segunda-feira, abril 20, 2015

A contrario sensu, a fortiori



Desnecessário dizer que sigo escrevendo. Aqui sou Espaço sem Tempo. O dia, vinte e oito de novembro. Aqui os dias se arrastaram até que tive coragem de registrar as primeiras palavras nesse caderno. Ordinário no senso comum, ordinário no sentido das coisas que desejo consertar. Os meus defeitos, defeitos de caráter. Mas preciso antes definir o significado de caráter, que às vezes basta ter. Outras vem seguido das palavras "bom" ou "mal". Entregar nas mãos de um Poder Superior é apenas como seguir o fluxo da natureza. Não cultural e cotidiano. O ano está quase acabando. Ano do Cavalo, ano do zodíaco chinês que define meu signo. Sigo o ano que segue. É quase dezembro. Há coisas que quero escrever, mas me falta o fôlego necessário. Conciso, determinante ou, eu diria, devidamente inspirado. Por isso os peixes voam. A chuva escoa pelos meus olhos enevoados, do meu coração cansado. A tristeza é um deserto estéril. A memória vivifica lembranças de outrora, com a força da solidão tento compensar as horas da ausência. Sentimentos de vida em voos poéticos. Nada terá sido em vão.

"... Era uma vez um menino que no dia do seu batizado recebeu todas as dádivas dos anjos do céu. Aos sete anos de idade, Deus beijou sua língua. Porém, um feiticeiro colocou em seu corpo uma bomba relógio antes que sua mãe pudesse impedi-lo.
Na época em que o rapaz completou dezoito anos todos haviam esquecido o feitiço, mas inexoravelmente e num dia aziago a bomba explodiu e, por dentro uma inexplicável fissura se abriu e mil crateras se abriram em inconclusivas indagações. Os hormônios se perderam em um labirinto, mas aos vinte e quatro anos, ano do cavalo, quando uma vela acende a outra, iluminou-se uma alameda de onde surgiu uma fada.

__ Pegue, escreva e desabafe. Se não fizer isso vai morrer de angústia, meu pobre menino
__ Não posso. Alguma coisa se despedaçou dentro de mim. Talvez eu nunca venha a me conhecer.
__ Escreva uma carta para Deus... Vai ajudá-lo a saber o que aconteceu durante o tempo em que ficou adormecido"

Mas para eles eu conto outras histórias...
Desnecessário dizer que sigo escrevendo. Aqui sou Espaço sem Tempo. O dia, vinte e oito de novembro. Aqui os dias se arrastaram até que tive coragem de registrar as primeiras palavras nesse caderno. Ordinário no senso comum, ordinário no sentido das coisas que desejo consertar. Os meus defeitos, defeitos de caráter. Mas preciso antes definir o significado de caráter, que às vezes basta ter. Outras vem seguido das palavras "bom" ou "mal". Entregar nas mãos de um Poder Superior é apenas como seguir o fluxo da natureza. Não cultural e cotidiano. O ano está quase acabando. Ano do Cavalo, ano do zodíaco chinês que define meu signo. Sigo o ano que segue. É quase dezembro. Há coisas que quero escrever, mas me falta o fôlego necessário. Conciso, determinante ou, eu diria, devidamente inspirado. Por isso os peixes voam. A chuva escoa pelos meus olhos enevoados, do meu coração cansado. A tristeza é um deserto estéril. A memória vivifica lembranças de outrora, com a força da solidão tento compensar as horas da ausência. Sentimentos de vida em voos poéticos. Nada terá sido em vão.
"... Era uma vez um menino que no dia do seu batizado recebeu todas as dádivas dos anjos do céu. Aos sete anos de idade, Deus beijou sua língua. Porém, um feiticeiro colocou em seu corpo uma bomba relógio antes que sua mãe pudesse impedi-lo.
Na época em que o rapaz completou dezoito anos todos haviam esquecido o feitiço, mas inexoravelmente e num dia aziago a bomba explodiu e, por dentro uma inexplicável fissura se abriu e mil crateras se abriram em inconclusivas indagações. Os hormônios se perderam em um labirinto, mas aos vinte e quatro anos, ano do cavalo, quando uma vela acende a outra, iluminou-se uma alameda de onde surgiu uma fada.

__ Pegue, escreva e desabafe. Se não fizer isso vai morrer de angústia, meu pobre menino
__ Não posso. Alguma coisa se despedaçou dentro de mim. Talvez eu nunca venha a me conhecer.
__ Escreva uma carta para Deus... Vai ajudá-lo a saber o que aconteceu durante o tempo em que ficou adormecido"

Mas para eles eu conto outras histórias...

Um comentário:

Francisca Aparecida Lopes Bello disse...

Era uma vez...conheci Gustavo Perez e foi como se apresentasse diante de mim a figura de um homem que havia recebido no seu corpo e na sua alma um poder mixto de genialidade e sedução,um soco no estomago.Passei ter a possibilidade de ler seu trabalho,seus textos e foi assim que consegui juntar a primeira e as outras impressões sobre Perez.Escritor com um conteúdo forte,auto biográfico,belos textos não a beleza apolínea,mas a beleza dionísica,me me encanta e emociona
ás lágrimas.Um homem com uma historia de vida tão profunda na sua maneira que a torna anciã comparada à pouca idade de Perez,que luta por tudo e pelo seu trabalho,seus textos,que me encantam e já posso parar,porque Perez faz a diferença,desde quando?era uma vez um menino que nasceu para brilhar.