava se era boa ou ruim minha influência de poeta. Melhor seria o meu refluxo. E os acrobatas da dor continuavam morrendo assim como Dimitri, assim como os camponeses de Madelstam. Os mais desavisados morriam no meio da rua, puramente para o deleite dos transeuntes. Logo escorriam pelo esgoto, feito uma gota de porra a ser limpa. Então, eram todos acrobatas da dor forçados a desfalecer nalgum momento sob o comando da urgência. Dimitri e eu éramos amantes. Dimitri tinha a mente vazia e talvez fosse isso que me fascinava. Era a mais inédita expressão do momento que estávamos vivendo. Carregava o Caos em seu bolso esquerdo e a Teoria da Relatividade no outro. Sempre foi gauche desde que o conheci. Tinha olhos de peixe morto e isso dava-lhe a virtude de nunca ser visto. Remontei a época em que Dimitri era vivo e o meu coração pulsava com alguma esperança ainda. Ainda que pairasse no ar sobre o nos a praga do milênio.

segunda-feira, setembro 14, 2015

segunda-feira, setembro 07, 2015

Bordellen



جيز
لي وروحي البرازيلي. معاذ الله أن أي وقت مضى فهم تصبح هذه الشعري. يبارك هذا الشعب هذه الأرض التي الارتباك. وهذا ما يجعلني أفكر تحت حبلا شعري. وهذا ما يجعلني أكثر البرازيلي الذي يتوقف لسماع السلام عليك يا مريم أمام الكنيسة. والصلاة. في يوم آخر، آمين.



segunda-feira, agosto 31, 2015

58





O mistério que envolve esse teorema envolve esse enigma e sempre se repete à mesma volta. Você bebe a água e eu te bebo. Fico ébrio. Você coloca suas pernas sobre as minhas coxas e eu sinto o seu sexo. Quero engolir sua boca, mas você me beija mais do que eu te beijo e eu adoro. Sinto teu seio pequenino de ninfeta, arrepiado e duro no escuro. Você embriaga-me como quem nada quer e bebe pra matar minha sede. Parecem intermináveis as horas feito minutos. De tudo esqueço. O trabalho inexistente esquece-me de hoje de ontem de antes de ontem. Esqueço que me maldiçoou com sua soberba, sua irracionalidade, com seu atavismo. A vida importa. A vida importa porque suas maluquices de ninfeta fazem-me ter mais responsabilidade. Adoro seu cabelo todo lindamente atrapalhado sobre seus olhos sobre o meu rosto. Seu beijo é o gostoso no caminho percorrido ao instante eterno, efêmero e derradeiro em que te quero. A paisagem, essa fogueira elétrica ao lado da cama e você. A Lua lá fora espreitando nosso desejo com sorriso de Gato. Nesse momento quero esquecer meu passado. Quero esquecer outras luas, outras primaveras, outras trepadas, outros beijos. Nessa hora você se entrega e sobe sóbria sobre mim. Eu, bêbado de ti. A palavra, nada diz. Não importa que devore minha alma.
Gats vida mut


O dia foi calmo e silencioso.
Nada de palavras, vazio de tempo, reflexões em off



Dia de restabelecimento, dia da santa
e a tarde passa como um vento
shhhhhhhh...

A cama parece meu último refúgio
mas eu não conheço nenhum Jesus da Silva
e não sou capitão de nada

Abespinhado apenas,
enquanto Açucena caminha sobre o abismo.

gavetas




Pequenas paisagens guardadas nas gavetas da memória, fazendo alusão ao título das noites passadas. Pequena menina azul, você agora descansa em outros braços. Agora a noite dança em seu compasso. Melodia previsível sem palavras. Digo-te em segredo que há um altar quando acordo, durante do sono cortado por uma poesia subconsciente. A situação de vulnerabilidade física talvez não seja consciência de todos nós. Duas estrofes, de três versos e se perdeu e em alguma gaveta. Nada desabona as palavras.  A mesma paisagem de prédios e janelas, luzes acesas, lua minguante. Zomba de mim com seu sorriso amarelo. Você liga pra me procurar onda anda minha vida? Quem é essa galera? Você se esconde. A quem mostraria sua realidade? Como tentar esquecer uma sina, um acidente climático. Feito tentar esquecer a realidade, feito rasgar uma carta antiga, um recado que não significa mais nada. Os sinos tocam à mesma hora, um dia mais.

tenta-se



Para entender as mulheres é preciso entender de cores, é preciso entender as fases da lua, é preciso entender. É preciso ter um olhar holístico sobre todas as coisas, sem coisificar os seres vivos e tampouco dar vida aos inanimados, mas sabendo que, mesmo estáticos, todos participam do movimento. Não circular nos altos e baixos da régua da história. Personagens vivificam a cena do príncipe e a princesa espera a lua, cheia de melindres. Para entender as mulheres é preciso informar-se de nuances, de matizes de cores, da mudança de luzes. Qualquer logaritmo concebido para conceber. É preciso saber a resposta da pergunta, ainda que essa seja incognoscível. Colagem de pedaços isolados, rasgados, mas que juntos estão em harmonia. Um olho daqui e o nariz na linha do horizonte, sempre a sorrir e a piscar ao mesmo tempo. Junta os retalhos e recomeça a costurar. Começa a cerzir metáfora com possibilidades.

sem mim




Pedaço de mim que estava preso na garganta, saiu como fumaça de rancores, raiva, desejos de vingança, alucinações. Vociferando ao léu, no púlpito das intrépidas memórias, palavras ordinárias contra a dor. Saudades e ódio, para inutilmente tentar fugir de um desmoronamento. Túneis e pontes, conexões entre o passado e o presente na cachoeira de domínios. Quando os seus olhos de menina vulnerável à sombra de um desdenhoso anjo libertário. Confiar em mim foi como mentir uma traição cotidiana que nos acometeu durante algum tempo. Tempo demasiado denso desde o princípio. Aurora após aurora, quando ainda nenhuma manhã sublinha essa lembrança, envolve-me o olvido. Falta-me o seu ventre, suas coxas e as minhas coxas, o seu misterioso riso de mulher. Falta-me a nossa cama para o meu longo cansaço. Falta-me a sua vagina ensolarada para ancorar a minha vergonha de ternura. Espera em sua casa, nessa espessa noite que atravessa.

um fescenino acorda


Os pratos se quebravam e não era um casamento grego. O Cigano esteve aqui em minha casa e eu lhe presenteei com uma foto, uma revista, uma meia e uma cueca. Era noite de esquecer-se de tudo. O começo da decomposição. Noite de esquecer você e extirpar com a navalha alguns miomas intelectuais.

52

Confissões à Lua

meus dias de amanhã
feitos de vários ontens


concretização de coisas
cotidianas


e as horas vãs
preenchidas pelo medo
fazem a insanidade do tempo


me disse coisas ao pé do ouvido
coisas que eu
não posso entender


um lamento
um blues dolorido
lembrar do passado
me deixou entediado

54





BEAT PARALELOGRAMO. Andar pelas ruas, as mesmas ruas. Estar sozinho ou acompanhado, viver uma realidade paralela. No meio das pessoas, pareço tão louco quanto devo ser. Perto de mim, meus vários. O eu de pé, o eu de chapéu, o eu sentado esperando os vários minutos calados passarem com imprecisão. Ando durante o dia. O eu que vai pela noite durante a noite pela noite. Dia a dia, espero-te à tardinha, quando nos encontraremos felizes a olhar o céu, que vai nos encher os olhos de nuvens. As lágrimas escorrem da exultação mórbida de um luto. Perdido no globo que eu não me encontro. Não peço informação, mas não faz diferença. Estou inerte, indiferente a tudo isso. Vivendo como criatura da noite. Observo os desejos de amor, os delírios de amor, amor contido no vazio do ego que implora alguma existência. Histórias que trazem um personagem oculto. Amores que fazem da vida o pior e o melhor da vida. Litígios da aproximação...

50

 
 
 
 
Parece que as coisas não acontecem e de repente se acontecem e tecem a longa rede da realidade que vai se alternando entre bons e maus momentos. Vai-se acalmando como uma lenta, leve, suave melodia que dorme ao meio dia, vai-se do aéreo da mais culminante nota no tom mais elevado do jazz, da batera, do tumtum, papum, e acaba no piano ma no molto, alegro ma no moltopresto ma no moltoadágio. Lembrei-me da minha incansável stamina para certas coisas. Enquanto a fenda da vida não se abre, tudo corre rápido, vai e acaba. A música e recomeça, e eu, meio tonto, não ligo, relaxo. É assim. Não me leve a sério, permanece o mistério. Suave aroma de cânfora, chocolate e vinho. Perfume francês e cafezinho pra depois. Rememorando aromas.

Seguimos falando sobre o mesmo tema

what the water gave me 1938

Frida Kahlo







Apenas não poderei revelar qual.
Esse é mais um texto secreto, sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desaferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou
vidente

Embora não possa prever o resultado da Copa. O dia raiou sem maiores problemas, contudo esse não era o grande dilema. Quem vos escreve é a editora do blog, Bruna. O Gustavo, pela segunda vez, não nos enviou seu texto, como vem acontecendo. Esse espaço é reservado ao editorial, que é sempre fechado na última hora para esclarecer o leitor dos deslocamentos semânticos e episódios que serão abordados durante a semana. Em geral, embora ele não seja apegado a gêneros, o Gustavo sempre escolhe o tema mais dadaísta que consegue. Sua abordagem, seu tom de prosa falsamente auto confessional e sua coragem de fazê-lo nos impressiona. Ele sempre condiciona os demais colaboradores do blog ao seu próprio cronograma. Tantas vezes randômico e em nível sublime de entendimento. Tanto tantas que as vezes nós mesmos nos esquecemos o que foi acertado, ajustado e fechado nas reuniões de pauta. Assuntos do interesse comum de todos que aqui colaboram e que sejam compatíveis com os episódios da semana. “Estou de cama” foi a mensagem que ele mandou da última vez que não enviou seu texto. E então cá estou eu em seu lugar, na última hora, escrevendo para cobrir o espaço que ficaria vazio. Até hoje não se encontrou uma definição precisa para o que chamamos de notícia. O editor chefe da New York Times disse certa ocasião que notícia é aquilo que interessa a todos. Sim, é de interesse comum e geral, mas não queremos saber qual a última vez que choveu no deserto do Saara, tampouco nem todos os americanos de Nova York esperam saber qual foi o resultado da última partida de futebol da Copa. Nove entre dez indivíduos franco canadenses habitantes da Guiana e suíços alemães que vivem na Itália preferem ver ouvir samba ou uma série da TV americana. Essas são algumas das informações que o Gustavo consegue obter em suas pesquisas e nos manda. Ele nunca cita as fontes e sempre atrasa. Já recomendamos que deixasse algum tema em mente previamente, mas ele reclama dizendo que “eu sou um artista” (sic.) e outras vezes nos manda mensagens obscenas. Contudo, essa semana ele nos deu grande alívio ao escrever “estou na frente do computador, logo enviarei o texto”. Mas quando fomos checar lá estava registrado que a mensagem havia sido enviada de seu Ipod e logo em seguida ele postou no Facebook fotos do posto 9 em Copacabana e outras tiradas num bar em Ipanema. O texto chegou só no dia seguinte. Bem, tudo em volta está deserto, tudo certo, tudo certo como dois com dois são cinco. Quem quiser saber da vida pessoal do Gustavo não pergunte pelo Facebook. Ele raramente responderá a verdade. acompanhamos o resultado da Copa, capo, como nos convém, ou quando o senhor nos chama. Dessa vez soubemos por fontes escusas que ele, após pernoitar em um hotel da Tijuca, partiu acompanhado de uma argentina para a Grécia. Dizem que ele quis protestar contra a Copa. Soubemos também que a argentina se chama Francisca, é uma sex simbol, tem 97 anos e é boa de cama. Well well, assim termina o suposto editorial da semana.

Um giro pela arte com Nilo Zack

“O grafite está para um texto, assim como um grito está para a voz”
Paulo Leminski


Conversamos com o artista Nilo Zack, pintor de ilusões





G.P.
Zack, você desenhava na infância? teve alguma fonte de inspiração dentro de casa? Como surgiu a inspiração primordial?
.
N.Z.
Eu desenho sim desde criança, tenho alguns desenhos que datam de mais ou menos 1990, quando eu tinha 4 anos. Como toda criança falava sem parar e para me manter calado e fora de confusões minha mãe me colocava num canto para desenhar, e ali eu permanecia por um bom tempo.
Meu pai e pintor letrista (faz letreiros, faixas e etc.) então sempre tive contato com tintas e pincéis acredito que daí vem a influência.
.
G.P.
Qual o caminho que trilhou em seu trabalho, para chegar aos indiozinhos que você cria?
.
N.Z.
comecei no Graffiti em 2004/2005 numa oficina de um projeto social no Taquaril, depois fui me aprofundando nas técnicas de pintura e procurando conhecer um pouco o universo das artes. Em 2010 em um trabalho para a faculdade surgiu o primeiro "Menino Palhaço" que foi baseado em meu sobrinho.
.
G.P.
que tipo de música você ouvia na adolescência?
.
N.Z.
como um típico adolescente tive minhas fases, mas as mais marcantes foram o Rap e o Rock.
.
G.P.
e como você faz com as dimensões, Zack? Imagina, ou faz um rascunho, ou sei lá, sua visão dimensional...
N.Z.
imagino na hora, gosto sempre de usar toda a superfície que tenho.
Eis que nosso amigo Cláudio Rodrigues assume a entrevista.

C.R.
seu traço é incrível, parece ficar horas se exercitando. Como é seu dia a dia quanto ao grafite?
.
N.Z.
pinto 5 vezes na semana, às vezes só alguns traços pra sentir o cheiro da tinta...
.
C.R.
interessante. Mas você atingiu uma perfeição que parece que fica horas pintando. Como você chegou à perfeição de que estou falando? Qual foi seu percurso no desenho, na pintura e como chegou ao grafite?
.
C.R.
De 2010 a 2012, ficava muitas horas pintando, já cheguei a pintar 12 horas direto, no trabalho feito na rua dos Guaicurus com São Paulo. Comecei com desenho quando criança, depois comecei a pintar com a Pichação, dela fui pro grafite e dele pro mundo das Artes Plásticas...






Grafite ou grafito (do italiano graffiti significa em Latim e Italiano “escritas feitas com carvão” grafite vem da palavra “graphein”, que em Grego significa escrever, sendo também o nome que se dá ao material de carbono que compõe o lápis. Mas, se analisarmos em termos mais genéricos ainda, até mesmo as pinturas rupestres, dos Homens das cavernas, podem ser consideradas uma forma Pré-Histórica do grafite.
Considera-se grafite uma inscrição caligrafada ou um desenho pintado ou gravado sobre um suporte que não é normalmente previsto para esta finalidade. Por muito tempo visto como um assunto irrelevante ou mera contravenção.
hoje o grafite já é considerado como forma de expressão incluída no âmbito das artes visuais, mais especificamente, da street art ou arte urbana - em que o artista aproveita os espaços públicos, criando uma linguagem pessoal para interferir na cidade. No entanto ainda há quem não concorde, equiparando o valor artístico do grafite ao da pichação, o que é bem mais controverso. Consiste em um movimento organizado nas artes plásticas, em que o artista cria uma linguagem intencional para interferir na cidade, aproveitando os espaços públicos da mesma para a crítica social.



Afinal, o que é o texto?

Ao discutir a posição do grafite diante do conceito de arte, tal como é concebida na contemporaneidade, nos colocamos a frente de um enorme giro em torno da Arte ao longo da evolução da raça humana.
Ao fim da caçada, com as mãos lambuzadas de sangue, o homem das cavernas apoia-se em uma das paredes e, por um acaso, deixa o gravado o primeiro registro de sua existência. Deve ter sido assim que tudo começou. Ao perceber que aquela era a representação de sua mão, ele tenta reproduzir outros modelos gráficos (do latim graphicus, -a, -um, desenhado por mão de mestre, perfeito, completo, do grego grafikós, -é, -ón, capaz de desenhar ou de pintar) do pensamento. a descoberta das pinturas pré-históricas promove uma grande discussão no mundo científico, entre os evolucionistas, que tentam atribuir sentido lógico a elas. Não se imaginava o que homem pudesse ter “consciência” do próprio pensamento. Elas exibem uma iconografia variada, em vários "estilos", técnicas e materiais. Em geral, trazem representações de animais, plantas e pessoas, e sinais gráficos abstratos, às vezes usados em combinação. Sua interpretação é difícil e está cercada de controvérsia, mas pensa-se correntemente que possam ilustrar cenas de caça, ritual, cotidiano, ter caráter mágico, e expressar, como uma espécie de linguagem visual, conceitos, símbolos, valores e crenças. Muitas composições são louvadas pela sua beleza e refinamento e seu apelo visual. Por tudo isso, muitos estudiosos atribuem à arte pré-histórica funções e características comparáveis às da arte como hoje é largamente entendida, embora haja uma tendência recente de substituir a denominação "arte" rupestre por "registro" rupestre, considerando a incerteza que cerca seu significado. Permanece, de todo modo, como testemunho precioso de culturas que exercem grande fascínio na contemporaneidade, mas são ainda pouco conhecidas. Fato é que, todo registro gráfico contém uma mensagem que será transmitida e interpretada e reinterpretada, pelo sujeito observante, infinitas vezes. E o Homem da pré-história obviamente sentia fome, um legi-signo simbólico que conhecemos através da palavra fome. Contudo, nesse período (período quaternário, quando o homem surge sobre a face da gleba terrestre) os primeiros bípedes viventes e pensantes não dispunham de uma linguagem preconcebida (sistema de signos linguais utilizados para representar uma ideia. Ideia - uma coisa que está no lugar de outra coisa) para transmitir o pensamento. Então ele reproduzia, de fato, a imagem da caçada que lhe vinha à mente.

















Bem antes




O texto está por toda parte.







É muito curioso verificar a que ponto a filosofia, até o fim do século XVII, fala-nos afinal, o tempo todo, de Deus. E no fim das contas, Spinoza, judeu excomungado, não é o último a falar-nos de Deus. O primeiro livro da Ética, sua grande obra, chama-se "De Deus". E em todos, Descartes, Malebranche, Leibniz, tem-se a impressão de que a fronteira entre a filosofia e a teologia é extremamente vaga. Por que a filosofia comprometeu-se a tal ponto com Deus? Foi assim até o golpe revolucionário dos filósofos do século XVIII. Trata-se de um comprometimento ou de alguma coisa um tanto mais pura? Poderíamos dizer que a filosofia, até o fim do século XVII, deve sempre atender às exigências da Igreja, e que ela é portanto forçada a dar conta de muitos temas religiosos. Porém sentimos muito bem que seria demasiadamente fácil; poderíamos dizer igualmente que, até essa época, sua sorte está um tanto ligada a um sentimento religioso. Eu vou retomar uma analogia com a pintura porque é verdade que a pintura está repleta de imagens de Deus. Minha questão é: basta dizer que se trata de um constrangimento inevitável nessa época? Há duas respostas possíveis. A primeira é sim, trata-se de um constrangimento inevitável dessa época que remete às condições da arte nessa época. Ou então dizer, um pouco mais positivamente, que é porque existe um sentimento religioso ao qual o pintor, e sobretudo a pintura, não escapam. Tampouco escapam dele a filosofia e o filósofo. Isso basta? Não seria possível uma outra hipótese, a saber, que nessa época a pintura tem tanta necessidade de Deus justamente porque o divino, longe de ser um constrangimento para o pintor, é o lugar de sua emancipação máxima? Em outras palavras, com Deus ele pode fazer seja lá o que for, ele pode fazer o que não poderia fazer com os humanos, com as criaturas. Assim, Deus é investido diretamente pela pintura, por uma espécie de fluxo de pintura, e, nesse nível, a pintura vai encontrar por sua conta uma espécie de liberdade que ela não teria encontrado de outra maneira. No limite, não existe oposição entre o pintor mais piedoso e esse mesmo pintor enquanto faz pintura e que é, de certa maneira, o mais ímpio, pois a maneira pela qual a pintura investe o divino é puramente pictural, onde a pintura encontra, precisamente, as condições de sua emancipação radical. Dou três exemplos: El Greco... Essa criação, ele só poderia obtê-la a partir das figuras do cristianismo. Então é verdade que, num certo nível, havia constrangimentos se exercendo sobre eles, e num outro nível, o artista é aquele que - Bergson dizia isso do vivo, ele dizia que o vivo converte os obstáculos em meios, essa seria uma boa definição do artista. É verdade que há constrangimentos da Igreja que se exercem sobre o pintor, mas há transformação dos constrangimentos em meios de criação. Eles se servem de Deus para obter uma liberação das formas, para levar as formas até um ponto em que as formas já não têm nada a ver com uma ilustração. As formas se desencadeiam. Elas se lançam numa espécie de Sabá, uma dança muito pura, as linhas e as cores perdem toda necessidade de serem verossímeis, de serem exatas, de se assemelharem a qualquer coisa. É a grande liberação das linhas e das cores que se faz em favor dessa aparência: a subordinação da pintura às exigências do cristianismo. Outro exemplo: uma criação do mundo... O Antigo Testamento lhes serve para uma espécie de liberação dos movimentos, das formas, das linhas e das cores. De tal maneira que, em certo sentido, o ateísmo jamais foi exterior à religião: o ateísmo é a potência-artista que trabalha a religião. Com Deus, tudo é permitido. Eu tenho o vivo sentimento de que com a filosofia foi exatamente a mesma coisa, e que se os filósofos nos falaram tanto sobre Deus - e eles podiam muito bem ser cristãos ou crentes -, não foi sem um intenso gracejo. Não era um gracejo de incredulidade, mas uma alegria do trabalho que eles estavam prestes a fazer. Assim como, eu dizia, Deus e Cristo foram para a pintura uma extraordinária ocasião para liberar as linhas, as cores e os movimentos dos constrangimentos da semelhança, também para a filosofia Deus e o tema de Deus foram uma ocasião insubstituível para liberar aquilo que é o objeto de criação em filosofia - ou seja, os conceitos - dos constrangimentos que a simples representação das coisas lhes teria imposto... É no nível de Deus que o conceito é liberado, porque ele já não tem a tarefa de representar alguma coisa; ele torna-se a partir desse momento o signo de uma presença. Falando por analogia, ele assume linhas, cores e movimentos que ele não teria jamais sem esse desvio por Deus. É verdade que os filósofos sofrem os constrangimentos da teologia, mas em tais condições que, a partir desse constrangimento, eles irão produzir um fantástico meio de criação, a saber, eles vão arrancar dele uma liberação do conceito da qual ninguém poderá duvidar. Salvo no caso em que um filósofo vá longe demais ou com demasiada força. Será esse, talvez, o caso de Spinoza? Desde o início, Spinoza se colocou em condições segundo as quais o que ele nos dizia já não tinha mais nada a representar. Eis que aquilo que Spinoza irá chamar de Deus, no primeiro livro da Ética, será a coisa mais estranha do mundo: será o conceito capaz de reunir o conjunto de todas as possibilidades... Por meio do conceito filosófico de Deus realiza-se - e não podia realizar-se senão nesse nível - a mais estranha criação da filosofia como sistema de conceitos.

Em minha boca, esta fórmula metamorfoseia-se em seu inverso...


- Primeiro exemplo de minha "transvaloração de todos os valores": um homem bem constituído, um homem "feliz", precisa empreender certas ações e fugir instintivamente de outras, Ele insere em suas relações com os homens e as coisas a ordem que apresenta fisiologicamente. Para exprimir através de uma fórmula: sua virtude é a consequência de sua felicidade... Uma vida longa, uma rica prole não são a paga pela virtude. Ao contrário, a própria virtude repousa sobre aquele retardamento do metabolismo que, entre outras coisas, tem por consequência um a vida longa, uma rica prole, ou, resumindo, o cornarismo. - A igreja e a moral dizem: "O vício e o luxo levam um povo ou uma raça à aniquilação". Minha razão reconstituída diz: se um povo perece e vai ao fundo, se ele se degenera fisiologicamente, então seguem daí o luxo e o vício (isto é, a necessidade de estímulos cada vez mais intensos e cada vez mais frequentes, tal como os conhece toda e qualquer natureza extenuada). Este homem jovem empalidece e murcha precocemente. Seus amigos dizem: tal ou tal doença é a causa. Eu digo: o fato de ele ter adoecido, o fato de ele não ter se oposto à doença, foi justamente o efeito de uma vida empobrecida, de uma extenuação hereditária. O leitor de jornais diz: este partido está a caminho de dissolver-se com um tal erro. Minha política mais elevada diz: um partido que comete tais erros está no fim - ele não possui mais sua segurança instintiva. Todo e qualquer erro, de toda e qualquer espécie, é a consequência de uma degradação do instinto, da desagregação da vontade: quase se define com isso o que é ruim. Tudo o que é bom é instintivo. - E, consequentemente, leve, necessário, livre. A fadiga é uma objeção, Deus é tipicamente diferente dos heróis (em minha linguagem: os pés leves são o primeiro impulso).