quinta-feira, junho 04, 2015

Faz parte...



Estive doente. Estou doente. Das coisas da vida. Você não sabe o que sofri. Não me interessa saber quem sofreu mais que eu, isso não é competição. Se você não se interessa por minha dor, passa com indiferença, quê fazer? foda-se. Dê-me forças para aceitar e aceitar o que há em mim, esse monólogo interminável. Psicótico, sociopata, suicida. Dessa maneira é fácil ser iconoclasta, marginal, antissocial, anormal, desencaixado. Abro a janela que dá vista para o céu. Observo o movimento das nuvens. As mãos raladas de beijar no asfalto e a língua rasgada desse mesmo beijo. As pessoas normais guardam seus problemas emocionais e suas neuroses em casa. No ostracismo do quarto, coloco fragmentos no papel ao custo de más recordações, e lágrimas. A ambientação, o percepto - a sensação de noção de percepção. A dor na coluna de ficar muito tempo deitado, sozinho. Sonhando, homo-ludens. Sinto falta de um Adeus, porque fiquei vazio de Adeus. Como se eu fosse invisível, como se eu não existisse. Uma tempestade em meu universo. O sol parece triste.
Sinto falta de mim mesmo
da metade que levou quando partiu
Como membro que se regenera
outro a ser o que era
O mundo é inerte. Abram as janelas, deixem o ar entrar. Deixaram que noite caísse lentamente, novamente. Não tente entender a minha dor. Viva sua ascensão na Francis Bacon Road. Cabedal de informações inúteis.

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