domingo, maio 24, 2015

e viva o gosto pela miséria humana!

 
Hoje estou descontraído então vou contar um pequeno fragmento da minha vida diante da eternidade. Quando eu recaí, isso há 25 meses atrás, comecei a escrever notas sobre o meu cotidiano como adicto na militância da substância, a adicção ativa. Durante um período de 18 meses escrevi três cadernos descrevendo o impulso desesperador da adicção. Uma vivência única. Apavorante, angustiante, implacável, violenta, cansativa, feroz. Mas, que foi todavia surpreendente, sobrenatural, sobre-humana, magnificente, sublime, espantosa, assombrosa, real. Durante o período de reclusão tive bastante tempo para ler e, principalmente, escrever. Nessa foram mais dois cadernos. Esses mais sóbrios, mais limpos, e claro, mais abstinentes. Escrevi com o coração magoado, penalizado, arrependido. Sempre nostálgico de algo que ainda não descobri. Uma paixão, mas além das mundanas, quais? Fato é que numa das visitas ganhei do meu irmão mais velho dois cadernos e algumas canetas que eu pensei que nunca fosse usar. Mother Superior jump the gun, a Madre Superiora sacou a arma. E lá estava eu, indo atrás dos pedaços que deixei na da cidade. Indo atrás de mim mesmo. Enfim... como escrever é a constante de um escritor, por assim dizer, agora escrevo no segundo caderno que ganhei (que pensei que nunca fosse usar) e uso as tais canetas (que também pensei que nunca fosse usar). A vida não para. Minha família quer que eu faça um livro desses cinco cadernos. Um livro de todas as coisas que eu gostaria de esquecer para sempre... É isso.

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