terça-feira, junho 30, 2015

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Desta forma, Derrida se afasta de qualquer traço impositivo ou dogmático. Evita bater de frente com resistências muito arraigadas que seu texto, se levado - como deve ser - a suas últimas consequências suscitará. Não deixa de ser uma tática expositiva e política, tal como aponta em aí Estados d´Alma da Psicanálise, ao abordar a correspondência trocada entre Freud e Einstein, sobre a guerra. Ali, Freud aconselha uma abordagem indireta no manejo da pulsão de morte: o não enfrentá-la diretamente, contornando-a, sem ignorá-la.
Sören Kierkegaard, afirmava que o mais alto bem para o indivíduo consiste em encontrar sua própria vocação. Tudo que atua é uma crueldade. É a partir desta ideia levada as últimas consequências que o teatro deve ser renovado. Tudo que existe no amor, no crime, na guerra ou na loucura precisa ser desenvolvido pelo teatro, se ele pretende reencontrar seu papel necessário... acreditamos existirem, no que se chama poesia, forças vivas, e que a imagem de um crime apresentada nas condições teatrais adequadas funciona para o espírito como algo infinitamente mais temível do que o próprio crime realizado... queremos fazer do teatro uma realidade na qual se possa acreditar, e que contenha para o coração e os sentidos essa espécie de picada concreta que comporta toda sensação verdadeira. Assim como nossos sonhos atuam sobre nós e a realidade atua sobre nossos sonhos, pensamos que podemos  identificar as imagens da poesia como um sonho, que será eficaz na medida em que será propulsionado com a violência necessária. E o público acreditará nos sonhos do teatro com a condição de considerá-los de fato como sonhos e não como decalque da realidade; com a condição de que os sonhos permitam liberar no público essa liberdade mágica do sonho, que ele só pode reconhecer enquanto marcada pelo terror e pela crueldade

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