quinta-feira, julho 16, 2015

at work

Francisca,

Não me esqueça, ou não esqueça o quão profundamente estás viva e sei que o amor tornou-se bênção em minha vida. Trata-se de uma certeza inabalável, ainda hoje, que eu não consigo ficar quieto achar raízes do pertencimento ao homem que é, talvez, menos do que se espera.





Hoje dia 15 de julho de 2015, agora 2 e 43 da madrugada...

Cazuza cantando... "viver é bom, solidão que nada..." Viver é bom. Então de repente você se entorpece dos tangos que eu te faço ouvir, e me emociona com palavras ditas em um tom sutil, transcendente. Certo timbre de "ouça-me, preste atenção" e diz "ame!"... Essa inflexão que só o receptor da mensagem pode entender. Veja, sinto que despejei todo meu amor sobre as mulheres que amei. Como o movimento de amar contempla. Assim desse jeito impreciso, incerto,
caótico, vago, confuso, promíscuo. Amei, sim, no pretérito. Mas, neste instante em que escrevo, nas horas profundas da madrugada, quase secretas, é porque escutei lá no fundo o eco abismal dessa voz que revela, ainda que veladamente um universo babélico, helênico e impenetrável de quem amou.  De sorte que chegou a lamentar cada prazer que gozava, cada carícia inven­tada cuja doçura teve a imprudência de assinalar cada graça nela descoberta. Sabia que dali a instantes, esse amor vacilante iria enriquecer novos instrumentos para o seu suplício. Senti sua alma, sua mudez, sua nudez. Vi através dos olhos teus o inevitável sofrimento, ambíguo, hesitante incolor, indeciso, misterioso. A sonoridade fez 

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