quinta-feira, junho 04, 2015

Assim que der eu te ligo...


Sou um vira-lata. As mãos frias eram sinal da constante tensão em que vivia. Sintoma. Sintoma quer dizer também a queda, o acontecimento infeliz, a coincidência, o fim do prazo, a má sorte. As palavras agora são pó e cinza, espalhados na estrada do vento, e já se perdeu pelo ar. Sonhei que era uma sacerdotisa grega. Ria, calada e sóbria, um pouco além do padrão de maldade daquela época. E o sonho acaba. Um poeta ainda seria artista trabalhando na bilheteria de um cinema? O mundo dá-te um pouco de malícia e muita maldade. O Estado Liberal Democrático é isso. Fluxo de moeda corrente em pão e poesia não se mede. Suponho que haja coisas que retrocedem por si mesmo. A água encontra seu caminho. Devoro o que possa haver dentro de mim, raiva, ferida, mágoa, amor, dor com rima pobre. Caminhar é assim. Perco-me, às vezes, em vários personagens. Tristeza e Alegria coexistem num jogo de espelhos. Confecciono um quadro de memórias sem concepção de passado, não posso renunciar a nada. Construo uma nova roupagem para o ato da loucura. Sonhei coisas belas para o desenho da nossa trama, mas nossas almas só se encontravam na cama.

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