sábado, maio 30, 2015

Meu tempo parou naquela manhã de sábado

 
 
perder
é o vento no vazio
é ventre escuro de um terreno
é o fundo do mar
umbigo do mundo
porque um cativeiro
é o ventre que me pariu
o vento escuro de ventre
vou aprender a ler
pra ensinar meus camaradas
entendeu?
a
prender a ler
mas no caso deste texto, não se trata de questões de fundo, mas de forma
para mim o texto perdeu o interesse no final
perdeu
não é o final
é só a metade
o final também não tem fim
o início do texto tem um brilho que se perde a partir de algum ponto
porque meu texto tenta ser um cadinho de mim
mas não é provável que seja
nunca será
se perder é normal e é uma qualidade não estrutural
perder sentido
perder o brilho
não quero brilho
não sou brilho
ainda acho que você deveria sair um pouco de vc
sou um pervertido
sozinho no deserto
um andarilho
e gosto quando seu texto é narrativo
pode achar pode se perder
eu escrevo assim
eu acho que é isso que eu sinto falta de mais quando te leio
do meu umbigo pra mim mesmo
não me interesso por mais nada
sempre deixo de dizer o que quero

claro
que não consigo entender
o texto é isso
não entendimento
um filete
filamento
divisão
autobiografia nunca acaba com o fim
se busco "por que?"
encontro "talvez"
o objeto é inatingível
representado
nunca bem
um complexo de Goethe
sonho desbotado numa colcha de signos
a milionésima parte enfeitando a estante uma tentativa infrutífera
uma vaidade, uma mentira
ou várias
uma meia metade
meia metade e meia
uma meia verdade
o pecado mais íntimo
escrevo talvez
também
além
por causa
do medo
um diletantismo medonho
dilacerar a si mesmo
antes da ponta do lápis
atrás da parede
um desejo
um beijo na página em branco
um mero "motive" Underlines
o último beijo. Sempre o último beijo de amor. Sempre o desejo, um vestígio e essa vontade de ser Deus.

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